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Economia

Petrobras concurso: vagas em Brasília e contratos de gás até 2046

Estatal fecha contratos longos de GNL, batiza navio de R$ 450 milhões e, ao mesmo tempo, enfrenta forte pressão de credores da Braskem por aporte bilionário.

18/09/2026 16:00 7 min de leitura
Petrobras concurso: vagas em Brasília e contratos de gás até 2046
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Economia

Petrobras amplia presença em Brasília e firma contratos estratégicos de gás natural liquefeito até 2046.

A Petrobras amarra contratos de gás natural liquefeito (GNL) por até 20 anos, batiza um novo navio de apoio offshore e, ao mesmo tempo, é cobrada por credores da Braskem a colocar dinheiro novo na petroquímica em crise.

Estrategia de “seguro” no gás e contratos bilionários

A estatal fecha a compra de 0,8 milhão de toneladas anuais de GNL da americana Sempra Infrastructure por duas décadas. O volume se soma a outro contrato, também de 0,8 milhão de toneladas anuais, firmado com a britânica Centrica por 15 anos, com início de entregas previsto a partir de 2027.

Na prática, a Petrobras dobra o gás contratado em longo prazo e passa a trocar, em parte, a dependência do mercado spot, mais volátil, por previsibilidade. Internamente, a avaliação é que “a aposta da Petrobras é trocar parte do risco de ter de correr ao mercado internacional em momentos de aperto por um compromisso longo de fornecimento”.

O movimento ocorre enquanto o Brasil registra produção recorde de gás. Em julho, a produção nacional alcança 214,97 milhões de metros cúbicos por dia. Apenas 66,12 milhões de metros cúbicos, porém, chegam de fato ao mercado, devido à reinjeção em reservatórios, consumo nas próprias operações e gargalos de escoamento e processamento.

O risco maior aparece nos períodos de seca. Quando reservatórios hidrelétricos caem, as termelétricas entram em cena e puxam a demanda por gás. Em crises hídricas recentes, as importações de GNL da Petrobras chegam a triplicar, com forte impacto nos custos da estatal e, por consequência, nas contas de luz e no preço da energia para a indústria.

Há ainda a incerteza boliviana. A queda de produção no país vizinho e as sucessivas revisões do contrato do gasoduto Brasil-Bolívia reduzem a confiança da Petrobras no suprimento futuro. Os contratos de GNL funcionam como um “seguro” adicional para cobrir buracos que a oferta doméstica e o gás importado por gasoduto podem não preencher.

Navio de R$ 450 milhões e foco em logística offshore

Enquanto amarra o abastecimento de gás, a Petrobras reforça a logística marítima. A companhia batiza o Starnav Elektra, primeira embarcação do Programa Mar Aberto, voltado à renovação e ampliação da frota de apoio às plataformas de petróleo.

O navio, do tipo PSV (Platform Supply Vessel), é construído no Estaleiro Detroit, em Itajaí (SC), pela Starnav Serviços Marítimos. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destaca o peso do investimento: “A embarcação recebeu investimentos de cerca de R$ 450 milhões”, afirma.

O Starnav Elektra será responsável por levar insumos, peças e materiais para as plataformas, em especial nas áreas do pré-sal. O Programa Mar Aberto prevê a contratação de mais unidades de apoio, em linha com a estratégia de elevar a produção de petróleo e gás com maior eficiência e menor risco operacional.

O reforço na frota vem em um momento em que a Petrobras tenta alinhar expansão de produção, maior uso do gás nacional e contratos de GNL de longo prazo. A combinação de navios modernos e maior previsibilidade no suprimento é apresentada internamente como um pacote para garantir segurança energética ao país, reduzir sustos de preço e evitar corridas de última hora ao mercado internacional.

Pressão bilionária na Braskem expõe outro flanco

No setor petroquímico, o cenário é bem menos confortável. Credores da Braskem, maior produtora de resinas da América Latina, rejeitam o plano de reestruturação de dívida de US$ 11 bilhões apresentado pela companhia e passam a exigir um aporte firme de capital por parte da Petrobras e do IG4 Capital Group, seus controladores.

A proposta mais recente colocada na mesa prevê cerca de US$ 2 bilhões aportados pelos próprios credores, sendo US$ 1,25 bilhão para recompra de dívidas e US$ 750 milhões para capital de giro. Bancos e gestores de títulos, porém, sinalizam que esse esforço não basta sem dinheiro novo dos acionistas. “Alguns credores deixaram claro que não haverá acordo sem um aporte de capital”, relatam pessoas próximas às negociações.

Os papéis de dívida da Braskem emitidos em dólares são negociados com rendimento em torno de 26% ao ano, patamar considerado típico de empresas em situação de estresse agudo. A “possibilidade de um pedido de recuperação judicial voltou a ganhar destaque nas discussões”, admitem interlocutores que acompanham as conversas.

O relógio corre. O prazo colocado entre as partes para fechar um acordo básico vai até 9 de outubro. Um plano definitivo de reestruturação precisa ser apresentado até o fim de novembro, sob o risco de a companhia recorrer à Justiça. Uma recuperação judicial da Braskem teria efeito dominó sobre fornecedores, bancos, mercado de trabalho e a cadeia petroquímica, que abastece desde a indústria automotiva até a de embalagens.

Dilema financeiro para a Petrobras e próximos passos

A Petrobras, que já lida com passivos ambientais associados à Braskem e com sucessivas tentativas fracassadas de venda de participação na petroquímica, enfrenta agora um dilema: preservar caixa para investimentos estratégicos em exploração e gás, ou injetar recursos em uma empresa em crise para evitar uma reestruturação desordenada.

Internamente, a estatal destaca que o foco hoje está na segurança energética, na expansão do pré-sal e na transição para uma matriz menos poluente. Contratos plurianuais de GNL, reforço da infraestrutura e programas como o Mar Aberto consomem bilhões de reais em investimentos planejados para os próximos anos.

Esse quadro torna mais complexa qualquer decisão sobre um aporte robusto na Braskem. Se contribuir com capital, a Petrobras ajuda a estabilizar a petroquímica e protege parte do valor já investido, além de reduzir o risco de contágio ao mercado de crédito. Se recusar, amplia a probabilidade de uma recuperação judicial com consequências imprevisíveis para o setor.

Nas próximas semanas, a companhia precisa avançar simultaneamente em duas frentes. De um lado, detalhar a estratégia de suprimento de gás e explicar ao mercado como os contratos de GNL convivem com a expansão da produção doméstica. De outro, definir, com o governo e demais acionistas, até onde está disposta a ir para salvar a Braskem. O desfecho dessas negociações vai ajudar a desenhar não apenas o futuro da petroquímica, mas também a capacidade de investimento da Petrobras em segurança energética e novos projetos.

Por que a Petrobras está comprando gás dos EUA por 20 anos?

A Petrobras firma contrato de 0,8 milhão de toneladas anuais de GNL com a americana Sempra por 20 anos para garantir previsibilidade de oferta, reduzir a dependência do mercado spot e cobrir picos de demanda em crises hídricas ou falhas no suprimento boliviano, funcionando como um “seguro” contra choques de preço e falta de gás.

O que é o Programa Mar Aberto da Petrobras e qual a importância da nova embarcação batizada?

O Programa Mar Aberto é o plano da Petrobras para renovar e ampliar a frota de apoio às plataformas, e o Starnav Elektra, navio de R$ 450 milhões batizado em Itajaí (SC), é a primeira embarcação dessa iniciativa, reforçando a logística de suprimentos do pré-sal, reduzindo riscos operacionais e aumentando a eficiência no transporte de cargas para o mar.

Por que os credores da Braskem rejeitaram o plano de dívida e como isso afeta a Petrobras?

Os credores rejeitam o plano da Braskem porque consideram insuficiente a reestruturação dos US$ 11 bilhões de dívida sem um aporte firme dos acionistas, exigindo capital novo além dos cerca de US$ 2 bilhões propostos, o que pressiona diretamente a Petrobras, acionista controladora, a decidir se injeta recursos ou aceita o risco de uma recuperação judicial.


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