Zezé Di Camargo faz ato político em homenagem a Rick Sollo em MT
Em show em Cáceres (MT), Zezé Di Camargo homenageia Rick Sollo e associa “lado direito de Deus” a desejo de ver o Brasil “totalmente do lado direito”, gerando reação imediata.
Entretenimento
Zezé Di Camargo presta homenagem a Rick Sollo durante show em Cáceres, gerando repercussão por declarações políticas.
Zezé Di Camargo transforma a homenagem ao amigo Rick Sollo, em um show em Cáceres (MT), em declaração política ao dizer que espera ver o Brasil “totalmente do lado direito”. O tributo ocorre três dias após a morte do cantor, de 59 anos, em um acidente de helicóptero que matou cinco pessoas em Santa Catarina.
Show em Cáceres mistura luto e posicionamento
O sertanejo sobe ao palco em uma exposição agropecuária em Cáceres com o luto ainda fresco. Horas antes, cruza o país para se despedir de Rick no velório em Sorocaba, no interior paulista. Ele conta à plateia que refez a rota para cumprir um “compromisso do coração”.
“Mudei a minha logística para chegar aqui hoje, porque eu tinha um compromisso com o meu coração, que era passar para fazer a despedida de um grande amigo meu da música”, afirma, diante de um público emocionado. A fala abre espaço para uma homenagem carregada de religiosidade — e, em seguida, de política.
Em tom de prece, Zezé exalta o parceiro de longa data de Renner, com quem Rick constrói uma carreira de cerca de 40 anos e assina mais de 660 músicas. “Que Deus o tenha muito, do seu lado direito. O lado direito é que ficam as coisas boas. É o lado direito que é bom ou não é? O Rick está ao lado direito de Deus e eu espero que o Brasil logo, logo esteja totalmente do lado direito”, diz o cantor, sob aplausos de parte do público.
Acidente na Serra Catarinense e comoção no sertanejo
Rick Sollo morre aos 59 anos em um acidente de helicóptero na Serra Catarinense. A aeronave, modelo Bell 430, prefixo PP-MGR, decola de Porto Belo rumo a São Joaquim e perde contato no trajeto. Os destroços surgem em uma área de mata em Urubici após buscas do Corpo de Bombeiros, Força Aérea Brasileira e Polícia Militar de Santa Catarina.
As cinco pessoas a bordo, entre elas o empresário Bruno Avelar, não sobrevivem. A notícia choca o meio sertanejo e fãs de diferentes gerações. A despedida em Sorocaba reúne familiares, amigos próximos e artistas que conviveram com Rick, figura discreta fora do palco, mas central na história do gênero.
O impacto é proporcional à trajetória do compositor, que ajuda a moldar o sertanejo romântico em sucessos cantados em rodeios, programas de TV e festas de interior. A morte súbita em um voo de rotina reforça a sensação de fatalidade e acentua a expectativa de que homenagens privilegiem a memória artística e humana do cantor.
Do “lado direito de Deus” ao debate eleitoral
No palco em Mato Grosso, o discurso de Zezé rapidamente deixa o terreno do consolo religioso e pisa na arena política. Em outro trecho, ele explicita a metáfora: “Que Deus o tenha bem do lado direito. É do lado direito que ficam as coisas boas. Apesar do Brasil estar do lado esquerdo, quando você fala que uma pessoa é do bem, diz que é uma pessoa direita. O Rick está do lado direito de Deus. Eu espero que o Brasil, logo, logo, também esteja totalmente do lado direito”.
A frase, gravada em vídeo por fãs, corre pelas redes sociais. O comentário ocorre às vésperas das eleições deste ano, em um ambiente já tensionado por disputas entre campos ideológicos e pela presença crescente de artistas sertanejos em palanques, lives e campanhas.
Zezé não esconde há anos sua disposição de se posicionar. Já circula por campanhas de nomes de diferentes espectros e critica publicamente o governo em momentos específicos. A homenagem a Rick, porém, inaugura uma camada mais sensível: leva um bordão político para dentro de um ritual coletivo de luto, diante de uma plateia que ainda digere a tragédia.
Reação imediata nas redes e desconforto entre fãs
As imagens do show em Cáceres alimentam uma divisão instantânea. Em comentários, parte do público acusa o cantor de usar a morte do amigo como gancho para fazer campanha informal. “Falta de respeito, misturar a morte do cara com política”, escreve um internauta, em síntese do incômodo de quem esperava apenas um tributo.
Outros seguidores celebram a coragem do artista em reafirmar a associação entre “direita” e “pessoa de bem” justamente em um momento de comoção nacional. Para esse grupo, o gesto reforça a ideia de que figuras públicas alinhadas ao campo conservador não recuam mesmo sob críticas.
Nos bastidores, o clima também é ambíguo. Amigos e familiares de Rick se emocionam com a lembrança do companheiro de estrada, mas a inserção de um recado político em meio à reverência ao morto causa desconforto. A família tenta preservar a imagem do artista como compositor prolífico e parceiro leal, distante da polarização que domina o debate público.
Artistas sertanejos e o custo da polarização
O episódio em Cáceres reforça a aproximação entre parte do sertanejo e a política institucional. Shows viram palcos para recados, acenos a candidatos e antecipação de discursos que orbitam a eleição. Ao acoplar o destino do Brasil ao “lado direito de Deus”, Zezé amplia essa tendência e personifica o choque entre devoção religiosa, nostalgia e disputa eleitoral.
O setor sertanejo, que movimenta milhões em cachês, patrocínios e eventos, sente o peso da divisão. Produtores temem boicotes regionais, enquanto artistas se veem pressionados a declarar lado ou, ao contrário, a manter silêncio para não perder público. A fala de Zezé tende a ser usada por campanhas como símbolo de apoio, mesmo sem um endosso explícito a nomes.
Nas redes, a polêmica alimenta debates sobre limites do discurso político em momentos de dor. A fronteira entre homenagem sincera e oportunismo passa a ser discutida por fãs, analistas e colegas de profissão. O risco para Zezé é claro: ganhar aplausos em um campo do eleitorado enquanto afasta quem enxerga na política um intruso em despedidas públicas.
Ao mesmo tempo, o episódio recoloca Rick Sollo no centro das conversas não apenas pela maneira trágica como morre, mas pela dimensão de sua obra. Entre mensagens de indignação com o teor político do discurso, multiplicam-se relatos de fãs sobre como suas músicas embalaram casamentos, separações e viagens de estrada.
A janela eleitoral pressiona todos os envolvidos a responder. Zezé pode ter de voltar ao tema para explicar o contexto da fala e tentar separar, ao menos em parte, o luto da disputa partidária. A família de Rick e sua equipe artística, por sua vez, buscam blindar a memória do cantor, reafirmando seu legado além da tempestade política do momento.
O que Zezé Di Camargo disse sobre Rick durante o show em MT?
Zezé Di Camargo afirmou em Cáceres (MT) que Rick Sollo “está do lado direito de Deus”, dizendo que “é do lado direito que ficam as coisas boas” e emendou que espera ver o Brasil “logo, logo totalmente do lado direito”, em um discurso que misturou homenagem religiosa e mensagem política.
Por que Zezé Di Camargo foi criticado nas redes sociais após homenagem a Rick?
Zezé Di Camargo é criticado porque, durante a homenagem a Rick Sollo, associou o “lado direito de Deus” a um desejo de que o Brasil esteja “totalmente do lado direito”, levando internautas a acusá-lo de usar a morte do amigo e um momento de luto coletivo para fazer declaração política em plena véspera eleitoral.
Como Zezé Di Camargo relacionou a morte de Rick com política e as eleições de 2026?
Zezé Di Camargo relacionou a morte de Rick Sollo com política ao dizer que o amigo está “do lado direito de Deus” e, em seguida, declarar que espera que o Brasil esteja “logo, logo totalmente do lado direito”, frase interpretada como aceno explícito ao campo conservador em um contexto de eleições nacionais acirradas neste ano.
Qual foi a reação do público à declaração política de Zezé Di Camargo usando a morte de Rick?
A reação do público se divide entre críticas duras e manifestações de apoio: muitos fãs chamam a fala de “falta de respeito” por misturar luto e política, enquanto simpatizantes do posicionamento de direita elogiam a coragem de Zezé Di Camargo, transformando a homenagem em novo foco de polarização nas redes sociais e no meio sertanejo.
O que Zezé Di Camargo quis dizer ao falar que Rick está “do lado direito de Deus”?
Zezé Di Camargo usa a expressão “lado direito de Deus” para ligar Rick Sollo à ideia de bondade e retidão, dizendo que “é do lado direito que ficam as coisas boas” e lembrando que se chama uma pessoa de bem de “pessoa direita”, argumento que ele estende à política ao desejar o Brasil “totalmente do lado direito”.
Qual foi o contexto da homenagem de Zezé Di Camargo a Rick durante o show em Mato Grosso?
A homenagem ocorre em show de Zezé Di Camargo em Cáceres (MT), três dias após o acidente de helicóptero que matou Rick Sollo e outras quatro pessoas; o cantor vai antes ao velório em Sorocaba, altera sua logística para se despedir do amigo e, no palco, faz um discurso emocionado que evolui para declaração política filmada pelo público.


