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Economia

Morre Ronaldo de Carvalho, que revolucionou o varejo farmacêutico

Aos 82 anos, morre em São Paulo Ronaldo de Carvalho, herdeiro da Drogaria São Paulo. Ele transformou 10 lojas em 1,7 mil unidades e mudou o varejo farmacêutico.

03/10/2026 14:00 9 min de leitura
Morre Ronaldo de Carvalho, que revolucionou o varejo farmacêutico
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Ronaldo de Carvalho expandiu a Drogaria São Paulo de 10 para 1,7 mil lojas, inovando o setor farmacêutico no Brasil.

O empresário Ronaldo José Neves de Carvalho, herdeiro e ex-presidente da Drogaria São Paulo, morre aos 82 anos em São Paulo e encerra uma era no varejo farmacêutico brasileiro. Ele deixa dois filhos, Flávio e Paulo Carvalho, que integram o conselho do Grupo DPSP.

Do balcão familiar à rede com 1,7 mil lojas

Nascido em 22 de maio de 1944, em São Paulo, Ronaldo de Carvalho cresce cercado pelo negócio criado pelo pai, Thomaz de Carvalho. Formado em engenharia mecânica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ele decide assumir o desafio de profissionalizar a empresa da família.

O ingresso formal no comando da Drogaria São Paulo ocorre em 1971, quando a rede mantém apenas 10 lojas. A partir daí, o empresário conduz uma expansão contínua, até alcançar as 1,7 mil unidades atualmente em operação, espalhadas por diversas regiões do país.

A transformação não se limita ao tamanho. Ronaldo impõe padrões de gestão, informatiza processos e aposta em capilaridade. As lojas passam a ocupar esquinas estratégicas de grandes centros e a avançar sobre cidades médias, aproximando medicamentos e serviços farmacêuticos de milhões de consumidores.

Pioneirismo em lojas 24 horas e benefícios a aposentados

Ao longo de mais de cinco décadas à frente do negócio, Ronaldo se notabiliza como um dos principais inovadores do varejo farmacêutico. Ele é apontado pelo Grupo DPSP como pioneiro na implantação de lojas 24 horas, modelo que hoje se torna praticamente obrigatório nas grandes redes.

Essas unidades com funcionamento ininterrupto alteram o padrão de atendimento ao público, especialmente em grandes áreas urbanas. Emergências noturnas, compra de remédios de uso contínuo e acesso a produtos de higiene em horários estendidos deixam de ser exceção para virar rotina.

O empresário também aposta em programas de benefícios e descontos direcionados a aposentados. A iniciativa antecipa, em escala privada, uma discussão que mais tarde entra na agenda pública: como garantir acesso a medicamentos para uma população que envelhece rapidamente e vive majoritariamente com renda fixa.

Internamente, essas medidas ajudam a fidelizar clientes e a criar um perfil de consumidor recorrente. Para o setor, pressionam concorrentes a redesenhar políticas comerciais e a replicar modelos de relacionamento com faixas específicas de público.

A construção da Abrafarma e a virada regulatória

O protagonismo de Ronaldo de Carvalho ultrapassa as paredes da empresa. No início da década de 1990, ele lidera a criação da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), em 1991, e se torna o primeiro presidente da entidade.

A associação nasce com uma missão clara: organizar um setor fragmentado e abrir diálogo direto com o governo federal e administrações locais. Órgãos públicos evitam negociar com empresas isoladamente; redes de farmácias enfrentam restrições de zoneamento, horários de funcionamento e plantões obrigatórios.

Ronaldo relata, em entrevistas, situações em que defende o fim de regras consideradas absurdas, como exigências de distância mínima entre farmácias que, na prática, funcionam como barreiras à concorrência. Em uma dessas conversas, cita o caso de São Vicente, no litoral paulista, onde só seria possível abrir nova farmácia a 800 metros de outra já existente. “Eu colocava lá quando discutia com a Prefeitura de São Vicente: só se for para abrir na Serra do Mar ou no meio do oceano, porque é um absurdo”, afirma.

A Abrafarma, sob sua influência, passa a articular mudanças legais e regulatórias, incluindo flexibilização de plantões e horários. Na nota de pesar divulgada agora, a entidade resume o papel do empresário: “Perdemos não apenas um de nossos fundadores, mas alguém que acreditou, desde o início, na força de um setor unido e ajudou a transformar essa visão em realidade”.

Fusão com a Pacheco e nascimento de um gigante

A visão estratégica de Ronaldo se evidencia em um dos movimentos mais emblemáticos do varejo farmacêutico nacional: a fusão entre Drogaria São Paulo e Drogaria Pacheco, que dá origem ao Grupo DPSP. A operação une as duas maiores redes de então, com forte presença em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Em relato sobre esse processo, o empresário explicita o raciocínio que sustenta a união. “A Drogaria Pacheco é o maior nome de farmácia no Rio de Janeiro, a Drogaria São Paulo é o maior nome de farmácia em São Paulo. Por que ficar brigando? Vamos parar com essa briga e vamos nos juntar e montar aquela que será a maior rede de farmácias do Brasil”, diz.

A fusão consolida um grupo com escala nacional, maior capacidade de negociação com a indústria farmacêutica e musculatura para disputar espaço com redes regionais e outros grandes players. Também intensifica debates sobre concentração de mercado e a necessidade de equilibrar concorrência, preços e serviço ao consumidor.

O Grupo DPSP, controlador da Drogaria São Paulo, define Ronaldo como alguém “reconhecido por sua inteligência excepcional, capacidade analítica e visão de longo prazo”. O tom do comunicado indica a intenção de preservar a estratégia construída pelo empresário, agora sob supervisão dos filhos no conselho.

Legado e desafios após a perda da principal liderança

A morte de Ronaldo de Carvalho provoca uma onda de manifestações públicas de pesar no setor farmacêutico. Executivos, entidades empresariais e profissionais de saúde apontam que o empresário ajuda a redesenhar a forma como o brasileiro compra medicamentos nas últimas décadas.

O impacto prático de sua atuação aparece em frentes distintas. Lojas 24 horas e a multiplicação de unidades tornam mais simples encontrar remédios em bairros distantes. Programas de benefícios para aposentados aliviam parte da pressão de custos sobre quem depende de tratamentos contínuos. A articulação institucional via Abrafarma ajuda a modernizar regras de funcionamento e a tornar o varejo farmacêutico mais competitivo.

A ausência de Ronaldo, porém, abre espaço para uma nova disputa de liderança dentro do setor. A Abrafarma perde uma referência histórica de negociação com o poder público. Grandes redes precisam reposicionar porta-vozes e calibrar estratégias diante de discussões regulatórias sensíveis, como venda de novos tipos de produtos em farmácias e regras para serviços clínicos nesses estabelecimentos.

Dentro do Grupo DPSP, a continuidade dos negócios recai sobre uma estrutura já profissionalizada, mas ainda marcada pela presença da família fundadora. Flávio e Paulo Carvalho, seus filhos, seguem no conselho e tendem a zelar pela preservação do legado. Analistas do setor apontam que o desafio está em manter a capacidade de inovação e leitura de cenário que o patriarca demonstra ao longo de cinco décadas.

A trajetória de Ronaldo deixa como herança um setor mais organizado, com redes articuladas nacionalmente e presença capilar nas grandes cidades. O próximo capítulo, agora sem sua voz nas mesas de negociação, dirá se o varejo farmacêutico brasileiro continuará a avançar no mesmo ritmo ou se entrará em uma fase de consolidação mais cautelosa.

Quem foi Ronaldo de Carvalho e qual foi sua contribuição para a Drogaria São Paulo?

Ronaldo José Neves de Carvalho, empresário paulistano de 82 anos, é o herdeiro que transforma a Drogaria São Paulo de 10 para 1,7 mil lojas, profissionaliza o negócio familiar, implanta lojas 24 horas, cria programas para aposentados e conduz a fusão que dá origem ao Grupo DPSP, tornando a rede uma potência nacional.

Qual o impacto da morte de Ronaldo Carvalho para a Drogaria São Paulo?

A morte de Ronaldo de Carvalho, principal formulador da estratégia que levou a Drogaria São Paulo a 1,7 mil lojas, retira do Grupo DPSP sua liderança histórica, obriga o conselho — onde atuam seus filhos — a reafirmar rumos e abre uma fase de transição em que inovação e relações políticas precisarão ser reconstruídas sem sua influência direta.

Quantas lojas a Drogaria São Paulo tinha sob a liderança de Ronaldo Carvalho?

Ronaldo de Carvalho assume a Drogaria São Paulo quando a rede tem 10 lojas e conduz um ciclo de expansão que leva o grupo às atuais 1,7 mil unidades, espalhadas pelo país, consolidando a empresa como uma das maiores redes de farmácias do Brasil e referência em atendimento e capilaridade no varejo farmacêutico.

Qual a importância de Ronaldo Carvalho na fundação da Abrafarma?

Ronaldo de Carvalho está entre os fundadores da Abrafarma, criada em 1991, e atua como seu primeiro presidente, organizando grandes redes de farmácias, articulando diálogo direto com o governo e liderando a revisão de regras de zoneamento, plantões e horários, o que ajuda a modernizar e fortalecer o varejo farmacêutico nacional.

Como Ronaldo Carvalho ajudou na expansão da Drogaria São Paulo pelo Brasil?

Ronaldo de Carvalho lidera, desde 1971, a estratégia que transforma a Drogaria São Paulo de 10 para 1,7 mil lojas ao apostar em gestão profissional, expansão para novas cidades, pontos comerciais estratégicos, abertura de lojas 24 horas, programas de benefícios a aposentados e, depois, na fusão com a Drogaria Pacheco.

Quem são os atuais donos da Drogaria São Paulo após a morte de Ronaldo Carvalho?

O controle da Drogaria São Paulo permanece com o Grupo DPSP, estrutura empresarial que resulta da fusão com a Drogaria Pacheco, enquanto a família fundadora segue representada pelos filhos de Ronaldo, Flávio e Paulo Carvalho, que integram o conselho e participam da definição das diretrizes estratégicas do conglomerado varejista.


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