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Derrota de Silvia Abravanel expõe limite da fama nas urnas

Silvia Abravanel e uma leva de celebridades fracassam na disputa por vagas na Câmara em 2026. Resultados indicam desgaste do modelo de candidato “só famoso”.

06/10/2026 06:47 7 min de leitura
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Eleições 2026

Celebridades enfrentam desafios nas urnas, revelando que fama não garante sucesso político.

Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos, não se elege deputada federal por São Paulo nas eleições de 4 de outubro de 2026. A apresentadora do SBT recebe 22.464 votos, número insuficiente para uma das 70 cadeiras do estado na Câmara dos Deputados.

O resultado se repete para uma lista extensa de celebridades apoiadas por grandes partidos. A derrota em bloco expõe o limite da força midiática diante de um eleitorado mais exigente e de um sistema eleitoral competitivo, em que fama não basta para transformar audiência em voto.

Celebridades ficam de fora mesmo com partidos fortes

Silvia disputa pelo PSD e se afasta do comando do “Sábado Animado” para mergulhar na campanha. A aposta do partido é clara: usar o reconhecimento da marca Silvio Santos para puxar votos numa disputa pulverizada. A estratégia não funciona.

O PSD não está sozinho. MDB, PT, PSB, Republicanos e outras siglas testam, em maior ou menor escala, o velho atalho de lançar nomes populares da TV, do futebol e da internet. Em 2026, o movimento esbarra em um ambiente menos receptivo a aventuras eleitorais sem lastro político.

Rachel Sheherazade, também pelo PSD em São Paulo, estreia nas urnas com 22.453 votos, quase a mesma marca de Silvia, mas igualmente distante da linha de corte imposta pelo quociente eleitoral e partidário. No Instagram, ela reage com discurso de respeito às regras do jogo: “Perder faz parte do processo eleitoral. Por isso, reconhecer a soberania das urnas é essencial para qualquer cidadão democrata”.

José Luiz Datena, um dos comunicadores mais conhecidos do país, soma 51.071 votos pelo PSB em São Paulo. O número parece robusto, mas não se converte em cadeira. O mesmo ocorre com o apresentador Sikêra Jr., do Republicanos, que termina com 37.047 votos e fica fora da Câmara.

O grupo de derrotados inclui ainda Geraldo Luís, do Avante, com 10.176 votos; Manoel Gomes, o Caneta Azul, também do Avante, com 7.239; e MC Gui, do PSD, com 7.378. Nenhum deles consegue transformar a presença constante em programas de auditório, plataformas de vídeo e redes sociais em capital político suficiente.

Silvia revê trajetória, Tiririca encerra ciclo

A derrota pesa de forma diferente para cada nome. No caso de Silvia Abravanel, o impacto é imediato na carreira. O afastamento do SBT para a campanha deixa sua situação na emissora em suspenso. Não há, por ora, data definida para o retorno ao “Sábado Animado” nem indicação de novo projeto.

Nas redes, Silvia tenta enquadrar a experiência como etapa de aprendizado, não como fracasso. “A política foi um novo capítulo na minha história, e eu tenho orgulho de ter colocado minha trajetória e minhas causas à disposição das pessoas. Agradeço, de coração, a cada pessoa que acreditou, caminhou comigo, me recebeu e esteve ao meu lado”, escreve.

A votação relativamente baixa, considerando o peso simbólico do sobrenome Abravanel, funciona como termômetro de um eleitorado menos disposto a embarcar em campanhas ancoradas em laços afetivos com programas de TV. A herança de Silvio Santos, construída ao longo de décadas, não se transfere automaticamente para a urna.

Outro símbolo da onda de famosos na política, Tiririca encerra em 2026 uma trajetória iniciada em 2010. Candidato a deputado federal pelo Ceará, ele obtém 5.524 votos e não volta à Câmara. O humorista, que um dia foi campeão de votos e virou expressão máxima do fenômeno do “voto de protesto” associado à celebridade, cruza agora a fronteira da irrelevância eleitoral.

O desfecho ajuda a desenhar uma curva. Depois de três mandatos consecutivos, a marca Tiririca perde tração num cenário em que o eleitor passa a cobrar mais coerência programática e histórico de atuação do que frases de efeito.

Reprovação se espalha por outros estados

O mau desempenho das celebridades não é exclusividade paulista. Em diferentes regiões, nomes fortes em entretenimento, esporte e reality shows enfrentam barreiras semelhantes.

No Rio Grande do Sul, o influenciador Matteus Amaral, vice-campeão do “BBB 24”, estreia na política com 51.437 votos pelo Progressistas. O volume expressivo não se converte em uma vaga de deputado federal. A matemática do quociente partidário se impõe, e a popularidade isolada não resolve.

Na seara esportiva, o ex-atacante Luís Fabiano, ídolo de São Paulo e seleção brasileira, tenta vaga na Câmara por São Paulo pelo MDB e termina com 9.613 votos. No Rio, o ex-jogador Edmundo recebe 35.725 votos pelo PSDB, também insuficientes.

O técnico Vanderlei Luxemburgo busca cadeira no Senado pelo Tocantins, pelo Podemos, e soma 67.987 votos, número distante do necessário para uma das vagas. Em Brasília, Marcelinho Carioca, ídolo corintiano, falha na tentativa de se eleger deputado distrital pelo Republicanos.

A ex-BBB Vivian Amorim, no Amazonas, contabiliza 10.797 votos para deputada estadual, sem sucesso. No Rio, o ator Humberto Martins, Antônia Fontenelle, Inês Brasil, Andréa Sorvetão e Sarah Poncio tentam percursos semelhantes e também ficam pelo caminho.

O quadro se completa em São Paulo com derrotas de Jean Wyllys (PT), Netinho de Paula (MDB), Adrilles Jorge (União Brasil), Eduardo Xaropinho, ligado ao programa de Ratinho, Marquito e outros nomes de apelo popular. O efeito agregado é o de uma barreira invisível que a notoriedade, sozinha, já não rompe.

Partidos revêm aposta na vitrine midiática

Os resultados de 2026 falam tanto sobre os candidatos quanto sobre as legendas que os lançam. PSD, MDB, PT, PSB e outras siglas testam a fórmula de usar celebridades como atalho para ampliar bancadas, surfando no recall construído fora da política.

A eleição mostra que a equação se torna mais complexa. O eleitor paulista, em especial, sinaliza preferência por perfis com trajetória partidária mais clara, atuação em movimentos sociais ou experiência em mandatos anteriores. A vitrine midiática, por si só, não convence.

Na prática, a comunicação e o entretenimento perdem a chance de ver algumas de suas figuras mais conhecidas ocupando cadeiras na Câmara. O campo político, por outro lado, preserva um perfil mais tradicional, com menor presença de outsiders vindos de programas populares.

Dentro dos partidos, a tendência é de revisão de estratégia. Campanhas caras baseadas em rostos conhecidos, mas com construção política frágil, entregam pouco resultado e geram desgaste interno com candidaturas orgânicas preteridas na distribuição de recursos.

Nesse cenário, nomes como o de Thiago Gagliasso, que em ciclos anteriores simbolizaram a entrada agressiva de celebridades em disputas proporcionais, servem de referência histórica de um modelo que já não rende o mesmo dividendo eleitoral.

Limites da fama e próximos movimentos

A derrota coletiva das celebridades em 2026 não significa o fim da presença de figuras conhecidas na política, mas marca uma inflexão. A mensagem das urnas é clara: capital simbólico ajuda a abrir portas, mas não substitui projeto consistente, base territorial e trabalho de formiguinha.

Para Silvia Abravanel, o próximo capítulo passa por definir se a experiência nas urnas será um parêntese ou o início de uma carreira política de longo prazo. A indefinição sobre seu futuro no SBT adiciona incerteza à equação.

Para partidos e marqueteiros, a lição é pragmática. Eleições cada vez mais disputadas e fiscalizadas por um eleitor conectado reduzem o espaço para aventuras de ocasião. Fama segue valendo, mas agora precisa vir acompanhada de densidade política, sob risco de virar apenas mais um rosto conhecido entre tantos derrotados.

Silvia Abravanel pode voltar ao SBT?

O retorno é possível, mas não está definido. Ela se afastou do “Sábado Animado” para a campanha e, até agora, a emissora não anuncia data nem formato de volta.

Por que Datena e outros famosos tiveram muitos votos e não se elegeram?

Porque o sistema proporcional depende do quociente eleitoral e partidário. Não basta ter muitos votos individuais se o partido não atinge os cortes exigidos.

A derrota de Tiririca significa o fim dos famosos na política?

Não. Celebridades devem seguir disputando eleições, mas a votação de 2026 indica que só a fama já não garante vaga e tende a pesar menos nas próximas estratégias.


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