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Morre Juarez Machado, pioneiro do desenho de humor na TV

Artista plástico catarinense morreu aos 85 anos, em Vassouras (RJ), após pneumonia e ataque cardíaco. Carreira uniu artes plásticas, televisão e influência internacional.

06/10/2026 22:59 8 min de leitura
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Artista catarinense que inovou o humor na TV faleceu aos 85 anos, deixando legado nas artes plásticas e na televisão.

O artista plástico Juarez Machado, de 85 anos, morre nesta terça-feira, 6 de outubro de 2026, em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro. Catarinense de Joinville, ele constrói uma carreira que atravessa mais de seis décadas, da televisão de massa aos ateliês de Paris.

Perda para a arte e para a TV brasileiras

Juarez sofre uma pneumonia e, em seguida, não resiste a um ataque cardíaco, segundo o Instituto Internacional Juarez Machado (IIJM). A morte encerra a produção de um artista que se recusa a caber em um único rótulo: pintor, escultor, desenhista, caricaturista, ilustrador, cartunista, cenógrafo e figurinista.

O impacto se espalha por diferentes campos. A televisão perde um pioneiro do desenho de humor que, na década de 1970, leva a linguagem gráfica para o horário nobre. O meio artístico brasileiro e internacional vê desaparecer um nome que ajuda a projetar a produção nacional em cidades como Paris, Nova York e Londres.

Em Joinville e no Norte de Santa Catarina, a morte atinge também o cotidiano cultural e turístico. Criado por ele em 2014, o Instituto Internacional Juarez Machado ganha, de repente, a tarefa de preservar o acervo e manter vivo o diálogo entre sua obra e o público, agora sem o fundador presente.

Do ateliê em Joinville ao palco do Fantástico

Nascido em 1941 em Joinville, Juarez começa a pintar em 1960. Quatro anos depois, em 1964, realiza a primeira mostra individual. Em 1965, se muda para o Rio de Janeiro, onde encontra um ambiente efervescente de teatro, música e artes visuais.

No Rio, faz charges e ilustrações para alguns dos principais jornais do país, entre eles o Jornal do Brasil. Também desenha para teatro e televisão, enquanto constrói uma linguagem plástica reconhecível: cores vibrantes, cenas do cotidiano, um humor que nunca abandona a elegância.

Na televisão, a virada ocorre em 1974, quando estreia um quadro de humor no programa Fantástico, da Rede Globo. Ele aparece com o rosto pintado de branco, figurino inspirado em palhaço, fundo preto e silêncio absoluto, quebrado apenas pela trilha sonora de Júlio Medaglia. Em cena, traça linhas, cria figuras, apaga, reaparece dentro do próprio desenho. A reportagem do G1 registra que “o quadro durou quatro anos e sempre teve alta audiência”.

O sucesso dá a medida do ineditismo. Antes de Juarez, o desenho humorístico ocupa sobretudo a página impressa. Com ele, ganha corpo, ritmo e tempo televisivo, abre espaço para que outras experiências gráficas circulem em uma mídia ainda muito presa ao estúdio tradicional.

O artista também atua nos bastidores da emissora. Em 1974, assina a concepção visual do primeiro especial de Roberto Carlos na Globo. O portal Terra lembra que “foi dele a concepção visual do primeiro especial de Roberto Carlos, produzido na emissora em dezembro de 1974”.

Paris como extensão de Joinville

No início dos anos 1980, Juarez decide mudar o eixo da própria rota. Parte para Paris e se instala em Montmartre, bairro que traz a memória de artistas como Toulouse-Lautrec e Picasso. O ateliê francês se transforma em base para uma carreira internacional, com exposições em cidades como Nova York e Londres.

A distância geográfica não rompe os vínculos com o Brasil. O artista mantém ateliês no Rio de Janeiro e em Joinville, circula entre continentes, participa de shows, exposições e projetos especiais. Em 1998, inaugura na entrada do Centreventos Cau Hansen, em Joinville, o mural cerâmico “O Grande Circo”, que logo se torna cartão-postal da cidade. A peça, em escala monumental, sintetiza seu universo visual: cores intensas, personagens em movimento, atmosfera carnavalesca.

Na década seguinte, a relação com a cidade natal ganha forma institucional. Em 2014, nasce o Instituto Internacional Juarez Machado, no bairro América, em Joinville. A organização, sem fins lucrativos, se dedica à difusão da arte na região Norte de Santa Catarina, com exposições, oficinas e ações educativas.

Em nota, o IIJM resume a trajetória do artista: “Joinvilense de nascimento e cidadão do mundo por vocação, Juarez Machado construiu uma trajetória singular nas artes, reconhecida no Brasil e no exterior. Sua obra foi marcada pela sensibilidade, pelo humor e pelo olhar atento ao cotidiano. Emocionou diferentes gerações e levou o nome de Joinville a públicos de vários países”.

Legado múltiplo e desafios para o futuro

A morte de Juarez Machado reorganiza prioridades em várias frentes. No circuito artístico, galerias e instituições tendem a disputar retrospectivas e mostras de acervo, enquanto o mercado se volta para a catalogação rigorosa de obras espalhadas entre coleções públicas e privadas.

Para Joinville, o impacto é imediato. O mural “O Grande Circo” e o próprio Instituto podem se consolidar como pontos de memória obrigatórios para quem visita a cidade, reforçando o turismo cultural. Escolas e universidades têm ali um material concreto para discutir identidade regional, história da arte brasileira e o diálogo entre humor e crítica social.

O IIJM passa a ter papel decisivo. Sem o artista para conduzir pessoalmente projetos e escolhas, cresce a responsabilidade da equipe na guarda do acervo, na definição de exposições e na formação de novos públicos. A forma como o instituto enfrenta essa transição pode determinar o alcance do nome Juarez Machado nas próximas décadas.

Na televisão, a lembrança do quadro no Fantástico reabre a discussão sobre o espaço dedicado a linguagens autorais no horário nobre. Em uma programação cada vez mais guiada por formatos padronizados, a trajetória de Juarez evidencia que a experimentação pode, sim, conquistar grande audiência.

No exterior, sobretudo em Paris, a ausência do artista retira uma presença brasileira constante em circuitos de galeria, feiras e ateliês. Sua atuação ajuda a consolidar a ideia de que a arte produzida no Brasil não se limita ao exotismo tropical nem à denúncia política explícita, mas circula com humor, técnica e sofisticação visual.

Detalhes sobre velório e cerimônias de despedida não são divulgados até o momento. Amigos, artistas, ex-colegas de televisão e admiradores aguardam informações para as últimas homenagens.

O desfecho da vida de Juarez Machado, no interior fluminense, fecha um percurso que começa em Joinville e se projeta para o mundo. A próxima etapa, agora, deixa de ser obra dele e passa a ser responsabilidade de quem decide como preservar, estudar e mostrar esse legado às novas gerações.

Quem foi Juarez Machado e qual seu legado na arte brasileira?

Juarez Machado foi um artista plástico catarinense, nascido em 1941 em Joinville, que atuou como pintor, escultor, desenhista, caricaturista, ilustrador, cartunista, cenógrafo e figurinista. Com carreira iniciada em 1960, uniu o universo das artes plásticas à televisão, foi pioneiro do desenho de humor em rede nacional, consolidou trajetória internacional em Paris e deixou obras emblemáticas como o mural “O Grande Circo” e o Instituto Internacional Juarez Machado, que sustenta seu legado educativo e cultural.

Quais foram as principais contribuições de Juarez Machado para o desenho de humor na TV?

Nos anos 1970, Juarez levou o desenho de humor para o Fantástico com um quadro em que aparecia como mímico, rosto pintado de branco, interagindo ao vivo com figuras que criava num fundo preto, ao som de trilha de Júlio Medaglia. Durante quatro anos, sempre com alta audiência, ele mostrou que o traço gráfico podia protagonizar o horário nobre, abrindo caminho para outras experiências visuais na televisão brasileira.

Qual a importância do quadro de Juarez Machado no programa Fantástico?

O quadro de Juarez no Fantástico marca uma ruptura na linguagem televisiva dos anos 1970 ao transformar o processo de desenhar em espetáculo. Sem falas, apenas com gestos e música, ele aproximou público de massa de uma forma de arte geralmente restrita a jornais e galerias. A experiência consolidou sua imagem nacional e ampliou o repertório do programa, demonstrando que havia espaço para formatos autorais em grande audiência.

Juarez Machado teve filhos?

As informações disponíveis sobre a morte e a trajetória de Juarez Machado não mencionam filhos. Os comunicados públicos se concentram em sua obra e em sua atuação artística, sem detalhes sobre a vida familiar.

Qual foi a causa da morte de Juarez Machado?

Juarez Machado morre aos 85 anos em Vassouras (RJ) após sofrer uma pneumonia e, posteriormente, um ataque cardíaco, segundo o Instituto Internacional Juarez Machado.


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