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Juarez Machado morre aos 85 anos: quem é a esposa e filhos?

Artista plástico e pioneiro do desenho de humor na TV brasileira, Juarez Machado morre aos 85 anos em Vassouras (RJ) e deixa legado internacional e luto em Joinville.

07/10/2026 11:01 8 min de leitura
Juarez Machado morre aos 85 anos: quem é a esposa e filhos?
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Obituário

Conheça a trajetória e família do artista plástico que marcou o humor na TV brasileira e faleceu aos 85 anos.

O artista plástico Juarez Machado, um dos nomes mais completos e populares das artes brasileiras, morre aos 85 anos em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro, após uma semana internado por pneumonia. A morte, provocada por parada cardíaca, encerra uma trajetória de mais de seis décadas como pintor, escultor, desenhista, cenógrafo, ator e referência do humor gráfico na televisão.

Natural de Joinville, em Santa Catarina, Juarez deixa três filhos e um legado que atravessa fronteiras. A cidade natal decreta luto oficial de três dias e transforma o adeus do artista em momento de balanço sobre a própria identidade cultural.

Da oficina em Joinville aos estúdios de TV

Juarez começa a pintar em 1960 e rapidamente se afirma como figura singular no cenário artístico brasileiro. Em 1964, realiza sua primeira mostra individual, ainda em um país que engatinha na profissionalização das artes visuais. Pouco depois, monta ateliê no Rio de Janeiro e passa a integrar o movimento artístico da cidade.

O traço firme e o humor sofisticado logo ganham espaço na imprensa. Juarez atua como chargista em alguns dos principais jornais do país, transformando a política e o cotidiano em personagem de seus desenhos. O domínio do gesto e da síntese visual abre caminho para a televisão, então em plena expansão.

Na década de 1970, ele se torna pioneiro do desenho de humor na TV brasileira. Colabora na criação de programas e quadros que misturam mímica, desenho ao vivo e cenografia, rompendo a fronteira entre artes plásticas e entretenimento. A imagem do artista entrando em cena, rosto pintado, interagindo com seus próprios desenhos, ajuda a formar o imaginário de uma geração.

Humor visual, música e o salto internacional

A presença de Juarez em programas de televisão consagra um formato raro: a piada construída em silêncio, pelo gesto e pelo traço. Em vez de falas e bordões, o artista aposta em um humor visual que dialoga com a tradição do cinema mudo e da mímica europeia, mas temperado por um olhar brasileiro para o cotidiano.

O trânsito entre linguagens se amplia com a música. Juarez assina cenários de apresentações de grandes nomes da MPB, como Elis Regina, Roberto Carlos e Raul Seixas, e desenvolve projetos gráficos para capas de discos. Entre eles, está o álbum de estreia da banda paulistana Joelho de Porco, marco do rock nacional.

Nos anos 1980, o artista se muda para Paris, onde monta um ateliê internacional. A capital francesa se torna base de uma circulação intensa por galerias e museus da Europa, consolidando seu nome fora do Brasil. Sua obra passa a ser exibida em países como Estados Unidos, Portugal, Itália, Japão, Uruguai, Suíça, Líbano, Bélgica e Austrália.

Obras icônicas e a marca em Joinville

Mesmo radicado no exterior, Juarez mantém laços firmes com Joinville. Em 1998, inaugura na cidade o mural cerâmico “O Grande Circo”, instalado na entrada do Centreventos Cau Hansen. A obra, de grandes dimensões, transforma o espaço em cartão-postal e resume sua fascinação por palhaços, picadeiros e cenas de espetáculo.

O circo também aparece como metáfora de um mundo em constante desequilíbrio, mas tratado com delicadeza e humor. Cenas de bastidor, artistas em preparação e pequenos dramas íntimos surgem em cores vibrantes, traço sinuoso e atmosfera de sonho. O mural vira referência para quem estuda a interseção entre arte pública, arquitetura e narrativa visual no Brasil.

Outra faceta de sua projeção internacional está no diálogo com o cinema. Uma exposição sua em Paris inspira o cineasta francês Jean-Pierre Jeunet na paleta de cores do filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, um dos títulos mais influentes do início do século. O episódio reforça a presença sutil de Juarez no imaginário visual contemporâneo.

Instituto e legado em movimento

Em 2014, o artista decide institucionalizar parte de sua trajetória ao fundar, em Joinville, o Instituto Internacional Juarez Machado. O espaço, sem fins lucrativos, nasce com o objetivo de difundir a arte no Norte catarinense, receber exposições, promover oficinas e estimular intercâmbios com outros países.

Em nota de pesar, o instituto resume o papel do artista: “Joinvilense de nascimento e cidadão do mundo por vocação, Juarez Machado construiu uma trajetória singular nas artes, reconhecida no Brasil e no exterior”. A mesma nota destaca que “sua obra foi marcada pela sensibilidade, pelo humor e pelo olhar atento ao cotidiano”.

O instituto se torna agora o principal guardião de sua memória. Além de preservar o acervo, a entidade passa a concentrar homenagens, exposições retrospectivas e projetos educativos em sua honra. A morte do fundador tende a acelerar parcerias com museus e centros culturais no Brasil e no exterior.

Luto, impacto e próximos capítulos

O luto oficial de três dias decretado por Joinville evidencia a dimensão simbólica de Juarez para a cidade. Escolas, grupos de teatro, coletivos de artes visuais e instituições culturais locais organizam atos de homenagem, revisitam obras e depoimentos e planejam exibir registros de seus trabalhos na TV e no cinema.

Nos bastidores do setor cultural, a morte do artista é tratada como ponto de inflexão. Curadores e diretores de museus discutem mostras dedicadas ao humor visual brasileiro, à cenografia televisiva e à produção de Juarez em Paris, com atenção especial ao diálogo com outras linguagens, como a música e o cinema.

Também se fortalece a expectativa de novos documentários, livros e séries sobre sua vida. A trajetória que começa em um ateliê em Joinville e desemboca em palcos, estúdios e galerias de vários continentes oferece um roteiro pronto para narrativas audiovisuais. A forma como ele traduz o cotidiano em poesia visual tende a ser revisitada em estudos acadêmicos e biografias.

Enquanto familiares, amigos e admiradores se despedem, o debate que ganha corpo é outro: como manter vivo um legado que ajudou a redefinir o humor na TV, renovar as artes plásticas brasileiras e projetar a sensibilidade de um artista catarinense para o mundo. O Instituto Internacional Juarez Machado, agora em primeiro plano, passa a ser a principal resposta a essa pergunta.

Quem foi Juarez Machado e qual sua importância para o humor na TV brasileira?

Juarez Machado foi um artista plástico, ator e cenógrafo joinvilense que, a partir dos anos 1970, revoluciona o humor na TV brasileira ao introduzir o desenho ao vivo e a mímica em programas de grande audiência, criando quadros que misturam artes plásticas, performance e entretenimento e influenciam gerações de humoristas e diretores.

Qual a idade de Juarez Machado ao falecer?

Juarez Machado morre aos 85 anos em um hospital de Vassouras, no interior do Rio de Janeiro, após cerca de uma semana de internação por pneumonia, com a morte provocada por uma parada cardíaca, encerrando uma carreira artística de mais de seis décadas nas artes plásticas, no humor gráfico, na cenografia e na televisão.

Onde Juarez Machado morreu?

Juarez Machado morre em Vassouras, cidade do interior do Rio de Janeiro, onde estava internado em um hospital tratando uma pneumonia; após aproximadamente uma semana de tratamento, ele sofre uma parada cardíaca e não resiste, deixando luto em Joinville, sua cidade natal, e em instituições culturais no Brasil e no exterior.

Juarez Machado teve filhos e quem é sua esposa?

Juarez Machado deixa três filhos, citados por familiares e pelo instituto que leva seu nome, mas detalhes sobre a identidade da esposa ou de companheiras não são tornados públicos, em respeito à privacidade da família, que opta por manter a vida pessoal do artista fora do foco neste momento de despedida.

Quais foram os principais trabalhos de Juarez Machado na televisão?

Os principais trabalhos de Juarez Machado na televisão incluem quadros de humor em grandes programas dominicais, nos quais atuava como mímico interagindo com seus próprios desenhos, além da criação de identidades visuais, cenários e vinhetas para atrações de variedades e humor, ajudando a consolidar a linguagem do humor visual na TV brasileira.

Qual foi a contribuição de Juarez Machado para o programa Fantástico e para o especial de Roberto Carlos?

Juarez Machado contribui para o Fantástico ao participar da criação do programa e apresentar um quadro em que, como mímico, dialoga com seus desenhos, definindo parte da estética inicial da atração, e colabora com especiais musicais, como os de Roberto Carlos, criando cenários e soluções visuais que aproximam a linguagem da TV da pesquisa artística de ateliê.


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