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Juarez Machado morre aos 85: quem é a esposa e filhos do artista

Artista plástico Juarez Machado morre aos 85 anos em Vassouras (RJ), após uma semana internado por pneumonia. Pioneiro do humor visual na TV, deixa legado mundial.

07/10/2026 12:00 8 min de leitura
Juarez Machado morre aos 85: quem é a esposa e filhos do artista
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Obituário

Conheça detalhes sobre a família do artista plástico Juarez Machado, que faleceu aos 85 anos no Rio de Janeiro.

O artista plástico Juarez Machado, 85, morre em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro, após uma semana de internação por pneumonia. Pioneiro do desenho de humor na televisão brasileira, ele deixa três filhos e um legado que atravessa mais de seis décadas de produção.

Internação, causa da morte e luto oficial

Juarez está internado há cerca de uma semana em um hospital de Vassouras, tratando de uma pneumonia. O quadro respiratório se agrava e evolui para uma parada cardíaca, que provoca a morte do artista nesta terça-feira, 6 de outubro de 2026.

O Instituto Internacional Juarez Machado, fundado por ele e pelo irmão Edson, confirma o falecimento em nota oficial e enfatiza o impacto cultural de sua trajetória. A prefeitura de Joinville, cidade natal do artista em Santa Catarina, decreta luto oficial de três dias, gesto que reforça o vínculo da cidade com sua obra e sua imagem.

Na mensagem de pesar, o instituto resume a dimensão de Juarez para a arte brasileira e internacional. “Joinvilense de nascimento e cidadão do mundo por vocação, Juarez Machado construiu uma trajetória singular nas artes, reconhecida no Brasil e no exterior. Sua obra foi marcada pela sensibilidade, pelo humor e pelo olhar atento ao cotidiano. Emocionou diferentes gerações e levou o nome de Joinville a públicos de vários países. O Instituto, que preserva e difunde o seu legado, une-se a familiares, amigos, admiradores e a toda a comunidade cultural neste momento de dor e gratidão por uma vida dedicada à arte”, afirma o texto.

Do ateliê em Joinville ao reconhecimento em Paris

Nascido em Joinville, no Norte catarinense, Juarez começa a pintar em 1960 e realiza sua primeira mostra individual em 1964. Na mesma década, se muda para o Rio de Janeiro, monta um ateliê e passa a integrar ativamente o circuito artístico da então capital cultural do país, atuando também como chargista em jornais de grande circulação.

A consolidação vem na televisão. A partir de 1970, ele se torna um dos rostos mais conhecidos do humor gráfico na telinha, com participações em programas humorísticos e na criação visual de atrações dominicais. Em rede nacional, Juarez aparece como mímico que interage com seus próprios desenhos, quadro que mistura performance corporal, ilustração e narrativa silenciosa.

Inspirado no personagem Bip, o Palhaço, do mímico francês Marcel Marceau, ele pinta o rosto de branco, reforça expressões com traços pretos e usa o corpo como extensão da tela. A proposta transforma o desenho, até então visto como elemento estático, em protagonista da cena televisiva. Esse experimento o coloca como pioneiro do desenho de humor na televisão brasileira e influencia uma geração de artistas visuais e comediantes.

Em 1980, Juarez decide fincar raízes em Paris. Na capital francesa, instala um ateliê internacional, amplia o alcance de sua obra e participa de exposições em museus e galerias da Europa, Estados Unidos, Ásia, Oriente Médio e Oceania. Seus trabalhos circulam por países como França, Portugal, Itália, Japão, Suíça, Bélgica, Austrália, Líbano, Uruguai e Estados Unidos.

Televisão, música e o nascimento de um ícone visual

Além de atuar em frente às câmeras, Juarez participa da concepção do formato e da linguagem visual do Fantástico, programa dominical que mistura jornalismo, entretenimento e arte. Ele contribui com quadros próprios e com a criação de vinhetas, cenários e soluções gráficas que marcam a identidade da atração em seus primeiros anos.

A versatilidade o leva também aos bastidores da música popular brasileira. Como cenógrafo e ilustrador, assina projetos gráficos de discos e cenários de shows de nomes como Elis Regina, Roberto Carlos e Raul Seixas. Em apresentações televisivas e especiais de fim de ano, suas criações dão cor, forma e ritmo à imagem de ídolos que se consolidam como referências da canção brasileira.

Juarez transita ainda pelo teatro, pelo cinema e pela literatura. Em 1975, lança o livro-imagem “Ida e Volta”, obra que conta uma história apenas por ilustrações e o coloca entre os precursores do formato no Brasil. Em todas essas frentes, a mistura de humor, erotismo sutil e cotidiano urbano cria uma assinatura reconhecível à distância.

‘O Grande Circo’ e o instituto em Joinville

O retorno simbólico à cidade natal se dá com força a partir de 1998, quando é inaugurado o mural cerâmico “O Grande Circo”, na fachada do Centreventos Cau Hansen, em Joinville. A obra, com figuras alongadas, cenas de picadeiro e cores intensas, transforma a entrada do prédio em um painel permanente de fantasia.

O mural se torna rapidamente um cartão-postal da cidade, ponto obrigatório para moradores, turistas e estudantes de arte. A peça ajuda a fixar a imagem de Joinville como polo cultural, em diálogo com a tradição industrial e com o já consolidado festival de dança local.

Em 2014, o artista cria o Instituto Internacional Juarez Machado, em um imóvel histórico de Joinville, com o objetivo de difundir a arte no Norte catarinense. O espaço abriga parte de seu acervo, recebe exposições temporárias de artistas brasileiros e estrangeiros, promove oficinas, debates e residências artísticas.

Com a morte do fundador, o instituto ganha novo peso simbólico. Além de guardião da memória de Juarez, tende a se converter em referência para pesquisadores, curadores e admiradores que buscam ler a arte brasileira a partir de linguagens híbridas, nas fronteiras entre pintura, desenho, performance e televisão.

Legado, influência internacional e futuro do acervo

Ao longo da carreira iniciada em 1960, Juarez atua como pintor, escultor, desenhista, caricaturista, ilustrador, cartunista, cenógrafo, escritor e ator. A multiplicidade de papéis não é decoração de currículo: ela se traduz em uma obra que cruza linguagens e desafia classificações rígidas entre alta cultura e cultura popular.

Sua produção desperta atenção também fora do Brasil. Uma exposição em Paris, por exemplo, influencia diretamente a construção da paleta de cores do filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, de Jean-Pierre Jeunet, evidência de como seu universo visual dialoga com a estética do cinema contemporâneo.

A morte do artista abre discussões sobre o futuro de seu acervo e sobre a organização de mostras retrospectivas. A expectativa é que o Instituto Internacional Juarez Machado concentre esforços em catalogar obras, digitalizar arquivos e ampliar parcerias com museus brasileiros e estrangeiros.

Para Joinville, a ausência física de seu artista mais conhecido coincide com a consolidação da cidade como destino de turismo cultural. “O Grande Circo” e o próprio instituto devem ganhar protagonismo em roteiros que hoje já combinam dança, artes visuais e patrimônio histórico.

Na televisão, a lembrança dos quadros de Juarez reacende o debate sobre o espaço do humor visual e da experimentação estética na programação aberta, cada vez mais pressionada por formatos rápidos e plastificados. O país perde um criador que soube fazer rir com silêncio, traços de nanquim e gestos milimétricos, e ganha a responsabilidade de manter vivo um legado que ainda inspira novas gerações.

Quem foi Juarez Machado e qual sua importância para o humor na TV brasileira?

Juarez Machado foi um artista plástico nascido em Joinville que, a partir de 1970, se torna pioneiro do desenho de humor na TV brasileira ao criar quadros em que atuava como mímico interagindo com seus próprios desenhos, influenciando gerações de artistas e ajudando a consolidar a linguagem visual do humor na televisão aberta.

Qual a idade de Juarez Machado ao falecer?

Juarez Machado morre aos 85 anos em Vassouras, interior do Rio de Janeiro, após cerca de uma semana internado por pneumonia que evolui para uma parada cardíaca, encerrando uma trajetória de mais de 60 anos nas artes plásticas, na televisão, no teatro e na literatura, com reconhecimento no Brasil e no exterior.

Onde Juarez Machado morreu?

Juarez Machado morre em Vassouras, cidade do interior do Rio de Janeiro, onde está internado tratando de uma pneumonia que evolui para parada cardíaca; o município recebe o artista em seus últimos dias, enquanto sua cidade natal, Joinville, em Santa Catarina, decreta luto oficial de três dias em homenagem ao conterrâneo.

Juarez Machado teve filhos e quem é sua esposa?

Juarez Machado deixa três filhos, cujos nomes e áreas de atuação não são detalhados publicamente, e não há informação confirmada, neste momento, sobre o nome ou a trajetória profissional de sua esposa, já que a família mantém vida privada discreta e opta por não expor a intimidade diante da morte do artista.

Quais foram os principais trabalhos de Juarez Machado na televisão?

Os principais trabalhos de Juarez Machado na televisão envolvem sua atuação, a partir de 1970, em programas humorísticos e no Fantástico, onde cria quadros em que aparece como mímico interagindo com desenhos, além de desenvolver cenários e programação visual para atrações da Rede Globo, influenciando o humor gráfico e a estética televisiva.

Qual foi a contribuição de Juarez Machado para o programa Fantástico e para o especial de Roberto Carlos?

Juarez Machado contribui para o Fantástico participando da criação do programa e assinando quadros, vinhetas e soluções visuais que misturam desenho e mímica, enquanto, nos especiais e apresentações de Roberto Carlos, desenvolve cenários e projetos gráficos que ajudam a definir a estética dos shows televisivos, unindo artes plásticas, música e espetáculo.


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