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Pesquisas abrem disputa Lula x Flávio Bolsonaro em 2026

Datafolha e AtlasIntel divulgam, em 8 e 9 de junho, os primeiros retratos do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro em 2026, num país ainda polarizado.

07/10/2026 21:22 7 min de leitura
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Eleições 2026

Novas pesquisas revelam cenário polarizado entre Lula e Flávio Bolsonaro para o segundo turno presidencial.

As primeiras pesquisas do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) começam a sair nesta quinta-feira, 8 de junho de 2026, e prometem redesenhar a disputa presidencial nas próximas semanas.

Os novos levantamentos do Datafolha e da AtlasIntel oferecem o primeiro retrato detalhado da corrida direta entre o presidente e o senador, depois de um primeiro turno apertado e profundamente polarizado.

Retrato inicial após um primeiro turno apertado

O país chega às sondagens do segundo turno ainda sob o impacto do resultado do dia 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro termina à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A margem estreita acende o alerta nas duas campanhas, que agora olham cada décimo de ponto como um ativo estratégico.

O Datafolha volta a campo entre terça 6 e quinta 8, com 2.520 entrevistas presenciais em todo o Brasil e margem de erro de dois pontos percentuais. É a primeira medição do instituto com apenas dois nomes na cartela presidencial. Segundo o próprio instituto, “o Datafolha divulgará na próxima quinta-feira 8, a partir das 18h45, o seu primeiro levantamento de intenção de voto para presidente da República no segundo turno”.

O mesmo questionário inclui uma pesquisa paralela sobre o governo do Distrito Federal, com foco na disputa entre Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT), termômetro importante para entender o humor do eleitorado da capital em meio à crise política nacional.

AtlasIntel mira rejeição, medo e temas sensíveis

Enquanto o Datafolha apresenta o primeiro placar consolidado, a AtlasIntel se prepara para soltar, na sexta-feira 9, um raio-x mais amplo do cenário. Registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03663/2026, o questionário “vai além da intenção de voto entre os dois candidatos”.

O instituto testa não apenas em quem o eleitor diz votar, mas também o peso da rejeição, a confiança em áreas específicas do governo e a percepção sobre economia, democracia e Justiça. A principal pergunta é objetiva: “a principal pergunta do levantamento será direta: se o segundo turno fosse hoje, o eleitor votaria em Flávio Bolsonaro, Lula, branco ou nulo, ou ainda não saberia responder”.

A AtlasIntel afirma que o estudo “permitirá estabelecer o primeiro retrato da AtlasIntel sobre a corrida restrita aos dois candidatos que chegaram ao segundo turno”. Nesse retrato, “um dos recortes mais importantes será a firmeza das escolhas”. O instituto quer saber se o voto está “completamente decidido”, se há apenas uma “inclinação” ou se o eleitor ainda não tomou decisão alguma.

Esse dado interessa diretamente às campanhas, porque expõe o tamanho real do eleitorado em disputa. Num cenário em que a diferença do primeiro turno é de menos de dois pontos percentuais, a fatia de votantes flexíveis pode decidir a eleição.

Rejeição, economia e o peso da crise institucional

A AtlasIntel também testa a temperatura da rejeição. Segundo o questionário, “a pesquisa também fará uma comparação direta de rejeição”. Os entrevistados escolhem qual dos dois rejeitam mais para a Presidência: Lula ou Flávio Bolsonaro. Em paralelo, o instituto mede a imagem positiva ou negativa de uma lista de figuras políticas, de Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro a Geraldo Alckmin, Zema, Renan Santos e outros nomes do Congresso.

Outro bloco “coloca os dois candidatos frente a frente em diferentes áreas de governo”. O eleitor aponta em quem confia mais para cuidar de economia e inflação, saúde, educação, criminalidade e tráfico de drogas, combate à corrupção, política externa, impostos, equilíbrio fiscal, democracia, geração de empregos, pobreza, infraestrutura e meio ambiente. A intenção é mostrar se a vantagem de cada candidato varia conforme o tema debatido.

Nesse ambiente, economia e governabilidade ocupam o centro do palco. A pesquisa abre um capítulo específico para avaliar a situação econômica atual, o mercado de trabalho e as finanças das famílias, e mede expectativas para os próximos seis meses. É esse termômetro que interessa a investidores e ao mercado financeiro, atentos a qualquer mudança na percepção sobre inflação, juros e políticas fiscais.

O levantamento retoma ainda o impacto político da crise no Supremo Tribunal Federal e do caso Banco Master. Os eleitores respondem se o episódio prejudica mais Lula, mais Flávio, “os dois igualmente ou nenhum dos dois”, e qual grupo político é visto como mais envolvido no esquema de fraudes financeiras: aliados do presidente, aliados do bolsonarismo, o Centrão, todos ou nenhum.

Medo do resultado e prioridades do eleitor

A dimensão emocional da eleição entra de forma explícita no roteiro da AtlasIntel. “A AtlasIntel também perguntará qual resultado eleitoral provoca mais medo ou preocupação: a reeleição de Lula ou a eleição de Flávio Bolsonaro.” Há ainda a opção de que “os dois cenários” preocupam na mesma medida, sinal de um eleitorado cansado do conflito permanente.

O questionário investiga quais são os maiores problemas do país, do ponto de vista do eleitor. Saúde, educação, criminalidade, corrupção, economia, inflação, enfraquecimento da democracia, polarização política, impostos, funcionamento da Justiça, pobreza, desemprego e endividamento das famílias aparecem na lista. Segundo o instituto, “a pesquisa também medirá o grau de decisão do eleitor, qual dos dois é mais rejeitado, em quem os brasileiros confiam mais para administrar diferentes áreas do governo e quais temas aparecem entre os principais problemas do país”.

Outro eixo relevante trata das políticas do governo Lula. Os entrevistados classificam se medidas como o novo arcabouço fiscal, a reforma tributária, o programa Gás do Povo e a “gratuidade dos medicamentos do Farmácia Popular” são acertos ou erros. A lista inclui ainda programas sociais, mudanças em impostos e decisões sobre privatizações. O saldo dessa avaliação ajuda a campanha petista a entender onde insistir e onde recalibrar o discurso.

Campanhas em alerta e democracia em teste

As duas pesquisas chegam a um país que volta a discutir o fôlego da democracia em meio à pressão de forças conservadoras no Congresso e ao avanço da extrema direita no cenário internacional. Depois de 2018 e 2022, o embate entre lulismo e bolsonarismo ganha novo capítulo com a candidatura do primogênito de Jair Bolsonaro, ancorada em uma base conservadora consolidada.

Os números divulgados até sexta-feira 9 devem orientar decisões imediatas nas campanhas. Lula precisa reduzir rejeição em segmentos desconfiados de sua política econômica e de sua relação com o Judiciário. Flávio Bolsonaro tentará transformar a vantagem de 47,03% a 45,16% do primeiro turno em narrativa de virada irreversível, ao mesmo tempo em que busca afastar o fantasma do radicalismo que marcou a gestão do pai.

O Tribunal Superior Eleitoral acompanha o calendário de divulgação, atento ao cumprimento das regras e ao impacto das pesquisas na disputa acirrada. A partir desses primeiros retratos, a campanha entra em uma fase de ajuste fino: novas alianças, recados ao centro político, negociações no Congresso e uma comunicação direcionada aos eleitores que ainda admitem mudar de voto.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro de 2026. Até lá, sucessivas rodadas de Datafolha, AtlasIntel e outros institutos vão mostrar se o país caminha para consolidar a liderança de Flávio Bolsonaro, para uma virada de Lula ou para um empate dramático decidido nos detalhes. Em qualquer cenário, o resultado determinará não apenas o comando do Planalto, mas o tom das relações entre Executivo, Legislativo e Judiciário nos próximos anos.

Quando saem os resultados dessas pesquisas?

O Datafolha divulga seu primeiro levantamento do segundo turno nesta quinta-feira, 8 de junho de 2026, às 18h45. A AtlasIntel publica os dados na sexta-feira, 9 de junho.

As pesquisas já mostram quem está na frente no segundo turno?

Neste momento, os institutos apenas descrevem o desenho das pesquisas. Os percentuais de intenção de voto do segundo turno serão conhecidos com a divulgação oficial dos resultados.

Essas pesquisas influenciam o voto do eleitor?

Pesquisas não substituem o voto, mas ajudam a formar ambiente político. Campanhas ajustam estratégias com base nos dados, e parte do eleitorado observa tendências antes de decidir.

O que muda para o mercado financeiro com esses levantamentos?

Os dados de confiança na gestão econômica, avaliação da economia e percepção sobre políticas fiscais e tributárias influenciam expectativas de investidores, juros futuros e decisões de investimento.


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