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Pesquisas abrem disputa Lula x Flávio Bolsonaro em 2026

Ipespe e AtlasIntel divulgam em 9 e 10 de junho as primeiras pesquisas do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro em 2026, com raio-x detalhado do eleitorado.

07/10/2026 22:24 7 min de leitura
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Eleições 2026

Novas pesquisas revelam cenário do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, detalhando o perfil dos eleitores.

Ipespe e AtlasIntel divulgam, entre sexta (9) e sábado (10) de junho de 2024, as primeiras pesquisas do segundo turno presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Os levantamentos inauguram o retrato numérico da disputa direta que deve ser decidida em 25 de outubro de 2026.

Retrato inicial após um primeiro turno apertado

O ponto de partida é um país dividido quase ao meio. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro sai na frente com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo dados divulgados por CartaCapital. “Flávio avançou ao segundo turno na liderança com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula”, registra a revista.

O Ipespe entra em campo com 1.500 entrevistas por telefone, feitas entre terça e quinta-feira e divulgadas no sábado, 10 de junho. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais. A AtlasIntel chega um dia antes, na sexta-feira, 9 de junho, com um questionário amplo, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03663/2026, que tenta ir além da fotografia do voto.

Os números saem em um ambiente político de polarização persistente e desconfiança nas instituições. A leitura imediata desses dados passa a orientar campanhas, partidos, mercados e eleitores indecisos que avaliam riscos e promessas de cada lado.

O que cada pesquisa mede e por que isso importa agora

A AtlasIntel concentra as atenções por oferecer um painel detalhado do segundo turno. O instituto descreve qual será o núcleo do questionário: “A principal pergunta do levantamento será direta: se o segundo turno fosse hoje, o eleitor votaria em Flávio Bolsonaro, Lula, branco ou nulo, ou ainda não saberia responder”, informou reportagem de VEJA.

A diferença em relação às pesquisas anteriores é relevante. Não há mais terceiros nomes no cartão de respostas. A disputa se restringe aos dois polos que vêm reorganizando a política brasileira desde 2018. “A pesquisa permitirá estabelecer o primeiro retrato da AtlasIntel sobre a corrida restrita aos dois candidatos que chegaram ao segundo turno”, resume o texto da revista.

O Ipespe segue o caminho mais tradicional, focado em intenção de voto estimulada, com margem estatística conhecida e série histórica longa. A combinação dos dois levantamentos tende a formar, em poucos dias, uma espécie de piso e teto para cada candidato nesta largada de segundo turno.

Rejeição, confiança setorial e medos do eleitor

A AtlasIntel tenta medir não apenas preferências, mas medos e resistência a cada nome. Um dos blocos pergunta quem o eleitor rejeita mais para a Presidência: Lula ou Flávio Bolsonaro. Outro investiga se o voto já está decidido, se há apenas uma inclinação ou se a escolha ainda não foi tomada.

O recorte é decisivo para saber o tamanho real do eleitorado em disputa. Se uma fatia relevante dos eleitores de Lula ou de Flávio ainda admite mudar de lado, campanhas terão espaço para investir em viradas. Se a maioria declara voto “completamente decidido”, a batalha se desloca para abstenção, comparecimento e mobilização regional, especialmente em redutos como o Nordeste.

Há também uma pergunta sensível em um país cansado de crises sucessivas: qual resultado causa mais preocupação, a reeleição de Lula ou a eleição de Flávio Bolsonaro. O questionário permite ainda a resposta de que “os dois cenários” preocupam igualmente, um indicativo de fadiga com a polarização.

Esses dados apontam o tipo de temor que move o voto: medo econômico, receio de retrocessos democráticos, insegurança com direitos sociais ou temor de radicalização institucional. A forma como cada campanha lerá esses medos deve influenciar o tom dos programas de TV, das alianças e até do discurso sobre instituições como o Supremo Tribunal Federal.

Economia, serviços públicos e avaliação do governo Lula

Em um segundo turno com o presidente buscando reeleição, o balanço de governo entra no centro da disputa. O questionário da AtlasIntel dedica blocos inteiros às políticas de Lula. Medidas como o arcabouço fiscal, a reforma tributária, o programa Gás do Povo e a gratuidade dos medicamentos do Farmácia Popular são avaliadas como “acerto” ou “erro” pelos entrevistados.

Esse tipo de pergunta mostra onde a agenda social e econômica do governo ajuda ou atrapalha o presidente. Em áreas em que a percepção majoritária é positiva, o PT tende a reforçar a marca de continuidade. Em políticas vistas como fracassos, adversários devem concentrar críticas e promessas de revisão.

A pesquisa também mede a confiança em cada candidato para temas concretos: economia e inflação, saúde, educação, combate à criminalidade, corrupção, política externa, equilíbrio fiscal, geração de empregos, pobreza, infraestrutura e meio ambiente. A comparação direta permite que campanhas mapeiem nichos específicos.

Se Flávio Bolsonaro, por exemplo, desponta como mais confiável em segurança pública e combate às drogas, e Lula lidera em combate à pobreza e programas sociais, cada lado pode reforçar seus pontos fortes e tentar reduzir desvantagens com discursos segmentados por região e faixa de renda.

Crise institucional, STF e o efeito na estabilidade

O questionário reserva espaço para a crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal, tema que alimenta discursos de ambos os polos. Entrevistados indicam se enxergam o episódio como mais danoso a Lula, a Flávio Bolsonaro, a ambos ou a nenhum deles. O instituto também retoma perguntas sobre suspeitas de fraudes financeiras e qual campo político seria mais associado a elas.

Essas respostas ajudam a entender se a tensão institucional chega de fato ao cotidiano do eleitor ou permanece restrita a debates políticos e redes sociais. Se a crise no STF aparecer entre os principais problemas citados, o discurso de crítica ao tribunal tende a ganhar força. Se ficar em segundo plano, assuntos como saúde, educação e criminalidade seguirão concentrando o debate público.

A pesquisa ainda pede que o entrevistado elenque os maiores problemas do país. As opções incluem saúde, educação, criminalidade, corrupção, economia, inflação, desemprego, endividamento das famílias, enfraquecimento da democracia, polarização política, impostos e funcionamento da Justiça. O ranking final desses temas costuma orientar não apenas as campanhas, mas também a cobertura jornalística e a agenda do Congresso.

Estratégias em disputa até 2026

Os resultados de AtlasIntel e Ipespe, divulgados em 9 e 10 de junho, devem provocar reações imediatas em Brasília e nos diretórios partidários. A depender das curvas de intenção de voto, partidos médios e lideranças regionais calibram apoios, negociam espaço em futuros governos e reposicionam discursos.

O campo lulista observará com lupa o desempenho no Nordeste e entre beneficiários de programas sociais, que historicamente ancoram o voto no PT. O entorno de Flávio Bolsonaro deve se concentrar em consolidar a vantagem inicial do primeiro turno, tentar crescer em grandes centros urbanos e reduzir rejeição em segmentos que rejeitam o bolsonarismo mais radical.

Com a votação marcada para 25 de outubro de 2026 e um cenário internacional instável, as primeiras pesquisas do segundo turno funcionam como um mapa de riscos. Não definem o resultado, mas indicam onde a disputa está aberta, onde o voto está cristalizado e quais medos e esperanças vão pesar quando o eleitor estiver diante da urna.

As pesquisas já mostram quem está na frente no segundo turno?

Os levantamentos de AtlasIntel e Ipespe divulgados em 9 e 10 de junho trazem o primeiro retrato numérico do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro após o primeiro turno.

Qual é a diferença entre as pesquisas da AtlasIntel e do Ipespe?

O Ipespe mede sobretudo intenção de voto por telefone, com 1.500 entrevistas e margem de erro de 2,6 pontos. A AtlasIntel inclui, além do voto, blocos detalhados sobre rejeição, confiança em áreas de governo, avaliação econômica e percepção de políticas do governo Lula.

Essas pesquisas definem o resultado da eleição de 2026?

Não. Elas indicam tendências e pontos fortes e fracos de cada candidato neste momento. O resultado final depende de campanha, fatos novos e da evolução da economia até 25 de outubro de 2026.


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