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Kátia Abreu desafia protagonismo de Janja na campanha de Lula

Em reunião da cúpula e em entrevista no dia 7, Kátia Abreu critica espaço de Janja, cobra mais protagonismo de Alckmin e diálogo com o centro político.

07/10/2026 22:25 7 min de leitura
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Política

Kátia Abreu questiona o papel de Janja e pede maior participação de Alckmin e diálogo com o centro na campanha de Lula.

A ex-senadora Kátia Abreu, coordenadora da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva no Tocantins, critica o protagonismo da primeira-dama Janja na campanha à reeleição. Em reunião em Brasília na terça-feira, 6 de outubro de 2026, e em entrevista nesta quarta, 7, ela afirma que Janja ocupa hoje um espaço maior que o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Tensão às vésperas do segundo turno

As declarações expõem uma fissura na estratégia eleitoral no momento em que a campanha ajusta rotas para o segundo turno. O embate opõe a leitura pragmática de Kátia, que cobra mais espaço para Alckmin e diálogo com o centro político, à decisão do entorno de Lula de manter Janja como rosto visível da chapa.

Em nota divulgada nesta quarta, o Gabinete da primeira-dama reage e deixa claro que nada muda. “Independente do que falem, Janja seguirá na campanha. Sua participação é legítima e sempre respaldada pelo presidente Lula. O objetivo de todos os envolvidos é um só: reeleger o presidente!”, afirma o texto.

Crítica pública depois de reunião reservada

A crise nasce na reunião da cúpula da campanha em Brasília, na terça, convocada para discutir mudanças de estratégia. No encontro, Kátia Abreu questiona a centralidade de Janja nos atos e nas agendas de Lula, e defende que Alckmin apareça mais, sobretudo em temas econômicos.

No dia seguinte, ela confirma tudo no ao vivo do Estúdio i, da GloboNews. “A primeira-dama está ocupando um espaço maior do que o vice-presidente. E não querendo desmerecê-la. Ao contrário, querendo enaltecer o vice-presidente Alckmin”, diz. Conta que não pretendia ver seu relato vazado, mas recusa recuar. “Já que vazou, não pretendia que vazasse, mas também não vou desmentir uma opinião pessoal verdadeira. Repito: sem querer menosprezar ninguém.”

Ela tenta separar crítica política e ataque pessoal. Afirma conhecer pouco Janja e dizer não ter “nada contra” a primeira-dama, mas insiste que fala como operadora eleitoral, não como aliada ressentida. “Eu estava ali como um agente político que pretende, quer ganhar, a eleição. Então, nisso aí, eu sou muito pragmática e objetiva”, afirma.

Alckmin como trunfo econômico e ponte com o centro

Ao defender maior protagonismo para o vice, Kátia aciona um argumento que ronda a coalizão desde a formação da chapa em 2022: a capacidade de Alckmin de acalmar o mercado e conversar com o eleitorado de centro. “Na área de economia, por exemplo, o Alckmin dá show. Ele sabe conversar de igual para igual com qualquer pessoa”, diz a ex-senadora.

Na sua avaliação, a campanha desperdiça um ativo que poderia ampliar a base além do núcleo histórico do petismo. Ela sugere que Alckmin assuma mais holofotes em debates sobre inflação, juros, contas públicas e retomada do crescimento, áreas em que o vice carrega biografia de ex-governador de São Paulo e interlocutor antigo do empresariado.

Nesse desenho, Janja seguiria na linha de frente, mas em condição menos central do que hoje. Integrantes da campanha relatam que a primeira-dama participa com frequência de comícios, discursos e apresentações musicais. Kátia cita, em reservado, episódios em que Janja canta música gospel em palanques de Lula e avalia que esse tipo de exposição precisa ser medido com pesquisa.

Centro político e coordenação dominada por petistas

Kátia amplia a crítica para além da figura da primeira-dama. Ela mira a condução da campanha e o tipo de coalizão que o entorno de Lula constrói até aqui. Diz que o diálogo com partidos de centro, considerado decisivo em 2022, perde fôlego durante o atual mandato.

Questionada se a relação com o centro é interrompida, responde sem rodeios: “Sinceramente, eu acho que poderia ter sido mais intenso e foi interrompido, sim”. Defende que a coordenação da campanha abra espaço para lideranças de outras siglas. “Eu acho que agora tudo isso pode ser corrigido […] na própria campanha, sinalizando na coordenação da campanha personagens diferentes, que não sejam só petistas.”

A cobrança atinge em cheio o núcleo político do governo, formado em grande parte por quadros históricos do PT. Para a ex-senadora, recém-chegada ao partido depois de longa trajetória no agronegócio e em legendas de centro e de direita, o comando da campanha precisa espelhar a amplitude formal da aliança no Congresso, hoje apoiada por siglas que vão da esquerda à centro-direita.

Ela também alerta para um problema regional. Segundo participantes da reunião em Brasília, Kátia aponta falhas no diálogo com eleitores do Norte e do Centro-Oeste, regiões nas quais sua própria base política se concentrou por décadas. A leitura é que a campanha ainda fala pouco com o interior agrícola e com cidades médias, terreno em que a sua figura, conhecida pelas pautas do campo e pela fortuna construída no agronegócio, poderia ajudar.

Resposta do Planalto e cálculo eleitoral

A reação do Gabinete de Janja busca conter o estrago sem escalar a disputa. A nota não cita Kátia nominalmente e tenta reposicionar o foco na reeleição de Lula. Ao reafirmar o “respaldo” do presidente à atuação de sua mulher, o texto sinaliza que o Planalto não vê excesso no engajamento da primeira-dama e não pretende recuar diante da pressão pública de uma aliada.

Nos bastidores, o episódio acende alerta sobre a imagem da campanha. Uma ala teme que a crítica de Kátia funcione como senha para outros descontentes com a hegemonia petista na coordenação. Outra vê exagero na leitura da ex-senadora e lembra que a exposição de primeiras-damas se torna parte cada vez mais orgânica de campanhas presidenciais no Brasil e no exterior.

O embate, porém, toca um ponto sensível: o equilíbrio entre identidade e amplitude. Janja concentra simbolismo junto à base lulista e a setores progressistas. Alckmin fala com segmentos mais moderados e conservadores que resistem ao PT, mas aceitam o pacto representado pela chapa. O tamanho de cada um na vitrine eleitoral, e o espaço concedido a partidos de centro na engrenagem da campanha, pode definir margens apertadas no segundo turno.

O que vem a seguir

Os próximos dias tendem a ser de costura silenciosa. A campanha deve testar formatos que deem mais visibilidade a Alckmin, com agendas econômicas e encontros com empresários e líderes do centro, sem reduzir a presença de Janja nos palanques. Ao mesmo tempo, dirigentes discutem mudanças graduais na coordenação para incluir nomes de outras legendas, como forma de sinalizar abertura sem admitir erro.

Se essa acomodação não funcionar, o risco é o racha interno transbordar de vez e alimentar narrativas de desorganização e improviso em plena reta final. A forma como Lula arbitra essa disputa entre aliados próximos será observada não apenas pelo eleitor, mas também por partidos que hoje compõem sua base e calculam, com atenção, o custo de permanecer ou não nesse arranjo de poder.

Kátia Abreu ainda está no PT e qual era o seu partido?

Kátia Abreu hoje atua na campanha de Lula como filiada ao PT. Antes de ingressar no partido, ela passa por siglas de centro e de direita ao longo da carreira.

Qual é a relevância política de Kátia Abreu hoje?

A ex-senadora coordena a campanha de Lula no Tocantins e mantém influência no agronegócio e em estados do Norte e Centro-Oeste, regiões estratégicas na disputa.

Por que o protagonismo de Janja gera incômodo?

Aliados como Kátia avaliam que a exposição da primeira-dama reduz o espaço de Alckmin, visto como peça-chave para dialogar com o centro e com o setor econômico.


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