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Juiz Gustavo de Castro Campos é achado morto em carro em chamas

Magistrado de 45 anos é encontrado carbonizado em veículo na zona rural de São João da Boa Vista (SP). Polícia trata caso como morte suspeita e apura motivação.

08/10/2026 21:52 7 min de leitura
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Magistrado de 45 anos é encontrado morto em veículo incendiado na zona rural de São João da Boa Vista, SP.

O juiz Gustavo de Castro Campos, de 45 anos, é encontrado morto dentro de seu veículo em chamas na noite de 7 de outubro de 2026, em São João da Boa Vista (SP). O corpo do magistrado aparece carbonizado no banco do motorista, em uma estrada de terra na área rural do município, por volta das 19h15.

Carro em chamas em estrada isolada

A cena ocorre na Estrada de Terra Euclides Dotta, cercada por plantações e fábricas de pequeno porte. Uma testemunha ouve o som insistente da buzina e, ao olhar para a via, vê o carro tomado pelo fogo.

Assustada, ela corre até uma fábrica próxima e pede ajuda ao segurança, que aciona a Polícia Militar pelo número 190. Enquanto as chamas avançam, um operador de retroescavadeira que passa pelo local resolve intervir.

Ele usa a máquina para jogar terra sobre o veículo, na tentativa de conter o incêndio. Depois, relata à polícia que não percebe a presença de ninguém dentro do carro por causa da fumaça densa que sai da cabine.

O Corpo de Bombeiros chega em seguida e controla o fogo. A área é isolada para o trabalho da perícia, que logo identifica um corpo no banco do motorista, parcialmente soterrado pela terra lançada pela retroescavadeira.

Perícia descarta sinais evidentes de agressão

Peritos da Polícia Científica retiram a camada de terra e constatam que o corpo está quase totalmente carbonizado. O cheiro forte de combustível domina o interior do veículo e o entorno imediato.

O laudo preliminar não identifica ferimentos aparentes causados por arma de fogo ou arma branca, nem marcas externas de espancamento. A equipe encontra, na parte dianteira, perto dos pedais, um galão com odor intenso de gasolina.

Os objetos pessoais permanecem no lugar. A aliança segue no dedo da vítima e a carteira aparece intacta no console da porta, o que afasta, num primeiro momento, a hipótese de roubo seguido de morte. A identificação do magistrado é feita por uma tatuagem no lado esquerdo do abdômen e pela conferência dos documentos encontrados.

O carro, registrado em nome de Gustavo de Castro Campos, é recolhido para exame minucioso. O corpo segue para o Instituto Médico Legal de São João da Boa Vista, onde passam a ser realizados testes toxicológicos, análises de fumaça nos pulmões e outras perícias consideradas decisivas para determinar a causa da morte.

Vídeo mostra juiz comprando combustível

Horas antes do incêndio, câmeras de segurança de um posto de combustíveis em São João da Boa Vista registram o juiz chegando sozinho, por volta das 18h40. Nas imagens, ele desce do carro já com um galão nas mãos.

Em seguida, conversa com o frentista, que abastece o recipiente. O magistrado paga a conta com cartão, volta ao veículo e deixa o local. A polícia cruza o horário da filmagem com o uso do cartão e com o momento em que o carro é visto em chamas.

Os investigadores ainda não confirmam oficialmente o tipo de combustível. No entanto, o forte cheiro de gasolina percebido na roupa carbonizada da vítima, no carro e no galão encontrado reforça essa linha de apuração.

O delegado Jorge Mazzi, responsável pelo caso na Delegacia de Investigações Gerais de São João da Boa Vista, evita conclusões precipitadas. “A investigação está em fase inicial e todas as hipóteses são consideradas. Por isso, ainda não é possível antecipar conclusões sobre as causas ou circunstâncias do caso”, afirma.

Morte suspeita e impacto no Judiciário

O boletim de ocorrência registra o episódio como morte suspeita, encontro de cadáver e localização de veículo. Não há prisões até o momento. A equipe da DIG abre inquérito e passa a reconstruir as últimas horas do magistrado, cruzando imagens, rastros eletrônicos e depoimentos.

O caso provoca choque na magistratura paulista. Em nota oficial, o Tribunal de Justiça de São Paulo manifesta luto e enfatiza a trajetória do juiz. “Os integrantes do Tribunal de Justiça de São Paulo se solidarizam com familiares e amigos neste momento de luto e despedida. O tribunal registra, com gratidão, sua dedicação e contribuições prestadas ao longo da carreira”, diz o comunicado.

Nascido em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, Gustavo de Castro Campos se forma em Direito pelo Centro Universitário Braz Cubas. Ingressa na magistratura estadual em 2014, como juiz substituto da 14ª Circunscrição Judiciária, em Barretos. Atua também na comarca de Tambaú até assumir, mais tarde, a titularidade da 2ª Vara de Mococa, cidade de porte médio na região nordeste do estado.

Entre colegas, é descrito como um magistrado discreto e dedicado à rotina de audiências e sentenças. A morte repentina, em circunstâncias ainda nebulosas, interrompe uma carreira de pouco mais de uma década nos fóruns do interior paulista.

Vulnerabilidade de juízes fora do fórum

A violência envolvendo um integrante em atividade do Tribunal de Justiça expõe um ponto sensível: o grau de proteção a magistrados fora do ambiente institucional. Em comarcas do interior, juízes circulam com pouca ou nenhuma escolta, frequentam os mesmos postos, mercados e restaurantes que os moradores locais e, em geral, dirigem seus próprios veículos em estradas pouco movimentadas.

A morte de um juiz em área rural, sem sinais claros de assalto ou emboscada, reabre o debate sobre a segurança pessoal de autoridades que lidam diariamente com decisões criminais, cobranças de grandes dívidas e conflitos de interesse econômico. Entidades de classe acompanham o caso e avaliam cobrar protocolos mais rígidos para deslocamentos e atendimento a ameaças.

Na prática, cada episódio desse tipo pressiona o poder público a revisar políticas de prevenção, ampliar o monitoramento em zonas rurais e adotar sistemas de alerta rápido para magistrados que relatam riscos. Também reacende discussões sobre apoio psicológico e institucional diante de situações de estresse extremo vividas na carreira.

Luto, investigação e próximos passos

O velório de Gustavo de Castro Campos tem início no fim da tarde de quinta-feira, 8, em São João da Boa Vista, e se estende até as 22h. Amigos, colegas de toga e moradores da cidade passam pela sala 2 do velório municipal para a despedida silenciosa.

O corpo segue na manhã seguinte para São Paulo. O enterro está previsto para as 10h no Cemitério Gethsêmani do Morumbi, na zona oeste da capital. O magistrado deixa uma filha de 9 anos.

No campo policial, os próximos meses devem ser decisivos. A Polícia Civil aguarda laudos do IML, perícias complementares no veículo e análise detalhada de câmeras da região por onde o carro circula na tarde e na noite do dia 7. Investigadores também ouvem familiares, colegas de trabalho e pessoas que tiveram contato recente com o juiz.

As respostas virão, se vierem, da combinação entre ciência forense e reconstrução minuciosa dos últimos passos de Gustavo. Até lá, permanecem abertas as dúvidas sobre o que acontece naquela estrada de terra, na noite de 7 de outubro, e se o episódio vai levar a mudanças concretas na proteção de quem julga alguns dos conflitos mais sensíveis do país.

O caso já foi solucionado?

Não. A investigação está em fase inicial, sem prisões, e a Polícia Civil ainda aguarda laudos periciais antes de apontar causa da morte ou autoria.

Há indícios de assalto ao juiz?

Não há sinais de roubo. A aliança continuava no dedo da vítima e a carteira, com documentos, estava no interior do veículo, segundo a perícia.

Quem era o juiz Gustavo de Castro Campos?

Ele tinha 45 anos, nasceu em Mogi das Cruzes, formou-se em Direito pelo Centro Universitário Braz Cubas e, desde 2014, atuava na magistratura paulista, sendo titular da 2ª Vara de Mococa.


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