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Economia

Banco do Brasil fecha caixas em SP e gera crise em agências hoje

Banco do Brasil acelera fechamento de guichês e reduz atendimento presencial em São Paulo, enquanto prisão de cliente em Lavras expõe escalada de tensão nas agências.

09/10/2026 14:01 7 min de leitura
Banco do Brasil fecha caixas em SP e gera crise em agências hoje
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Redução no atendimento presencial do Banco do Brasil em São Paulo provoca impacto imediato nas agências e aumenta tensão com clientes.

O Banco do Brasil amplia o fechamento de guichês de caixa e enxuga o atendimento presencial em unidades de São Paulo, enquanto a prisão de um cliente em Lavras (MG), após ele se acorrentar dentro de uma agência para cobrar atendimento, expõe o clima de tensão nas agências.

Fechamentos em série e clima de incerteza

Nas Plataformas de Suporte Operacional (PSOs) da zona oeste paulistana, pontos de atendimento em guichês já deixam de existir no Jardim Bonfiglioli, na Rua Clélia, na Lapa, e na unidade de varejo da Avenida Sumaré, em Perdizes. As medidas fazem parte de um movimento que o banco chama de “absorção” de agências, com redução da estrutura física e concentração de operações em menos pontos.

O processo avança sem comunicação prévia clara aos funcionários, segundo relatos de bancários. Em 6 de maio, durante reunião com representantes sindicais, a gerência da PSO afirma que não há previsão de novos fechamentos e promete avisar as gerências em caso de mudanças. Desde então, porém, decisões são implementadas sem esse aviso, criando um fosso de confiança dentro da instituição.

O caso da agência Alfonso Bovero, também em Perdizes, se torna símbolo desse descompasso. Menos de duas semanas depois de a equipe ser deslocada para uma nova SOP, os trabalhadores descobrem que os guichês também serão fechados. A informação não vem da chefia, mas de plantas de layout apresentadas por uma empresa terceirizada de engenharia contratada pelo banco.

“O Banco do Brasil tem normalizado essa questão. O bancário vai trabalhar na sua SOP e não sabe o que vai encontrar naquele dia. É sempre um estado constante de insegurança e incerteza para quem trabalha nesse setor”, afirma Priscilla Semencio, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo e bancária do banco.

Carga de trabalho em alta e funções sobrepostas

Além da redução de guichês, as PSOs recebem tarefas que antes ficavam em centros especializados, como os chamados Cenops. Atividades de cadastro e rotinas operacionais migram para as plataformas, e agentes comerciais e caixas passam a executar funções mais complexas, muitas vezes sem mudança formal de cargo ou remuneração correspondente.

Priscilla relata que caixas executivos assumem atividades típicas de Gerentes de Módulo (Gemods), extrapolando limites operacionais pensados para reduzir risco de erro e fraudes. “É o ápice do desrespeito com funcionários que vêm trabalhando com sobrecarga e total falta de apoio. Descobrir, por meio de uma empresa terceirizada, que seu local de trabalho ou posto deixará de existir demonstra a completa falta de transparência e comunicação do banco”, critica.

Ao mesmo tempo, o quadro de pessoal encolhe. Vagas abertas por promoções, remoções ou aposentadorias são bloqueadas, sem reposição. Quem fica passa a lidar com mais clientes, mais processos e mais pressão por metas. Há relatos de agentes comerciais recebendo comissão de caixa diariamente, enquanto seguem cumprindo tarefas atribuídas a Gemods, numa espécie de remendo que empurra responsabilidades sem reorganizar a estrutura.

Para o sindicato, o banco testa o limite das equipes ao acumular pequenas mudanças que, somadas, alteram o padrão de trabalho e colocam em xeque a segurança das operações. A crítica central mira a ausência de critérios públicos para decidir quais guichês fecham, em que prazo e com que compensações para trabalhadores e clientes.

Atendimento mais difícil e tensão no balcão

Para quem depende do atendimento presencial, o efeito é imediato. Em unidades com grande fluxo, como as da zona oeste de São Paulo, menos guichês significam filas maiores, espera prolongada e mais dificuldade para resolver problemas complexos, sobretudo para idosos, pessoas com baixa familiaridade digital e clientes com pendências sensíveis, como renegociação de dívidas.

Esse desgaste aparece de forma extrema em Lavras, no sul de Minas Gerais. Em 6 de outubro, um homem de 60 anos entra em uma agência bancária na cidade, se acorrenta dentro do local e exige falar com o gerente para tentar renegociar uma dívida. O protesto individual, ainda que isolado, ajuda a ilustrar a frustração de quem não consegue ser atendido como gostaria.

A Polícia Militar é chamada para atender a ocorrência. De acordo com o relato dos agentes, o homem resiste às ordens de desocupar a área e precisa ser contido fisicamente. Durante a abordagem, os policiais identificam que ele porta uma pistola de ar comprimido, que é apreendida no ato.

Depois de receber atendimento médico, o homem é levado à delegacia de Lavras e preso em flagrante. Ele passa a responder pelos crimes de resistência, ameaça, desobediência e exercício arbitrário das próprias razões. O caso aciona um alerta entre bancários e especialistas em segurança sobre o risco de escalada de conflitos em ambientes já tensionados por cortes de pessoal e mudanças bruscas no atendimento.

Pressão sindical e riscos para a imagem do banco

A direção do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região intensifica as cobranças por transparência. A entidade exige que o banco apresente critérios objetivos para o fechamento de guichês, comunique previamente trabalhadores e representantes sindicais e pare de acumular funções sem revisão de cargos e salários. Também pede a reposição das vagas bloqueadas e a manutenção de uma estrutura mínima de atendimento presencial.

Para o sindicato, o Banco do Brasil erra ao tratar a reconfiguração das agências apenas como ajuste administrativo ou redução de custos. Cada vaga fechada, insiste a entidade, representa um rosto a menos no balcão e mais pressão sobre quem continua. A médio prazo, esse movimento pode afetar a qualidade do serviço, desgastar a relação com a clientela e empurrar parte do público para concorrentes ou canais digitais não bancários.

Entre os próprios bancários, cresce o temor de que a fase atual seja apenas o começo de uma mudança mais profunda no modelo de agência, com mais terceirização de atividades, novas ondas de fechamento e maior dependência de atendimento remoto, nem sempre preparado para resolver situações delicadas. A dúvida é até que ponto a estratégia de enxugamento considera o impacto social de um banco de grande porte em localidades onde ainda funciona como principal porta de acesso a serviços financeiros.

Os próximos meses tendem a ser marcados por novas rodadas de negociação entre o banco e as entidades sindicais, possivelmente mediadas por órgãos públicos. Se o ritmo de fechamento de guichês continuar e episódios extremos como o de Lavras se repetirem, o Banco do Brasil terá de lidar não só com planilhas de economia, mas com a percepção de que está se afastando do cotidiano dos clientes que, na prática, ainda procuram o balcão.

Por que o Banco do Brasil está fechando guichês e aumentando a sobrecarga nas PSOs?

O Banco do Brasil fecha guichês e concentra operações nas PSOs para reduzir estrutura física e pessoal, prática que chama de “absorção” de agências, o que transfere tarefas para menos funcionários sem reposição de vagas, amplia atribuições sem reajuste de cargo e aumenta a sobrecarga diária e a insegurança no trabalho.

O que aconteceu com o homem que se acorrentou dentro de uma agência bancária em Minas Gerais?

Um homem de 60 anos se acorrenta dentro de uma agência bancária em Lavras (MG) para exigir falar com o gerente e tentar renegociar uma dívida, resiste à abordagem policial enquanto porta uma pistola de ar comprimido, é contido pela Polícia Militar, passa por atendimento médico e acaba preso em flagrante por quatro crimes.


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