Pesquisas Quaest e Datafolha acirram disputa Lula x Flávio
Levantamentos Quaest e Datafolha sobre o segundo turno presidencial de 2026 mostram cenário embolado entre Lula e Flávio Bolsonaro, com vantagem mínima para o candidato do PL e alta rejeição dos dois lados.
Eleições 2026
Levantamentos recentes indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial.
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam à metade da semana em um segundo turno embolado, medido por novos levantamentos de intenção de voto da Quaest e do Datafolha. As pesquisas, feitas com eleitores em todo o país, apontam vantagem pequena de Flávio dentro da margem de erro e expõem rejeição alta para os dois lados.
Termômetro da campanha em tempo real
A Quaest divulga hoje sua primeira pesquisa para o segundo turno presidencial. O instituto ouviu 2.154 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 13 de outubro, em entrevistas presenciais, e trabalha com margem de erro de 2 pontos percentuais. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-08729/2026.
O questionário vai além da intenção de voto. Mapeia também o grau de conhecimento sobre as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro, mede a rejeição a cada nome e a avaliação do governo atual. Esses dados, combinados, ajudam a explicar por que a disputa segue aberta, mesmo com o candidato do PL numericamente à frente em pesquisas recentes.
O Datafolha entra em campo na sequência. O instituto encerra hoje as entrevistas de seu novo levantamento, iniciado em 13 de outubro, com 2.520 eleitores, também em todo o país, e mesma margem de erro de 2 pontos. A pesquisa está registrada no TSE com o código BR-00466/2026 e será divulgada amanhã.
Vantagem apertada de Flávio e eleitorado tenso
Na pesquisa anterior do Datafolha, divulgada na semana passada, Flávio Bolsonaro aparecia com 49% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Em outro levantamento divulgado no dia 8, o candidato do PL tinha 52% dos votos válidos no segundo turno, ante 48% do petista. As variações cabem dentro da margem estatística, o que reforça o caráter de empate técnico.
Os dois institutos destacam o caráter circunstancial desses números. “Os dados de levantamentos eleitorais não devem ser compreendidos como previsões para o resultado final das eleições. Eles servem de termômetro para a opinião de eleitores no momento em que a pesquisa é feita”, diz a explicação metodológica. A nota também reforça que “a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%”.
Nos comitês de campanha, os resultados funcionam como bússola diária. No PL, a leitura é de que a vantagem, embora pequena, precisa ser consolidada entre eleitores de centro-direita e entre quem votou em branco ou nulo no primeiro turno. No PT, o foco é reduzir a rejeição a Lula em faixas urbanas de renda média e reconquistar parte do eleitorado popular que migrou para o bolsonarismo.
Rejeição alta e corrida pelo voto desinformado
A pesquisa da Quaest traz uma camada adicional de preocupação para os dois lados ao medir o grau de rejeição e o conhecimento das propostas. Dados internos indicam que uma parcela relevante do eleitorado já decidiu em quem não vota de jeito nenhum, o que restringe o campo de manobra neste segundo turno curto.
Entre os indecisos, pesa menos a identificação partidária e mais a percepção sobre o futuro imediato: emprego, inflação, serviços públicos. A avaliação do governo atual, num cenário de economia frágil e tensão política, influencia a disposição do eleitor a manter o grupo no poder ou apostar em mudança, ainda que com receios sobre o retorno da polarização extrema.
O levantamento da Quaest tenta capturar esse humor ao cruzar intenção de voto com satisfação ou frustração em relação ao governo. A depender de como esses números saem hoje, campanhas podem deslocar parte da propaganda dos ataques pessoais para propostas econômicas e segurança pública, temas que aparecem com frequência nas respostas espontâneas dos entrevistados.
Mercado atento e risco de mais polarização
O ambiente de incerteza se reflete também na economia. Investidores acompanham cada nova pesquisa à espera de sinais mais claros sobre quem deve comandar o Planalto a partir do ano que vem. A percepção sobre o compromisso de cada candidato com responsabilidade fiscal, programas sociais e reformas pesa em decisões de investimento e na oscilação de ativos.
Analistas políticos apontam que uma diferença sustentada de 3 ou 4 pontos para qualquer lado, em duas ou três rodadas seguidas, poderia redefinir estratégias de campanha e o humor do mercado. Não é o que se vê até agora. O cenário atual é de oscilação dentro da margem de erro, com possibilidade real de virada até a véspera da votação.
Na sociedade, o risco é de aprofundamento da polarização. A rejeição elevada dos dois candidatos pode alimentar discursos anti-política, radicalizar bolhas nas redes sociais e tornar a convivência entre campos opostos mais difícil após a eleição. Organizações da sociedade civil defendem transparência na divulgação das pesquisas como antídoto contra teorias conspiratórias e tentativas de deslegitimar o resultado.
O que está em jogo nos próximos dias
Os números que a Quaest entrega hoje e o Datafolha detalha amanhã tendem a redesenhar roteiros, agendas e discursos até o próximo domingo. Debates de televisão, sabatinas e eventos de campanha passam a ser pensados quase em tempo real, à luz dos mapas de rejeição e dos bolsões de indecisos revelados pelas pesquisas.
No PT, a tendência é intensificar a presença de Lula em regiões onde o petista ainda lidera com folga, mas vê erosão gradual, como parte do Nordeste, e reforçar compromissos com programas sociais e recomposição salarial. No PL, a prioridade deve ser ampliar a vantagem de Flávio no Sul, no Centro-Oeste e em segmentos evangélicos, ao mesmo tempo em que modera o discurso para não perder eleitores de centro.
Novos levantamentos nas próximas semanas vão mostrar se alguma dessas apostas funciona. A fotografia de hoje é de um país dividido em duas metades quase equivalentes, que se encaram com desconfiança e medo do futuro com o outro lado no poder. A incógnita é se, após a contagem dos votos, haverá espaço para reconstruir pontes ou se o resultado apertado alimentará uma crise política prolongada.
O que dizem as pesquisas Quaest e Datafolha sobre o segundo turno?
As pesquisas Quaest e Datafolha para o segundo turno de 2026 mostram hoje uma disputa muito apertada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com vantagem numérica pequena para Flávio dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais, alta rejeição para ambos os candidatos e grande peso da avaliação do governo na definição do voto.
Qual é a diferença entre os levantamentos e o resultado final da eleição?
Pesquisas eleitorais como as da Quaest e do Datafolha registram a opinião de 2.154 e 2.520 eleitores, respectivamente, num período específico, com margem de erro de 2 pontos percentuais; o resultado final da eleição, porém, depende do comportamento de todos os eleitores no dia da votação, podendo divergir desses retratos momentâneos.


