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Morre aos 83 anos o jornalista Renato Machado

Renato Machado, ex-âncora do Bom Dia Brasil e referência do telejornalismo, morre aos 83 anos no Rio. Morte ocorre nesta quinta (16), em clínica na Gávea.

16/07/2026 22:47 7 min de leitura

Obituário

Renato Machado, ícone do telejornalismo brasileiro, faleceu no Rio aos 83 anos, deixando legado na televisão.

O jornalista Renato Machado, um dos nomes centrais do telejornalismo brasileiro, morre na manhã desta quinta-feira (16), aos 83 anos, na zona sul do Rio. Ele está internado na Clínica São Vicente, na Gávea. A causa da morte não é divulgada pela família e pelos médicos.

Despedida discreta e silêncio sobre causa da morte

Renato deixa a esposa, a jornalista Mônica Morel, a filha, a atriz Maria Eduarda Machado, conhecida como Duda Machado, e uma neta. Até o início da tarde, não há informações oficiais sobre velório e enterro.

O silêncio em torno da causa da morte alimenta especulações nas redes sociais, mas amigos próximos reforçam o pedido de respeito à privacidade da família. A opção por não revelar detalhes já marca os primeiros registros desta despedida, em contraste com a vida pública que ele leva por mais de cinco décadas.

Em março de 2024, Renato passa uma semana internado em um hospital no Rio para exames. Ao receber alta, tranquiliza o público com bom humor em vídeo publicado para seus 130 mil seguidores no Instagram. “Olá, amigos. É bom reencontrar vocês. Eu estive uma semana no estaleiro para ajeitar algumas partes mecânicas. Foi uma determinação dos médicos e a boa notícia é que está tudo bem”, diz na ocasião.

Quatro décadas à frente da notícia

Nascido em 21 de março de 1943, no Rio de Janeiro, Renato inicia a carreira em 1969, como repórter do Jornal do Brasil. Formado em Direito pela PUC-Rio, chega ao jornalismo depois de experiências como ator, dublador de cinema e integrante do Teatro Oficina, em São Paulo. A passagem pelos palcos ajuda a moldar a dicção precisa e a presença de cena que mais tarde marcam suas apresentações na TV.

Em 1982, é contratado pela TV Globo, emissora onde permanece até 2021. Logo nos primeiros anos, se destaca na cobertura da Guerra das Malvinas, em 1982, conflito entre Argentina e Reino Unido. No ano seguinte, em 1983, é enviado a Londres como correspondente internacional.

Da capital britânica, acompanha alguns dos episódios mais marcantes da história recente. Em 1986, cobre atentados terroristas em Paris e, no mesmo período, relata para o público brasileiro os impactos do acidente nuclear de Chernobyl, na então União Soviética. As reportagens ajudam a consolidar a imagem de um jornalista sereno, capaz de explicar crises complexas em linguagem simples.

De volta ao Brasil em 1988, Renato assume a função de repórter especial e passa por vários telejornais da casa. Apresenta o Jornal da Globo, o RJTV e integra a bancada do Jornal Nacional, sempre alternando a posição de âncora com a de repórter em grandes coberturas.

O telejornal da manhã que muda de formato

O marco da carreira vem entre 1996 e 2010, quando Renato apresenta e edita o Bom Dia Brasil. À frente do telejornal matinal, ajuda a redesenhar o programa, que se afasta do formato rígido de notícias lidas e aposta em conversas ao vivo com comentaristas e repórteres.

O diálogo com colegas como Renata Vasconcellos, que mais tarde também assume o Jornal Nacional, se torna uma das marcas do noticiário. A bancada deixa de ser apenas um ponto de leitura e passa a funcionar como centro de debates sobre política, economia e cotidiano.

Em depoimento ao projeto Memória Globo, Renato resume a visão de ofício. “É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra”, afirma. A frase revela o método: curiosidade permanente, atenção à técnica e disposição para rever a própria prática.

Depois de 2010, ele volta a Londres para uma nova temporada como correspondente internacional. Dessa vez, narra desdobramentos da crise econômica na Grécia, a partir de 2008, e coberturas como os ataques ao jornal francês Charlie Hebdo, em Paris, em 2015. O olhar para o mundo, afinado ao longo de décadas, reforça a vocação de ponte entre o Brasil e o noticiário internacional.

Do estúdio às redes sociais

Em 2016, Renato é chamado para integrar a equipe do Globo Repórter como repórter especial. Participa de reportagens de fôlego, uma delas em uma edição indicada ao Emmy Internacional, um dos principais prêmios da TV mundial. A mudança para o jornalismo aprofundado amplia o repertório de temas, da ciência ao meio ambiente.

O contrato com a Globo se encerra em 2021, após quase 40 anos de vínculo. Longe da rotina diária da emissora, Renato não se afasta do público. Escreve sobre vinhos, gastronomia e cultura para jornais, revistas e colabora com a rádio CBN, mantendo a voz reconhecível para diferentes gerações.

No Instagram, passa a compartilhar com regularidade suas paixões por música, viagens e vinhos. A presença nas redes, rara entre jornalistas de sua geração, mostra disposição em dialogar com uma audiência mais jovem e num formato menos solene que o telejornal tradicional.

Perda para o telejornalismo e legado em disputa

A morte de Renato Machado abre um vazio simbólico em um momento em que o jornalismo enfrenta desinformação, ataques a profissionais e transformações tecnológicas aceleradas. Colegas descrevem, nas primeiras homenagens, a “elegância” e a “cultura” como traços mais lembrados, mas o impacto da carreira vai além do estilo pessoal.

Na prática, sua atuação ajuda a consolidar o padrão de telejornalismo que alia rigor informativo, linguagem acessível e abertura para a análise, especialmente no noticiário matinal. O modelo que ele pratica no Bom Dia Brasil influencia formatos posteriores e inspira redações a apostar em maior interação entre apresentadores e repórteres.

Escolas de jornalismo, cursos livres e projetos acadêmicos ganham, com sua morte, um personagem central para discutir a evolução da notícia na TV, do videotape ao streaming. O caminho que Renato percorre, do jornal impresso às redes sociais, espelha a própria transformação do ofício no Brasil desde o fim dos anos 1960.

Os próximos dias tendem a ser de homenagens em emissoras, rádios e veículos digitais, com retrospectivas de coberturas marcantes e bastidores de estúdio. A longo prazo, o desafio será transformar o luto em reflexão sobre o jornalismo que se faz hoje e o que se deseja para as próximas décadas, em um ambiente em que experiência e cultura, marcas da trajetória de Renato Machado, parecem cada vez mais raras.

O que houve com Renato Machado?

Renato Machado morre na manhã de 16 de julho de 2026, aos 83 anos, na Clínica São Vicente, na Gávea, no Rio de Janeiro. A causa da morte não é divulgada.

Quem é a filha de Renato Machado que se despediu dele?

A filha de Renato Machado é a atriz Maria Eduarda Machado, conhecida como Duda Machado. Ela é fruto do casamento do jornalista com a esposa, Mônica Morel.

Onde estava trabalhando Renato Machado antes de falecer?

Após encerrar o contrato com a TV Globo em 2021, Renato segue como colaborador em outras mídias, escrevendo sobre vinhos, cultura e participando de projetos em rádio e plataformas digitais.

Quem foi Renato Machado no jornalismo brasileiro?

Renato Machado é um dos principais nomes do telejornalismo no país. Foi correspondente internacional, repórter especial e âncora do Bom Dia Brasil entre 1996 e 2010, além de ter passado por diversos telejornais da TV Globo.

Quais são os detalhes sobre o velório de Renato Machado?

Até o momento da publicação, a família não divulga informações sobre local e horário do velório e do enterro de Renato Machado.

Quem são os familiares de Renato Machado, como esposa e filhos?

Renato Machado deixa a esposa, a jornalista Mônica Morel, a filha, a atriz Maria Eduarda (Duda) Machado, e uma neta. A família pede discrição neste momento.


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