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Eclipses solares de 2026 e 2027 prometem show no céu

Dois eclipses solares totais em 12 de agosto de 2026 e 2 de agosto de 2027 devem movimentar turismo, ciência e campanhas de segurança em vários continentes.

17/07/2026 07:07 7 min de leitura

Astronomia

Prepare-se para os espetáculos celestes que vão atrair turistas e cientistas em 2026 e 2027.

Dois eclipses solares totais marcam o calendário astronômico em 12 de agosto de 2026 e 2 de agosto de 2027, com protagonismo para Europa, norte da África e Oriente Médio. O segundo será o mais longo do século, com 6 minutos e 22 segundos de escuridão em plena luz do dia.

Fenômeno raro volta a ganhar o noticiário

Os eclipses solares totais ocorrem quando a Lua se alinha entre a Terra e o Sol e bloqueia completamente a luz solar em uma faixa estreita do planeta. Esse alinhamento perfeito é raro, depende de órbitas, distâncias e do ponto exato em que a sombra lunar atinge a superfície.

Na prática, os dois eventos devem mobilizar turistas, astrônomos profissionais e amadores, além de serviços de saúde e órgãos de defesa civil. Também reacendem o interesse do público por astronomia em um momento em que transmissões ao vivo e imagens de alta resolução se espalham em segundos pelas redes.

O que esperar do eclipse solar total de 2026

O primeiro ato dessa sequência ocorre em 12 de agosto de 2026. A faixa de totalidade corta Groenlândia, Islândia, norte da Rússia e o Atlântico Norte até alcançar a Península Ibérica. Espanha e uma pequena porção de Portugal estão na rota final da sombra.

Fora da linha central, o fenômeno aparece como eclipse solar parcial em boa parte do Hemisfério Norte. A sombra atinge regiões do norte dos Estados Unidos, do Alasca à Carolina do Norte, quase todo o Canadá, grande parte da Europa e o noroeste da África.

Na Europa continental e no norte da África, o espetáculo coincide com o pôr do sol. Em cidades da Espanha e de Portugal, o Sol deve ser encoberto totalmente poucos instantes antes de desaparecer no horizonte, cenário que tende a render imagens marcantes.

A fase de totalidade, quando a Lua cobre por completo o disco solar, é curta. Para a maioria dos observadores, dura menos de dois minutos. Nos pontos mais próximos ao centro da faixa — em áreas da Groenlândia, do norte da Rússia e do Atlântico Norte — o tempo cresce um pouco, mas segue abaixo de dois minutos e meio.

O eclipse de 2027 e a escuridão mais longa do século

Um ano depois, em 2 de agosto de 2027, o céu do hemisfério oriental recebe um espetáculo ainda mais raro. A Lua volta a se alinhar com o Sol e produz um eclipse solar total com 6 minutos e 22 segundos de duração máxima, o mais longo do século XXI.

A faixa de totalidade tem aproximadamente 258 quilômetros de largura e atravessa o Atlântico Leste, o Estreito de Gibraltar e o norte da África, alcançando o Oriente Médio. Países como Espanha, Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Sudão, Arábia Saudita e Somália estão na rota principal.

O tempo excepcional de escuridão se explica pela combinação de dois fatores orbitais. A Lua estará no perigeu, o ponto de maior aproximação com a Terra, parecendo maior no céu. Ao mesmo tempo, o Sol estará em posição que o faz parecer um pouco menor. Com esse ajuste fino de tamanhos aparentes, a Lua consegue cobrir o disco solar por vários minutos.

Durante a totalidade, o dia vira crepúsculo, estrelas ficam visíveis e a coroa solar — camada externa e brilhante do Sol, normalmente ofuscada — se revela a olho nu. A previsão é de forte mobilização internacional, com expedições científicas montadas especialmente para o trecho de máxima duração, previsto para a região do Egito.

Segurança, turismo e oportunidade científica

O fascínio pelo escurecimento súbito do céu traz um alerta constante dos especialistas: olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada pode causar danos irreversíveis à visão. O risco existe em qualquer fase em que uma fração do disco solar ainda esteja exposta, ou seja, em todo o eclipse parcial e nos instantes que antecedem e sucedem a totalidade.

“Em hipótese alguma olhe diretamente para o Sol sem proteção adequada. Óculos escuros, chapas de raio-X ou outros filtros caseiros não protegem contra os danos. É essencial utilizar filtros certificados, como os óculos especiais para observação solar ou vidros de soldador nº 14”, afirma a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional (ON/MCTI).

Os óculos de observação precisam seguir a norma internacional ISO 12312-2, que garante bloqueio seguro da radiação. Telescópios, câmeras e binóculos exigem filtros próprios acoplados na frente da lente. Sem esse cuidado, a concentração da luz solar pode queimar filtros e atingir diretamente a retina.

Quem não dispõe de proteção certificada pode recorrer a métodos indiretos, como projetores de orifício. Um simples cartão com um pequeno furo, usado com o Sol às costas, projeta a imagem do disco solar em uma parede ou no chão. Até as folhas das árvores funcionam como milhares de orifícios naturais, desenhando dezenas de pequenos “meias-luas” no piso durante o eclipse solar parcial.

A combinação de beleza e risco deve levar governos e instituições científicas a lançar campanhas educativas nos países da faixa de totalidade. Órgãos de saúde tendem a reforçar a mensagem sobre proteção ocular, enquanto escolas e planetários aproveitam o interesse para discutir astronomia básica, órbitas e ciclos celestes.

O setor de turismo já se prepara para o aumento da demanda em destinos estratégicos. Regiões da Groenlândia, Islândia e norte da Rússia ganham projeção em 2026. Em 2027, o foco se desloca para Marrocos, Tunísia, Líbia, Egito e países do Oriente Médio, que enxergam no fenômeno uma oportunidade de atrair visitantes fora da alta temporada.

Empresas do ramo óptico e de equipamentos científicos também devem sentir o impacto. A procura por óculos de eclipse, filtros solares e kits de observação costuma disparar nos meses que antecedem eventos desse porte.

Brasil fora da rota, mas dentro da conversa

O Brasil não está na faixa de totalidade de nenhum dos dois eclipses. Em boa parte do país, o fenômeno sequer será visível, nem mesmo como eclipse solar parcial. Isso não significa ausência de interesse.

Transmissões ao vivo, projetos educativos em escolas e ações de observatórios públicos e clubes de astronomia devem aproximar o público brasileiro dos eventos. A experiência recente com eclipses transmitidos pela internet indica alta audiência para imagens produzidas por agências espaciais, universidades e canais especializados no Hemisfério Norte.

Os dois eclipses reforçam a conexão entre ciência, tecnologia e vida cotidiana. Expõem a precisão com que astrônomos calculam órbitas e horários com décadas de antecedência e mostram como um fenômeno celeste de poucos minutos movimenta turismo, saúde pública e economia local.

Nos próximos meses, calendários científicos vão destacar datas, mapas detalhados e horários de máximo em cada cidade da rota. A corrida, agora, é para garantir que, quando o céu escurecer em plena tarde de agosto, o espetáculo fique guardado na memória — e não na retina ferida de observadores desavisados.

Quando e onde será visível o eclipse solar total de 2026?

O eclipse total de 12 de agosto de 2026 cruza Groenlândia, Islândia, norte da Rússia, Atlântico Norte, Espanha e uma pequena parte de Portugal, com eclipse parcial em grande parte do Hemisfério Norte.

Por que o eclipse solar de 2027 será o mais longo do século?

Em 2 de agosto de 2027, a Lua estará no perigeu e parecerá maior, enquanto o Sol parecerá um pouco menor. Essa combinação permite uma totalidade de até 6 minutos e 22 segundos.

Quais países poderão ver o eclipse solar total em 2026?

A faixa de totalidade inclui Groenlândia, Islândia, norte da Rússia, trecho do Oceano Atlântico, Espanha e uma pequena área de Portugal. Outras regiões verão apenas o eclipse parcial.

O que vai acontecer no dia 2 de agosto de 2027 durante o eclipse solar?

Nessa data, um eclipse solar total escurecerá o céu por até 6 minutos e 22 segundos em uma faixa de cerca de 258 km que passa por Espanha, norte da África e Oriente Médio.


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