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Tecnologia

Foguete da SpaceX deve se chocar com a Lua nesta quarta

Estágio superior de um Falcon 9, lançado em 2025, está em rota de colisão com a Lua. Impacto previsto para 5 de agosto, às 3h35, gera cratera e alerta sobre lixo espacial.

05/08/2026 08:17 7 min de leitura
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Tecnologia Espacial

Estágio de foguete Falcon 9 lançado em 2025 pode causar cratera na Lua e levanta preocupações sobre lixo espacial.

Um estágio superior do foguete Falcon 9, da SpaceX, deve se chocar com a Lua na madrugada desta quarta-feira (5), às 3h35, no horário de Brasília. O impacto, previsto desde o ano passado, envolve um cilindro metálico de 12 metros e 4 mil quilos, lançado em 15 de janeiro de 2025, e abre uma janela rara para estudar em tempo real a formação de uma cratera lunar.

Impacto veloz, clarão breve e cratera nova

O objeto cruza o espaço a cerca de 8.700 km/h, o equivalente a 2,43 km por segundo, rumo a uma região próxima à cratera Einstein, na parte iluminada da Lua, visível da Terra. A colisão deve produzir um clarão que dura menos de um segundo, invisível a olho nu, mas detectável por telescópios sensíveis.

Modelos indicam a formação de uma cratera com mais de 17 metros de diâmetro. A explosão vai escavar material do subsolo e lançar uma nuvem de poeira e fragmentos que pode subir a 50 quilômetros de altura antes de se espalhar lateralmente. “O impacto vai lançar uma enorme nuvem de poeira, talvez a 50 km de altura ou mais, e essa nuvem vai se espalhar lateralmente com o tempo”, afirma o astrônomo Matt Bothwell, da Universidade de Cambridge.

A NASA reforça que o evento não representa ameaça para o planeta. “Não há perigo para a Terra”, diz o porta-voz Jimi Russell. O interesse, desta vez, está na ciência e nas implicações para o futuro da atividade espacial.

Como um foguete descartado acaba na superfície lunar

O Falcon 9 partiu da Terra em 15 de janeiro de 2025 com dois módulos comerciais destinados à Lua. O Blue Ghost, da americana Firefly Aerospace, decola do Texas e consegue pousar no satélite em março de 2025. O Resilience, da japonesa Ispace, lançado na mesma missão, tenta um pouso meses depois, mas não chega intacto ao solo lunar.

O primeiro estágio do Falcon 9 retorna à Terra, dentro da rotina de reutilização da SpaceX. O segundo, responsável por dar o impulso final rumo à órbita lunar, cumpre sua parte e fica sem combustível para qualquer manobra extra. Não há energia suficiente para trazê-lo de volta nem para estacioná-lo em uma órbita segura.

O cilindro metálico permanece à deriva por mais de um ano, preso a um jogo delicado entre o campo gravitacional da Terra, da Lua e a pressão da radiação solar. “Fizemos isso aqui para o segundo estágio das missões Ispace e Blue Ghost, e o que aconteceu foi essencialmente uma combinação de atividade solar e forças gravitacionais que o colocaram em uma trajetória em direção à Lua”, resume Julianna Scheiman, diretora de Ciência da NASA e dos programas Dragon da SpaceX.

A trajetória final é confirmada por astrônomos independentes, que usam dados públicos de rastreamento, e pelo Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS), da NASA. O estágio é identificado nos registros como 2025-010D.

Mapa do impacto e plano de observação global

O ponto provável de colisão fica perto da cratera Einstein, em uma área que, vista da Terra, se aproxima da borda do disco lunar. O astrônomo Paul Wiegert, da Western University, no Canadá, recorre a uma imagem familiar para explicar a posição. “Se você imaginar a Lua como um relógio, ela vai marcar mais ou menos onde estaria o número 10”, diz.

A localização complica o registro do clarão, que ocorre em uma região já iluminada pelo Sol. Mesmo assim, observatórios profissionais na América do Sul e nas latitudes médias da América do Norte se mobilizam para tentar flagrar a pluma de detritos iluminada.

Na órbita lunar, a sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, da NASA, e a sonda coreana Danuri ajustam suas rotas para mapear o local antes e depois do evento. Imagens de alta resolução devem revelar o tamanho exato da cratera, a forma da cavidade e a distribuição do material ejetado. A Agência Espacial Europeia (ESA) e universidades como a Estadual de Michigan acompanham os cálculos e preparam análises de dados.

Um projeto de ciência cidadã convoca astrônomos amadores com equipamentos mais potentes a registrar o instante da colisão e o comportamento da pluma de poeira. As imagens, se bem calibradas, podem complementar os dados das sondas.

Laboratório natural para impactos e alerta sobre lixo espacial

Diferentemente de um meteoro desconhecido, o impacto deste foguete chega com ficha técnica completa. Pesquisadores sabem, com boa precisão, massa, velocidade, ângulo de entrada e tipo de material que atinge o solo lunar. A cratera que surge funciona, assim, como um experimento controlado em escala planetária.

Agências espaciais e grupos acadêmicos pretendem comparar o tamanho da cavidade e o volume de material ejetado com modelos de computador e com crateras naturais. O objetivo é calibrar estimativas usadas para reconstituir a história de bombardeios de asteroides na Lua e em outros corpos do Sistema Solar. Amostras expostas pelo impacto também ajudam a investigar a composição das camadas abaixo da superfície visível.

Para Bothwell, o fascínio do espetáculo não deveria esconder a mensagem incômoda. “É algo realmente enorme colidindo com a Lua. Não é nem um pouco perigoso, podemos simplesmente assistir ao espetáculo”, afirma. Em seguida, faz a ressalva. “Acho que mais pessoas deveriam se preocupar com o lixo espacial.”

Segundo a ESA, há cerca de 54 mil objetos maiores que 10 centímetros orbitando a Terra. No total, desde 1957, lançamentos acumularam 17 mil toneladas de material no espaço próximo ao planeta. A maioria desses destroços não tem controle ativo e pode colidir entre si, gerar fragmentos menores e ameaçar satélites e missões tripuladas.

O último impacto conhecido de um foguete inativo na Lua ocorre em 2022, quando uma seção de um Longa Marcha chinês atinge o lado oculto do satélite. O novo caso reacende o debate sobre como descartar estágios de foguetes em missões interplanetárias e orbitais sem transformá-los em projéteis fora de controle.

Pressão por regras e tecnologias mais responsáveis

A colisão desta quarta-feira alimenta discussões em fóruns internacionais sobre a obrigação de cada país e empresa de planejar o destino final de seus veículos. Propostas vão desde reservas de combustível dedicadas à desorbitação segura até órbitas-cemitério específicas, longe de rotas ativas.

Empresas como SpaceX, Firefly Aerospace e Ispace entram no centro dessa conversa. A trajetória acidental do estágio do Falcon 9 reforça perguntas sobre o padrão de sustentabilidade de missões comerciais, num momento em que governos estimulam a exploração lunar e a criação de uma economia em torno do satélite.

Agências espaciais e universidades devem levar meses para processar os dados do impacto, mapear a cratera e publicar os primeiros resultados científicos. No curto prazo, a colisão funciona como um lembrete visível da presença crescente de objetos artificiais além da Terra. A longo prazo, pode impulsionar normas mais rígidas e tecnologias para gerir melhor o lixo espacial antes que um espetáculo distante se converta em risco real em órbitas mais próximas.

Qual parte do foguete da SpaceX vai colidir com a Lua?

É o estágio superior do Falcon 9, um cilindro de cerca de 12 metros de comprimento e 4 mil quilos, usado para impulsionar os módulos rumo à Lua.

Quando e a que horas o foguete da SpaceX deve atingir a Lua?

O impacto está previsto para 5 de agosto de 2026, por volta das 3h35 no horário de Brasília, equivalente às 2h35 no horário do leste dos EUA.

O que pode acontecer com a Lua após a colisão do foguete da SpaceX?

O impacto deve criar uma nova cratera com mais de 17 metros de diâmetro e lançar uma nuvem de poeira que pode chegar a 50 km de altura, sem efeitos perceptíveis na Terra.

Por que o foguete da SpaceX está prestes a colidir com a Lua?

Após concluir a missão com os módulos Blue Ghost e Resilience, o estágio superior ficou sem combustível para manobras. A combinação de gravidade e atividade solar o levou à rota de colisão.

Como foi identificado o foguete da SpaceX que vai colidir com a Lua?

A trajetória foi reconstruída por astrônomos independentes, usando dados públicos, e confirmada pelo CNEOS, da NASA. O estágio aparece nos registros orbitais como objeto 2025-010D.


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