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Por que Tamara Klink pede que parem de comprar seu livro

Best-seller desde maio, “Bom Dia, Inverno” leva Tamara Klink a um gesto raro no mercado editorial: pedir que leitores não comprem novas cópias em nome do ambiente.

07/08/2026 22:30 8 min de leitura
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Literatura Sustentável

Tamara Klink adota postura inédita para preservar o meio ambiente diante do sucesso de seu livro.

Um dos livros mais vendidos do país, “Bom Dia, Inverno” ganha um pedido incomum da própria autora. Em vídeo publicado em 6 de agosto de 2026, a velejadora e escritora Tamara Klink, 29, pede que os leitores parem de comprar novos exemplares de sua obra, lançada em maio pela Companhia das Letras. O alvo não é o livro em si, mas o impacto ambiental de continuar imprimindo milhares de cópias.

Best-seller sob freio da própria autora

O livro de 256 páginas lidera o ranking geral Nielsen-PublishNews de julho, com 9.560 exemplares vendidos no mês. Está entre os mais vendidos há três meses consecutivos, um desempenho raro para uma autora em início de carreira no grande mercado editorial.

Justamente por isso, Tamara decide pisar no freio. “Não compre mais esse livro, ‘Bom Dia, Inverno’. Já tem muitos livros circulando pelo Brasil todo”, afirma no vídeo publicado em seu perfil no Instagram. Ela diz que, a essa altura, precisa ser coerente com o próprio discurso ambiental.

O gesto contraria a lógica básica da indústria do livro, sustentada pelo aumento constante de tiragens. Também desloca o debate sobre sustentabilidade, que costuma se concentrar em combustíveis fósseis e grandes obras, para um objeto cotidiano e aparentemente inofensivo: o livro impresso.

Papel, energia e CO2 em cada exemplar

No vídeo, a navegadora lembra que cada cópia física carrega uma conta ambiental concreta. “Tem um monte de papel, um monte de energia que foi gasta para este livro existir”, diz. Estimativas citadas na discussão em torno do post indicam que um pinheiro adulto produz papel suficiente para cerca de 25 livros de 300 páginas.

Mesmo com florestas plantadas e certificações ambientais, a equação continua pesada. A produção e a distribuição de um livro comum podem emitir entre 1 kg e 2,5 kg de CO2, do corte da árvore ao transporte até a livraria. Em larga escala, o impacto cresce rápido: só em julho, as 9.560 cópias vendidas de “Bom Dia, Inverno” equivalem potencialmente à emissão de dezenas de toneladas de gases de efeito estufa.

Leitores digitais, às vezes vistos como solução fácil, também carregam sua própria pegada. A fabricação de um e-reader tem emissões equivalentes à produção de 30 a 70 livros impressos, além de consumir mais água. O dilema não se resolve com um único gesto tecnológico.

Do consumo à circulação compartilhada

O vídeo de Tamara propõe outro eixo de mudança: menos cópias novas, mais circulação das cópias existentes. “É muito triste um livro acabar em uma biblioteca só e ser lido só uma vez”, afirma. Para ela, o problema não é o livro físico, mas a vida curta que muitos deles têm nas estantes domésticas.

Em vez de ir à livraria comprar um exemplar novo, a autora sugere que os leitores busquem bibliotecas, clubes de leitura, trocas entre amigos e doações. “O mais legal de um livro é ele circular e cumprir sua função pelo máximo de tempo possível para fazer jus aos recursos e energias gastos para ele existir no planeta”, diz.

Na prática, o pedido significa reduzir a pressão por novas tiragens de um título que já é um best-seller estabelecido. Também empurra o mercado a olhar com mais atenção para bibliotecas, sebos e plataformas de empréstimo, espaços tradicionalmente periféricos nas estratégias comerciais das grandes editoras.

Indústria em xeque, bibliotecas em alta

A repercussão é imediata. O post soma mais de 8 mil comentários e desencadeia um debate público sobre a pegada ecológica do mercado editorial brasileiro. Há elogios à ousadia da autora, críticas de quem vê prejuízo às editoras e dúvidas sinceras sobre o peso real dos livros nas emissões globais.

Para o setor, a mensagem incomoda porque mira no coração do modelo de negócios. Menos exemplares vendidos significam menos receita para editoras, gráficas, distribuidoras e livrarias. Justamente em um momento em que um best-seller de não ficção ajuda a sustentar catálogos mais arriscados.

Ao mesmo tempo, bibliotecas públicas, comunitárias e universitárias aparecem como potenciais beneficiadas. Tamara pede que leitores indiquem instituições que ainda não tenham o livro, para receberem doações. Ao estimular o empréstimo e o reuso, reforça o papel social desses espaços, muitas vezes esvaziados por cortes de verba e pelo avanço das compras online.

O movimento também valoriza o livro usado. Sebos físicos e plataformas de revenda ganham argumento ambiental a seu favor. O exemplar com anotações, orelhas marcadas e dedicatórias deixa de ser visto como “estragado” e passa a encarnar uma espécie de biografia coletiva de leitura.

Do Ártico ao debate climático brasileiro

O gesto ganha força porque vem de quem constrói a própria trajetória em diálogo com o ambiente. Filha do navegador Amyr Klink, Tamara já é conhecida por seus feitos no mar. É apontada como a velejadora mais jovem a realizar sozinha a Passagem Noroeste e a primeira pessoa da América Latina a invernar sozinha no mar congelado do Ártico.

“Bom Dia, Inverno” relata justamente os oito meses confinada em um veleiro preso no gelo da Groenlândia. No livro, ela descreve o cotidiano extremo, a solidão e a convivência com um ambiente frágil e em rápida transformação climática. A experiência rende um relato de aventura, mas também uma observação direta dos efeitos do aquecimento global.

O título se soma a outros livros da autora, como “Nós, o Atlântico em Solitário”, “Mil Milhas”, “Um Mundo em Poucas Linhas” e “Férias na Antártica”. A coerência entre a vida no mar, a obra literária e o ativismo ambiental ajuda a explicar por que o pedido de frear as compras encontra tanta ressonância.

Pressão por mudanças e próximos capítulos

No curto prazo, é improvável que a fala de uma única autora derrube o volume de impressão de toda a indústria. Mas o gesto estabelece um precedente incômodo. Se mais best-sellers seguirem o caminho de Tamara, editoras precisarão repensar tiragens, modelos de reimpressão e políticas de encalhe.

A pressão tende a acelerar práticas já em curso, como maior uso de papel reciclado, ajustes de diagramação para reduzir páginas e ampliação de versões digitais com menor custo ao leitor. Parcerias estruturadas com redes de bibliotecas e programas de doação podem deixar de ser ações pontuais de marketing e virar parte central das estratégias editoriais.

Para leitores, a mensagem é direta: ler continua sendo importante, mas talvez não seja mais preciso que cada pessoa tenha um exemplar novo de cada livro que deseja. A ideia de que cultura se fortalece também na partilha, e não apenas na compra, entra de vez no centro da conversa.

Enquanto “Bom Dia, Inverno” segue nas listas de mais vendidos, o mercado observa a curva de vendas e a reação da própria editora. A pergunta que se impõe é se o gesto de Tamara Klink será lembrado como uma excentricidade isolada ou como o início de uma mudança estrutural na forma como o país produz, distribui e lê livros impressos.

O que aconteceu com Tamara Klink para ela pedir que parem de comprar seu livro?

Depois de ver “Bom Dia, Inverno” entre os mais vendidos por três meses, Tamara avaliou o impacto ambiental de novas tiragens e pediu que leitores priorizem empréstimos e doações.

Qual o motivo de Tamara Klink pedir para não comprarem mais seu livro best-seller?

Ela quer reduzir o impacto ambiental da produção de livros, que consome papel e energia e emite CO2, e defende que os exemplares já existentes circulem mais.

Qual é o livro mais vendido de Tamara Klink que virou best-seller em 2026?

O best-seller de Tamara Klink em 2026 é “Bom Dia, Inverno”, lançado em maio pela Companhia das Letras e líder do ranking Nielsen-PublishNews em julho.

Quem é Tamara Klink e qual a história por trás do livro ‘Bom Dia, Inverno’?

Tamara Klink é velejadora e escritora de 29 anos, filha de Amyr Klink. Em “Bom Dia, Inverno”, narra oito meses sozinha em um veleiro preso no gelo da Groenlândia.

Como foi a aventura de Tamara Klink no Ártico narrada em seu livro?

Ela passa oito meses invernando sozinha em um veleiro no mar congelado da Groenlândia, enfrentando isolamento, frio extremo e observando de perto as mudanças climáticas.

Qual a relação de Tamara Klink com Amyr Klink?

Tamara é filha do navegador Amyr Klink, referência nas travessias oceânicas brasileiras. Segue a mesma tradição familiar de navegação e exploração em alto-mar.


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