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Lula e Flávio fecham palanques e aguardam pesquisa BTG/Nexus

Lula e Flávio Bolsonaro consolidam palanques nos oito maiores colégios eleitorais, acirram disputa por Sudeste e Nordeste e esperam pesquisa BTG/Nexus de 10 de agosto.

08/08/2026 23:00 8 min de leitura
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Eleições 2024

Lula e Flávio Bolsonaro fortalecem bases eleitorais e aguardam dados da pesquisa BTG/Nexus para definir estratégias.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entram na segunda semana de agosto de 2026 com os palanques definidos nos oito maiores colégios eleitorais do país e à espera da nova pesquisa BTG/Nexus, prevista para 10 de agosto, que testa cenários de primeiro e segundo turno entre os dois.

Sedução do Sudeste e contra-ataque no Nordeste

As convenções partidárias encerradas em agosto redesenham o mapa da eleição presidencial. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará concentram mais de 100 milhões de eleitores, quase 70% do eleitorado nacional. Cada movimento regional de Lula e Flávio mira esse núcleo duro da disputa.

Lula tenta romper a resistência histórica em partes do Sudeste, sobretudo em São Paulo e Minas Gerais. Em 2022, o petista consolidou vantagem no Nordeste, onde alcançou 69,34% dos votos válidos, mas agora enfrenta um adversário que declara abertamente a intenção de invadir esse reduto com uma estratégia dedicada.

Flávio Bolsonaro escolhe como vice o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), do Nordeste, e usa essa origem como credencial política. A meta é reduzir a folga petista em estados onde o bolsonarismo sempre teve desempenho mais modesto e mostrar que a chapa não fala apenas para o eixo Sul-Sudeste.

São Paulo vira vitrine da polarização

No maior colégio eleitoral do país, com 31,2 milhões de eleitores, o embate entre os dois projetos de poder se materializa na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Lula apoia a candidatura de Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda, contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado central de Flávio Bolsonaro.

O palanque paulista de Lula é montado para repetir o simbolismo da frente ampla de 2022. Haddad tem Márcio França (PSB), ex-ministro do Empreendedorismo e de Portos e Aeroportos, como candidato a vice. Para o Senado, a chapa aposta em Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento, e Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente, numa tentativa de falar com o eleitor de centro e de reforçar a imagem de experiência na gestão pública.

No lançamento da candidatura de Haddad, Lula volta a mirar o adversário. “A campanha da oposição será baseada em mentiras porque não possuem ‘biografia’”, afirma o presidente, ao tentar enquadrar o bolsonarismo como um projeto sem lastro de governo.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro sobe no palanque de Tarcísio, que busca a reeleição como favorito. A campanha do governador trabalha a ideia de uma vitória já no primeiro turno, estratégia que, se bem-sucedida, deixaria pouco espaço para Lula crescer no estado durante a campanha presidencial. A leitura, porém, é ambígua: uma eleição estadual decidida cedo pode desmobilizar o eleitor paulista no segundo turno nacional.

Minas e Rio expõem fragilidades das duas campanhas

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral com 16,7 milhões de eleitores, nenhum dos lados consegue construir o palanque ideal. O estado que costuma alimentar o ditado “quem ganha em Minas, ganha no Brasil” entra na campanha fragmentado.

Lula tenta, sem sucesso, atrair o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) para disputar o governo estadual em nome de uma sinalização ao centro. Com a decisão de Pacheco de deixar a vida pública, o PT ainda tenta articular a candidatura de Josué Gomes da Silva, ex-presidente da Fiesp, também sem acordo.

O partido acaba lançando o ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias ao governo, com Jarbas Soares Júnior (PSB) de vice, e aposta na ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), para o Senado. O arranjo garante palanque, mas não entrega o perfil de centro que a cúpula nacional desejava.

Flávio Bolsonaro atravessa impasse semelhante. O PL escolhe Flávio Roscoe para disputar o governo, com o ex-deputado Charlles Evangelista como vice, depois de uma sequência de idas e vindas envolvendo o senador Cleitinho (Republicanos), principal nome bolsonarista no estado. A indefinição interna, motivada também por questões pessoais do senador, leva à perda de tempo político e deixa o campo conservador dividido.

No Rio de Janeiro, berço do bolsonarismo e reduto eleitoral de Flávio, a montagem do palanque expõe desgaste. Desistências e investigações atingem aliados e empurram o PL para uma chapa praticamente isolada. O cenário abre espaço para o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), apoiado por Lula, oferecer ao petista um palanque robusto em um estado que foi decisivo para a ascensão da família Bolsonaro.

Vídeo com IA e a disputa pelo bolso do eleitor

A economia entra no centro da campanha com o avanço do endividamento das famílias. Em 8 de agosto, Flávio Bolsonaro publica nas redes um vídeo com narração e imagens geradas por inteligência artificial para atacar diretamente a gestão de Lula. Apoiado em dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o senador afirma que o país vive uma crise silenciosa nas contas domésticas.

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), 80,9% das famílias brasileiras carregam algum tipo de dívida em abril de 2026, o maior percentual da série histórica. Desse total, 29,7% estão com contas em atraso e 12,3% declaram não ter condições de quitar os débitos. Outro levantamento, da fintech Onze em parceria com a Icatu Seguros, mostra que 78% dos entrevistados já atrasaram ou deixaram de pagar alguma despesa, e 39% dos endividados repetem esse atraso mais de cinco vezes.

Flávio explora esses números para associar a deterioração da renda à volta do PT ao poder. “Tem gente que está sorteando qual conta vai honrar esse mês. Isso não é viver, é sobreviver. Lula acabou com o Brasil!”, diz no vídeo, em um dos ataques mais duros da pré-campanha.

O Planalto e aliados de Lula reagem nos bastidores e preparam defesa baseada em indicadores de emprego e programas de renegociação de dívidas. A campanha petista tenta colar em Flávio, herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, a responsabilidade pela inflação e pelo desarranjo fiscal acumulado nos últimos anos.

Pesquisa BTG/Nexus guia próximos movimentos

No centro desse tabuleiro, a pesquisa BTG/Nexus registrada no TSE sob o número BR-08428/2026 ganha peso de termômetro estratégico. O levantamento, com divulgação marcada para 10 de agosto, mede a intenção de voto em cenários de primeiro e segundo turno, com Lula, Flávio Bolsonaro e nomes como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos.

O questionário não se limita aos percentuais. A BTG/Nexus investiga a estabilidade do voto, o grau de polarização e até que ponto o eleitor está disposto a mudar de candidato para derrotar um adversário em eventual segundo turno. Também pergunta se o voto é motivado por convicção ou apenas pelo desejo de impedir a vitória do outro lado.

Os dados sobre conforto ou desconforto dos eleitores com o ambiente polarizado interessam diretamente às duas campanhas. Lula tenta reeditar uma narrativa de frente ampla e reduzir o antipetismo. Flávio aposta em consolidar um campo anti-Lula mais homogêneo, herdando o capital político do pai e falando com eleitores que se sentem desgastados pela escalada de preços e juros.

O que está em jogo nas próximas semanas

Com os palanques montados nos maiores colégios eleitorais, a disputa se desloca da engenharia partidária para a capacidade de cada campanha de transformar alianças em voto. No Nordeste, o desempenho de Alfredo Gaspar como vice será observado de perto por governistas e oposicionistas. No Sudeste, São Paulo e Minas continuam a ser o alvo de viagens, anúncios segmentados e promessas específicas.

A divulgação da pesquisa BTG/Nexus tende a balizar decisões sobre reforço ou ajuste de palanques, especialmente em estados onde as candidaturas ao governo ainda não empolgam. Eventuais oscilações nas intenções de voto podem reacender conversas com partidos hoje neutros, como Republicanos e Podemos, e acelerar a troca de comando em alguns comitês regionais.

O avanço da polarização, alimentado pela economia, deve manter o debate em torno de renda, emprego e dívida por todo o segundo semestre. A campanha presidencial já enxerga o pleito de 2026 menos como um confronto de biografias e mais como um julgamento sobre quem oferece uma saída concreta para o aperto financeiro que atinge boa parte das famílias brasileiras.

O que a pesquisa BTG/Nexus vai mostrar?

O levantamento BTG/Nexus, registrado sob BR-08428/2026, trará cenários de primeiro e segundo turno com Lula, Flávio Bolsonaro e outros nomes, além de medir estabilidade do voto, motivação do eleitor e percepção sobre a polarização.

Como o endividamento das famílias entra na campanha?

Flávio Bolsonaro usa dados da Peic/CNC e de outras pesquisas para ligar o recorde de 80,9% de famílias endividadas à gestão Lula. O governo tenta responder ressaltando políticas de crédito e emprego, numa disputa direta pela narrativa econômica.


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