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Gafe sobre mulheres no debate do Globo pressiona Romeu Zema hoje

Em sabatina após o Jornal Nacional, Romeu Zema tem frases checadas ao vivo, vê dados desmentirem parte do discurso e gafe sobre violência contra mulheres domina a repercussão.

25/08/2026 09:01 7 min de leitura
Gafe sobre mulheres no debate do Globo pressiona Romeu Zema hoje
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Política

Após o Jornal Nacional, Romeu Zema enfrenta críticas por declarações e erros sobre violência contra mulheres.

Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência da República, enfrenta hoje uma onda de críticas depois da sabatina ao vivo na Globo, marcada por checagens de dados e por uma gafe sobre violência contra mulheres.

Entrevistado por Renata Vasconcellos e César Tralli, o ex-governador de Minas Gerais tenta se firmar como gestor eficiente e defensor da segurança pública, mas vê fatos oficiais contestarem parte do discurso e exporem fragilidades em temas sensíveis do eleitorado.

Checagem ao vivo confronta narrativa de bom gestor

A sabatina, exibida após o Jornal Nacional, abre a série de entrevistas com presidenciáveis organizada pela Globo, GloboNews e g1, com transmissão simultânea e conteúdo disponível no Globoplay e no g1. O objetivo declarado é oferecer ao eleitor um retrato mais preciso das propostas e do histórico dos principais candidatos.

Enquanto Zema destaca o próprio currículo de empresário e governador, a equipe do “Fato ou Fake” entra no ar para conferir declarações-chave. Quando ele afirma ter recebido Minas Gerais com um déficit de cerca de R$ 11 bilhões e encerrado a gestão com superávit de R$ 5 bilhões, os números oficiais mostram um quadro mais complexo.

O déficit nas contas de 2018, de fato, gira em torno de R$ 11 bilhões. O superávit de R$ 5,1 bilhões, porém, se concentra em 2024 e depende de receitas extraordinárias, ligadas a grandes acordos de indenização. Em 2025, o saldo positivo cai para R$ 1,1 bilhão, e há projeção de retorno ao vermelho, com déficit de R$ 5 bilhões em 2026.

Ao insistir que entregou um estado “gastando menos do que arrecada”, Zema simplifica um cenário ainda instável. A imagem de rigor fiscal continua sendo um de seus trunfos, mas a checagem expõe que o equilíbrio das contas não se consolida de forma contínua, o que interessa diretamente a servidores, investidores e eleitores preocupados com responsabilidade fiscal.

Dívida cai proporcionalmente, mas continua pesada

Nem todas as falas do candidato são contestadas. Quando diz que reduziu o peso da dívida estadual em relação à receita, Zema acerta. “Quando eu assumi, a dívida de Minas representava 192% da receita corrente líquida. Quando eu saí, era cerca de 160%”, afirma.

Relatórios oficiais confirmam a melhora percentual: a dívida líquida passa de algo próximo a 189% da receita corrente líquida para cerca de 167% ao fim de seu governo. Em valores absolutos, contudo, o montante sobe de R$ 106,5 bilhões para R$ 187,1 bilhões, o que mostra que parte do ajuste vem do crescimento da arrecadação, e não da redução efetiva do estoque da dívida.

A leitura política é direta. Zema tenta se apresentar como o candidato do equilíbrio fiscal em um ambiente de campanha polarizado por debates sobre gastos sociais, investimentos e ajuste de contas. A checagem mostra que há avanços, mas também limitações, e pressiona o presidenciável a detalhar como pretende lidar com o endividamento federal se chegar ao Planalto.

Gafe em tema de gênero domina repercussão

O trecho mais sensível da noite surge quando o debate entra na violência contra mulheres. Para responder sobre feminicídios, Zema tenta argumentar que Minas Gerais estaria em situação melhor que o país e afirma: “Minas, vale lembrar, tem uma taxa [de feminicídios] menor que a média Brasil”.

A checagem desmonta a frase. Dados recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam que Minas registra taxa de 1,6 feminicídio para cada 100 mil mulheres, acima da média nacional de 1,4. A distância parece pequena no papel, mas, em um universo de milhões de mulheres, representa dezenas de mortes a mais por ano.

Logo depois, ao listar ações de governo, Zema escorrega: “Tenho uma série de programas contra as mulheres”. A intenção é falar em programas de combate à violência, mas a formulação equivocada viraliza. O trecho circula nas redes sem o contexto, alimentando críticas de movimentos de mulheres e de adversários políticos.

O erro ganha peso porque atinge um ponto de alta sensibilidade social. A taxa de feminicídio em Minas, já superior à média do país, contraria a narrativa de avanço na proteção às mulheres. A gafe transforma um terreno em que o candidato poderia apresentar políticas e resultados em um flanco aberto para questionamentos sobre empatia, preparo e linguagem.

Disputa por credibilidade em segurança pública

Na outra ponta da segurança, Zema usa o tema do crime organizado para reforçar o discurso de endurecimento penal. Diz que “60 milhões de brasileiros” vivem em áreas dominadas por facções, que chama de “organizações terroristas”. Pesquisas recentes apontam números até maiores, na casa de dezenas de milhões, o que sustenta a essência da afirmação.

O dado ajuda o candidato a se alinhar ao eleitorado que pede respostas duras à violência. A visita a El Salvador, governado por Nayib Bukele, é citada como referência. “Eu fui a El Salvador, inclusive sou o único candidato que esteve lá”, afirma. A checagem mostra que não: Flávio Bolsonaro, outro presidenciável, também visita o país, e registra a viagem publicamente.

Esse contraste entre acertos e exageros revela o fio condutor da noite. Zema tenta se posicionar como gestor técnico, que olha números, viaja para estudar modelos e toma decisões duras, como a privatização da Copasa, autorizada após mudança na Constituição mineira para flexibilizar a exigência de referendo em casos de saneamento. A cada dado impreciso, porém, a disputa pela credibilidade se torna mais intensa.

Série de sabatinas mantém pressão sobre campanhas

A sabatina com Zema inaugura uma sequência de entrevistas diárias com os principais presidenciáveis, definidas por sorteio e baseadas em pesquisa de intenção de voto. Ronaldo Caiado, Renan Santos, Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury ocupam o mesmo espaço nos próximos dias.

A Globo aposta no formato de perguntas diretas, checagem em tempo quase real e foco nos temas que mexem com a vida do eleitor: contas públicas, segurança, privatizações, direitos das mulheres, relação com governos estrangeiros. A estratégia reforça a transparência da campanha e cria um padrão de cobrança que tende a se repetir em debates e entrevistas de outros veículos.

Para Zema, o dia seguinte é de contenção de danos. Assessores tentam enquadrar a gafe como deslize de fala, não de conteúdo, enquanto aliados destacam o reconhecimento, pela própria checagem, de avanços proporcionais na dívida e o sucesso político na venda da Copasa. Grupos feministas e adversários, por outro lado, ecoam o vídeo do “programas contra as mulheres” como símbolo de insensibilidade.

Os desdobramentos práticos ainda se medem nas próximas pesquisas e nas redes, onde cortes curtos da entrevista ganham vida própria. Em um ambiente eleitoral polarizado e atento a dados, a sabatina deixa uma mensagem clara para todos os candidatos: cada número citado e cada palavra escolhida podem redefinir o rumo de uma campanha nacional.

O que aconteceu na sabatina de Romeu Zema na Globo?

Na sabatina exibida após o Jornal Nacional, Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência, teve falas sobre finanças de Minas, segurança e feminicídio checadas ao vivo, viu dados oficiais desmentirem parte de suas afirmações e protagonizou uma gafe ao dizer ter “programas contra as mulheres”, o que gerou forte repercussão negativa.

Como a gafe de Zema sobre mulheres pode afetar a campanha?

A frase “tenho uma série de programas contra as mulheres” dita por Romeu Zema, ao falar de combate à violência, viraliza nas redes, reforça críticas de movimentos feministas, fragiliza sua imagem em um eleitorado sensível a temas de gênero e obriga a campanha a mudar o discurso para conter danos e recuperar credibilidade nesse campo.

Quais declarações de Zema foram desmentidas pela checagem?

A checagem de fatos mostra que Romeu Zema não é o único presidenciável a visitar El Salvador e que Minas Gerais não tem taxa de feminicídio menor que a média nacional, além de contextualizar que o superávit de R$ 5,1 bilhões em 2024 depende de receitas extraordinárias e não indica estabilidade duradoura das contas públicas.


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