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Lula pede apoio de Mourão para projeto dos minerais críticos

Em cerimônia do Dia do Soldado em Brasília, Lula pede apoio a Hamilton Mourão para aprovar no Senado o projeto dos minerais críticos e evitar atraso na nova regra.

26/08/2026 12:01 6 min de leitura
Lula pede apoio de Mourão para projeto dos minerais críticos
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Política Nacional

Lula busca colaboração de Mourão para acelerar aprovação legislativa e garantir avanço em mineração estratégica.

Em pleno palanque do Dia do Soldado, no Quartel-General do Exército, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pede diretamente o apoio do senador Hamilton Mourão ao projeto dos minerais críticos. O ex-vice de Jair Bolsonaro responde que topa ajudar a aprovar a proposta no Senado.

Pedido no palanque e corrida contra o tempo

O diálogo acontece na terça-feira, 25/08/2026, diante de autoridades militares e civis. Lula aproveita poucos segundos de conversa com Mourão para tratar de um dos projetos econômicos mais estratégicos do governo: a regulamentação da exploração de minerais críticos e terras raras no país.

O Palácio do Planalto mira a votação no Senado na próxima semana e trabalha para que os senadores confirmem, sem alterações, o texto já aprovado na Câmara em maio. Se houver mudança, o projeto volta para os deputados e a regulamentação atrasa, atrasando também investimentos em mineração de alto valor tecnológico.

Em um mercado global marcado por disputa por recursos estratégicos, o governo trata o tema como prioridade. Minerais críticos e terras raras são insumos para celulares, carros elétricos, painéis solares, turbinas eólicas e equipamentos de defesa, segmentos em que o Brasil tenta ganhar relevância.

Mourão se alinha ao projeto e desafia o próprio campo político

Ao deixar a cerimônia, Mourão confirma o pedido de Lula e faz questão de registrar apoio público. “Falei para ele que a iniciativa tem o meu apoio”, diz o senador, que hoje integra o Republicanos e mantém laços com o bolsonarismo.

O general da reserva afirma que o texto sobre minerais críticos “está dentro da minha visão sobre o assunto” e sinaliza que, nesse tema, a convergência técnica pesa mais que a disputa partidária. O gesto contrasta com sua posição eleitoral: Mourão declara apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

O senador sabe que a escolha tem custo político. “Certamente vão pegar no meu pé. Hoje em dia, se o cara não está preso, já é considerado traidor…”, afirma, numa crítica direta ao clima de patrulha nas redes bolsonaristas. O comentário expõe a pressão interna sobre parlamentares que negociam com o governo Lula.

Minérios estratégicos, investimentos e novos alinhamentos

No Congresso, o projeto é visto como peça-chave para organizar um setor ainda marcado por insegurança jurídica. A regulamentação pretende definir critérios para exploração, exigências ambientais, participação de empresas nacionais e estrangeiras e instrumentos de monitoramento estatal sobre jazidas consideradas sensíveis.

A aposta do governo é que regras claras atraiam bilhões de reais em investimentos, acelerem a instalação de plantas industriais e reforcem cadeias de valor ligadas à transição energética. Com reservas relevantes de minerais estratégicos, o Brasil tenta reduzir a dependência de importações e negociar de posição mais forte no cenário internacional.

Empresas de mineração e da indústria tecnológica tendem a ser as principais beneficiadas com a aprovação rápida. No outro lado, organizações ambientais e setores que defendem maior controle estatal temem avanço acelerado da fronteira extrativa sobre áreas frágeis e contestam pontos do texto considerados permissivos.

Efeito político: pragmatismo de Lula e fissuras no bolsonarismo

A ofensiva de Lula sobre Mourão simboliza a estratégia de ampliar pontes com a oposição em temas considerados de interesse nacional. O presidente tenta desenhar uma maioria variável no Senado, em que antigos adversários se somam a projetos pontuais, sem aderir ao governo.

Ao aceitar o pedido, o ex-vice de Bolsonaro sinaliza disposição para o diálogo institucional e se distancia da ala mais radical do seu campo político, que prega oposição total ao Planalto. A movimentação aprofunda a reconfiguração de alianças em torno de agendas econômicas e estratégicas.

No curto prazo, o apoio de Mourão fortalece a expectativa de aprovação do projeto na próxima semana. No médio prazo, o episódio testa até onde vai a tolerância do bolsonarismo com dissidências e cooperações pontuais com o governo Lula, num ambiente em que a acusação de “traição” circula com facilidade.

Em Brasília, a leitura é que a votação dos minerais críticos se torna um laboratório de pragmatismo. Se o plano do governo der certo, a regulamentação sai do papel ainda neste ano, destrava investimentos e abre espaço para novas negociações transversais no Senado. Se falhar, a proposta volta à Câmara e a disputa por minérios estratégicos entra em mais um capítulo de incerteza política.

O que faz Hamilton Mourão hoje após encontro com Lula?

Hamilton Mourão, hoje senador pelo Republicanos-RS, mantém o apoio público à regulamentação dos minerais críticos, articula nos bastidores do Senado para sustentar seu voto favorável ao projeto e, ao mesmo tempo, administra a reação do campo bolsonarista, que passa a enxergar o gesto como sinal de pragmatismo e possível “traição”.

Qual foi o pedido de Lula a Hamilton Mourão no Dia do Soldado?

Lula pediu diretamente a Hamilton Mourão, durante a cerimônia do Dia do Soldado no Quartel-General do Exército em Brasília, que apoiasse no Senado o projeto de lei que regulamenta a exploração de minerais críticos e terras raras e que os senadores aprovem o mesmo texto aprovado pela Câmara em maio, sem mudanças.

Como Hamilton Mourão respondeu ao convite de Lula para apoiar projeto sobre terras raras?

Hamilton Mourão respondeu ao convite de Lula declarando apoio explícito ao projeto dos minerais críticos, afirmando que o texto está alinhado à sua visão sobre o tema e dizendo, literalmente, “Falei para ele que a iniciativa tem o meu apoio”, mesmo ciente de que será cobrado e criticado por setores bolsonaristas nas redes sociais.

Qual é a relação atual entre Hamilton Mourão e Lula após o encontro em Brasília?

A relação entre Hamilton Mourão e Lula continua marcada pela distância política e por diferenças programáticas, mas o encontro em Brasília abre um canal de diálogo pontual em temas estratégicos, como minerais críticos, permitindo cooperação legislativa específica sem que o senador abandone seu alinhamento ao campo bolsonarista e ao projeto político de Flávio Bolsonaro.

O que Hamilton Mourão declarou sobre a conversa com Lula no QG do Exército?

Hamilton Mourão declarou que Lula falou com ele sobre o projeto dos minerais críticos, pedindo apoio no Senado, e resumiu a resposta com a frase “Falei para ele que a iniciativa tem o meu apoio”, acrescentando que “certamente vão pegar no meu pé” e que, hoje, quem não está preso passa a ser tratado como traidor no bolsonarismo.

Qual é o cargo atual de Hamilton Mourão?

Hamilton Mourão ocupa hoje o cargo de senador da República pelo Rio Grande do Sul, eleito pelo Republicanos, atuando em comissões temáticas do Senado, participando de debates sobre defesa e temas estratégicos e mantendo projeção nacional ao se posicionar sobre segurança, política externa, minerais críticos e o futuro do campo bolsonarista.


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