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Tim Curry, ícone de Rocky Horror Picture Show, morre aos 80 anos

Ator britânico Tim Curry morre aos 80 anos nos Estados Unidos. Protagonista de ‘The Rocky Horror Picture Show’ e vilão em ‘It’, ele deixa legado central no cinema cult, teatro musical e dublagem.

27/08/2026 07:01 9 min de leitura
Tim Curry, ícone de Rocky Horror Picture Show, morre aos 80 anos
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Morre aos 80 anos o ator britânico que marcou o cinema cult e o teatro musical com papéis icônicos.

Tim Curry, ator britânico que se torna ícone do cinema cult e do teatro musical com ‘The Rocky Horror Picture Show’, morre aos 80 anos nos Estados Unidos. A morte, confirmada nesta semana, encerra uma carreira de mais de cinco décadas, marcada por personagens extremos, voz inconfundível e três indicações ao Tony Award.

A causa não é divulgada pela família, mas amigos e veículos especializados lembram que o ator convive com problemas de saúde desde o acidente vascular cerebral que sofre em 2012. A notícia mobiliza fãs, artistas e estudiosos de cultura pop, que veem em Curry um dos pilares da representação de personagens fora do padrão em cinema, TV e palco.

Do coral infantil ao culto em ‘The Rocky Horror Picture Show’

Nascido em Grappenhall, na Inglaterra, em 1946, filho de militar, Tim Curry descobre a vocação artística ainda criança, em corais e montagens escolares. A estreia profissional vem em 1968, no musical ‘Hair’, em Londres, num momento em que o teatro musical britânico começa a se abrir a temas mais ousados.

Nos bastidores dessa produção, ele conhece o compositor Richard O’Brien, encontro que redefine sua trajetória. O’Brien escreve para Curry o papel do Dr. Frank-N-Furter em ‘The Rocky Horror Show’, que estreia nos palcos em 1973: um cientista pansexual, andrógino, debochado, que canta e desfila de espartilho, cinta-liga e salto alto.

Dois anos depois, em 1975, o personagem migra para o cinema em ‘The Rocky Horror Picture Show’ e transforma Curry em estrela mundial. O filme fracassa inicialmente em bilheteria convencional, mas vira fenômeno de sessões da meia-noite, com plateias fantasiadas, falas decoradas e rituais coletivos. A atuação do britânico, entre o grotesco e o sedutor, vira referência de liberdade sexual e performática.

“Não sou grande coisa à luz do dia. Mas, à noite, sou um amante e tanto. Sou apenas um doce travesti da Transilvânia transexual”, canta o ator em uma das cenas mais célebres, sintetizando o impacto do personagem. Em entrevista ainda nos anos 1970, ele admite o risco de ficar para sempre associado a Frank-N-Furter: “Quando li o roteiro, achei simplesmente muito, muito espirituoso e engraçado. Quero dizer, eu estava hesitante porque, se desse certo, poderia ser algo difícil de deixar para trás. Mas, na verdade, sempre achei que não valia a pena fazer um papel a menos que se corresse um risco”.

Vilões carismáticos, dublagem premiada e prestígio no teatro

A partir de ‘Rocky Horror’, Hollywood passa a enxergar Curry como um especialista em vilões de humor ácido. Ele encarna o Palhaço Pennywise na minissérie ‘It’, exibida em 1990, e imprime ao personagem uma mistura de comicidade e terror que assombra espectadores por décadas. Em ‘Legend’, de 1985, domina a tela como um senhor das trevas quase irreconhecível sob maquiagem pesada, mas guiado pela mesma energia teatral.

No cinema comercial, o grande público também o reconhece como o concierge Sr. Hector, em ‘Esqueceram de Mim 2: Perdido em Nova York’, lançado em 1992. Ali, ele faz o gerente esnobe do Hotel Plaza que desconfia de Kevin McCallister e o persegue pelos corredores, criando um antagonista cômico que equilibra a doçura do protagonista infantil. O papel se soma a títulos como ‘Os Sete Suspeitos’, ‘Annie’, ‘Os Três Mosqueteiros’ e participações em franquias como ‘As Panteras’ e produções com os Muppets.

Paralelamente, Curry mantém trajetória sólida no teatro. Atua em montagens de peso na Broadway, como ‘Amadeus’, integra a Royal Shakespeare Company e acumula três indicações ao Tony Award, além de duas ao Laurence Olivier Award. A crítica o trata como um ator de formação clássica que se sente à vontade tanto em Shakespeare quanto em musicais transgressivos.

O timbre de barítono abre outra frente de atuação. Muito requisitado em desenhos e jogos, ele empresta a voz a vilões, monstros e figuras excêntricas em dezenas de produções. Em 1991, recebe um Daytime Emmy pela dublagem na série animada ‘Peter Pan e os Piratas’. Anos depois, define assim sua preferência pelo lado sombrio da ficção: “Eu adoro esses papéis — eles são sempre os mais bem escritos”, afirma em entrevista em 2011.

AVC, reinvenção na cadeira de rodas e autobiografia

Em 2012, Tim Curry sofre um AVC severo que compromete sua mobilidade e o leva à cadeira de rodas. A gravidade do episódio levanta dúvidas sobre sua continuidade na carreira, mas o ator decide reorganizar o trabalho em torno da voz, não do corpo. Longe do palco e dos sets, intensifica a participação em dublagens, audiolivros e projetos que exigem deslocamentos menores.

O episódio também muda a forma como o público o enxerga. A figura exuberante de Frank-N-Furter e do Pennywise ganha um novo contorno: o de artista que lida com fragilidade física sem abrir mão da criação. Em entrevistas, Curry evita explorar o drama em excesso, prefere contar histórias engraçadas de bastidores e, aos poucos, retoma aparições em convenções de fãs de terror e sessões especiais de ‘Rocky Horror’.

Em 2025, ele lança a autobiografia ‘Vagabond: A Memoir’, na qual revisita 50 anos de carreira, a infância itinerante como filho de militar e o processo de adaptação após o AVC. O livro ganha agora novo status, com a morte do autor, como documento-chave para entender não só a ascensão ao culto, mas também a reconstrução de identidade depois da doença.

Perda para o teatro musical, o cinema de gênero e a cultura pop

A notícia da morte circula enquanto o meio artístico ainda processa outras perdas ligadas à franquia ‘Esqueceram de Mim’, como Brenda Fricker, a Mulher dos Pombos do segundo filme, e Catherine O’Hara, intérprete da mãe de Kevin. A coincidência reforça a sensação de fim de ciclo para uma geração de atores que marcam o imaginário de quem cresceu nos anos 1990.

Na prática, a ausência de Curry pesa sobretudo em três frentes. No teatro musical, ele personifica a coragem de misturar camp, sexualidade e rock em cena, abrindo caminho para produções mais explicitamente queer. No cinema de gênero, ajuda a consolidar o modelo de vilão exagerado, quase operístico, que inspira de caricaturas a estudos acadêmicos sobre performance.

Na dublagem, sua morte deixa uma lacuna de experiência e personalidade vocal difícil de substituir. Mesmo após o AVC, produtores seguem recorrendo à sua voz justamente por reconhecer nela um estilo único, capaz de transitar do terror ao pastelão em poucos segundos. Universidades e críticos, por sua vez, perdem um caso exemplar para análise da construção de personagens marginais, ambíguos e sexualmente fluidos.

Tim Curry nunca se casa e não tem filhos. O legado, agora, se espalha por outra via: as cópias gastas de ‘The Rocky Horror Picture Show’, as reprises da minissérie ‘It’, os trechos de ‘Esqueceram de Mim 2’ compartilhados em redes sociais, as vozes que ele grava para desenhos que novas gerações ainda descobrem pela primeira vez.

Nas próximas semanas, o mercado deve assistir a uma retomada do interesse por sua obra, com retrospectivas em canais de TV, relançamentos, sessões especiais de cinema e leituras críticas. A tendência é que ‘Vagabond: A Memoir’ se torne leitura obrigatória para quem estuda teatro musical e cinema cult. A pergunta que fica é como as novas gerações de intérpretes vão dialogar com um artista que transforma, com humor e risco, o que significa ser vilão, ícone queer e ator de caráter numa mesma carreira.

O que aconteceu com Tim Curry?

Tim Curry, ator britânico de 80 anos conhecido por ‘The Rocky Horror Picture Show’, ‘It’ e ‘Esqueceram de Mim 2’, morre nesta semana nos Estados Unidos, com a família optando por não divulgar a causa da morte e o meio artístico reagindo com homenagens e revisitando sua longa trajetória.

Tim Curry teve um AVC?

Tim Curry sofre um AVC severo em 2012, episódio que afeta de forma permanente sua mobilidade, o coloca em uma cadeira de rodas e o afasta de papéis presenciais, mas não encerra sua carreira, já que ele continua trabalhando intensamente como dublador em animações, videogames e audiolivros nos anos seguintes.

Quais foram os principais filmes e séries de Tim Curry?

Tim Curry se destaca em ‘The Rocky Horror Picture Show’ como Dr. Frank-N-Furter, em ‘It’ como o Palhaço Pennywise, em ‘Esqueceram de Mim 2: Perdido em Nova York’ como o concierge Sr. Hector, além de papéis marcantes em ‘Legend’, ‘Os Sete Suspeitos’, ‘Annie’, ‘Os Três Mosqueteiros’ e animações premiadas.

Qual foi a contribuição de Tim Curry para ‘Esqueceram de Mim 2’ e ‘Rocky Horror Picture Show’?

Tim Curry transforma ‘The Rocky Horror Picture Show’ em fenômeno cult ao criar um Dr. Frank-N-Furter irreverente, sexualmente livre e musicalmente potente, e em ‘Esqueceram de Mim 2’ dá vida ao concierge Sr. Hector, antagonista cômico que persegue Kevin e equilibra a doçura infantil com uma presença adulta caricata.

Quem são os outros atores de ‘Esqueceram de Mim’ que morreram em 2026?

Em 2026, além da morte de Tim Curry, de 80 anos, fãs de ‘Esqueceram de Mim’ lamentam as perdas de Brenda Fricker, a Mulher dos Pombos de ‘Esqueceram de Mim 2’, e Catherine O’Hara, a mãe de Kevin, confirmando um ano especialmente duro para o elenco da franquia e acentuando o sentimento de fim de era.

Qual foi a trajetória artística de Tim Curry até sua morte?

Tim Curry inicia a carreira profissional em 1968 no musical ‘Hair’, explode em 1973 e 1975 com Frank-N-Furter em ‘Rocky Horror’, consolida-se como vilão carismático em filmes e TV, recebe três indicações ao Tony, um Emmy por dublagem, supera um AVC em 2012 e lança em 2025 a autobiografia ‘Vagabond: A Memoir’ antes de morrer aos 80.


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