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Cartão de crédito com limite sobe 63% e aperta bolso hoje

Oferta farta de crédito após a pandemia elevou o endividamento das famílias, mudou hábitos de consumo e abriu espaço para novos cartões do Nubank e crédito via Pix.

10/09/2026 13:01 7 min de leitura
Cartão de crédito com limite sobe 63% e aperta bolso hoje
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Economia

Aumento no limite dos cartões de crédito impacta o orçamento das famílias e altera padrões de consumo pós-pandemia.

O Brasil vive uma combinação explosiva entre crédito fácil, renda apertada e novos produtos financeiros digitais. Famílias alongam dívidas, cortam gastos e, ao mesmo tempo, veem bancos ampliarem ofertas de cartão de crédito e empréstimos atrelados ao Pix.

Crédito farto, conta mais alta

Desde o período pós-pandemia, o sistema financeiro coloca mais brasileiros dentro do mapa do crédito. Entre 2021 e 2025, quase 26 milhões de pessoas entram na base de tomadores, elevando o total para 122,8 milhões de clientes com crédito ativo. O saldo das operações sobe 63,7%, para R$ 4,47 trilhões.

O movimento amplia a inclusão financeira, mas cobra um preço. A fatia de pessoas inadimplentes cresce de 19,9% para 26,3%, num sinal de que parte relevante dos novos clientes não consegue honrar as parcelas. Na prática, o orçamento doméstico passa a conviver com parcelas renegociadas, juros altos e menos folga para consumo.

Pesquisas sobre hábitos de compra mostram essa pressão no dia a dia. No fast-food, 52% dos consumidores mudam seus pedidos nos últimos 12 meses por razões financeiras. Desistem de sobremesas, trocam lanches preferidos por opções mais baratas e até deixam de frequentar a rede favorita. Entre eles, 21,8% abandonam combos e escolhem versões menores; 19,2% passam a usar mais cupons de desconto.

Como a família reage ao aperto

Levantamento baseado em 272 semanas de buscas no Google revela que o consumidor não corre primeiro para o cartão de crédito. O passo inicial é dentro de casa: corte de gastos, revisão de despesas fixas, tentativa de gerar renda extra. Só quando essas medidas se esgotam é que as palavras “empréstimo”, “renegociação” e “parcelar no cartão” disparam nas pesquisas.

O estudo indica uma sequência disciplinada: o brasileiro tenta ajustar o orçamento, negocia dívidas antigas e, apenas depois, recorre ao crédito emergencial. A explosão recente de contratos com juros elevados mostra que esse limite vem sendo ultrapassado com frequência. Em muitos casos, as parcelas renegociadas aliviam o mês seguinte, mas travam o orçamento por longos períodos.

Para o analista de mercado Fernando Martins, cofundador da plataforma Core AI, o problema não está só em liberar mais crédito. “A relação entre acesso e risco não é uma equação fixa. Depende muito da qualidade dos dados usados na decisão”, afirma. Ele defende o uso de informações alternativas, como histórico de aluguel, renda de aplicativos e recorrência de pagamentos, para avaliar melhor a capacidade de cada tomador.

Nubank mira renda mais alta com Croma e Ultravioleta

Enquanto milhões lutam para escapar do vermelho, instituições financeiras digitais avançam sobre faixas de renda mais altas. O Nubank amplia seu portfólio de cartões e aposta em linhas que misturam limite robusto, programa de pontos e cashback como forma de fidelizar clientes.

A principal novidade é o cartão Croma, voltado para consumidores com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 12 mil. O produto oferece 1,4 ponto por dólar gasto e cashback de 0,8%, tentando concorrer com cartões tradicionais de bancos e com os programas de milhagem de companhias aéreas. O foco é o cliente que já usa intensamente o cartão de crédito no dia a dia.

Na faixa acima, o Nubank mantém o Ultravioleta, que acumula até 2,2 pontos por dólar. Nessa camada, a disputa é por consumidores que concentram boa parte dos gastos no crédito – do supermercado às viagens internacionais – e costumam buscar um cartão de crédito online aprovado na hora, com limite elevado e benefícios extras.

O CEO do Nubank, David Vélez, dimensiona o tamanho da oportunidade. “O mercado potencial considerado para o Croma reúne aproximadamente 12,4 milhões de adultos no Brasil”, afirma. Desse grupo, 7,4 milhões já são clientes do banco digital, o que reduz o custo para oferecer upgrades e novos limites a quem já tem um cartão de crédito Nubank ativo.

Programas de pontos e risco de nova rodada de dívidas

Pesquisas recentes sobre fidelidade mostram que programas de pontos e cashback pesam cada vez mais nas decisões financeiras. Consumidores escolhem onde abastecer, em qual aplicativo pedir comida e até em que loja parcelar uma compra com base na pontuação oferecida. Muitos se apressam para solicitar cartão de crédito que prometa retorno rápido em milhas ou dinheiro de volta.

Esse comportamento, porém, abre uma armadilha. Para acelerar o acúmulo de vantagens, parte dos clientes passa a concentrar todos os gastos no cartão, inclusive contas do dia a dia. Sem planejamento rigoroso, a fatura mensal cresce, o pagamento integral vira exceção e o crédito rotativo – o mais caro do mercado – entra em cena. A linha entre “otimizar benefícios” e “entrar no vermelho” segue fina.

Para consumidores negativados, a promessa de fazer cartão de crédito online agora, aprovado na hora, continua sedutora. Ao segmentar produtos como Croma e Ultravioleta para quem tem renda mais alta, o Nubank tenta reduzir inadimplência nessa base, mas o restante do mercado segue disputando clientes de menor renda com ofertas de cartão de crédito para negativado e limites baixos, geralmente atrelados a juros maiores.

Pix vira atalho para parcelar compras

O avanço do Pix cria uma nova fronteira de endividamento. Bancos e fintechs começam a oferecer crédito no Pix, permitindo que o consumidor faça uma compra à vista no comércio, mas parcele o valor diretamente com a instituição financeira. Na prática, a dívida deixa de aparecer na fatura do cartão e migra para uma linha de empréstimo ligada à conta.

Esse modelo desafia o parcelamento tradicional mensal do cartão de crédito, muito associado ao consumo no varejo. Com o crédito no Pix, é possível ajustar as datas das parcelas ao calendário real da renda – por exemplo, pagamentos semanais para quem recebe por diária. A flexibilidade agrada, mas exige ainda mais controle do orçamento, porque as dívidas ficam espalhadas entre fatura, conta corrente e aplicativos.

Para o comércio, o crédito via Pix reduz a dependência das maquininhas e pode baratear taxas. Para o sistema financeiro, abre uma avenida de novos contratos. Para o consumidor, amplia as formas de se endividar num cenário em que a renda cresce menos que o custo de vida.

O próximo capítulo dessa história passa pelo equilíbrio entre inovação e proteção. Instituições financeiras correm para lançar novos produtos, governos testam programas de crédito subsidiado e famílias procuram entender, na prática, como cada contrato afeta o fim do mês. O Brasil entra em uma fase em que ter cartão de crédito na hora ou limite maior deixa de ser conquista automática e volta a ser uma decisão que pode definir o rumo do orçamento pelos próximos anos.

Como o crédito barato após a pandemia impactou o endividamento das famílias?

O crédito barato e abundante após a pandemia adiciona quase 26 milhões de novos tomadores e eleva o saldo das operações para R$ 4,47 trilhões, mas também empurra a inadimplência de 19,9% para 26,3%, obrigando famílias a cortar gastos, renegociar dívidas e rever o uso do cartão de crédito.

Qual a novidade do Nubank para clientes com cartão de crédito ativo?

O Nubank lança o cartão Croma para clientes com renda entre R$ 5 mil e R$ 12 mil, oferecendo 1,4 ponto por dólar e cashback de 0,8%, e reforça o Ultravioleta, com até 2,2 pontos por dólar, ampliando limites e benefícios para quem já possui cartão de crédito Nubank e concentra gastos na plataforma.

Como funciona o crédito no Pix e como ele desafia a fatura mensal do cartão?

O crédito no Pix permite que o consumidor pague compras à vista via Pix enquanto parcela o valor diretamente com o banco, transformando a operação em empréstimo ligado à conta e não à fatura, o que desafia o parcelamento mensal tradicional do cartão e espalha dívidas entre diferentes canais de pagamento.


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