Transparência — parte do conteúdo deste portal é produzida por inteligência artificial (WireDesk) e pode conter imprecisões; confira temas sensíveis em fontes oficiais. Política editorial →
powered by WireDesk ao vivo
Mercados
S&P 5007.716▲ 0,13%Nasdaq26.959▲ 0,09%Dow Jones51.414▼ 0,19%Ibovespa185.495▼ 0,17%FTSE 10010.680▼ 0,24%DAX25.267▼ 0,57%Nikkei65.514▲ 0,76%S&P 5007.716▲ 0,13%Nasdaq26.959▲ 0,09%Dow Jones51.414▼ 0,19%Ibovespa185.495▼ 0,17%FTSE 10010.680▼ 0,24%DAX25.267▼ 0,57%Nikkei65.514▲ 0,76%
Mundo

PF investiga desvio de R$ 2 mi em Dark Horse, filme de Bolsonaro

Operação Make Up cumpre 49 mandados e investiga desvio de R$ 2 milhões em emendas e repasses de US$ 12,3 milhões para o filme ‘Dark Horse’, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

11/09/2026 09:01 8 min de leitura
PF investiga desvio de R$ 2 mi em Dark Horse, filme de Bolsonaro
Transparência Esta matéria foi produzida com apoio de inteligência artificial e pode conter imprecisões. Confira temas sensíveis em fontes oficiais. Política editorial →

Investigação

PF realiza operação para apurar desvios milionários ligados ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União colocam sob cerco o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, ao investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro que envolve o deputado Mario Frias (PL-SP), a produtora Karina Gama e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A ofensiva atinge em cheio o entorno político do ex-presidente e expõe fragilidades no controle de emendas parlamentares usadas para financiar projetos culturais e sociais.

Operação mira emendas de R$ 2 milhões e rede de ONGs

A operação, batizada de “Make Up”, cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Os alvos incluem endereços ligados a Frias, Karina e entidades associadas à produtora, como o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura.

Auditoria da CGU aponta suspeita de desvio em uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Frias para entidades relacionadas a Karina. Os gastos aparecem como não comprovados ou sem lastro em serviços efetivamente prestados. Investigadores afirmam ter identificado movimentações financeiras de “centenas de milhões de reais” entre empresas da rede, com tentativas de ocultar a origem do dinheiro até julho deste ano.

Frias, roteirista e produtor-executivo do filme, afirma que a emenda não tem relação com a cinebiografia de Bolsonaro. “A emenda parlamentar investigada foi destinada a um projeto esportivo e de letramento digital para crianças. Tenho documentos e notas para comprovar a licitude de minha ação”, diz o deputado. Ele relata que agentes recolhem equipamentos, mas descarta qualquer prisão: “Levaram celular, documentos, computador. Ninguém foi preso. É claro, porque não existe mandado de prisão contra mim nem contra ninguém”.

Rota do dinheiro: US$ 12,3 milhões e fundo nos EUA

O caso de “Dark Horse” se desdobra em duas frentes no Supremo Tribunal Federal. O ministro Flávio Dino conduz o inquérito que trata do possível uso irregular de emendas parlamentares. O ministro André Mendonça relata a investigação sobre o financiamento privado do filme, em especial os repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, homologada na véspera da operação, detalha o envio de US$ 12,3 milhões para o filme. Ele afirma ter feito sete repasses, entre janeiro e setembro, para um fundo chamado Havengate, nos Estados Unidos, a mando de Vorcaro. O fundo é administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

As transferências seriam uma resposta a cobranças do senador Flávio Bolsonaro (PL), hoje pré-candidato à Presidência, para bancar o longa. Em uma das mensagens reveladas na investigação, o senador escreve a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. A PF apura se todo o dinheiro entrou na produção de “Dark Horse” ou se parte foi desviada para outros fins, como despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior.

Produtora fala em pressão e medo de prisão

No centro da operação, Karina Gama alterna o papel de personagem-chave da apuração com o de denunciante de abusos. Dona da produtora Go Up e responsável pela execução de “Dark Horse”, ela relata sentir-se acuada por abordagens que descreve como intimidadoras.

“Estou apavorada”, diz a produtora, que afirma ter sido procurada por pessoas se apresentando como oficiais de Justiça sem mostrar documentos, à noite, na porta de casa. Segundo ela, fornecedores e familiares também são abordados. Karina diz colaborar com a PF e nega participação em qualquer engrenagem de desvio. “Eu nunca captei dinheiro para o filme, eu nunca lidei com financiadores. Eu não sei nada sobre isso. Eu prestei um serviço, de produzir o ‘Dark Horse’, e fui remunerada”, afirma.

Karina sustenta que os recursos que recebe chegam via fundo no exterior, sem identificação dos investidores. O Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada a ela, enfrenta ainda uma segunda frente de apuração: um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi em bairros periféricos, alvo do Ministério Público e da Polícia Civil por atrasos e suspeitas na contratação.

Crimes investigados e desgaste político em ano eleitoral

Os investigadores descrevem um esquema que mistura recursos públicos e privados, contratos com organizações da sociedade civil, empresas de fachada e estruturas no exterior. A lista de crimes em apuração inclui peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental, organização criminosa e irregularidades em licitações.

O impacto político é imediato. Frias, deputado e ex-secretário de Cultura de Bolsonaro, vê seu capital eleitoral corroído em plena campanha. Flávio Bolsonaro, já pressionado por outros casos, entra no foco do noticiário por supostamente acionar um banqueiro para financiar a cinebiografia do pai. A investigação avança sobre o núcleo político que tenta se reorganizar para voltar ao poder.

Para o setor audiovisual, o caso chega em momento de disputa por verbas públicas e retomada de grandes produções. O uso de emendas parlamentares como fonte de financiamento de um filme biográfico politizado acende o alerta em órgãos de controle, patrocinadores privados e produtores que dependem de editais oficiais. A suspeita de irregularidades ameaça endurecer regras e burocratizar ainda mais o acesso a recursos culturais.

STF, delação e próximos passos da Operação Make Up

Com a delação de Freixo Junior já homologada, a expectativa é que novos pedidos de diligência cheguem à PF nos próximos dias. A colaboração detalha fluxos de dinheiro vivo, remessas em dólar e o papel de operadores financeiros na engrenagem de Vorcaro. O avanço dessas linhas pode resultar em quebra de sigilos, bloqueio de bens e, em uma etapa seguinte, eventuais pedidos de prisão preventiva.

No Supremo, a divisão de relatoria entre Flávio Dino e André Mendonça torna o caso ainda mais sensível. Qualquer denúncia contra parlamentares e autoridades com foro especial depende da análise dos dois gabinetes e da Procuradoria-Geral da República, que agora cruza os dados da delação com o material apreendido nos 49 endereços vasculhados.

O filme “Dark Horse” segue inédito, envolto em mistério sobre orçamento, cronograma e contratos. Produtores falam em negociações internacionais e elenco estrelado, mas a cinebiografia de Bolsonaro hoje avança menos nos sets de filmagem e mais nos autos de inquéritos criminais. A operação “Make Up” tende a se desdobrar em novas fases, alcançar outros projetos financiados por emendas e reabrir o debate sobre como o país financia sua cultura — e quem, de fato, lucra com isso.

O que é o caso Dark Horse envolvendo desvio de emendas?

O caso Dark Horse reúne investigações sobre o suposto desvio de uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Mario Frias para entidades ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, além de suspeitas de lavagem de dinheiro e uso fraudulento de contratos e organizações da sociedade civil para beneficiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Quais são as principais investigações da PF sobre o filme Dark Horse?

As principais investigações sobre o filme “Dark Horse” envolvem, de um lado, o uso de emendas parlamentares para ONGs ligadas à produtora, sob relatoria de Flávio Dino, e, de outro, os repasses privados de US$ 12,3 milhões feitos por Daniel Vorcaro a um fundo nos EUA, acompanhados por André Mendonça, ambos avaliando possíveis crimes financeiros e políticos.

Quem são os principais envolvidos na operação Dark Horse?

Os principais envolvidos são o deputado Mario Frias, a produtora Karina Gama, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Flávio Bolsonaro, o advogado Paulo Calixto, o empresário delator Antonio Carlos Freixo Junior e entidades como Instituto Conhecer Brasil e Academia Nacional de Cultura, todos citados nas apurações sobre desvio de recursos e lavagem ligados ao filme.

Qual é a relação do filme Dark Horse com Jair Bolsonaro?

O filme “Dark Horse” é uma cinebiografia de Jair Bolsonaro, com foco na trajetória política do ex-presidente, e coloca seu entorno direto no centro das investigações, já que o roteiro e a produção contam com aliados como Mario Frias e o apoio financeiro articulado por Flávio Bolsonaro, transformando uma obra audiovisual em peça-chave de um caso de possível corrupção.

O que a produtora de Dark Horse declarou sobre as ameaças recebidas?

A produtora Karina Gama declarou sentir-se “apavorada”, relatando abordagens noturnas de pessoas que se diziam oficiais de Justiça sem se identificarem, além de pressões sobre familiares e fornecedores; ela afirma colaborar com a PF, nega ter captado recursos para o filme e diz que apenas prestou serviços de produção remunerados.

Como o caso Dark Horse pode impactar a política e as eleições?

O caso Dark Horse pode desgastar a imagem de Mario Frias e de Flávio Bolsonaro em pleno ano eleitoral, alimentar narrativas de corrupção no bolsonarismo, travar alianças partidárias e endurecer o escrutínio sobre financiamento de campanhas e projetos culturais, tornando qualquer vínculo com o filme um potencial passivo político nas urnas.


Mundo
Publicidadeinarticle
Leia também