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Pesquisas mostram Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico

Novas pesquisas para presidente em 2026 indicam cenário de forte polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, com vantagem dentro da margem de erro e rejeição alta para ambos.

12/09/2026 11:01 7 min de leitura
Pesquisas mostram Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico
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Eleições 2026

Levantamentos recentes indicam empate técnico entre os principais candidatos, com alta rejeição em ambos os lados.

Luir Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao meio de setembro em empate técnico na disputa pela Presidência, segundo duas pesquisas nacionais divulgadas nesta semana. Os levantamentos Datafolha e Futura/100% Cidades mostram o petista numericamente à frente, mas já dentro da margem de erro, e reforçam um quadro de polarização rígida e rejeição elevada para ambos.

Os números consolidam a eleição de 2026 como uma disputa essencialmente binária entre Lula e o senador do PL, com pouco espaço, ao menos por ora, para candidaturas alternativas. Ao mesmo tempo, expõem um país rachado em dois blocos quase equivalentes, pressionado pela crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e pelas investigações sobre o caso “Dark Horse”, que atingem diretamente o principal nome da direita.

Dados das pesquisas e o retrato do 1º turno

A pesquisa Datafolha, feita com 2.002 eleitores em 125 municípios entre 8 e 10 de setembro, registra Lula com 39% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 35% no primeiro turno. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, o que coloca os dois em empate técnico. Augusto Cury (Avante) aparece com 6%, Ronaldo Caiado (PSD) com 4%, Renan Santos (Missão) com 3% e Romeu Zema (Novo) com 2%. Os demais nomes somam até 1% cada, enquanto brancos, nulos e indecisos somam 10%.

O próprio instituto resume o estreitamento da diferença. Em avaliação divulgada aos clientes, registra que “a distância numérica entre eles é a menor desde maio, tendo passado de 10 para 4 pontos percentuais — o que sugere empate no limite máximo da margem de erro de dois pontos para mais ou menos, com maior probabilidade de Lula estar à frente”.

No cenário de segundo turno, o Datafolha também aponta equilíbrio. Lula tem 46% contra 44% de Flávio Bolsonaro, novamente um empate técnico. O levantamento indica ainda que “75% dos eleitores estão totalmente decididos”, sinal de que três em cada quatro brasileiros já cristalizaram sua escolha e tendem a resistir a mudanças bruscas até o dia da votação.

Em paralelo, a pesquisa Futura/100% Cidades, com 2.000 eleitores ouvidos entre 4 e 10 de setembro e margem de erro de 2,2 pontos percentuais, reproduz o cenário apertado. No primeiro turno, Lula marca 39,2% e Flávio 33,6%. Nas simulações de segundo turno, há novo empate técnico, mas com o senador numericamente à frente: “Flávio soma 45,4% contra 45% de Lula no cenário de 2º turno”, registra o instituto em seu relatório.

Polarização consolidada e espaço apertado para terceiros

Os resultados das duas pesquisas deixam pouco espaço para dúvidas sobre o eixo central da disputa. Candidatos como Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema ainda não conseguem furar a bolha da polarização entre PT e PL, somando juntos menos de 15% na maioria dos cenários testados.

A rejeição medida pela Futura/100% Cidades reforça o bloqueio estrutural a alternativas. “Lula e Flávio também empatam na maior rejeição, com 45,8% e 45,7% respectivamente”, afirma o relatório. Quase metade do eleitorado diz não votar de jeito nenhum em cada um deles, o que reduz o espaço para crescimento, mas também torna mais difícil a migração para outros nomes, já que boa parte desses eleitores rejeita ambos os polos.

Os dados regionais e de perfil socioeconômico mostram um país dividido em territórios eleitorais bem delimitados. Lula lidera entre os eleitores com menor escolaridade, os mais pobres, moradores do Nordeste e católicos. Flávio Bolsonaro tem vantagem entre quem tem ensino médio ou superior, nas regiões Sudeste, Sul e Norte/Centro-Oeste, e entre evangélicos.

Esse desenho empurra as campanhas para estratégias altamente segmentadas. O PT tende a reforçar a mobilização em redutos tradicionais, especialmente no Nordeste, e tentar avançar sobre eleitores de renda média no Sudeste. O PL mira justamente esse eleitor urbano e escolarizado, buscando ampliar vantagem nas capitais e explorar o desgaste do governo Lula junto a segmentos da classe média.

Crise no STF, caso “Dark Horse” e impacto na percepção pública

Os levantamentos são colhidos em meio à crise aberta no Supremo Tribunal Federal, com ministros trocando farpas em público e decisões questionadas intensa e diariamente por aliados de Flávio Bolsonaro. O Datafolha registra, em seu material de divulgação, que “a pesquisa foi realizada sob o impacto da crise do STF”, o que ajuda a explicar o clima de tensão institucional percebido nas entrevistas.

As investigações sobre o caso “Dark Horse” adicionam um componente moral à disputa. Em peça de acusação já conhecida do público, investigadores descrevem gravações em que “Flávio Bolsonaro foi gravado pedindo dinheiro ao então banqueiro já em apuros, o chamando de ‘meu irmão’ e prometendo lealdade”. O episódio alimenta o discurso de adversários e preocupa setores econômicos que acompanham de perto a estabilidade das instituições.

Aliados do senador, porém, veem na crise uma oportunidade para acionar a base mais radicalizada e sustentar a narrativa de perseguição. A estratégia replica, em parte, o roteiro adotado pelo bolsonarismo em ciclos eleitorais anteriores: tensionar com o STF, questionar a legitimidade de decisões judiciais e tentar deslocar o debate do campo econômico e social para o terreno da guerra política.

Do outro lado, a campanha de Lula busca manter o foco em temas de renda, programas sociais e estabilidade institucional, enquanto monitora com atenção a curva de desaprovação do governo. A avaliação do desempenho presidencial, medida paralelamente pelo Datafolha, indica um país quase rachado ao meio também nesse ponto, o que limita a capacidade de o petista transformar o cargo em vantagem folgada na disputa.

Estratégias em ajuste e incertezas até o registro das candidaturas

A combinação de intenção de voto muito próxima, rejeição alta e maioria do eleitorado com escolha consolidada obriga os principais comandos de campanha a buscar centímetros, não metros. No PT, a palavra de ordem é ampliar alianças regionais, conter desgastes e minimizar ruídos na relação com o STF, para não espantar eleitores moderados que rejeitam aventuras institucionais.

No PL, operadores políticos falam em investir pesado na mobilização digital, reforçar a presença de Flávio em igrejas evangélicas e explorar a narrativa de desgaste do Supremo. A crise no STF, somada à temperatura das investigações, tende a permanecer no centro do debate ao longo das próximas semanas, influenciando o humor dos mercados e a disposição de partidos médios para formalizar alianças.

O cenário também é observado com atenção por candidaturas de partidos menores. Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema medem cada movimento de Lula e Flávio à procura de brechas para um discurso de “terceia via” renovada, ainda que os números atuais mostrem pouco espaço para um salto imediato. O fato de Pablo Marçal, hoje inelegível, ainda aparecer em cenários testados indica que a Justiça Eleitoral segue como peça central no tabuleiro.

Até o registro oficial das candidaturas e o início da propaganda, nada impede que algum fato novo — político, econômico ou judicial — mexa nesse equilíbrio tão delicado. Por ora, porém, as pesquisas para presidente em 2026 cravam um país dividido, uma eleição imprevisível e uma campanha que será travada voto a voto, sobretudo no segundo turno.

Quais são os principais números das pesquisas para presidente em 2026?

Lula tem hoje 39% no Datafolha e 39,2% na Futura/100% Cidades para o 1º turno, enquanto Flávio Bolsonaro marca 35% e 33,6% respectivamente, com ambas as pesquisas apontando empate técnico no 2º turno e rejeição quase idêntica, na casa de 46%, para os dois principais candidatos.

O que significa o empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro?

O empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro significa que a diferença de 4 pontos no Datafolha e de cerca de 6 pontos na Futura/100% Cidades está dentro das margens de erro, de 2 e 2,2 pontos, permitindo que qualquer um dos dois esteja numericamente à frente na população total.

Como a crise no STF e o caso “Dark Horse” influenciam as pesquisas?

A crise no STF e o caso “Dark Horse” influenciam as pesquisas ao aumentar a tensão institucional, alimentar narrativas de perseguição usadas por aliados de Flávio Bolsonaro e reforçar preocupações com ética e estabilidade entre eleitores moderados e agentes econômicos, fatores que podem deslocar votos sensíveis a temas de corrupção e segurança jurídica.


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