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Economia

Argentina fc em crise: fábricas fecham e talentos fogem hoje

Fechamento em massa de indústrias, tornado destrutivo em Misiones e aposta do Vasco em líderes argentinos revelam um país sob pressão econômica, social e esportiva.

12/09/2026 13:01 8 min de leitura
Argentina fc em crise: fábricas fecham e talentos fogem hoje
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Economia

Crise econômica afeta indústrias e esportes na Argentina, com impactos sociais e fuga de talentos.

A Argentina atravessa uma semana em que fábricas fecham, empregos somem, um tornado mata na zona rural de Misiones e até o futebol brasileiro pesca líderes em clubes do país.

Galpões às escuras e empregos em fuga

Na periferia de Buenos Aires, a rotina na fábrica de sapatos Kioshi muda de forma brusca. O galpão permanece quase vazio, as máquinas desligadas e caixas de mercadorias se acumulam no escuro. De um quadro de 120 funcionários no ano passado, restam apenas 14.

O diretor Emmanuel Fernández tenta manter a produção mínima, mas descreve um mercado interno paralisado. “O mercado interno está morto, as pessoas não têm dinheiro para consumir, dificilmente vão comprar calçados”, afirma. Ele fala em “avalanche de importação” e diz que a concorrência estrangeira inviabiliza o negócio local.

O caso da Kioshi vira símbolo de uma crise industrial mais ampla. Desde agosto de 2023, cerca de 90 mil empregos são perdidos na indústria. A produção manufatureira encolhe 5% entre junho e julho, na maior queda em meses recentes, e a capacidade ociosa chega a 40%, um sinal de máquinas paradas em praticamente metade das linhas.

Milei aposta na abertura, empresários veem bolha

O cenário alimenta o embate em torno do modelo econômico do presidente Javier Milei. No poder desde o fim de 2023, o governo ultraliberal celebra a desaceleração da inflação, hoje em 33,8% na comparação interanual de julho, e aponta a desregulamentação como caminho para tornar o país mais competitivo.

Os resultados sociais, porém, cobram um preço alto. Setores industriais tradicionais encolhem, e a União Industrial Argentina fala em 30 mil empresas encerradas desde a posse de Milei. Desde 2023, o setor privado perde 240 mil empregos formais. Trabalhadores despejados das fábricas engrossam a informalidade, dirigindo aplicativos ou aceitando bicos mal pagos.

Em Zárate, polo industrial a 90 quilômetros da capital, a cena repete a desolação da Kioshi. O pátio da fábrica de produtos químicos Clariant vira terreno de capim e silêncio. A empresa fecha a unidade que abastecia a cadeia de petróleo e passa a importar insumos de uma planta no Brasil, deixando 42 pessoas sem trabalho.

Miguel Márquez, 62, olha o portão fechado onde trabalhou por duas décadas. Ele conta que apenas dois dos 42 demitidos conseguem emprego com carteira assinada. O resto, como ele, sobrevive no improviso. “Como não têm nenhuma restrição, convém a eles trazer do Brasil”, diz, sobre a decisão da multinacional.

Câmbio, juros e a disputa pelo modelo

A resposta do governo não recua um milímetro. Milei repete que empregos destruídos em setores pouco competitivos darão lugar a vagas em áreas capazes de enfrentar a disputa internacional. A austeridade e a desregulamentação, insiste, “não são negociáveis”.

O ministro da Economia, Luis Caputo, amplia o discurso. Ele afirma que fala em nome de “48 milhões de argentinos” e acusa empresários protegidos por barreiras comerciais de inflar preços. “Me parece imoral e injusto que os argentinos tenham que pagar por bens de menor qualidades duas, quatro, dez vezes o seu valor”, diz, em defesa da abertura.

Na outra ponta, industriais acusam o governo de ignorar o terreno onde a política econômica se materializa. Alejandro Mayer, vice-presidente da fábrica de componentes eletrônicos Ernesto Mayer, na periferia norte de Buenos Aires, opera hoje com metade das máquinas desligadas. Ele reclama de um “atraso cambiário” que encarece em dólares o produto local, somado a juros altos e carga tributária pesada.

“Ninguém quer não competir, mas também você tem que ter condições para competir”, afirma. Donos de pequenas e médias empresas ecoam o diagnóstico. Há casos de fábricas que já fecham às sextas-feiras por falta de pedidos. Em bairros operários, a prioridade das famílias muda: emprego e salário superam a inflação como maior preocupação.

Tornado mortal expõe fragilidade no interior

Longe das grandes cidades, outro tipo de devastação assusta. Na área rural de San Pedro, em Misiones, um tornado abre uma faixa de destruição de cerca de 300 metros entre Cruce Caballero, na altura do quilômetro 1072, e Piñalito Sur. A passagem do funil arranca telhados, derruba estruturas e interrompe energia e comunicações.

No caminho, a força do vento atinge em cheio a casa do agricultor Demecio Monteiro, de 42 anos. O imóvel é arrancado da base e arrastado para dentro de uma plantação de erva-mate. Monteiro morre ali mesmo, segundo o registro policial. Outras cinco casas na região sofrem danos graves; moradores relatam o barulho ensurdecedor e o céu escurecido em poucos minutos.

As autoridades locais trabalham em regime de urgência para restabelecer a eletricidade e avaliar a extensão dos estragos. Equipes de emergência percorrem propriedades rurais, verificam se há feridos não contabilizados e medem a intensidade do fenômeno, ainda em análise. A população revive lembranças de um tornado histórico que, anos atrás, deixou 11 mortos na mesma província.

O novo episódio expõe a vulnerabilidade de comunidades rurais diante de eventos climáticos extremos. Em muitos povoados, faltam abrigos adequados, protocolos de alerta e infraestrutura reforçada para suportar vendavais intensos. A destruição chega a áreas que já sofrem com renda baixa e serviços públicos precários, ampliando a sensação de abandono.

Vasco mira líderes na Argentina em meio ao caos

Enquanto a indústria argentina encolhe e o interior conta prejuízos, o futebol vira rota de saída para alguns dos talentos mais valorizados do país. No Rio de Janeiro, o Vasco da Gama muda sua estratégia de mercado e aposta em jogadores argentinos já afirmados, com currículo de protagonistas.

O clube fecha com o volante Santiago Sosa, capitão do Racing, o atacante Lescano, que usa a braçadeira no Argentinos Juniors, e o atacante Colidio, titular do River Plate. Os três chegam para ocupar vaga de titular desde o primeiro dia e compensar perdas recentes de jogadores importantes, como Coutinho, Rayan e Vegetti.

O departamento de futebol do Vasco valoriza sobretudo o perfil de liderança dos reforços. A leitura é que, além da qualidade técnica, o grupo carece de figuras capazes de comandar o vestiário em jogos decisivos do Campeonato Brasileiro e em competições de mata-mata.

Lescano resume em poucas palavras a expectativa com a passagem pelo Brasil. “Vou desfrutar ao máximo”, diz, ao desembarcar. O jornalista Bruno Murito observa que um dos novos contratados “já caiu nas graças da torcida”, sinal de que a aposta em nomes consolidados, e não mais em promessas baratas, agrada a arquibancada.

O movimento reforça uma tendência recente: clubes brasileiros, com maior poder financeiro em dólar, garimpam capitães e titulares da Argentina em busca de resposta imediata em campo. Para muitos jogadores, a travessia representa salários mais altos e a chance de atuar em um mercado mais estável, distante da imprevisibilidade do peso e das crises cíclicas.

País em encruzilhada múltipla

A Argentina cruza, ao mesmo tempo, uma encruzilhada econômica, social, climática e esportiva. O governo insiste em que o aperto atual é o preço para uma economia mais eficiente no futuro. Empresários e trabalhadores veem a conta chegar agora, com galpões vazios, demissões em massa e um salto na informalidade.

No interior, o tornado de San Pedro funciona como alerta sobre um país que precisa se adaptar a fenômenos meteorológicos cada vez mais severos, sem abandonar populações rurais. No futebol, a saída de capitães e titulares para o Brasil mostra que a crise também reorganiza hierarquias dentro de campo. As próximas semanas indicarão se a abertura defendida por Milei conseguirá, de fato, criar os empregos que hoje desaparecem, ou se a combinação de fábricas fechadas e extremos climáticos aprofundará ainda mais a sensação de instabilidade.

Qual o impacto da crise na indústria argentina sobre o emprego?

A crise industrial na Argentina já elimina cerca de 90 mil postos na indústria, 240 mil empregos formais no setor privado e provoca o fechamento de 30 mil empresas, empurrando milhares de trabalhadores para a informalidade, especialmente em aplicativos e bicos, enquanto fábricas operam com 40% de capacidade ociosa.

Como o tornado na fronteira da Argentina com Santa Catarina afetou a região?

O tornado que atinge a região de San Pedro, em Misiones, na fronteira com o Sul do Brasil, abre uma faixa de destruição de 300 metros, mata o agricultor Demecio Monteiro, de 42 anos, danifica ao menos cinco casas, derruba linhas de energia e compromete comunicações, deixando comunidades rurais ainda mais vulneráveis.

Quais mudanças o Vasco está promovendo no mercado argentino de futebol?

O Vasco altera sua atuação no mercado argentino ao priorizar três jogadores já consolidados e líderes em seus clubes — Santiago Sosa, Lescano e Colidio — buscando impacto imediato no time titular, reposição às saídas de Coutinho, Rayan e Vegetti e ganho de liderança em um elenco pressionado por resultados.


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