Adolescente de 15 anos mata dois em ataque a bar em Campo Mourão
Ataque a tiros em bar no centro de Campo Mourão, na noite de 17 de julho, deixa dois mortos e três feridos. Atirador de 15 anos está foragido.
Violência Urbana
Ataque a tiros em bar central de Campo Mourão resulta em duas mortes e três feridos, com atirador adolescente foragido.
Um adolescente de 15 anos abre fogo contra clientes de um bar no centro de Campo Mourão, por volta das 20h15 de 17 de julho de 2026, e mata duas pessoas. Outras três ficam feridas, uma delas em estado grave. O suspeito é identificado pela polícia, mas segue foragido.
Bar cheio, correria na calçada e mortes em minutos
O ataque acontece no Vip Empório, bar e conveniência em uma rua movimentada da área central de Campo Mourão, na região central do Paraná. Câmeras de segurança registram o momento em que o adolescente, de balaclava, se aproxima a pé, para diante das mesas na calçada e passa a atirar em direção aos clientes.
O bar está cheio. Nas imagens, frequentadores se jogam no chão, tentam correr para dentro do estabelecimento e se abrigar atrás de carros estacionados. Em poucos segundos, o som dos disparos é substituído por gritos e pedidos de socorro.
Dois homens morrem ainda no local, antes da chegada do resgate. São eles Márcio Bertholdo Geraldo, de 43 anos, e Michael Zachytko Cavalcante, de 38. Três pessoas ficam feridas, com idades de 23, 40 e 41 anos.
A mulher de 40 anos, segundo a linha de investigação em curso, é a possível alvo do atirador. Ela é baleada e socorrida em estado grave. A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (SESP-PR) informa inicialmente que ela teria morrido, depois corrige a informação e confirma que a paciente segue internada. A relação dela com o suspeito não é divulgada.
Fuga com ajuda da namorada e casa recheada de explosivos
Após os disparos, o adolescente deixa o local correndo e entra em um carro que o espera nas proximidades. O veículo, segundo a Polícia Militar, é conduzido pela namorada do suspeito. Ela abandona o jovem em uma estrada vicinal que dá acesso a uma rodovia estadual e tenta voltar para casa. A fuga é confirmada por ela em depoimento, de acordo com a corporação.
Equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil seguem a rota do adolescente e chegam ao imóvel onde ele mora, na Avenida Ney Braga. A busca transforma o caso de ataque a tiros em um episódio ainda mais grave: dentro da residência, os policiais encontram aproximadamente 500 metros de cordel detonante, duas munições calibre 38, porções de maconha, um comprimido de ecstasy e seis antenas do tipo jammer, usadas para bloquear sinais de comunicação.
O endereço é isolado, e o Esquadrão Antibombas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) é chamado para remover e neutralizar o material com segurança. Em nota, a SESP-PR afirma que a mãe do adolescente é presa em flagrante no local. “[A mãe] foi presa em flagrante por estar em posse de duas munições, porções de entorpecentes, antenas para bloqueador de sinal e material explosivo. A investigação está em andamento para esclarecer a sua relação com o crime”, diz a pasta.
A namorada do suspeito também acaba detida, depois que o carro é localizado. Segundo a Polícia Militar, ela admite ter dado apoio à fuga do adolescente. As duas mulheres são levadas para a delegacia, onde prestam depoimento. Nenhum dos nomes é divulgado até o momento.
Investigação mira alvo, rede de apoio e arsenal
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o ataque seja direcionado à mulher de 40 anos, atingida pelos disparos e internada em estado grave. A motivação, porém, ainda não é esclarecida. Investigadores apuram a relação entre ela e o adolescente, e se houve planejamento prévio para o crime, dado o arsenal encontrado na casa do suspeito.
Imagens de câmeras de segurança indicam que o garoto passa pelo bar antes do ataque e retorna armado. Outra gravação, obtida por investigadores, mostra o adolescente saindo do apartamento por volta das 19h30 com as mesmas roupas usadas no atentado e retornando às 22h30 com vestimentas diferentes, após a fuga.
A SESP-PR afirma que são realizadas “diligências ininterruptas” para capturar o atirador e esclarecer as circunstâncias da ação. Peritos da Polícia Científica fazem o levantamento de vestígios no bar e no imóvel da família. O conjunto de cordel detonante, munições, drogas e seis antenas bloqueadoras de sinal leva a polícia a considerar que o adolescente e o entorno dele tinham acesso a uma estrutura incomum para a faixa etária.
O caso expõe a fragilidade do controle de armas e explosivos em Campo Mourão e acende alerta para o envolvimento de menores em crimes de alta gravidade. As forças de segurança discutem, nos bastidores, o reforço de operações de inteligência para rastrear fornecedores desse tipo de equipamento na região.
Cidade em choque e pressão por respostas
A repercussão é imediata. Moradores da área central relatam medo de permanecer em bares e restaurantes da região após o ataque. Comerciantes avaliam reduzir o horário de funcionamento e reforçar sistemas de câmeras e segurança privada. Familiares das vítimas se dividem entre velórios e idas ao hospital para acompanhar os feridos.
O Vip Empório, alvo do atentado, divulga nota em rede social. “Neste momento de luto, expressamos nossa mais sincera condolência às famílias das vítimas, aos feridos e a todos que foram profundamente afetados por essa tragédia. Compartilhamos a dor de toda a comunidade diante de um acontecimento tão triste. Nos unimos em oração pelas vítimas, por seus familiares, e por todos aqueles que enfrentam as consequências dessa tragédia”, afirma o estabelecimento.
O episódio pressiona também o sistema de Justiça e a rede de assistência social do Paraná. O suspeito tem 15 anos e, pela legislação brasileira, responde como adolescente em conflito com a lei, sujeito a medidas socioeducativas. O Ministério Público deve analisar o caso para definir o pedido de internação provisória, assim que o jovem seja localizado.
Serviços de saúde e psicossociais da cidade se preparam para atender sobreviventes, familiares e testemunhas. O impacto emocional do ataque, em um ponto de encontro conhecido de Campo Mourão, tende a se prolongar para além da investigação criminal.
Próximos passos e incertezas
Enquanto o atirador permanece foragido, a prioridade das forças de segurança é capturá-lo e rastrear a origem do material explosivo localizado em sua casa. Delegados também buscam mapear se há outros envolvidos, além da mãe e da namorada, na aquisição de armas, drogas e antenas bloqueadoras de sinal.
A apuração sobre a relação entre o adolescente e a mulher de 40 anos deve ser decisiva para entender o que motivou o ataque. A depender do que vier à tona, o caso pode acelerar mudanças em protocolos de fiscalização de explosivos e em políticas de prevenção à violência juvenil no Paraná.
Campo Mourão segue em clima de luto e expectativa. Famílias aguardam notícias da recuperação dos feridos e da captura do suspeito. Autoridades locais reconhecem, em caráter reservado, que o episódio se torna um divisor de águas para a segurança na região: de agora em diante, qualquer bar cheio no centro carrega, para muitos moradores, a lembrança da noite em que um adolescente armado transformou um encontro comum em tragédia.
O suspeito já foi preso?
Até o momento, o adolescente de 15 anos identificado como autor dos disparos segue foragido. A polícia afirma que mantém diligências ininterruptas para localizá-lo.
Quem são as vítimas que morreram no ataque?
As vítimas fatais são Márcio Bertholdo Geraldo, de 43 anos, e Michael Zachytko Cavalcante, de 38, que morrem ainda no bar após serem baleados.
Por que a mãe e a namorada do suspeito foram presas?
A mãe foi presa em flagrante pela posse de material explosivo, munições, drogas e antenas bloqueadoras de sinal na casa da família. A namorada é detida por, segundo a polícia, ter ajudado na fuga do adolescente após o ataque.


