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Agosto de 2026 terá dois grandes eclipses; veja o que muda

Um eclipse solar total no hemisfério norte e um eclipse lunar parcial visível em todo o Brasil marcam agosto de 2026. Entenda horários, impactos e cuidados.

10/08/2026 06:46 8 min de leitura
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Astronomia

Descubra os horários e os efeitos dos eclipses solar e lunar que ocorrerão em agosto de 2026.

Agosto de 2026 reserva dois espetáculos astronômicos em sequência: um eclipse solar total no dia 12 e um eclipse lunar parcial na noite de 27 para 28, visível em todo o Brasil.

Os fenômenos colocam o céu no centro da agenda científica e escolar do mês e abrem espaço para ações de divulgação científica, turismo astronômico e campanhas de segurança na observação do Sol.

Um mês com dois alinhamentos raros

O calendário começa com o eclipse solar total de 12 de agosto, visível integralmente apenas em uma faixa do hemisfério norte. Espanha, Portugal, Rússia, Islândia e Groenlândia estão no caminho da sombra completa da Lua. Outros países do norte da África e de latitudes mais altas veem o fenômeno de forma parcial.

Duas semanas depois, na noite de 27 para 28 de agosto, a atenção se desloca para o céu brasileiro. O eclipse lunar parcial começa às 23h30 do dia 27 e atinge o auge por volta da 1h da madrugada do dia 28, sempre no horário de Brasília. A previsão é que até 95% do disco lunar fique coberto pela sombra da Terra.

Segundo a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, o interesse tende a ser maior no Brasil pelo fato de o eclipse lunar ser visível em todos os estados, sem necessidade de equipamentos especiais. “Na Lua cheia você tem, nessa ordem, o Sol, a Terra e a Lua. E aí, o Sol batendo na Terra forma essa sombra no espaço, e quando a Lua entra nessa sombra, é que acontece o eclipse”, explica.

Quando o alinhamento funciona — e quando não

A ocorrência de eclipses depende de uma combinação precisa de posições. No caso do eclipse lunar, Sol, Terra e Lua precisam se alinhar durante a Lua cheia. Parece simples, mas não é um evento mensal. A órbita da Lua é inclinada cerca de 5 graus em relação ao plano da órbita terrestre, o que faz o satélite quase sempre passar acima ou abaixo da faixa de sombra mais escura, conhecida como umbra.

No eclipse de 27 de agosto, a Lua chega muito perto de cruzar essa região central. “Esse eclipse agora do dia 27, ele é um eclipse parcial. A Lua não vai entrar totalmente na umbra, ela quase vai entrar. Vai funcionar como se fosse um eclipse total porque ela vai começar a ficar vermelha, e essa vermelhidão é o reflexo da luz do Sol batendo na atmosfera da Terra”, detalha Josina.

O eclipse solar que abre o mês é regido pela lógica inversa. A Lua, em fase nova, se coloca entre a Terra e o Sol. A sombra do satélite cruza o planeta em um corredor estreito. “Já aqui você tem Sol, Lua e Terra, e a sombra da Lua vai fazer um caminho pela Terra. Só quem está neste caminho é que vê o eclipse do Sol. Esse caminho é um caminho de 300 quilômetros de largura”, afirma a astrônoma.

Essa faixa reduzida explica por que eclipses solares totais movimentam viagens internacionais, caravanas de astrônomos amadores e pacotes turísticos específicos nas regiões beneficiadas pela trajetória da sombra.

Lua vermelha no Brasil, turismo no norte

Para o público brasileiro, o grande momento é a madrugada de 28 de agosto. Com até 95% da superfície lunar escurecida, o satélite deve ganhar o tom avermelhado que inspira o apelido de “Lua de sangue”. A cor vem da luz solar filtrada pela atmosfera terrestre, que espalha tons azulados e deixa passar sobretudo o vermelho, depois refletido na Lua.

O fenômeno pode ser observado a olho nu, em qualquer cidade do país, desde que o tempo colabore. A recomendação de astrônomos é buscar locais abertos, com horizonte desimpedido e pouca poluição luminosa, como praças mais escuras, mirantes ou áreas rurais. Binóculos e pequenos telescópios melhoram a experiência, mas não são indispensáveis.

A abrangência geográfica ajuda escolas, planetários, universidades e grupos de astronomia a planejar sessões públicas de observação. Instituições como o Observatório Nacional já se preparam para intensificar ações de divulgação, explicando os mecanismos dos eclipses e reforçando a diferença entre os fenômenos lunar e solar.

No hemisfério norte, o eclipse solar total projeta outro tipo de impacto. A faixa de 300 quilômetros em que o Sol some por alguns minutos tende a atrair turistas, pesquisadores e curiosos para regiões da Espanha, Portugal, Rússia, Islândia e Groenlândia. Hotéis, agências especializadas em viagens científicas e comércios locais costumam registrar aumento na demanda em períodos assim.

Empresas que fabricam ou distribuem óculos certificados também entram nesse movimento. A observação segura exige lentes específicas, produzidas de acordo com a norma ISO 12312-2, ou o uso de máscaras com vidro de soldador número 14. Sem esse cuidado, olhar para o Sol, mesmo por poucos segundos, pode causar lesões irreversíveis na retina.

Risco no Sol, segurança na Lua

A diferença de risco entre um eclipse lunar e um solar é central para as campanhas de orientação previstas para agosto de 2026. No eclipse lunar, não há perigo adicional para os olhos. O público pode acompanhar todas as fases sem filtro, da primeira mordida na borda do disco até o auge da Lua avermelhada.

O cenário muda completamente diante do Sol. Médicos e sociedades de oftalmologia costumam reforçar alertas em períodos de eclipses solares, lembrando que improvisos como óculos escuros comuns, chapas de raio X, filmes fotográficos velados ou vidros escurecidos não protegem a visão. Danos na retina não doem na hora e muitas vezes só são notados quando já não há reversão possível.

No Brasil, o eclipse solar de 12 de agosto não será visível de forma significativa, o que reduz o risco direto para a população. As atenções se concentram no eclipse lunar e em seu potencial educativo. Ainda assim, a repercussão internacional do fenômeno solar deve estimular reportagens, campanhas nas redes sociais e material didático sobre observação segura.

Para a astrônoma Josina Nascimento, momentos como esse ajudam a aproximar a ciência do cotidiano. Ao explicar por que a Lua fica vermelha ou por que o Sol parece ter o mesmo tamanho do satélite no céu — embora seja cerca de 400 vezes maior e esteja quase 400 vezes mais distante —, professores e divulgadores científicos transformam um evento pontual em porta de entrada para temas mais amplos, como clima, órbitas planetárias e proteção da atmosfera.

Do espetáculo de agosto ao legado científico

O desfecho dos eclipses de agosto não se limita à madrugada em que a Lua se apaga parcialmente. A experiência acumulada em atividades públicas, a demanda por conteúdos de qualidade e a visibilidade na mídia podem alimentar políticas de incentivo à educação científica e ambiental.

Em muitos países, eclipses recentes impulsionam a criação de roteiros de turismo astronômico, programação permanente em planetários e cooperação entre escolas e observatórios. A expectativa de pesquisadores é que o eclipse lunar de 28 de agosto cumpra papel semelhante no Brasil, ao mostrar que a observação do céu pode ser acessível, segura e intelectualmente estimulante.

Os próximos anos trarão novos eclipses, chuvas de meteoros e alinhamentos planetários. A forma como o país aproveita agosto de 2026 — com planejamento, informação e foco na segurança — deve indicar se esses eventos continuarão restritos a curiosidades pontuais ou se se consolidarão como parte de uma cultura científica mais forte e presente no dia a dia.

Quando serão os eclipses lunares em agosto?

Haverá um eclipse lunar parcial na noite de 27 para 28 de agosto de 2026. Ele começa às 23h30 do dia 27 e atinge o auge por volta da 1h do dia 28, horário de Brasília.

Como e onde será possível observar os eclipses lunares em agosto no Brasil?

O eclipse lunar de 27 e 28 de agosto de 2026 será visível em todos os estados brasileiros. Basta um local aberto, com boa visão do céu e pouca luz artificial.

Por que a Lua ficará vermelha durante o eclipse lunar de agosto?

A Lua fica avermelhada porque a luz do Sol é filtrada pela atmosfera da Terra. A atmosfera espalha outras cores e deixa passar mais o vermelho, que é refletido na superfície lunar.

Qual a diferença entre o eclipse lunar e o eclipse solar que ocorrerão em agosto?

No eclipse lunar, a Terra fica entre o Sol e a Lua cheia, projetando sua sombra no satélite, visível em toda a metade noturna do planeta. No eclipse solar, a Lua nova fica entre a Terra e o Sol, e sua sombra percorre uma faixa estreita de cerca de 300 quilômetros sobre a superfície terrestre.

O que significa a expressão ‘Lua de sangue’ no contexto do eclipse lunar de agosto?

É um apelido popular para a Lua durante eclipses em que ela ganha coloração avermelhada. No eclipse parcial de agosto de 2026, até 95% da Lua deve adquirir esse tom.

Quais cuidados ou recomendações para observar os eclipses lunares em agosto?

Para o eclipse lunar, não há riscos para a visão. A recomendação é apenas buscar um local com horizonte livre, céu limpo e pouca iluminação artificial. Equipamentos ópticos são opcionais.


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