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Agosto terá eclipse lunar visível no Brasil e eclipse solar total

Dois eclipses marcam agosto de 2024: um eclipse solar total no hemisfério norte em 12 de agosto e um eclipse lunar parcial, visível em todo o Brasil, na madrugada de 28.

09/08/2026 20:19 7 min de leitura
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Astronomia

Em agosto de 2024, o Brasil poderá observar um eclipse lunar parcial durante a madrugada do dia 28.

Dois eclipses marcam o céu de agosto de 2024. Um eclipse solar total acontece no dia 12, no hemisfério norte, e um eclipse lunar parcial será visível em todo o Brasil na madrugada de 28.

Dois espetáculos em agosto, com impactos diferentes

Os dois fenômenos ocorrem com duas semanas de intervalo e movimentam públicos distintos. O eclipse solar total de 12 de agosto concentra turistas e astrônomos em países do norte, como Espanha, Portugal, Rússia, Islândia e Groenlândia. O eclipse lunar parcial de 27 para 28 de agosto, por outro lado, transforma o céu brasileiro em palco principal e pode ser visto a olho nu, sem equipamentos.

A combinação cria um mês raro para a astronomia amadora e profissional. Instituições científicas, escolas e observatórios se organizam para usar os eventos como ferramenta de divulgação, enquanto o turismo astronômico ganha força em regiões com pouca poluição luminosa.

Como será o eclipse lunar parcial visível no Brasil

No Brasil, o eclipse lunar começa às 23h30 do dia 27 de agosto, no horário de Brasília, e atinge o auge por volta de 1h da madrugada do dia 28. Em Campo Grande, o astrônomo Henrique Amaral detalha uma janela um pouco mais ampla, entre 22h40 do dia 27 e 1h40 do dia 28.

Nesse intervalo, a Lua entra na umbra, a parte mais escura da sombra da Terra, mas não chega a ficar totalmente imersa. Ainda assim, até 95% do disco lunar fica encoberto e adquire tonalidade avermelhada, a chamada “Lua de sangue”.

“Esse eclipse agora do dia 27, ele é um eclipse parcial. A Lua não vai entrar totalmente na umbra, ela quase vai entrar. Vai funcionar como se fosse um eclipse total porque ela vai começar a ficar vermelha, e essa vermelhidão é o reflexo da luz do Sol batendo na atmosfera da Terra”, afirma Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional.

O fenômeno poderá ser acompanhado de todos os estados. Para observar, basta um local aberto, com visão limpa da Lua e pouca interferência de luz artificial. Não é necessário telescópio, binóculo ou filtro especial.

Por que a Lua fica vermelha

A coloração avermelhada é consequência direta do alinhamento entre Sol, Terra e Lua durante a Lua Cheia. “Na Lua cheia você tem, nessa ordem, o Sol, a Terra e a Lua. E aí, o Sol batendo na Terra forma essa sombra no espaço, e quando a Lua entra nessa sombra, é que acontece o eclipse”, explica Josina.

Nesse momento, a luz solar que contorna a Terra passa pela atmosfera e chega à superfície lunar filtrada. As cores azul e violeta se espalham mais e são bloqueadas. Os tons vermelhos e alaranjados atravessam com mais facilidade.

“Na prática, é como se a Lua fosse iluminada simultaneamente por ‘todos os pores e nasceres do sol do planeta’”, resume Henrique Amaral. O resultado é uma Lua escurecida, mas recoberta por um brilho vermelho-alaranjado, visível a olho nu.

Os eclipses lunares podem ser penumbrais, quando a Lua cruza apenas a sombra mais branda; parciais, como o de agosto; ou totais, quando o satélite entra por completo na umbra. Neste caso, embora tecnicamente parcial, o grau de cobertura de até 95% deve produzir um espetáculo próximo ao de um eclipse total.

Eclipse solar total no hemisfério norte

Duas semanas antes, em 12 de agosto, a Lua Nova se coloca entre a Terra e o Sol e provoca um eclipse solar total para uma faixa do hemisfério norte. A sombra da Lua desenha no planeta um corredor estreito, com cerca de 300 quilômetros de largura, onde o disco solar é encoberto por completo.

“Já aqui você tem Sol, Lua e Terra, e a sombra da Lua vai fazer um caminho pela Terra. Só quem está neste caminho é que vê o eclipse do Sol. Esse caminho é um caminho de 300 quilômetros de largura”, explica Josina Nascimento.

Fora dessa faixa, o fenômeno é parcial. No Brasil, o evento não será visível, mas ainda assim mobiliza campanhas de orientação sobre segurança visual, já que a observação inadequada de eclipses solares, em qualquer lugar do mundo, pode causar danos irreversíveis à visão.

O eclipse solar é possível graças a uma coincidência geométrica. O Sol é cerca de 400 vezes maior que a Lua, mas está aproximadamente 400 vezes mais distante. Da Terra, os dois astros parecem ter tamanhos semelhantes no céu, o que permite que a Lua cubra o disco solar por completo em regiões específicas.

Segurança, turismo astronômico e educação

Enquanto o eclipse lunar é seguro para ser visto diretamente, o solar exige cuidados rígidos. A recomendação de astrônomos e entidades científicas é clara: nunca olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada, nem usar óculos escuros comuns, filmes velados ou improvisos domésticos.

Para quem estiver no caminho do eclipse solar total em 12 de agosto, a observação só deve ser feita com óculos especiais certificados pela norma ISO 12312-2 ou com máscaras de solda com vidro número 14. Qualquer outra solução coloca a retina em risco, mesmo em poucos segundos de exposição.

No Brasil, o foco está no potencial educativo e turístico do eclipse lunar. Escolas, clubes de astronomia e observatórios preparam sessões públicas de observação e materiais explicativos. Cidades com céu escuro e infraestrutura básica para receber visitantes veem no fenômeno uma chance de impulsionar o turismo astronômico, nicho que vem ganhando espaço em regiões afastadas dos grandes centros.

O interesse popular por eventos como a “Lua de sangue” tende a fortalecer projetos permanentes de educação científica, sobretudo entre jovens. Astrônomos ouvidos pela reportagem avaliam que a combinação de um eclipse lunar amplo, visível em todo o país, e um eclipse solar globalmente repercutido ajuda a recolocar a astronomia na agenda pública.

O que esperar depois de agosto

Os dois eclipses de agosto chegam em meio a um calendário intenso de fenômenos astronômicos nesta década, com novos eclipses lunares e solares previstos até 2026. A expectativa de astrônomos é que a mobilização atual se transforme em legado: mais clubes de observação ativos, melhor infraestrutura em cidades com vocação para turismo científico e um público mais informado sobre segurança ocular.

Na prática, o que começa com o convite para olhar para o céu em duas noites específicas pode desaguar em investimentos duradouros em ciência e tecnologia. O desempenho de agosto, na adesão do público e na capacidade de organizar eventos de qualidade, deve servir de termômetro para os próximos eclipses que virão.

Quando serão os eclipses lunar e solar em agosto?

O eclipse solar total ocorre em 12 de agosto de 2024, visível no hemisfério norte. O eclipse lunar parcial acontece na noite de 27 para 28 de agosto, com auge por volta de 1h.

Como e onde será possível observar o eclipse lunar em agosto no Brasil?

O eclipse lunar parcial será visível em todo o Brasil. Basta um local aberto, com horizonte desobstruído, visão limpa da Lua e pouca poluição luminosa.

Por que a Lua ficará vermelha durante o eclipse lunar de agosto?

Porque a Terra bloqueia a luz direta do Sol e só deixa passar, pela atmosfera, os tons vermelhos e alaranjados, que iluminam a superfície lunar.

Qual a diferença entre o eclipse lunar e o eclipse solar que ocorrerão em agosto?

No eclipse lunar, a Terra faz sombra sobre a Lua e o fenômeno é seguro a olho nu. No eclipse solar, a Lua faz sombra na Terra e exige proteção ocular específica.

O eclipse lunar de agosto será visível em todo o Brasil?

Sim. Todas as regiões do país poderão acompanhar o eclipse lunar parcial na madrugada de 28 de agosto, se o tempo colaborar e o céu estiver limpo.

Quais cuidados ou recomendações para assistir ao eclipse lunar em agosto?

Para o eclipse lunar, não há restrição de segurança visual. A recomendação é buscar locais escuros, longe de luz urbana, e chegar com antecedência para se adaptar ao escuro.


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