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Asteroide Bennu: quanto risco a Terra realmente corre

Asteroide Bennu tem 500 metros e pode liberar energia de 22 bombas nucleares em um impacto. Chance de colisão até 2300 é de 0,057%, com monitoramento intenso.

15/07/2026 09:01 8 min de leitura
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Tecnologia Espacial

Entenda a probabilidade e o potencial impacto do asteroide Bennu na Terra até o ano 2300.

O asteroide Bennu, de cerca de 500 metros de diâmetro, volta ao centro do radar científico em 14 de julho de 2026, com novas estimativas de risco de impacto. Atualizações da Nasa indicam probabilidade global de colisão de 0,057% até 2300, com a data de 24 de setembro de 2182 concentrando a maior chance conhecida.

Um risco pequeno, mas impossível de ignorar

Os números parecem confortáveis à primeira vista: mais de 99,9% de probabilidade de que Bennu nunca atinja a Terra. Ainda assim, a combinação de tamanho, trajetória e horizonte de tempo obriga governos e cientistas a tratar o caso como assunto de segurança planetária, não de ficção científica.

O Bennu cruza periodicamente a órbita terrestre e integra o grupo dos chamados asteroides potencialmente perigosos, aqueles que passam relativamente perto do planeta e têm dimensões suficientes para causar destruição regional ou global. “A NASA refinou cálculos sobre a trajetória do asteroide Bennu, que pode liberar energia equivalente a 22 bombas nucleares se colidir com a Terra”, resume o jornal O Globo.

O risco máximo conhecido hoje se concentra em 24 de setembro de 2182. “Segundo os cálculos mais recentes da Nasa, existe uma data com a maior probabilidade de esse encontro acontecer: 24 de setembro de 2182”, lembra a produtora Brasil Paralelo. Mesmo nesse cenário, a chance específica é de 1 em 2.700, cerca de 0,037%.

Como a missão OSIRIS-REx mudou o jogo

A virada na compreensão sobre Bennu começa em 2016, com o lançamento da missão OSIRIS-REx. A sonda chega ao asteroide em 2018, orbita o corpo rochoso por mais de dois anos e transforma um ponto luminoso distante em um objeto conhecido em detalhes.

Os instrumentos mapeiam a forma irregular, medem a massa, acompanham a rotação e decifram a composição da superfície. Em 2020, a nave toca o asteroide por poucos segundos, coleta fragmentos e poeira e parte de volta. O material chega à Terra em 24 de setembro de 2023, abrindo uma frente de pesquisa que se estende por décadas.

Esses dados físicos alimentam modelos de computador que simulam a órbita de Bennu com precisão inédita. Um dos pontos críticos é o chamado efeito Yarkovsky, força sutil provocada pelo fato de o asteroide absorver luz solar e liberar esse calor de maneira desigual ao girar. Ao longo de anos, essa “empurradinha” térmica desloca a órbita em quilômetros, o bastante para alterar o risco futuro.

Sem saber exatamente massa, textura e forma, esse efeito vira uma incógnita. Com as medições da OSIRIS-REx, o cálculo deixa o terreno da estimativa grosseira e entra no da engenharia fina. A própria Nasa trata o resultado como um marco para a defesa planetária: conhecer a órbita com antecedência é condição para qualquer tentativa séria de desvio.

O encontro de 2135 e a janela decisiva

Os modelos atuais convergem para um momento-chave: a aproximação de Bennu em 2135. O asteroide passa perto da Terra, mas sem risco de colisão. A importância está na dança gravitacional que ocorre nesse encontro.

A gravidade do planeta funciona como uma espécie de estilingue cósmico. Dependendo do ângulo e da distância da passagem, a órbita de Bennu pode ser ligeiramente redirecionada. Pequenas diferenças ali, em 2135, se amplificam ao longo das décadas seguintes e definem se o asteroide cruza ou não o caminho da Terra em 2182 e além.

Refinar a trajetória até essa data se torna, portanto, prioridade. A partir de 2135, novas observações poderão reduzir ainda mais as incertezas e, se necessário, orientar missões de intervenção. O desempenho da missão DART, em 2022, reforça essa perspectiva. “Em 2022, a missão DART já provou que a humanidade tem, sim, formas de agir diante desse tipo de ameaça”, destaca a Brasil Paralelo, ao lembrar o experimento que alterou a órbita de um pequeno asteroide ao atingi-lo com uma nave.

Se Bennu acertasse a Terra

A hipótese de impacto continua remota, mas não é acadêmica. As simulações disponíveis permitem esboçar o que ocorreria se um corpo de 500 metros atingisse o planeta.

A energia liberada seria brutal. “A energia liberada equivaleria à explosão de 22 bombas atômicas de grande potência”, calcula a Brasil Paralelo. O choque formaria uma cratera de vários quilômetros e provocaria ondas de choque, terremotos e incêndios florestais em larga escala na região do impacto.

O efeito mais duradouro, porém, viria da atmosfera. Estudos publicados em 2025, liderados por pesquisadores do Centro IBS de Física Climática da Universidade Nacional de Pusan, na Coreia do Sul, estimam que entre 100 milhões e 400 milhões de toneladas de poeira seriam injetadas nas camadas altas do ar.

“O escurecimento solar devido à poeira causaria um ‘inverno de impacto’ global abrupto, caracterizado pela redução da luz solar, temperatura fria e diminuição da precipitação na superfície”, explica a pesquisadora Lan Dai, do ICCP. Os modelos climáticos projetam queda média de até 4°C na temperatura global, redução de cerca de 15% nas chuvas e perda de 20% a 30% da fotossíntese das plantas.

A camada de ozônio encolheria cerca de 32%, ampliando a entrada de radiação ultravioleta. Ecossistemas terrestres sofreriam uma combinação de frio, secura, menos luz e mais radiação. A agricultura sentiria o impacto direto, com quebras de safra em série. O estudo também aponta que o plâncton marinho, base da cadeia alimentar dos oceanos, poderia se recuperar mais rápido e até crescer após o choque inicial, alimentado pela poeira rica em ferro depositada no mar. Ainda assim, trata-se de um cenário de forte estresse ambiental.

Não há estimativas consolidadas sobre número de mortes em um evento assim, porque os danos dependem do local do impacto, da profundidade do mar, da densidade populacional e do nível de preparo prévio. Os pesquisadores concordam, porém, que seria uma crise global.

Entre o alerta e o exagero

O caso Bennu ilustra um equilíbrio delicado entre transparência científica e risco de alarmismo. A circulação de vídeos e manchetes sensacionalistas em 2025 e 2026, frequentemente destacando só o número “2182”, levou muitos leitores a perguntar “quando o asteroide Bennu vai cair na Terra” como se o impacto fosse certo.

Os dados apontam o oposto: a melhor previsão disponível hoje indica uma probabilidade de impacto extremamente baixa, embora não nula. O monitoramento, longe de ser motivo para pânico, funciona justamente como ferramenta para reduzir o risco com décadas de antecedência.

Para o setor científico e tecnológico, Bennu se torna um laboratório de luxo. As amostras coletadas pela OSIRIS-REx ajudam a entender como asteroides se formam, como se fragmentam e como reagem à luz solar, informações que alimentam tanto a pesquisa básica quanto estratégias futuras de desvio. Para governos e agências espaciais, o caso reforça a necessidade de investimentos constantes em telescópios, radares e missões de teste.

A missão DART mostra que é possível mexer na órbita de um pequeno asteroide. As próximas décadas tendem a ver versões mais sofisticadas desse tipo de tecnologia, combinadas a sistemas globais de alerta precoce.

O horizonte de 2182 parece distante, mas a escala de tempo da defesa planetária é geracional. As decisões de pesquisa e investimento tomadas agora definem o grau de vulnerabilidade de quem estiver vivo no próximo século. O Bennu, silencioso em sua órbita, força a humanidade a planejar além de um mandato, de um orçamento anual ou mesmo de uma vida.

Quando o asteroide Bennu pode atingir a Terra?

Segundo os cálculos atuais, a maior probabilidade de impacto se concentra em 24 de setembro de 2182, ainda assim com chance baixa, de 1 em 2.700. No total, a probabilidade de Bennu colidir com a Terra até 2300 é de 0,057%.

Qual a data da maior aproximação do asteroide Bennu à Terra?

A passagem considerada mais crítica ocorre em 2135. Nesse ano, Bennu chega perto da Terra, sem risco de colisão, mas a interação gravitacional pode alterar levemente sua órbita e influenciar o risco para as décadas seguintes.

Qual é o tamanho e formato do asteroide Bennu?

Bennu tem cerca de 500 metros de diâmetro. As imagens da missão OSIRIS-REx mostram um corpo rochoso irregular, com aparência semelhante a um pião ou diamante arredondado, típico de asteroides formados por blocos de entulho aglutinados.

Qual a energia que o asteroide Bennu pode liberar em um impacto?

Em um cenário de colisão com a Terra, Bennu liberaria energia equivalente à explosão de 22 bombas nucleares de grande potência, suficiente para causar destruição regional severa e impactos climáticos globais.

O que se sabe sobre o risco de impacto do asteroide Bennu em 2182?

Para 24 de setembro de 2182, a chance de impacto é de aproximadamente 0,037%, ou 1 em 2.700. A maior parte das simulações indica que o asteroide não atingirá a Terra, mas o encontro de 2135 ainda pode alterar levemente sua órbita, motivo pelo qual o monitoramento continua.

O que foi encontrado no asteroide Bennu pelas missões da Nasa?

A missão OSIRIS-REx identificou Bennu como um asteroide rico em materiais primitivos, com rochas escuras e carbono, possivelmente contendo compostos orgânicos e minerais hidratados. As amostras trazidas em 2023 ainda estão em análise, ajudando a reconstruir a história do Sistema Solar e a entender melhor as propriedades físicas que influenciam sua órbita.


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