Botafogo vence Cienciano, cai na Sul-Americana e briga estoura
Botafogo bate Cienciano por 1 a 0 no Nilton Santos, mas é eliminado da Sul-Americana por 6 a 2 no agregado. Confusão com técnico argentino marca a noite.
Sul-Americana
Apesar da vitória no jogo de volta, Botafogo é eliminado no agregado e vive momentos de tensão com o técnico argentino.
O Botafogo derrota o Cienciano por 1 a 0 no Nilton Santos, nesta quinta-feira à noite, mas se despede da Sul-Americana com um 6 a 2 contra no placar agregado. A eliminação em casa, depois do desastre em Cusco, termina em confusão generalizada entre jogadores alvinegros e o técnico argentino Horacio Melgarejo.
Virada impossível e frustração no Nilton Santos
O cenário antes de a bola rolar já mostra o tamanho da missão. O Botafogo entra em campo às 21h30 precisando de seis gols para avançar direto ou cinco para levar a decisão aos pênaltis, após o 6 a 1 sofrido na altitude peruana. O gol solitário desta noite, diante de um público mobilizado por promoções de ingressos, soa mais como consolo do que como reação.
O time é comandado pelo interino Rodrigo Bellão, técnico do sub-20, promovido às pressas após a demissão de Franclim Carvalho na terça-feira. A direção tenta construir um clima de retomada, e o investidor da SAF, Gabriel de Alba, promete R$ 2 milhões em premiação se a vaga vier. O dinheiro, porém, permanece só na promessa.
O Botafogo escala força máxima. Warleson começa no gol; a linha defensiva reúne Alex Telles, Ferraresi, Justino e Vitinho. No meio, Huguinho, Medina, Danilo e Montoro tentam acelerar o jogo e municiar Danilo Pereira e Arthur Cabral no ataque. A ausência de Kaio Pantaleão, lesionado, limita opções defensivas.
Cienciano administra vantagem e avança
Do outro lado, o Cienciano entra em campo confortável. Com a vantagem de cinco gols construída em Cusco, a equipe peruana volta a exibir organização e frieza. Melgarejo arma o time com Falcón; Cabello, Amondarain, Becerra e Martinich; Arias, Romagnoli e Hohberg; Barreto, Souza e Garcés, que retorna após suspensão.
O Botafogo pressiona, cria chances e consegue furar o bloqueio, mas para por aí. O 1 a 0 não ameaça a classificação adversária, que caminha tranquila até o fim. O agregado de 6 a 2 confirma o Cienciano nas quartas de final e consolida a partida em Cusco como ponto de ruptura da campanha alvinegra na competição.
O resultado expõe o contraste entre as expectativas criadas no início da Sul-Americana, com uma primeira fase segura, e a realidade do mata-mata. A vantagem construída pelos peruanos se mostra inalcançável, e a reestruturação técnica em andamento no Botafogo pesa na reta decisiva.
Confusão após o apito e cobrança por respeito
O árbitro apita o fim do jogo, e a tensão se solta em segundos. Alex Telles e Marçal partem na direção de Melgarejo, de 53 anos, que recua até ser cercado por seguranças e encurralado em uma placa de publicidade. Policiais do Bepe entram em campo para conter o avanço dos jogadores e afastar o técnico do Cienciano.
A origem da irritação está em Cusco. Depois do 6 a 1, Melgarejo ironiza a goleada e minimiza o jogo de volta. “Podem me perguntar o que quiserem, menos por que não fizemos mais gols”, afirma, em tom de deboche, ao deixar o estádio peruano. As palavras atravessam o continente e inflamam o vestiário alvinegro.
Alex Telles revela a motivação da cobrança. “Cara, o futebol é jogado dentro das quatro linhas. Eles tiveram méritos, fizeram um grande jogo lá no Peru, e a gente não foi eficaz aqui, apesar de ter criado. Mas há coisas que passam pelo futebol e que requerem respeito”, diz o lateral. “Pelas declarações que ele teve lá, acho que foi muito infeliz. Então, a gente só quis cobrar esse respeito na nossa casa, porque não admite esse tipo de coisa.”
O jogador reforça o incômodo com o tom de soberba do argentino. “Acho que ele desrespeitou o Botafogo, e a gente não vai aceitar isso”, completa, ao explicar por que o grupo perde o controle após o apito final. A confusão só termina quando companheiros, seguranças e policiais se colocam entre os lados.
Silêncio de Melgarejo e pressão sobre o Botafogo
Na entrevista coletiva, Melgarejo evita ampliar a crise. Questionado sobre o motivo da briga, ele se esquiva. “Não vou responder porque está tudo gravado e eu não quero problemas”, afirma, encerrando o assunto sem pedido de desculpas ou gesto de conciliação.
A postura irrita ainda mais bastidores alvinegros e alimenta a sensação de desrespeito. A direção do Botafogo, porém, tenta conter o estrago. O clube sabe que a Conmebol pode analisar imagens, ouvir relatos da equipe de arbitragem e aplicar punições disciplinares a jogadores e até ao próprio Melgarejo, dependendo da interpretação sobre provocações e agressões.
O episódio expõe um ambiente emocionalmente abalado. O elenco lida ao mesmo tempo com a troca recente de comando, a eliminação continental e a reação pública a um treinador rival. A sensação interna é de que a frustração com a campanha se mistura a uma defesa da própria identidade do clube diante de uma noite marcada por ironias e queda.
Eliminação amplia dúvidas na SAF e muda foco para o Brasileiro
No campo esportivo e financeiro, o impacto é imediato. A queda nas oitavas impede o Botafogo de disputar fases mais rentáveis da Sul-Americana, reduz visibilidade internacional e frustra o plano de usar a competição como vitrine do projeto da SAF. Os R$ 2 milhões prometidos por Gabriel de Alba para uma classificação evaporam junto com a vaga.
A estratégia de premiação extra, pensada como gatilho de motivação, passa a ser vista com desconfiança por parte da torcida, que esperava mais resposta dentro de campo do que discursos de bastidor. O fracasso continental pressiona o investidor e a diretoria a mostrarem um plano mais sólido de fortalecimento do elenco e da comissão técnica.
Rodrigo Bellão, ainda interino, ganha tempo curto para reorganizar o time antes da retomada do Campeonato Brasileiro. A missão agora é evitar que a eliminação se transforme em espiral de crise, com queda de desempenho na liga nacional e aumento da contestação nas arquibancadas.
O Cienciano, por sua vez, volta ao Peru com um 6 a 2 no agregado que entra para a sua história recente. A classificação reforça a imagem de equipe competitiva em cenário continental e tende a atrair mais atenção da mídia e de patrocinadores. A tensão no Rio também alimenta uma rivalidade que pode reaparecer em futuros cruzamentos.
O episódio abre espaço para um debate mais amplo no futebol sul-americano sobre limites de provocação e responsabilidade de líderes em contextos de alta pressão. Para o Botafogo, o próximo capítulo passa por reconstruir confiança, definir um treinador efetivo e provar, no Brasileiro, que a noite de eliminação e briga não vira símbolo da temporada.
O que aconteceu na confusão entre jogadores e técnico argentino após Botafogo x Cienciano?
Após a vitória por 1 a 0 que não evitou a eliminação por 6 a 2 no agregado, jogadores do Botafogo, como Alex Telles e Marçal, partiram para cima do técnico Horacio Melgarejo, irritados com declarações irônicas dadas após o 6 a 1 em Cusco, e a confusão só cessou com intervenção de seguranças e policiais do Bepe.
Qual o impacto da derrota para o Cienciano na campanha do Botafogo na Sul-Americana?
A derrota por 6 a 2 no placar agregado nas oitavas de final encerra a campanha do Botafogo na Sul-Americana, frustra o plano de usar o torneio para consolidar o projeto da SAF, elimina a possibilidade de receber a premiação extra de R$ 2 milhões e aumenta a pressão esportiva e política sobre elenco, diretoria e investidor.


