Transparência — parte do conteúdo deste portal é produzida por inteligência artificial (WireDesk) e pode conter imprecisões; confira temas sensíveis em fontes oficiais. Política editorial →
powered by WireDesk ao vivo
Mercados
S&P 5007.682▼ 0,31%Nasdaq26.784▼ 0,57%Dow Jones51.264▼ 0,48%Ibovespa185.680▼ 0,07%FTSE 10010.721▲ 0,15%DAX25.369▼ 0,17%Nikkei65.514▲ 0,76%S&P 5007.682▼ 0,31%Nasdaq26.784▼ 0,57%Dow Jones51.264▼ 0,48%Ibovespa185.680▼ 0,07%FTSE 10010.721▲ 0,15%DAX25.369▼ 0,17%Nikkei65.514▲ 0,76%
Economia

Brasileiros são deportados dos EUA para África em segredo

Relatos de brasileiros enviados para Libéria e Guiné Equatorial expõem política dos EUA de deportar imigrantes para países terceiros, sem aviso ao Brasil e com violações de direitos.

07/09/2026 14:24 8 min de leitura
Transparência Esta matéria foi produzida com apoio de inteligência artificial e pode conter imprecisões. Confira temas sensíveis em fontes oficiais. Política editorial →

Imigração

Brasileiros enfrentam deportação sigilosa para países africanos, revelando práticas controversas dos EUA sem comunicação oficial.

Brasileiros que viveram anos nos Estados Unidos começam a ser deportados, em 2026, não para o Brasil, mas para países africanos como Libéria e Guiné Equatorial. Eles denunciam detenções prolongadas, falta de informação, uso de força e um destino em que permanecem vigiados e sem saber quando poderão sair.

De prisões nos EUA a um pouso inesperado na Libéria

A mineira Paola Santos, 21, passa cinco anos em Massachusetts, trabalhando com limpeza de obras, até ser detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Entrara ilegalmente pela fronteira com o México, mas vivia com uma permissão de trabalho aceita no estado onde morava.

Depois de uma blitz migratória, Paola é presa por 1 ano e 3 meses. Nesse período, circula por cadeias em Massachusetts, Connecticut, Vermont, Texas e Louisiana. Não recebe informação clara sobre o futuro. Duas semanas antes da reportagem ir ao ar, é colocada em um ônibus rumo a um aeroporto, sem saber o destino.

Ela lembra da última tentativa de arrancar alguma explicação de um agente. “Se você não me falar para onde você está me mandando, eu não irei descer do ônibus”, diz. A resposta vem em tom de ameaça: “Se você não descer por vontade própria, a gente vai ter que fazer uso de força”.

Paola embarca em um voo de 16 horas, com pés, mãos e cintura algemados. Só descobre onde está quando pisa no saguão. “Bem-vindos, vocês estão na Libéria”, anuncia a imigração local, segundo seu relato. O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, afirma não ter recebido qualquer notificação sobre o caso, nem das autoridades americanas nem da própria brasileira ou da família.

Deportação para terceiros países vira política oficial

O caso de Paola não é isolado. Sob a administração de Donald Trump, quase 25 mil pessoas são deportadas dos Estados Unidos não para seus países de origem, mas para terceiros países que firmam acordos com Washington e recebem milhões de dólares para acolhê-las.

Grande parte desses imigrantes tenta asilo alegando risco de violência ou perseguição política se voltar para casa. Em muitos processos, a Justiça americana impede o retorno ao país de origem por considerar que há ameaça concreta à vida ou à integridade. Para contornar essa barreira legal, o governo passa a despachar essas pessoas para outros territórios dispostos a recebê-las.

Na prática, cria-se um limbo. Brasileiros que fogem do crime, da perseguição ou da homofobia no Brasil acabam depositados em países da África com capacidade limitada e pouca transparência institucional. Em troca de recursos, essas nações assumem a responsabilidade por estrangeiros que chegam sem rede de apoio, sem documentos locais e sem garantia clara de direitos.

Hotel vigiado e hematomas na pista na Guiné Equatorial

O pernambucano Pietro Graza de Lima conhece em detalhes esse desvio de rota. Morador da Flórida, ele integra um grupo de deportados que segue primeiro para a Libéria. No pouso, resiste a sair do avião junto com outros quatro brasileiros. A reação provoca uma resposta violenta.

“Nós ficamos com hematomas no corpo, nos jogaram praticamente na pista do avião”, relata. Segundo ele, um representante da Libéria informa que o país não aceitará o grupo. A aeronave decola novamente, alimentando a esperança de retorno aos Estados Unidos. Em poucas horas, o plano muda de vez.

O avião pousa na Guiné Equatorial. No desembarque, o clima é de choque e medo. “Cerca de 10, 20 policiais encapuzados, com armas pesadas, estavam nos esperando. Esse foi o pior momento da minha vida”, conta Pietro. A conclusão do grupo é rápida: “A gente olhou um para o outro e falou: ‘Não adianta resistir’”.

Pietro é levado para um hotel semi-abandonado, apontado por agências internacionais como local que recebe suspeitos de contaminação por ebola e deportados pelo ICE. Ele e outros permanecem sob vigilância, sem liberdade de circulação e praticamente sem comunicação com o exterior. Não têm clareza sobre status migratório nem sobre quanto tempo permanecerão ali.

A trajetória que o leva até esse quarto em um país desconhecido começa em 2016, quando ele é preso no Recife por falsificação de anabolizantes. Em liberdade para aguardar sentença, sofre uma emboscada: leva sete tiros, que atribui a policiais corruptos. Foge para os Estados Unidos, entra com visto de estudante, trabalha como cozinheiro em Orlando, enfrenta problemas psiquiátricos, perde o passaporte e acaba preso pelo ICE.

No tribunal, diz temer ser assassinado se voltar ao Brasil. A juíza sugere o pedido de asilo, mas a estratégia não se sustenta. Em 2026, em vez de ser enviado ao país onde nasceu ou autorizado a permanecer, Pietro é encaixado na rota dos deportados para terceiros países.

O Itamaraty informa que só toma conhecimento da situação na Guiné Equatorial dias depois. Segundo o ministério, autoridades locais comunicam ao embaixador brasileiro que Pietro “está em boa situação de saúde, hospedado em hotel determinado pelas autoridades e que uma visita será facilitada nos próximos dias”. Na prática, o acesso consular ainda depende da boa vontade de um governo que até agora não explica o que pretende fazer com o grupo.

Brasil às cegas e comunidade migrante em alerta

A ausência de aviso formal dos Estados Unidos coloca a diplomacia brasileira em posição reativa. Sem informação prévia sobre quem está sendo deportado, para onde e em que condições, o Ministério das Relações Exteriores não consegue acompanhar o processo desde a prisão pelo ICE até o pouso em território africano.

Organizações de direitos humanos apontam violações que começam na detenção prolongada, passam pelo transporte algemado por horas e se estendem às condições de acolhimento. A política de enviar imigrantes rejeitados para terceiros países transfere responsabilidades humanitárias a governos com estruturas frágeis, ao mesmo tempo em que restringe o alcance do amparo consular.

Entre brasileiros que vivem nos Estados Unidos, os relatos circulam com rapidez. Quem aguarda julgamento de asilo ou vive em situação irregular teme ser surpreendido por uma ordem de detenção seguida de deportação para um continente onde nunca pôs os pés. O recado político é claro: resistir ao retorno forçado pode significar ser despachado para um lugar ainda mais incerto.

Casos como o de Alex Pereira Alves, que tenta, da prisão em Adelanto, na Califórnia, ser enviado ao Brasil em vez de à Guiné Equatorial, reforçam a sensação de vulnerabilidade. Gay, ele pede asilo dez anos antes, dizendo sofrer perseguição no país de origem. Em 2026, vê o processo se inverter: passa de solicitante de proteção a alvo de uma rota de deportação pouco transparente.

Pressão diplomática e um precedente perigoso

Especialistas em migração enxergam nas deportações para a África um teste de limites. Ao firmar acordos com mais de 35 países, o governo Trump cria, segundo a advogada Savi Arvey, da organização Human Rights First, uma “tática de medo” que atinge não só quem é expulso, mas também quem ainda está nos Estados Unidos. Ela afirma que a estratégia busca “minar o sistema global de proteção” e coagir imigrantes a se autodeportarem, com o receio de terminar em “um país qualquer”.

Para os brasileiros já deportados, o futuro imediato é uma incógnita. Na Libéria, Paola tenta construir uma rotina forçada. Frequenta a piscina do hotel, caminha até uma praia próxima, procura formas de fazer o tempo passar. Sem saber quando ou se poderá deixar o país, olha para trás sem renegar o que viveu na América. “Eu tinha uma vida boa, vivia tranquilamente, ajudava minha mãe. Essa é a parte que eu não me arrependo nunca”, diz.

No campo diplomático, o Brasil deve ser pressionado a cobrar transparência dos Estados Unidos e garantias mínimas dos países africanos que recebem seus cidadãos. A manutenção dos acordos americanos com governos de infraestrutura precária e regimes pouco abertos tende a acender alertas também em organismos internacionais. Enquanto as negociações avançam lentamente, a vida de quem está do outro lado do oceano segue suspensa, entre quartos de hotel vigiados e um passaporte que, por ora, não abre porta alguma.

Por que brasileiros estão sendo deportados dos EUA para países africanos?

Porque, em muitos casos, a Justiça americana impede o retorno ao Brasil por risco à segurança, e o governo dos EUA opta por enviá-los a terceiros países que aceitam receber deportados em troca de recursos financeiros.

Como foi a experiência da brasileira que ficou algemada por 16 horas durante a deportação?

Paola Santos relata que passou 16 horas em um voo, com pés, mãos e cintura algemados, sem saber o destino. Só descobriu que estava na Libéria ao desembarcar, após ser ameaçada com uso de força se recusasse a embarcar.

O que levou dois brasileiros a serem deportados dos Estados Unidos para a África?

Paola entrou ilegalmente nos EUA, teve o pedido de permanência negado e foi enviada à Libéria. Pietro, que pediu asilo por temer ser morto no Brasil, também teve o pedido rejeitado e acabou enviado primeiro à Libéria e depois à Guiné Equatorial, dentro da política americana de deportações para terceiros países.


Economia
Publicidadeinarticle
Leia também