Corpo achado em Angra pode encerrar mistério de Berenice
Corpo feminino encontrado em mata de Angra dos Reis pode ser da cozinheira Berenice, desaparecida desde 30 de junho em Ubatuba. Polícia trabalha com hipótese de homicídio.
Desaparecimento
Investigação avança com descoberta de corpo que pode ser da cozinheira desaparecida desde junho.
Um corpo feminino é encontrado na tarde de 17 de julho de 2026 em uma encosta de mata em Angra dos Reis (RJ). A Polícia Civil suspeita que seja da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, desaparecida desde 30 de junho em Ubatuba, litoral norte de São Paulo.
Corpo preso em árvore e resgate por rapel
A localização do cadáver muda o rumo do caso que mobiliza duas semanas de buscas em três estados. O corpo aparece em uma área conhecida como Serra d’Água, às margens da Estrada de Lídice, próximo à RJ-155, que liga Barra Mansa a Angra dos Reis.
Segundo a investigação, o corpo está a cerca de 30 metros abaixo da estrada, preso a uma árvore em terreno íngreme e escorregadio. A posição impede a aproximação a pé. Equipes chamam o Corpo de Bombeiros, que inicia o planejamento de um resgate por rapel para liberar o acesso dos peritos.
A operação dura cerca de 2 horas e 30 minutos e mobiliza nove policiais do Grupo de Pronta Resposta do 3° BAEP, unidade de ações especiais de São José dos Campos, e quatro policiais civis. O delegado André Luiz Matera Costilhas, que conduz o inquérito na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Sebastião, afirma que o trabalho se guia por uma hipótese clara. “A principal linha de trabalho da polícia é que o corpo seja o da cozinheira”, diz.
Da cozinha em Ubatuba à mata em Angra
Berenice some em 30 de junho, depois de sair do restaurante onde trabalha, no bairro Ubatumirim, em Ubatuba. A última pessoa a estar com ela, segundo a polícia, é a patroa, a comerciante Eliane Alves dos Santos, de 46 anos.
Eliane conta à família e, depois, à polícia, que leva a funcionária até um ponto de ônibus após uma rescisão amigável, paga R$ 2,6 mil e a deixa a caminho de um novo emprego na Praia das Toninhas. Em áudio obtido pela Rede Vanguarda, o filho da cozinheira, José Carlos de Faria, pressiona a empresária.
“O que aconteceu? Porque minha mãe sumiu”, pergunta ele. Eliane responde: “Ela não chegou ainda? Ela saiu daqui falando que ia para Toninhas. Ela tinha um trabalho lá.”
Os dias passam sem contato de Berenice. A família registra o desaparecimento. O caso, antes tratado como sumiço, passa a ser investigado como possível homicídio. A polícia vasculha imóveis ligados à patroa, apreende a caminhonete e celulares, recolhe armas registradas e levanta denúncias de agressões e humilhações contra a cozinheira.
Rota contestada e vestígios de sangue
As contradições de Eliane ganham peso com a análise de câmeras de segurança e radares. Em vez de retornar para casa em Ubatuba, a caminhonete segue pela Estrada do Pasto Grande, cruza a divisa paulista e avança em direção a Paraty e Angra dos Reis. O trajeto coincide com a área em que, dias depois, o corpo aparece.
Na caminhonete, cães farejadores indicam pontos de interesse. Peritos aplicam luminol, reagente químico que acende um brilho azul ao reagir com sangue, mesmo depois de limpezas. O teste mostra maior concentração de vestígios no banco do carona, onde Berenice teria viajado. Os laudos definitivos ainda não saem, mas o delegado aponta que a evidência reforça a suspeita de violência dentro do veículo.
Investigadores também localizam o celular de Eliane em um terreno baldio perto da casa dela. O aparelho está resetado, com dados apagados. A polícia vê ali uma tentativa de destruir provas e reforça o pedido de prisão temporária da comerciante, decretada em 10 de julho.
Com a nova classificação do caso como homicídio, as buscas se ampliam. Equipes percorrem áreas entre Ubatuba, Cunha, Paraty e Angra dos Reis, guiadas por informações de tráfego, antenas de celular e conhecimento de estradas secundárias usadas por quem cruza a divisa entre São Paulo e Rio.
Identificação e efeito jurídico do achado
A descoberta do corpo em Serra d’Água representa o ponto mais sensível da investigação. A perícia trabalha para confirmar a identidade por meio de exames de arcada dentária e, se necessário, análise genética. Só depois dessa etapa a polícia pretende detalhar o estado em que o cadáver foi encontrado.
A confirmação de que se trata de Berenice muda a natureza do inquérito. O desaparecimento de uma trabalhadora doméstica de 60 anos nas mãos da própria empregadora passa a ser, formalmente, um caso de homicídio qualificado em investigação. O Ministério Público pode receber o material ainda durante o prazo da prisão temporária de Eliane e avaliar um pedido de prisão preventiva e apresentação de denúncia.
A DIG de São Sebastião apura se a comerciante age sozinha ou conta com ajuda para transportar e ocultar o corpo em área tão isolada. A topografia da Serra d’Água, a 30 metros abaixo da estrada, sugere a necessidade de conhecimento prévio do terreno ou de apoio logístico. A Polícia Civil não confirma suspeitos adicionais, mas fala em “testemunhas estratégicas” ainda a ouvir.
O caso também expõe a vulnerabilidade de trabalhadores domésticos e de cozinha, muitas vezes empregados sem proteção formal e sujeitos a relações de poder desiguais. Relatos de que Berenice é acusada sem provas de tirar mercadorias do estabelecimento reforçam o ambiente de conflito que antecede o desaparecimento.
Pressão social e próximos passos
O áudio em que José Carlos cobra explicações da patroa circula em redes sociais e amplia a pressão pública por respostas. A família alterna entre a esperança de um desfecho e o sofrimento diante da possibilidade de que o corpo em Angra seja, de fato, o de Berenice.
Enquanto aguarda o laudo de identificação, a polícia segue com diligências em endereços ligados à suspeita e em outros pontos do trajeto até Angra dos Reis. Peritos analisam vestígios colhidos no veículo, no terreno onde o celular de Eliane foi encontrado e no entorno da área de mata.
O avanço da investigação pode influenciar discussões sobre segurança de trabalhadores domésticos e condições de trabalho em pequenos comércios, especialmente em cidades turísticas como Ubatuba. Organizações de direitos humanos acompanham o caso e avaliam pedir protocolos mais rígidos de proteção para funcionárias idosas em relações de dependência econômica.
Os próximos dias serão decisivos. A confirmação científica da identidade, a conclusão dos laudos de sangue e o cruzamento de dados telefônicos e de deslocamento devem definir se Eliane será formalmente acusada de homicídio. O desfecho tem potencial para marcar um precedente na apuração de casos de violência contra trabalhadores em contextos domésticos e de pequena empresa.
O que aconteceu com a cozinheira Berenice?
Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, desaparece em 30 de junho de 2026 após sair do restaurante onde trabalhava em Ubatuba. Ela é vista pela última vez ao lado da patroa, que afirma tê-la deixado em um ponto de ônibus rumo a outro emprego. A polícia contesta essa versão e, após 17 dias de buscas, encontra um corpo feminino em Angra dos Reis, suspeito de ser da cozinheira.
Onde foi encontrado o corpo que pode ser de Berenice?
O corpo é localizado em uma área de mata na localidade de Serra d’Água, às margens da Estrada de Lídice, em Angra dos Reis (RJ), próximo à rodovia RJ-155. O cadáver está a cerca de 30 metros abaixo da estrada, preso a uma árvore em terreno íngreme.
Como a polícia identificará se o corpo encontrado é de Berenice?
A identificação depende de exames periciais. Peritos devem analisar características físicas e a arcada dentária e, se necessário, realizar comparação genética com familiares, por meio de exame de DNA. Só depois desses laudos a polícia poderá confirmar oficialmente se o corpo é de Berenice.
Qual a relação entre a patroa de Berenice e o desaparecimento da cozinheira?
Eliane Alves dos Santos, de 46 anos, é a última pessoa conhecida a estar com Berenice e afirma tê-la deixado em um ponto de ônibus rumo a um novo emprego. A investigação aponta contradições nessa versão, mostra que o carro da patroa segue para o Rio de Janeiro e encontra vestígios de sangue no banco do carona. Ela está presa temporariamente desde 10 de julho, suspeita de envolvimento no desaparecimento e possível homicídio.
Quais as próximas etapas da investigação do caso Berenice?
A polícia aguarda o laudo de identificação do corpo e os resultados das perícias de sangue na caminhonete e em demais vestígios. Investigadores devem ouvir novas testemunhas, analisar dados de celulares e do trajeto do veículo e definir se pedem a conversão da prisão temporária de Eliane em preventiva. Confirmado o homicídio, o inquérito pode ser encaminhado ao Ministério Público para eventual denúncia.
Onde estavam sendo feitas as buscas por Berenice antes do corpo ser encontrado?
As buscas se concentram em áreas entre Ubatuba, Cunha, Paraty e Angra dos Reis, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O planejamento leva em conta o trajeto registrado da caminhonete da patroa, dados de radares e câmeras de segurança, além de informações levantadas durante as diligências.


