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Datafolha segundo turno: Flávio lidera Lula por 4 pontos em 2026

Pesquisas Datafolha e AtlasIntel mostram Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula no segundo turno presidencial, em cenário de vantagem apertada e eleitorado já decidido.

09/10/2026 08:00 7 min de leitura
Datafolha segundo turno: Flávio lidera Lula por 4 pontos em 2026
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Eleições 2026

Levantamentos indicam vantagem estreita de Flávio Bolsonaro sobre Lula em cenário de segundo turno presidencial.

Flávio Bolsonaro (PL) aparece hoje numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo segundo turno presidencial, segundo levantamentos nacionais dos institutos Datafolha e AtlasIntel. Os dados indicam vantagem do senador em votos válidos e totais, mas com margem apertada e cenário ainda considerado competitivo.

Datafolha aponta disputa no limite da margem

A primeira pesquisa Datafolha deste segundo turno, feita com 2.520 entrevistados em todo o país, mostra Flávio com 49% das intenções de voto totais e Lula com 45%. Em votos válidos, quando se excluem brancos, nulos e indecisos, o quadro sobe para 52% a 48% a favor do candidato do PL.

O instituto registra margem de erro de 2 pontos percentuais. Na própria avaliação técnica do Datafolha, “a distância de quatro pontos entre eles configura um empate técnico no limite da margem de erro, com maior probabilidade de Flávio Bolsonaro estar à frente”. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-0949/2026.

O retrato do eleitorado indica um quadro bastante consolidado. Segundo o instituto, 94% dos entrevistados dizem estar totalmente decididos sobre o voto. Além disso, “76% dos eleitores afirmam que vão votar no seu candidato porque acham que ele é a melhor opção”, sinalizando espaço limitado para viradas de última hora baseadas apenas em rejeição ao adversário.

Os dados revelam um país segmentado por renda, religião e região. Flávio concentra sua principal força entre evangélicos, onde atinge 69% das intenções de voto, e na região Sul, com 58%. Lula preserva vantagem entre eleitores com ensino fundamental (55%), com renda de até dois salários mínimos (52%), entre católicos (53%) e no Nordeste, onde chega a 61%.

AtlasIntel vê vantagem mais folgada para o senador

Uma segunda pesquisa, da AtlasIntel, publicada hoje, aprofunda a sensação de favoritismo momentâneo do candidato do PL. O instituto ouviu 5.026 eleitores entre os dias 3 e 8 de outubro, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-03663/2026.

Neste levantamento, “o parlamentar do PL tem 52,8% das intenções de votos, enquanto o petista aparece com 47,2%” em votos válidos. A diferença de 5,6 pontos percentuais coloca a vantagem de Flávio Bolsonaro fora da margem de erro estatística. Em votos totais, o quadro é de 51,1% para Flávio, 45,7% para Lula, e 3,2% distribuídos entre brancos, nulos e indecisos.

A AtlasIntel também mede o humor do eleitorado em relação ao governo. De acordo com o instituto, a “aprovação do governo Lula é majoritariamente desaprovada, chegando a 53,4%”. Esse desgaste funciona como pano de fundo da campanha, oferecendo munição à oposição e pressionando o Planalto a reforçar a entrega de resultados concretos e a defesa do legado do presidente.

O mesmo levantamento testa a confiança dos eleitores na capacidade dos candidatos de administrar diferentes áreas da máquina pública. Flávio lidera em 11 dos 13 setores avaliados e empata em outros dois, o que alimenta o discurso de que teria melhor preparo para lidar com temas como economia, segurança pública e políticas sociais, frente à percepção negativa de parte do eleitorado sobre a atual gestão.

Agregador consolida liderança, mas expõe volatilidade

O movimento captado por Datafolha e AtlasIntel aparece também no agregador de pesquisas mantido pela BBC News Brasil, que combina estatisticamente resultados de vários institutos nacionais registrados no TSE desde o início do ano. A ferramenta indica que “o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil confirma a liderança de Flávio Bolsonaro por cerca de quatro pontos percentuais”.

O modelo funciona como uma média ponderada dos levantamentos, suavizando oscilações de curto prazo e dando mais peso a pesquisas recentes e com amostras mais robustas. A leitura atual é de um favoritismo moderado do senador, mas sem caracterizar cenário resolvido. O próprio agregador ressalta que mede o estado da opinião pública hoje e não prevê, por si só, o resultado do segundo turno.

A fotografia é a de um país dividido e pouco permeável a mudanças abruptas. A pesquisa Datafolha mostra que 46% dos eleitores rejeitam exclusivamente Lula, enquanto 43% rejeitam apenas Flávio Bolsonaro. Esse patamar de rejeição próxima a 45% para ambos os lados reduz a margem de manobra para conquistar voto “por simpatia” e amplia o peso do voto “contra o outro”, ainda que esse grupo seja minoritário.

Estratégias de campanha e disputa por eleitor volátil

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as campanhas entram na reta decisiva diante de um eleitorado já amplamente definido. Cerca de 19% dos entrevistados no Datafolha afirmam votar principalmente para derrotar o adversário, e não por entusiasmo pelo próprio candidato, o que transforma erros de estratégia ou falhas de comunicação em riscos imediatos.

Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que os números reforçam a narrativa de virada em relação ao primeiro turno e consolidam o senador como favorito momentâneo. A tendência é usar as pesquisas para fortalecer sua imagem de liderança e de gestor supostamente mais confiável em áreas sensíveis como segurança e economia, reforçando laços com o eleitorado evangélico e com o Sul e tentando avançar sobre parte do Centro-Oeste e do Sudeste.

No campo governista, a missão é frear a erosão e reativar a máquina de mobilização que já se provou eficiente em disputas anteriores. A prioridade é maximizar o comparecimento no Nordeste, manter a vantagem entre eleitores de renda mais baixa e escolaridade fundamental e reduzir a rejeição em centros urbanos onde o desgaste com a economia e a segurança pesa mais.

As duas campanhas também miram os eleitores que apoiaram outros candidatos no primeiro turno. O Datafolha mostra que 46% dos votos de nomes como Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Caiado (PSD) e Zema (Novo) migram hoje para Flávio Bolsonaro, enquanto 32% vão para Lula e 15% se dispersam em branco ou nulo. Essa engenharia de transferência de votos guia negociações políticas, acenos públicos e acordos regionais.

Rejeição alta mantém segundo turno em aberto

Apesar da vantagem numérica do senador, a combinação de margens apertadas, rejeição elevada dos dois lados e o fato de ainda haver pequenos bolsões de eleitores indecisos ou dispostos a mudar de voto impede qualquer sensação de jogo decidido. Pesquisadores reforçam que mesmo índices de 94% de decisão podem mascarar mudanças de última hora motivadas por escândalos, desempenho em debates ou fatos econômicos relevantes.

O clima de polarização também afeta a participação. Setores políticos e econômicos ligados às bases de ambos os candidatos tendem a intensificar mobilizações e investimentos nas próximas semanas, com foco em transporte de eleitores, comunicação segmentada por redes sociais e atuação em templos religiosos, sindicatos, associações comunitárias e entidades empresariais.

Os próximos dias devem ser marcados por novos levantamentos, divulgação de programas detalhados, ofensivas publicitárias e maior tensão nos debates. Cada pesquisa divulgada até o dia 25 de outubro tende a ser disputada na narrativa pública como prova de “onda” ou de “virada”, enquanto o eleitor, pressionado por mensagens conflitantes, decide se confirma sua escolha ou se rompe as expectativas estatísticas na hora do voto.

Flávio Bolsonaro já pode ser considerado favorito absoluto?

Flávio Bolsonaro lidera hoje por 4 pontos no Datafolha e por 5,6 pontos na AtlasIntel, com vantagem consolidada também no agregador da BBC, mas não pode ser tratado como favorito absoluto porque as margens são relativamente estreitas, a rejeição de ambos é alta e ainda há tempo para fatos novos até 25 de outubro.

Por que Datafolha fala em empate técnico se Flávio aparece na frente?

O Datafolha mostra Flávio com 49% e Lula com 45%, diferença de 4 pontos, e considera esse quadro empate técnico porque a margem de erro é de 2 pontos percentuais, o que cria uma faixa estatística onde os percentuais reais podem se sobrepor, embora o próprio instituto admita maior probabilidade de Flávio estar à frente.


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