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Dinheiro esquecido cai a R$ 6,24 bi após uso em Desenrola

Banco Central atualiza para R$ 6,241 bilhões o volume de dinheiro esquecido em instituições financeiras. Parte do saldo financia o Desenrola 2.0 e é alvo do TCU.

15/07/2026 10:07 7 min de leitura
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Saldo de dinheiro esquecido em bancos diminui após aplicação em programa social e gera questionamentos no TCU.

O Banco Central informa nesta terça-feira (14) que ainda há R$ 6,241 bilhões em dinheiro esquecido em instituições financeiras, com dados atualizados até maio de 2026. Parte desse saldo, cerca de R$ 5,7 bilhões, já foi transferida para o Fundo Garantidor de Operações (FGO) para sustentar o programa Desenrola 2.0.

Saldo menor, apetite maior

O novo balanço do Sistema de Valores a Receber (SVR) mostra uma queda expressiva em relação a março, quando os recursos esquecidos somavam R$ 10,6 bilhões. A diferença se explica pela transferência ao FGO, prevista na lei 14.973/2024, em pleno ano eleitoral e sob forte pressão do limite de gastos.

O movimento abre uma janela de oportunidade para milhões de pessoas físicas e empresas que ainda podem resgatar valores, mas acende alerta sobre o uso de recursos fora do orçamento federal. Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) apuram se a manobra respeita as regras fiscais e de transparência.

“O volume de dinheiro esquecido em bancos, consórcios, cooperativas e outras instituições financeiras caiu para R$ 6,24 bilhões em maio”, afirma o Banco Central. Desde a criação do sistema, a autoridade monetária já devolve R$ 15,47 bilhões aos titulares.

Quem tem dinheiro a receber

O dinheiro esquecido ainda disponível se reparte entre 24.080.039 pessoas físicas e 2.274.851 empresas. No total, R$ 4.437.422.917,99 pertencem a clientes pessoa física e R$ 1.804.196.767,06 estão em nome de pessoas jurídicas.

Os bancos concentram a maior fatia do estoque, com R$ 2,91 bilhões. Administradoras de consórcio respondem por R$ 2,25 bilhões, seguidas por cooperativas de crédito (R$ 586,7 milhões), instituições de pagamento (R$ 311,5 milhões) e financeiras (R$ 106,3 milhões). Corretoras, distribuidoras e outras instituições somam valores menores.

A maior parte dos beneficiários tem pouco a receber. Segundo o Banco Central, 67,6% dos titulares possuem até R$ 10 disponíveis. Apenas 2,46% contam com mais de R$ 1.000 para resgatar. O quadro ajuda a explicar por que tantos recursos permanecem parados: muitos donos sequer sabem que têm esse dinheiro ou consideram o valor irrelevante.

Desenrola 2.0 entra no caminho

O governo decide, em maio, usar o dinheiro esquecido para turbinar a nova fase do Desenrola, voltada à renegociação de dívidas com descontos. A transferência de aproximadamente R$ 5,7 bilhões para o FGO fortalece a garantia oferecida a bancos e demais credores que aderem ao programa.

Na prática, o FGO funciona como um colchão de segurança para eventuais calotes nas operações renegociadas. “Os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro. Haverá segregação de 10% do saldo transferido que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate [pelos correntistas]”, afirma o governo federal.

A escolha por esse tipo de fonte reduz a necessidade de cortar outras despesas do orçamento da União, já pressionado pelo novo regime fiscal. Como o dinheiro esquecido não passa pelo Orçamento Geral, fica fora do limite de gastos que restringe o crescimento real das despesas a 2,5% ao ano.

O arranjo, porém, entra na mira do TCU. “O caso entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU). Técnicos do tribunal apuram o uso de recursos para programas federais por fora do orçamento público”, registra o portal G1. A investigação pode resultar em recomendações, ajustes na norma ou até sanções, se houver entendimento de irregularidade.

Direitos preservados, mas com fricção

O Banco Central insiste que o uso do dinheiro não anula o direito de resgate pelos titulares. O compromisso é manter recursos suficientes para todos que decidam buscar o valor esquecido, ainda que parte do saldo esteja comprometida com o FGO.

“A consulta e solicitação de devolução para pessoas físicas, falecidas ou jurídicas devem ser feitas exclusivamente pelo site oficial do Banco Central”, reforça a instituição. O endereço é o valoresareceber.bcb.gov.br, único canal autorizado para verificar e pedir a devolução.

O acesso exige CPF ou CNPJ, dados pessoais e login com conta Gov.br de nível prata ou ouro. Para receber o dinheiro, o usuário precisa indicar uma chave Pix, que é um apelido usado para identificar a conta bancária, como CPF, e-mail ou telefone. Quem não tem chave Pix deve procurar diretamente a instituição financeira e combinar outra forma de pagamento.

Clientes que usam o CPF como chave Pix podem simplificar ainda mais o processo. “Clientes que utilizam o CPF como chave Pix podem ativar o resgate automático, modalidade em que o dinheiro é transferido diretamente pela instituição financeira, sem necessidade de nova solicitação”, afirma o Banco Central. A funcionalidade tende a beneficiar sobretudo quem tem valores pequenos.

No caso de pessoas falecidas, herdeiro, inventariante, representante legal ou beneficiário em testamento precisa usar a própria conta Gov.br, preencher um termo de responsabilidade e informar os dados do falecido. A etapa seguinte é negociar com a instituição detentora do recurso, respeitando o andamento do inventário ou da partilha.

Transparência em teste

O uso de dinheiro esquecido para bancar garantias do Desenrola 2.0 reduz a pressão sobre o caixa da União e agrada a área econômica, que evita bloquear mais despesas em ano eleitoral. O governo já anuncia, neste ano, o congelamento de R$ 23,7 bilhões no orçamento de ministérios para cumprir o limite de gastos.

Os auditores do TCU agora avaliam se a estratégia esvazia o controle do Congresso sobre o gasto público e se abre espaço para programas financiados por fora do fluxo orçamentário tradicional. O julgamento tende a influenciar decisões futuras sobre outras “fontes alternativas” de financiamento.

Para os correntistas, o efeito mais imediato é a possibilidade de reforçar o orçamento doméstico com valores que, em muitos casos, se resumem a alguns reais. O desafio do Banco Central é transformar o estoque ainda expressivo de R$ 6,241 bilhões em depósitos efetivos, mantendo a confiança na gestão dos recursos.

As próximas atualizações do SVR vão mostrar se a combinação de resgate automático, divulgação periódica e pressão institucional sobre o uso dos valores esquecido consegue acelerar a devolução. O debate sobre transparência e controle fiscal deve seguir no centro da disputa política até o fim do ano eleitoral.

Como consultar dinheiro esquecido pelo CPF no Banco Central?

A consulta é feita apenas em valoresareceber.bcb.gov.br. Informe o CPF, faça login com conta Gov.br nível prata ou ouro e veja se há valores disponíveis.

Quem pode resgatar dinheiro esquecido no Banco Central?

Pessoas físicas, inclusive com contas encerradas, empresas com CNPJ ativo ou inativo e, no caso de falecidos, herdeiros, inventariantes, representantes legais ou beneficiários em testamento.

Como resgatar o dinheiro esquecido disponível no Banco Central?

Após a consulta no site do SVR, selecione a instituição com valores a receber e informe uma chave Pix para transferência. Sem Pix, é preciso negociar diretamente com a instituição financeira.

O que é o fundo Desenrola para onde o dinheiro esquecido está sendo enviado?

É o Fundo Garantidor de Operações (FGO), que oferece garantia a bancos e outras instituições nas renegociações de dívidas do Desenrola 2.0, cobrindo eventuais calotes.

Como consultar dinheiro esquecido de pessoas falecidas?

O herdeiro ou representante acessa o site do SVR com a própria conta Gov.br, informa o CPF do falecido, preenche termo de responsabilidade e segue as orientações para contato com as instituições.

Quem trabalhou entre 1971 e 1988 ainda tem dinheiro esquecido para receber?

O período de 1971 a 1988 está ligado ao antigo PIS/Pasep, que não faz parte do SVR. A consulta desse tipo de recurso ocorre em canais específicos da Caixa e do Banco do Brasil, não no sistema de valores a receber do Banco Central.


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