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Economia

Dólar cai a R$ 4,98 e Ibovespa rompe 200 mil após 1º turno

Dólar recua 4,36% e fecha abaixo de R$ 5, enquanto o Ibovespa salta 4,21% e atinge 200 mil pontos após Flávio Bolsonaro liderar o 1º turno de 2026.

05/10/2026 10:21 7 min de leitura
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Economia

Mercado financeiro reage positivamente ao resultado do primeiro turno das eleições de 2026, com queda do dólar e alta do Ibovespa.

O dólar comercial cai 4,36% para R$ 4,9875 e o Ibovespa salta 4,21%, a 200 mil pontos, na segunda-feira, 5 de outubro de 2026. A reação segue o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mercado reage à liderança de Flávio e ao novo Senado

O desempenho firme de Flávio Bolsonaro nas urnas e a força do PL no Senado mudam, em poucas horas, o humor dos investidores sobre o Brasil. O senador termina o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, diferença próxima de 2 pontos percentuais.

O Partido Liberal se consolida como maior bancada da Casa, elegendo 19 senadores e elevando sua representação de 15 para 28 parlamentares a partir de fevereiro de 2027. O avanço da sigla alimenta a leitura de um Congresso mais receptivo a reformas fiscais e a uma agenda econômica liberal.

No câmbio, o reflexo é imediato. O dólar hoje perde a marca psicológica dos R$ 5 e encerra a sessão a R$ 4,9875, devolvendo parte da alta acumulada em semanas de incerteza eleitoral. O real lidera o ganho entre as 30 moedas mais negociadas no mundo.

Bolsa dispara e grandes ações puxam rali

Na Bolsa, o movimento é de rali, mas com seletividade. O Ibovespa hoje sobe 4,21% e alcança pela primeira vez os 200 mil pontos, marco simbólico para o mercado de ações brasileiro. O avanço se concentra em grandes empresas de commodities e bancos, beneficiadas pela expectativa de maior disciplina fiscal.

As ações da Petrobras sobem 4,68% (ordinárias, PETR3) e 5,32% (preferenciais, PETR4). Vale (VALE3) avança 1,53%. Entre os bancos, Itaú (ITUB4) dispara 7,63%, Banco do Brasil (BBAS3) ganha 8,35%, enquanto Bradesco sobe 8,38% nas ações ordinárias (BBDC3) e 9,05% nas preferenciais (BBDC4).

Analistas destacam que parte do movimento vinha se formando na semana anterior, mas a votação forte da oposição amplia o apetite ao risco. “O mercado passa a atribuir uma probabilidade maior de alternância de poder e, junto com ela, uma possibilidade maior de mudança na condução fiscal a partir de 2027”, afirma Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.

O impacto não fica restrito à B3. No pré-mercado de Nova York, o ETF EWZ, que reúne ações brasileiras, avança 11,81%. O iShares MSCI Brazil também sobe mais de 12%, enquanto um ETF de Brasil negociado no Japão registra alta de 14%. A forte procura por papéis brasileiros no exterior escancara a entrada de capital estrangeiro e reforça a queda do dólar hoje frente ao real.

Juros despencam e reforçam aposta em ajuste fiscal

No mercado de renda fixa, a mensagem é parecida. Os juros futuros caem mais de 6% nos vencimentos intermediários e longos, indicando menor percepção de risco para o país nos próximos anos. A taxa de câmbio mais baixa e a possibilidade de um governo comprometido com o ajuste das contas públicas sustentam o movimento.

Para Saravalle, o comportamento da curva de juros será o principal teste da durabilidade dessa euforia. “Este será o sinal para distinguir um simples rali eleitoral do começo de uma reprecificação estrutural do mercado brasileiro”, diz.

A leitura dominante entre gestores é que Flávio Bolsonaro, se eleito, tende a adotar postura mais rígida com o gasto público do que o governo atual. Investidores também veem um Congresso mais conservador como obstáculo a iniciativas de aumento de despesa permanente.

O senador explora esse sentimento. Em discurso após o resultado, classifica a votação como um divisor de águas. “O resultado das urnas decreta o fim da era PT”, afirma. Em seguida, promete uma agenda acelerada. “Só precisarei de um mandato para resolver os problemas do país”, diz.

Lula reage ao revés inicial com o anúncio de uma campanha intensiva até o segundo turno, marcado para 25 de outubro. O PT tenta mobilizar sua base e ampliar votos no Nordeste, enquanto a campanha de Flávio mira o centro e o eleitor mais preocupado com inflação e emprego.

Quem ganha, quem perde e o que pode vir pela frente

O rali abre espaço para ganhos expressivos em setores ligados ao ciclo econômico, como bancos e grandes exportadoras. A queda do dólar hoje reduz custos de importação, pode aliviar pressões inflacionárias e tende a melhorar a percepção de solvência do país, o que beneficia empresas com financiamento em dólar.

Ao mesmo tempo, o ambiente de maior rigor fiscal esperado para 2027 não é neutro. Fernando Siqueira, head de research da Eleven, aponta que parte do ajuste recai justamente sobre companhias mais frágeis. “Na Bolsa, impacto maior em empresas de menor qualidade: small caps, empresas endividadas e com resultados fracos”, afirma.

Essas empresas podem enfrentar custo de capital ainda elevado e uma seletividade maior dos investidores, mesmo com juros futuros em queda. O dinheiro novo que entra parece preferir negócios sólidos, com geração de caixa robusta e governança consolidada.

O movimento atual também se encaixa em um padrão observado em pleitos recentes. Levantamento de Einar Ribero, da Elos Ayta Consultoria, mostra que, nas últimas três eleições presidenciais, o Ibovespa sobe mais de 4% na segunda-feira seguinte ao primeiro turno. A maior alta em duas décadas ocorre em 2022, quando o índice avança 5,54%, acompanhado de queda de 3,82% do dólar ptax.

Desta vez, a combinação de Ibovespa acima de 200 mil pontos, dólar hoje abaixo de R$ 5 e juros futuros em queda indica algo além de alívio momentâneo. Analistas falam em reprecificação estrutural, mas lembram que a trajetória até o segundo turno deve ser marcada por sobressaltos, pesquisas diárias e discursos econômicos calibrados ao gosto do mercado.

Até 25 de outubro, investidores monitoram promessas de ajuste fiscal e sinalizações sobre a equipe econômica de cada candidato. O desfecho do segundo turno define se a arrancada de hoje será apenas um parêntese eleitoral ou o início de um ciclo de valorização mais longo para a Bolsa brasileira e de um real estruturalmente mais forte frente ao dólar.

Qual foi o impacto do resultado do primeiro turno das eleições no dólar hoje?

O dólar comercial recuou 4,36% e fechou cotado a R$ 4,9875, abaixo de R$ 5, refletindo maior confiança dos investidores após a liderança de Flávio Bolsonaro.

Por que o dólar caiu abaixo de R$ 5 após o primeiro turno das eleições 2026?

A queda decorre da leitura de maior probabilidade de alternância de poder, expectativa de ajuste fiscal mais rigoroso a partir de 2027 e forte entrada de capital estrangeiro.

Como o avanço do bolsonarismo nas eleições influenciou o mercado e o dólar hoje?

A dianteira de Flávio Bolsonaro e o fortalecimento do PL no Senado reforçaram a aposta em disciplina fiscal, derrubaram o dólar, os juros futuros e impulsionaram a Bolsa.

Qual é a cotação do dólar hoje em relação ao real após o primeiro turno das eleições?

O dólar comercial é negociado a R$ 4,9875, com desvalorização de 4,36% em relação ao fechamento anterior.

Como a Petrobras e o Ibovespa reagiram no mercado após o resultado do primeiro turno?

O Ibovespa subiu 4,21% e atingiu 200 mil pontos. As ações da Petrobras avançaram 4,68% (ordinárias) e 5,32% (preferenciais), puxando o índice para cima.

Quais são as perspectivas para o dólar e a Bolsa após o primeiro turno das eleições 2026?

Há expectativa de continuidade do otimismo, mas com volatilidade até o segundo turno. A direção dependerá das pesquisas, do discurso fiscal e do resultado final das urnas.


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