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Economia

Dólar encosta em R$ 5 e Ibovespa rompe 200 mil após 1º turno

Dólar cai 4,12% e fecha a R$ 5,0022, menor valor desde maio, enquanto Ibovespa salta 7,85% e atinge 207.190 pontos com Flávio Bolsonaro à frente de Lula.

07/10/2026 06:14 7 min de leitura
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Mercado Financeiro

Dólar registra queda significativa e Ibovespa alcança novo patamar após resultados do 1º turno eleitoral.

O dólar comercial cai 4,12% e fecha a R$ 5,0022 nesta segunda-feira (5), enquanto o Ibovespa salta 7,85% e encerra a 207.190,44 pontos, após o primeiro turno que coloca Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento redesenha, em poucas horas, o mapa de risco traçado pelo mercado financeiro para o Brasil até o segundo turno, em 25 de outubro.

Virada de expectativa após as urnas

O resultado de domingo contraria a maior parte das pesquisas e altera a leitura de risco dos investidores. Com 47,03% dos votos válidos, Flávio Bolsonaro sai do primeiro turno numericamente à frente de Lula, que obtém 45,16%. A diferença de 1,87 ponto percentual, cerca de 2,2 milhões de votos, é suficiente para o mercado revisar apostas e precificar uma chance maior de mudança de governo.

A reação aparece em todos os ativos de risco. O dólar volta à casa dos R$ 5, no menor patamar de fechamento desde 21 de maio. O índice da Bolsa de São Paulo rompe pela primeira vez a barreira simbólica dos 200 mil pontos, numa sessão de forte volume, de R$ 97,58 bilhões. No exterior, o principal fundo de ações brasileiras em Nova York, o ETF EWZ, avança 12,57%, sinal de que o humor mais benigno com o Brasil não se limita aos investidores locais.

Operadores explicam que o mercado passa a enxergar um eventual governo Flávio Bolsonaro como mais comprometido com o equilíbrio das contas públicas. Essa percepção reduz o prêmio de risco — o adicional de retorno exigido para investir no país — e puxa para baixo as taxas de juros futuras, o que fortalece o real e torna a renda variável mais atraente.

Juros futuros desabam e bancos disparam

As taxas de juros negociadas nos contratos futuros, que funcionam como uma projeção do custo do dinheiro nos próximos anos, registram queda generalizada. A taxa para janeiro de 2031 recua de cerca de 14% para 12,85% ao ano, movimento considerado expressivo para um único pregão.

Esse ajuste nas apostas de juros ajuda a explicar a disparada da Bolsa. Quando o mercado projeta Selic mais baixa no futuro, títulos de renda fixa se tornam menos competitivos e a conta que estima o valor presente dos lucros das empresas muda a favor das ações. O efeito é imediato sobre setores sensíveis ao ciclo de crédito.

Na B3, bancos lideram a alta. Banco do Brasil sobe 11%. Itaú avança 10,37%. Bradesco ganha 13,57%. BTG Pactual salta 22,52%. As ações da própria B3 disparam 22,63%. A leitura é de que juros futuros menores aliviam o peso das dívidas de empresas e famílias, reduzem o risco de calotes e abrem espaço para retomada mais robusta do crédito.

O economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, resume a mudança de cenário. “Este cenário eleitoral altera profundamente as expectativas do mercado”, afirma. Segundo ele, parte relevante dos investidores passa a antecipar uma trajetória mais controlada da dívida pública, o que justifica tanto a queda dos juros futuros quanto a busca por ativos de risco.

Real mais forte e apetite externo

No câmbio, o dia marca uma inflexão em relação à cautela da semana anterior. Depois de fechar a R$ 5,2175 na sexta-feira, em meio à incerteza pré-eleitoral, o dólar devolve o movimento e passa a acumular queda de 8,87% no ano. Ao longo do pregão, chega a tocar a mínima de R$ 4,95.

A valorização do real combina fatores internos e externos, mas, nas mesas de operação, o componente doméstico domina. A perspectiva de política fiscal mais rígida tende a reduzir a necessidade de endividamento do governo e a pressionar menos a inflação no médio prazo, o que diminui a probabilidade de juros persistentemente altos. Nessa leitura, o Brasil fica relativamente mais atraente em comparação a outros emergentes.

O interesse estrangeiro se materializa no comportamento do EWZ, o ETF de ações brasileiras listado em Nova York, que sobe 12,57%. A entrada de recursos externos reforça o movimento de queda do dólar e alta da Bolsa. O contraste com o petróleo, que recua cerca de 1,9% nos contratos de Brent e WTI, mostra que a onda compradora de ativos brasileiros não se apoia em um rali generalizado de commodities, mas em fatores específicos do cenário político doméstico.

Para o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, a empolgação precisa ser vista com cuidado. “O ponto central é que o otimismo de curto prazo precisa se converter em entrega concreta”, diz. Ele ressalta que o mercado precifica um discurso de responsabilidade fiscal, mas ainda não enxerga, naturalmente, quais medidas um eventual novo governo seria capaz de aprovar no Congresso.

Quem ganha, quem perde e o que vem pela frente

A leitura predominante é de alívio entre empresas e setores mais sensíveis ao custo do crédito e ao humor do investidor. Bancos, mercado de capitais e companhias dependentes de financiamento barato figuram entre os principais beneficiados do mergulho dos juros futuros e da disparada do Ibovespa.

A outra face do real mais forte é sentida por exportadores. Com o dólar mais baixo, produtos brasileiros ficam relativamente mais caros lá fora, o que pode pressionar margens de lucro de empresas do agronegócio e da indústria exportadora se o movimento se prolongar. Parte desse efeito, porém, depende da duração e da intensidade da apreciação cambial.

Para a economia doméstica, a queda do dólar tende a aliviar pressões de preços em itens importados e em produtos ligados a insumos externos, o que pode ajudar nas expectativas de inflação. Juros projetados mais baixos também reduzem o custo de financiamento de empresas e consumidores, melhorando as condições para investimento e consumo nos próximos trimestres, desde que o quadro fiscal avance na direção que o mercado hoje projeta.

A fotografia desta segunda-feira, contudo, não encerra o filme. Faltam três semanas até o segundo turno, com espaço para novos debates, pesquisas e alianças, e o cenário segue aberto. A composição final do Congresso e dos governos estaduais será decisiva para qualquer agenda econômica, independentemente de quem vença. Sem base política consistente, promessas de ajuste fiscal tendem a esbarrar em dificuldades práticas.

Os próximos pregões devem manter a volatilidade elevada. Investidores calibram, dia a dia, as chances de cada candidato e testam se o rali de hoje inaugura um ciclo mais longo de reprecificação de risco, ou se será lembrado apenas como uma forte reação inicial a um resultado eleitoral que surpreendeu as pesquisas.

Por que o dólar caiu após o primeiro turno das eleições?

A queda reflete a leitura de que aumentam as chances de um governo visto como mais austero nas contas públicas, o que reduz o prêmio de risco e atrai capital para o país.

Como a vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula influenciou a queda do dólar?

A liderança de Flávio Bolsonaro levou investidores a revisar as probabilidades de vitória de cada candidato e a precificar uma política fiscal mais rígida, fortalecendo o real.

Qual a relação entre o desempenho do Ibovespa e a cotação do dólar após o primeiro turno?

Com menor percepção de risco, o dólar recua e os juros futuros caem. Isso torna ações mais atrativas e impulsiona o Ibovespa, enquanto o real se valoriza.

Até onde o dólar pode cair após o resultado do primeiro turno?

Não há nível definido. A cotação dependerá do desfecho do segundo turno, das sinalizações sobre política fiscal e do ambiente internacional nas próximas semanas.

Como o mercado financeiro reagiu à liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno?

Houve forte alta da Bolsa, queda expressiva do dólar e recuo dos juros futuros, indicando revisão positiva das expectativas em relação ao risco Brasil.

Quais os impactos da queda do dólar para a economia brasileira após o primeiro turno?

Um real mais forte tende a aliviar a inflação e o custo de importados, mas pode pressionar exportadores. Se juros menores se confirmarem, crédito e investimentos tendem a melhorar.


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