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Eclipse lunar de agosto terá Lua quase inteira vermelha no Brasil

Brasil verá na noite de 27 para 28 de agosto um eclipse lunar parcial com até 95% da Lua avermelhada. Fenômeno encerra mês que também tem eclipse solar total.

09/08/2026 22:32 7 min de leitura
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Fenômenos Astronômicos

Prepare-se para observar um eclipse lunar parcial com a Lua quase totalmente avermelhada no céu brasileiro.

O céu de agosto de 2024 reserva dois espetáculos raros para quem acompanha os movimentos do firmamento. No dia 12, um eclipse solar total atravessa partes do hemisfério norte. Na noite de 27 para 28, um eclipse lunar parcial promete deixar até 95% da Lua avermelhada e visível a olho nu em todo o Brasil.

Dois eclipses em um mês e um convite à observação

Os dois fenômenos acontecem em menos de três semanas e ajudam a explicar, na prática, como Sol, Terra e Lua se alinham no espaço. Enquanto o eclipse solar total de 12 de agosto não será visto do território brasileiro, o lunar, previsto para a madrugada de 28 de agosto, coloca o país inteiro na plateia.

O eclipse lunar começa às 23h30 de 27 de agosto, no horário de Brasília, atinge o auge por volta da 1h e termina às 1h40. Em todo esse intervalo, qualquer pessoa que esteja na metade noturna da Terra nas Américas, Europa e África poderá acompanhar o evento sem equipamentos especiais.

A astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, resume o alinhamento que torna o fenômeno possível: “Na Lua cheia você tem, nessa ordem, o Sol, a Terra e a Lua. E aí, o Sol batendo na Terra forma essa sombra no espaço, e quando a Lua entra nessa sombra, é que acontece o eclipse”.

Como funciona o eclipse lunar parcial de agosto

O eclipse lunar ocorre sempre na Lua cheia, quando o satélite cruza a sombra que a Terra projeta no espaço. Essa sombra tem duas regiões: a umbra, mais escura, e a penumbra, mais clara. Dependendo de quanto a Lua mergulha em cada uma, o eclipse pode ser total, parcial ou penumbral.

O de agosto será parcial, mas muito próximo de um total. A previsão é que até 95% do disco lunar entre na umbra, o que deve produzir uma forte coloração avermelhada. “Esse eclipse agora do dia 27, ele é um eclipse parcial. A Lua não vai entrar totalmente na umbra, ela quase vai entrar. Vai funcionar como se fosse um eclipse total porque ela vai começar a ficar vermelha, e essa vermelhidão é o reflexo da luz do Sol batendo na atmosfera da Terra”, explica Josina.

A tonalidade, conhecida popularmente como “Lua de sangue”, não é sinal de nada sobrenatural. É física pura. A luz do Sol, ao atravessar a atmosfera terrestre, tem as faixas azul e violeta mais espalhadas. Os tons vermelhos e alaranjados passam com mais facilidade e acabam projetados na superfície lunar.

O astrônomo Henrique Amaral, de Campo Grande, traduz o efeito: “Na prática, é como se a Lua fosse iluminada simultaneamente por ‘todos os pores e nasceres do sol do planeta’”. Durante pouco mais de duas horas, o satélite reflete esse brilho filtrado, ganhando uma aparência cobrizada que tende a impressionar observadores casuais.

Sem riscos para os olhos e com impacto na vida fora dos observatórios

Ao contrário do eclipse solar, o eclipse lunar é totalmente seguro para os olhos. Não há necessidade de óculos especiais, telescópio ou câmera. Basta céu limpo, horizonte desobstruído e paciência para encarar a madrugada. Em grandes cidades, a principal dificuldade é a poluição luminosa.

Henrique Amaral recomenda que quem puder se afaste da malha urbana para aproveitar melhor o espetáculo. Um morro, uma praça alta ou uma estrada escura já fazem diferença. “O ideal é procurar um local afastado da iluminação urbana”, orienta.

A facilidade de observação transforma o fenômeno em oportunidade para escolas, clubes de astronomia e famílias. Professores planejam sessões de observação ao ar livre, acompanhadas de explicações simples sobre órbitas e sombras. Grupos de astronomia amadora organizam encontros em parques e mirantes. A mídia científica prepara transmissões e conteúdos explicativos.

Na prática, o eclipse não interfere em atividades cotidianas, voos ou redes de energia. Mas movimenta nichos específicos. Turismo científico, educação e divulgação científica ganham impulso com eventos gratuitos que aproximam o público da ciência. Em paralelo, cresce o debate sobre iluminação pública eficiente, já que o excesso de luz artificial apaga estrelas e atrapalha a visão de fenômenos como esse.

Um eclipse solar total longe do Brasil, mas com efeitos econômicos

O outro protagonista astronômico do mês, o eclipse solar total de 12 de agosto, acontece na Lua nova. Nessa fase, a Lua se coloca entre a Terra e o Sol e projeta sua sombra sobre o planeta. O alinhamento é diferente do caso lunar. “Já aqui você tem Sol, Lua e Terra, e a sombra da Lua vai fazer um caminho pela Terra. Só quem está neste caminho é que vê o eclipse do Sol. Esse caminho é um caminho de 300 quilômetros de largura”, explica Josina.

Dentro dessa faixa de cerca de 300 quilômetros, moradores de países como Espanha, Portugal, Rússia, Islândia e Groenlândia verão o dia virar crepúsculo por poucos minutos. Em regiões vizinhas, o evento aparece como eclipse parcial, com o Sol parcialmente encoberto.

A observação segura, porém, exige cuidado rigoroso. Para olhar diretamente para o Sol, só com óculos especiais certificados pela norma ISO 12312-2 ou máscaras com vidro de soldador número 14. Qualquer improviso com óculos escuros comuns, radiografias ou filtros caseiros pode causar danos irreversíveis à retina, incluindo cegueira.

A combinação de raridade, beleza e risco impulsiona mercados específicos nos países da faixa de totalidade. Lojas especializadas vendem filtros solares, câmeras e telescópios adaptados. Cidades pequenas se preparam para receber visitantes em busca da melhor vista, em um turismo astronômico que costuma encher hotéis e restaurantes por alguns dias.

O que fica depois da Lua vermelha

Agosto termina com a lembrança de duas coreografias diferentes entre Sol, Terra e Lua. Para o Brasil, o protagonista é o eclipse lunar parcial de 27 e 28 de agosto, acessível sem qualquer equipamento e com forte potencial de mobilizar curiosos, escolas e famílias.

A comunidade científica e educativa aposta que a experiência alimenta a curiosidade de jovens e adultos e fortalece projetos de astronomia amadora. Em médio prazo, eventos assim costumam apoiar discussões sobre proteção do céu noturno e incentivar investimentos em observatórios, museus de ciência e programas de divulgação.

Quem perder a Lua avermelhada deste mês terá de esperar o próximo alinhamento favorável. Até lá, astrônomos seguem usando fenômenos como os eclipses para mostrar, com exemplos visíveis a olho nu, como a ciência explica o que se passa muito além dos telhados das cidades.

Que horas vai ser o eclipse lunar em agosto no Brasil?

No horário de Brasília, o eclipse começa às 23h30 de 27 de agosto, atinge o auge por volta da 1h e termina às 1h40 da madrugada de 28 de agosto.

Quando será o eclipse solar e lunar em agosto?

O eclipse solar total ocorre em 12 de agosto de 2024, visível em países do hemisfério norte. O eclipse lunar parcial acontece na noite de 27 para 28 de agosto.

Como observar o eclipse lunar visível em todo o Brasil?

Não é preciso proteção ocular. Escolha um local aberto, com visão desobstruída da Lua e pouca luz artificial, e acompanhe entre 23h30 e 1h40, se o tempo ajudar.

O que é a ‘lua de sangue’ no eclipse lunar de agosto?

É o apelido dado à Lua quando ela fica avermelhada durante o eclipse. A cor surge porque a atmosfera da Terra filtra a luz solar, deixando passar tons vermelhos.

Qual a diferença entre o eclipse lunar parcial e total que ocorrerá em agosto?

O eclipse de 27 e 28 de agosto é parcial: a Lua entra quase toda na sombra mais escura, mas não completamente. No total, ela seria 100% coberta pela umbra.

Quais regiões do Brasil poderão ver melhor o eclipse lunar de agosto?

O fenômeno é visível em todo o país. A melhor observação ocorre em locais com horizonte livre e pouca poluição luminosa, em áreas rurais ou afastadas dos grandes centros.


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