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Eclipse lunar hoje: Lua fica 96% escurecida e vermelha no Brasil

Eclipse lunar parcial torna a Lua quase totalmente escurecida e avermelhada, com 96,2% do disco na sombra da Terra, visível em todo o Brasil e nas Américas.

28/08/2026 10:02 8 min de leitura
Eclipse lunar hoje: Lua fica 96% escurecida e vermelha no Brasil
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Astronomia

Fenômeno raro com quase total ocultação da Lua visível em todo o Brasil e nas Américas nesta noite.

Um eclipse lunar parcial transforma a Lua em um disco quase totalmente escurecido e avermelhado, com 96,2% de sua superfície coberta pela sombra da Terra, visível em todo o Brasil.

Fenômeno atravessa a madrugada e se aproxima de um eclipse total

O evento começa às 22h24, quando a Lua entra na penumbra da Terra. A mudança é discreta: o brilho diminui levemente, ainda difícil de notar para quem olha sem atenção.

A partir das 23h34, o espetáculo ganha força. A Lua passa para a umbra, a parte mais escura da sombra terrestre, e o escurecimento se torna evidente a olho nu. O auge ocorre à 1h13, quando 96,2% do disco lunar mergulha na escuridão, produzindo um efeito visual muito próximo ao de um eclipse total.

Segundo estimativa divulgada pela imprensa especializada, cerca de 93% do diâmetro da Lua fica imerso na sombra da Terra, criando a sensação de que apenas uma pequena borda permanece intocada. O Observatório Nacional resume a cena: “A Lua mergulhará profundamente na umbra, criando o efeito de uma ‘mordida’ que cobrirá quase todo o disco lunar”.

Depois do ponto máximo, o satélite natural começa a sair gradualmente da sombra. A fase parcial se encerra às 2h52, e a etapa final, ainda na penumbra, termina às 4h02, quando a Lua recupera o brilho habitual no céu de madrugada.

Por que a Lua fica vermelha e quem consegue ver o eclipse hoje

A astrônoma Josina Oliveira do Nascimento, do Observatório Nacional, resume o mecanismo do eclipse: “O Sol incide na Terra e uma sombra se forma no espaço. Essa sombra tem duas partes: a penumbra (sombra clara) e a umbra (sombra escura)”.

Quando quase todo o disco lunar entra na umbra, a Lua deixa de receber luz direta do Sol. Ainda assim, parte da luz solar contorna o planeta, atravessa a atmosfera e é desviada em direção ao satélite. Nesse caminho, o ar da Terra filtra as cores azuladas e deixa passar tons de vermelho e laranja, que tingem a Lua. É esse filtro natural que alimenta o apelido popular de “lua de sangue”.

O eclipse de hoje está visível em todo o território brasileiro, desde que o céu esteja limpo e a Lua acima do horizonte. O fenômeno também pode ser observado em diversos países das Américas, incluindo Argentina, Chile, Peru, México, Estados Unidos e Canadá, além de partes da África, da Europa e do Oriente Médio, de acordo com dados de agências espaciais.

Para os brasileiros, os horários seguem o fuso de Brasília, com pequenas variações conforme a região. No Norte e no Nordeste, a Lua surge já em fase avançada de penumbra; no Centro-Oeste e no Sudeste, o disco se eleva gradualmente durante o eclipse, favorecendo registros fotográficos com elementos da paisagem.

Céu limpo decide quem vai ver a “mordida” na Lua

A meteorologia define, na prática, quem consegue acompanhar o eclipse com nitidez. O meteorologista César Soares, da Climatempo, destaca que grande parte do interior do país tem vantagem. “No interior do Estado de São Paulo, a chance de você conseguir observar o eclipse por conta da ausência de nebulosidade vai ser muito maior. A faixa leste, a capital paulista, o Vale do Paraíba e o Vale do Ribeira também vão conseguir ver, mas em alguns momentos a nebulosidade pode atrapalhar”, afirma.

No interior do Nordeste, em áreas do Centro-Oeste e em boa parte do Sudeste, as projeções indicam céu limpo durante a maior parte da madrugada, com nuvens passageiras. Em capitais como São Paulo e trechos do litoral, a nebulosidade pode entrar em cena em momentos críticos do eclipse, exigindo paciência de quem espera a melhor foto da Lua avermelhada.

No Sul, o quadro é mais delicado. No Rio Grande do Sul, a combinação de nebulosidade densa e temporais tende a comprometer a visão do fenômeno em várias cidades. Nesses casos, a alternativa para não perder o evento é recorrer às transmissões ao vivo organizadas por observatórios e portais especializados.

Como observar com segurança e o impacto para ciência e turismo

Ao contrário de um eclipse solar, o eclipse lunar pode ser observado a olho nu sem qualquer risco para a visão. Não há necessidade de óculos especiais, filtros ou equipamentos sofisticados. Uma cadeira, um lugar escuro e um trecho de céu desobstruído bastam para acompanhar todas as fases.

Binóculos e telescópios, quando disponíveis, ampliam detalhes da superfície lunar parcialmente encoberta, como crateras e mares, e realçam os contrastes entre a borda iluminada e a parte avermelhada. Câmeras de celular, apoiadas em tripés improvisados e com exposição um pouco mais longa, já conseguem registrar boas imagens, especialmente perto do auge, à 1h13.

O Observatório Nacional reforça a aposta na observação remota. O programa “O Céu em sua Casa” transmite o eclipse em tempo real pela internet, com comentários de astrônomos e orientações sobre cada etapa. A iniciativa amplia o acesso ao fenômeno para quem vive em áreas com céu encoberto ou sem condições de observação segura em espaços abertos.

Escolas, universidades e grupos de astronomia amadora aproveitam a madrugada para organizar sessões de observação, presenciais e online. O evento estimula o interesse de crianças e adolescentes por ciência, ajuda professores a explicar, com um exemplo visível, conceitos de órbita, sombra e luz, e fortalece o turismo astronômico em cidades com tradição de céu limpo.

Raridade relativa e próximos eclipses para o público brasileiro

Eclipses lunares não são exatamente raros, mas nem sempre se combinam com boa visibilidade e horários acessíveis. O que torna o fenômeno desta madrugada especial é a profundidade do mergulho da Lua na sombra da Terra: com 96,2% do disco dentro da umbra, trata-se de um eclipse parcial que se comporta, visualmente, como um quase total.

Quem perde a observação de hoje precisa de paciência. O próximo eclipse visível a partir do Brasil acontece apenas em outra noite de agosto, em formato penumbral, com obscurecimento tão leve que praticamente não se nota a olho nu. O passo seguinte, um eclipse parcial com apenas 2,4% do disco encoberto, ocorre em nova madrugada de janeiro.

Um eclipse lunar total, inteiramente visível em todo o país, só retorna em outra noite de junho, em data já marcada pelos observatórios. Até lá, a experiência acumulada agora ajuda astrônomos, meteorologistas, escolas e meios de comunicação a aperfeiçoar a divulgação, a infraestrutura de transmissão e as estratégias de engajamento do público.

A madrugada de hoje se firma, assim, como um laboratório a céu aberto: testa a integração entre previsão do tempo e astronomia, mobiliza redes de observação remota e renova, por algumas horas, o hábito simples de olhar para o alto e ler o céu.

Que horas será o eclipse lunar em 27 de agosto de 2026?

O eclipse lunar parcial começa às 22h24, entra na fase parcial às 23h34, atinge o auge à 1h13 com 96,2% do disco lunar encoberto e termina às 4h02, quando a Lua deixa a penumbra da Terra e volta ao brilho normal no céu, todos os horários pelo fuso de Brasília.

O eclipse lunar de 27 de agosto de 2026 será visível em todo o Brasil?

O eclipse lunar parcial é visível em todo o Brasil, desde que o céu esteja sem nuvens e a Lua acima do horizonte, alcançando Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com melhor visualização em áreas de céu limpo e mais dificuldade em regiões com nebulosidade intensa e temporais, como partes do Rio Grande do Sul.

Como observar o eclipse lunar de 27 de agosto de 2026 a olho nu?

O eclipse lunar pode ser observado a olho nu com segurança, sem óculos especiais, bastando um local aberto, escuro e com horizonte desobstruído, preferencialmente longe de luzes fortes, enquanto binóculos ou pequenos telescópios apenas melhoram os detalhes da “mordida” na Lua e das tonalidades avermelhadas no auge.

Onde assistir à transmissão ao vivo do eclipse lunar de 27 de agosto de 2026?

A transmissão ao vivo do eclipse lunar é feita pelo programa “O Céu em sua Casa”, do Observatório Nacional, em plataformas online, permitindo acompanhar todas as fases com comentários de astrônomos, recurso especialmente útil para quem enfrenta céu encoberto, mora em áreas urbanas muito iluminadas ou não pode ficar ao ar livre de madrugada.

O que significa o eclipse lunar ‘quase total’ de 27 de agosto de 2026?

O termo “quase total” indica que o eclipse de hoje é tecnicamente parcial, mas com 96,2% do disco lunar dentro da sombra escura da Terra, produzindo uma aparência visual muito semelhante à de um eclipse total, restando apenas uma faixa estreita iluminada e uma Lua intensamente escurecida e avermelhada para o observador.


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