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Eclipse solar total de 2027 será o mais longo do século

Em 2 de agosto de 2027, um eclipse solar total de 6min23,2s cruzará África, Oriente Médio e Europa. Fenômeno raro impulsiona ciência, turismo e alerta de segurança.

19/07/2026 07:00 7 min de leitura

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Fenômeno raro em 2027 promete avanços científicos e impacto no turismo global.

Em 2 de agosto de 2027, a Lua esconde o Sol por até 6 minutos e 23,2 segundos e transforma o dia em noite em uma faixa do hemisfério oriental. O eclipse solar total, calculado com precisão por astrônomos ligados à NASA, será o mais longo do século em terra firme.

Um dia que anoitece ao meio da tarde

O fenômeno afeta diretamente milhões de pessoas em países do norte da África, Oriente Médio e partes da Europa. No Brasil, ninguém verá o eclipse total, nem mesmo de forma parcial.

A faixa de escuridão completa, com cerca de 258 quilômetros de largura, surge no Atlântico Leste, cruza o Estreito de Gibraltar e percorre Espanha, Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Sudão, Arábia Saudita e Somália, entre outros. Quem estiver exatamente sob o caminho da sombra verá o céu clarear e escurecer em poucos minutos, como um pôr do sol acelerado.

Minutos antes do auge, a luz do dia enfraquece, as sombras ficam mais duras, a temperatura cai alguns graus e aves e insetos podem agir como se o dia tivesse acabado. No pico da totalidade, surge a coroa solar, a atmosfera externa do Sol, cercada por estrelas e planetas visíveis em plena tarde de agosto.

Por que 2027 entra para a história

Eclipses solares totais acontecem com alguma regularidade no planeta, mas quase nunca são longos. A maioria dura de 2 a 3 minutos no ponto máximo. O de 2027 foge da curva.

Segundo o astrônomo Fred Espenak, referência mundial em eclipses e responsável por cálculos oficiais para a NASA, “o ponto de maior duração da totalidade fica próximo de Luxor, no Egito, com 6 minutos e 23,2 segundos de escuridão completa”. Depois dele, só um evento de duração parecida volta a ocorrer em 2114.

O segredo está na geometria celeste. A Lua estará perto do perigeu, o ponto mais próximo da Terra em sua órbita, e parecerá maior no céu. Ao mesmo tempo, a distância da Terra ao Sol faz o disco solar parecer ligeiramente menor. Essa combinação aumenta a margem de sobra do disco lunar sobre o solar, prolongando a noite artificial.

Prever esse alinhamento com exatidão de segundos não é chute. Os cálculos do trajeto usam conjuntos de dados conhecidos como efemérides VSOP87 e ELP2000, que descrevem as órbitas do Sol, da Terra e da Lua. O modelo leva em conta até irregularidades do relevo lunar para saber onde a sombra vai tocar o planeta.

Ciência, turismo e economia em modo eclipse

O eclipse de 2 de agosto de 2027 interessa tanto a pesquisadores quanto a operadores de turismo. Para a ciência, a janela de 6 minutos e 23,2 segundos perto de Luxor é uma oportunidade rara de observar a coroa solar com calma e alta resolução. É nessa região quente e tênue que se formam ventos solares capazes de interferir em satélites, redes elétricas e comunicações.

Pesquisadores também se preparam para medir em detalhe a queda de temperatura, as mudanças na circulação do ar e as respostas de plantas e animais a um “pôr do sol” repentino. Com uma duração tão longa, será possível comparar dados de estações distribuídas ao longo de toda a faixa de totalidade, do Atlântico à Somália.

Na outra ponta, o turismo se organiza muito antes da sombra chegar. Cidades do sul da Espanha, do norte da África e, sobretudo, da região de Luxor já registram aumento na procura por hospedagem. Agências especializadas em viagens astronômicas vendem pacotes voltados a quem está disposto a atravessar continentes por alguns minutos de escuridão.

Setores que dependem da luz do Sol, como painéis solares e certas culturas agrícolas, podem notar uma queda instantânea de produção durante o eclipse, ainda que por pouco tempo. Geradores e sistemas de armazenamento de energia ajudam a compensar o buraco de geração fotovoltaica em redes mais sensíveis.

Fabricantes de óculos especiais para observação solar e de vidro de soldador nº 14 também entram na rota do fenômeno. A demanda cresce à medida que a data se aproxima, impulsionada por campanhas de segurança e pelas recomendações de astrônomos.

Segurança: o espetáculo e o risco

Olhar diretamente para o Sol continua sendo a parte mais perigosa do espetáculo. Mesmo coberto parcialmente pela Lua, o astro emite luz intensa o suficiente para queimar a retina sem dor imediata.

Por isso, a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, reforça o alerta: “Em hipótese alguma olhe diretamente para o Sol sem proteção adequada. Óculos escuros, chapas de raio-X ou outros filtros caseiros não protegem contra os danos. É essencial utilizar filtros certificados, como os óculos especiais para observação solar ou vidros de soldador nº 14”.

A recomendação vale para todas as fases parciais do eclipse. Óculos certificados pela norma ISO 12312-2 são obrigatórios em qualquer momento em que um filete de Sol ainda esteja visível. A única exceção é o período de totalidade completa, quando o disco solar some integralmente atrás da Lua. Assim que o primeiro raio reaparece, a proteção precisa voltar imediatamente aos olhos.

Telescópios, binóculos e câmeras exigem filtros próprios, montados na frente das lentes. Sem isso, concentram ainda mais a luz solar e podem causar danos instantâneos à visão e ao equipamento.

O que o Brasil vê — e o que vem depois

Moradores do Brasil ficam de fora do show de 2027. A sombra da Lua passa longe da América do Sul, e nem mesmo um eclipse parcial será visível do território brasileiro naquela data.

Isso não diminui o interesse local. A expectativa de um fenômeno tão raro tende a alimentar transmissões ao vivo, eventos em planetários e atividades educativas em escolas e universidades brasileiras, que costumam usar grandes eclipses estrangeiros como gancho para falar de astronomia básica.

Após o eclipse de 2027, a comunidade científica passa a usar o evento como referência para comparar dados com outros eclipses longos, passados e futuros. O de 2114, previsto com duração semelhante, deve ser analisado à luz das observações feitas agora, com instrumentos mais modernos e uma base de dados mais robusta.

Fenômenos como esse lembram o grau de precisão alcançado pela astronomia. Com cálculos feitos anos antes, astrônomos indicam com margem de segundos quando e onde o céu vai escurecer. Para quem estiver na faixa de totalidade em 2 de agosto de 2027, a experiência dura pouco mais de seis minutos. Na memória, tende a ocupar bem mais do que uma tarde de verão.

Quando será o eclipse solar total mais longo do século?

O eclipse solar total mais longo deste século em terra firme acontece em 2 de agosto de 2027, com 6 minutos e 23,2 segundos de totalidade perto de Luxor, no Egito.

Quando foi o último eclipse solar total visível no Brasil?

O último eclipse solar total visível em alguma parte do território brasileiro ocorreu em 1994, na região Norte. Desde então, o país só recebe eclipses parciais.

De quanto em quanto tempo acontece o eclipse solar?

Eclipses solares ocorrem todo ano em algum lugar do planeta, mas a maioria é parcial. Um mesmo ponto da Terra pode levar séculos para voltar a ver um eclipse total.

Quais cuidados são recomendados para observar um eclipse solar total com segurança?

É obrigatório usar filtros certificados, como óculos de observação solar ISO 12312-2 ou vidro de soldador nº 14, em todas as fases parciais. Nunca use óculos escuros ou filtros caseiros.


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