El Niño “muito forte” traz riscos de desastres climáticos
O climatologista Carlos Nobre alerta que o fenômeno El Niño atingirá intensidade “muito forte” entre a primavera e o verão de 2026-2027, impactando diversas regiões do Brasil.
Impactos severos no Brasil
Estudos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que o El Niño, que se intensifica neste semestre, trará chuva intensa ao Sul e seca à Amazônia, criando condições climáticas extremas. “Podemos esperar também uma seca muito forte na Amazônia”, destaca Nobre. O Sudeste e Centro-Oeste poderão enfrentar ondas de calor, com temperaturas acima de 35ºC em São Paulo.
As chuvas aumentaram o risco de enchentes no Rio Grande do Sul, enquanto a redução das chuvas na Amazônia ameaça o abastecimento hídrico e a fauna local. Ondas de calor em São Paulo e Rio de Janeiro devem se intensificar, colocando em risco populações vulneráveis.
Preparativos e desafios
Nobre observa que, pela primeira vez, governos estatais e municipais têm adotado medidas proativas com o apoio federal. “Estamos nos preparando bem melhor”, afirma. No entanto, aponta a ausência de políticas específicas para proteger vulneráveis das ondas de calor.
O governo federal investiu em brigadistas para conter incêndios florestais, mas os esforços para enfrentar o calor extremo não acompanham a mesma prontidão.
Perspectivas futuras
O cenário exige atenção contínua e investimento em políticas de mitigação. Sem ações efetivas, a tendência é de anos ainda mais severos, com perdas econômicas e sociais significativas. “Vamos ver se vai funcionar”, pondera o climatologista.
As consequências do El Niño servirão de teste para políticas públicas e resiliência ambiental, abrindo caminho para um entendimento mais profundo e estratégias de adaptação a mudanças climáticas futuras.


