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Como está a Avibras hoje: J&F assume controle e reativa fábrica

J&F compra 100% da Avibras após recuperação judicial e captação privada de R$ 300 milhões. Fábrica em Jacareí volta a operar e negócio entra na mira de Cade e Câmara.

21/08/2026 16:01 8 min de leitura
Como está a Avibras hoje: J&F assume controle e reativa fábrica
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Após recuperação judicial, J&F retoma operações da Avibras e atrai atenção de órgãos reguladores.

A holding J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, assume o controle de 100% da Avibras por meio da Globe Investimentos, consolidando a reviravolta de uma das principais fabricantes de armamentos do país após anos de crise e recuperação judicial.

A operação, notificada hoje ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), envolve a Nova AVB, nova estrutura que concentra os ativos industriais e tecnológicos da companhia e pavimenta a retomada da produção em Jacareí, no Vale do Paraíba.

Da crise prolongada à retomada da linha de produção

A Avibras chega a esta mudança de controle depois de um ciclo de paralisações, recuperação judicial desde 2022 e uma greve que se arrasta por mais de três anos, período em que a fábrica praticamente para. A empresa, estratégica para a indústria de defesa, perde contratos e vê escapar quadros técnicos qualificados.

O ponto de virada vem com um plano alternativo de recuperação judicial liderado pelo Brasil Crédito. A reestruturação separa a empresa em duas: a Nova AVB, que recebe fábricas, tecnologias e projetos, e a companhia original, que permanece com os passivos sob supervisão judicial.

Para viabilizar a transição, o Brasil Crédito coordena uma captação de R$ 300 milhões com investidores privados. “A captação ajudou a financiar a retomada das atividades da empresa após anos de dificuldades financeiras”, registra o material divulgado às partes envolvidas.

Nesse financiamento, Joesley Batista participa diretamente. “Joesley assinou contrato para participar da operação, mas o valor individual investido por ele não foi divulgado”, informa um dos documentos do processo. O aporte garante fôlego de caixa para religar máquinas e recompor estoques.

Reabertura em Jacareí e vigilância de Brasília

Com o dinheiro novo, a unidade Avibras Aeroco, em Jacareí, volta a funcionar em maio de 2026. As linhas de montagem retomam a produção de sistemas como o Astros, plataforma de foguetes de artilharia, e do míssil tático de cruzeiro MTC-300, projetos centrais para o Exército brasileiro.

“A Avibras é considerada uma Empresa Estratégica de Defesa e está envolvida em programas de interesse das Forças Armadas brasileiras”, reforçam interlocutores ligados ao setor. A volta da fábrica reduz a pressão sobre cadeias de fornecedores e reabre uma frente importante de empregos e vagas especializadas no Vale do Paraíba.

A movimentação não passa despercebida em Brasília. Uma comitiva do Departamento de Promoção Comercial (DEPCOM), órgão do Ministério da Defesa responsável por autorizar exportações de produtos de defesa e mapear oportunidades externas, visita nesta semana a planta de Jacareí para inspecionar a capacidade produtiva e tecnológica.

No relatório da visita, o Ministério registra que “a visita reforça a importância da atuação conjunta entre a Avibras Aeroco e o DEPCOM, especialmente diante da vocação histórica da companhia para o mercado internacional”. A mensagem aponta para a intenção do governo de usar a empresa como vitrine da base industrial de defesa brasileira lá fora.

Negócio sob escrutínio e expansão da J&F além dos alimentos

A compra de 100% da Nova AVB pela Globe Investimentos é comunicada formalmente hoje ao Cade. “A operação foi comunicada ao Cade, mas o valor da transação não foi divulgado”, informam as partes. O órgão antitruste agora avalia se a transação levanta preocupações concorrenciais no nicho de defesa.

Na Câmara dos Deputados, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional aprova um requerimento para que o Ministério da Defesa detalhe a situação da Avibras e os termos da aquisição. O objetivo é acompanhar de perto a entrada de um grande grupo privado em um ativo visto como sensível para a soberania nacional.

A J&F, conhecida principalmente pelos negócios em proteína animal e commodities, amplia sua presença em setores de alta tecnologia. A Globe Investimentos, veículo usado para a compra, já serve como plataforma para outros investimentos industriais do grupo, como em siderurgia. Agora, entra em um segmento onde contratos de longo prazo com Forças Armadas e governos estrangeiros são regra.

O movimento anima parte do mercado, que vê na chegada de um grande conglomerado a chance de estabilizar financeiramente a Avibras, recuperar credibilidade com fornecedores e clientes e recolocar a empresa em campanhas de exportação. Também reacende o debate sobre quanto da indústria de defesa deve ficar sob controle de grupos privados com interesses diversificados.

Quem ganha, quem perde e o que vem pela frente

Na prática, a principal mudança imediata está na fábrica de Jacareí. Com a retomada das operações, trabalhadores que enfrentam anos de incerteza voltam à produção, embora ainda sob o risco de um ajuste de quadro imposto pelo novo controlador. Fornecedores de componentes e serviços voltam a ter previsibilidade mínima de demanda.

As Forças Armadas, que dependem de sistemas como o Astros e o MTC-300, ganham a perspectiva de continuidade de projetos considerados estratégicos. A presença ativa do DEPCOM e da Secretaria de Produtos de Defesa aponta para um esforço coordenado de reabrir mercados externos e usar a Avibras como âncora da pauta exportadora do setor.

Para a J&F, a aposta é a entrada em um negócio de margens potencialmente altas, forte conteúdo tecnológico e projeção internacional. O grupo passa a lidar, porém, com um grau de escrutínio político e regulatório bem maior do que em frigoríficos ou papel e celulose, inclusive em temas como governança, transparência e controle de tecnologias sensíveis.

Críticos levantam dúvidas sobre a concentração de poder econômico em uma empresa de defesa que já carrega o selo de estratégica para o país. Temem influência excessiva de um conglomerado privado em decisões de investimentos militares e em negociações externas, em um ambiente historicamente marcado por forte presença do Estado.

Os próximos capítulos dependem do ritmo do Cade e do acompanhamento do Congresso e do Ministério da Defesa. Se a transação for confirmada sem sobressaltos, a reestruturação da Avibras pode virar modelo para outras empresas do setor em dificuldade, abrindo espaço para mais capital privado em projetos sensíveis. Em caso de ruídos, o negócio tende a alimentar um debate mais amplo sobre o equilíbrio entre interesse público, segurança nacional e apetite de grandes grupos empresariais.

Quem comprou a Avibras recentemente?

A J&F, holding controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, comprou recentemente 100% da Avibras por meio da Globe Investimentos, veículo usado pelo grupo em outros negócios industriais, em uma operação comunicada hoje ao Cade e estruturada a partir da Nova AVB, que reúne os ativos produtivos e tecnológicos da companhia.

Qual a relação da família Batista com a Avibras?

A família Batista, por meio da holding J&F, torna-se controladora de 100% da Avibras e, antes disso, Joesley Batista participa diretamente da captação privada de R$ 300 milhões que financia a reabertura da fábrica em Jacareí, assumindo papel central tanto na reestruturação financeira quanto no novo comando da empresa.

Quais são os principais produtos fabricados pela Avibras?

Os principais produtos fabricados pela Avibras hoje incluem o sistema de foguetes Astros, plataforma de artilharia usada pelo Exército brasileiro, e o míssil tático de cruzeiro MTC-300, além de outros sistemas e tecnologias de defesa e espaciais, que consolidam a empresa como uma das mais relevantes da indústria bélica nacional.

Como a aquisição da Avibras pela J&F impacta o setor de defesa no Brasil?

A aquisição da Avibras pela J&F injeta R$ 300 milhões em capital privado, reativa a fábrica de Jacareí, preserva projetos estratégicos como o Astros e o MTC-300 e sinaliza maior presença de grandes conglomerados na indústria de defesa, ampliando investimentos, mas também o debate sobre autonomia estratégica e governança no setor.

Onde está localizada a fábrica da Avibras?

A principal fábrica da Avibras em operação hoje é a unidade Avibras Aeroco, localizada em Jacareí, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, onde a produção é retomada em maio de 2026 e onde o Ministério da Defesa envia comitiva recente para avaliar a capacidade produtiva e tecnológica da companhia após a reestruturação.

Quais são os planos da J&F para a Avibras após a compra?

A J&F, ao assumir 100% da Avibras por meio da Globe Investimentos, mira consolidar a retomada produtiva em Jacareí, estabilizar finanças após a recuperação judicial e explorar o potencial tecnológico e exportador da empresa, em alinhamento com o Ministério da Defesa, que busca ampliar a presença da indústria brasileira de defesa no mercado internacional.


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