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Economia

Ibovespa bate recorde e dólar tem maior queda desde 2018

Ibovespa salta 7,7% e fecha em recorde de 206.912 pontos, enquanto o dólar cai 4,12% a R$ 5,00 após a dianteira de Flávio Bolsonaro no 1º turno.

05/10/2026 22:30 7 min de leitura
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Mercado Financeiro

Ibovespa alcança nova máxima histórica enquanto o dólar registra queda significativa após resultados eleitorais.

O Ibovespa encerra esta segunda-feira (5) em recorde histórico de 206.912 pontos, alta de 7,7%, enquanto o dólar desaba 4,12%, a R$ 5,00, na esteira do primeiro turno das eleições presidenciais.

A reação, a mais forte em anos, vem um dia depois da vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na primeira rodada, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e da consolidação de um Congresso mais conservador.

Mercado aposta em ajuste fiscal a partir de 2027

Investidores leem o resultado das urnas como sinal de maior chance de mudança na política fiscal a partir do próximo governo. A percepção é de que um eventual mandato de Flávio Bolsonaro, apoiado por um Legislativo mais à direita, pode destravar reformas e conter o avanço da dívida pública.

“O mercado financeiro passa a atribuir uma probabilidade maior de alternância de poder e, junto com ela, uma possibilidade maior de mudança na condução fiscal a partir de 2027”, afirma Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.

O PL, partido de Flávio Bolsonaro, elege 19 senadores e forma, a partir de 2027, uma bancada de 28 parlamentares na Casa. Essa correlação de forças alimenta a ideia de um Congresso mais receptivo a propostas de corte de gastos e revisão de despesas obrigatórias.

O otimismo se espalha rapidamente pelos ativos locais. O real se torna a moeda que mais se valoriza entre as 31 mais negociadas no mundo, e o movimento encontra eco também no exterior, com fundos internacionais de ações brasileiras em forte alta. O ETF EWZ, principal índice de papéis do país em Nova York, sobe 13,35% no dia.

Rali de ações e queda brusca dos juros futuros

Na B3, a alta é generalizada. O Ibovespa chega a bater 209.606 pontos na máxima intradiária, avanço de 9,1%. Apenas oito ações do índice terminam o pregão no vermelho.

O movimento se apoia em um tombo expressivo dos juros futuros, que recuam mais de 8% nos vencimentos intermediários e longos. Títulos públicos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+ 2032, passam a oferecer retorno real de 7% ao ano, enquanto papéis prefixados para 2029 pagam 12,62%.

Para gestores, essa virada na curva de juros explica boa parte do rali. “Esta queda nos juros gera uma valorização para a própria Bolsa através do custo de oportunidade e da taxa de desconto dos preços das ações, alimentando um clima de otimismo e um fluxo expressivo para os ativos brasileiros”, diz Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos.

O efeito é mais visível em ações de bancos, consumo e varejo, setores que sofrem diretamente com juros altos. BTG Pactual (BPAC11) salta 22,52%, B3 (B3SA3) também avança 22,63%. Entre os grandes bancos, Itaú (ITUB4) sobe 10,37%, Banco do Brasil (BBAS3) ganha 11%, Bradesco (BBDC3) dispara 15,03% e a ação preferencial (BBDC4) avança 13,57%. Santander (SANB11) fecha em alta de 2,63%.

No varejo e serviços, investidores retomam apetite por risco. Magazine Luiza (MGLU3) dispara 24,18%, Cosan (CSAN3) avança 23,79%, Cyrela (CYRE3) sobe 18,40% e Localiza (RENT3) ganha 20,68%.

Petrobras também acompanha o movimento, em meio à leitura de um ambiente regulatório mais previsível. As ações ordinárias (PETR3) sobem 6,68%, e as preferenciais (PETR4), 8,19%.

Nem todos surfam a onda. Suzano (SUZB3) cai 5,39% e Vale (VALE3) recua 0,97%, numa realização pontual e em meio a preocupações específicas com o cenário de commodities, menos sensível ao quadro político doméstico.

Dólar em queda e fluxo estrangeiro reforçam apetite por risco

No câmbio, a moeda americana recua à mínima de R$ 4,95 durante o dia e encerra a R$ 5,00, na maior queda diária desde 8 de junho de 2018. A melhora da percepção de risco e a leitura de um eventual ajuste fiscal atraem capital estrangeiro e impulsionam o real.

Analistas destacam que o avanço de candidaturas alinhadas a Flávio Bolsonaro nas disputas estaduais e no Congresso reforça, aos olhos do mercado, a ideia de governabilidade. Mais importante para o investidor, porém, é a promessa de contenção de gastos a partir de 2027, num país cuja dívida pública ronda níveis recordes.

Na prática, um real mais forte pressiona para baixo as projeções de inflação, o que reduz a necessidade de juros tão altos no futuro e retroalimenta o ciclo de valorização da Bolsa. Títulos públicos passam a pagar prêmios menores e perdem atratividade relativa para as ações, sobretudo de empresas bem capitalizadas e com geração robusta de caixa.

O otimismo local acontece em um ambiente global também positivo, com os principais índices de ações dos Estados Unidos em alta, o que facilita o ingresso de recursos em mercados emergentes. O salto de 13,35% do ETF EWZ em Nova York funciona como vitrine para o Brasil.

Histórico de eleições e próximos capítulos

Movimentos bruscos como o desta segunda-feira não são uma exceção em anos eleitorais. Estudos de consultorias apontam que, nas últimas três disputas presidenciais, o pregão seguinte ao primeiro turno costuma registrar altas superiores a 4% no Ibovespa.

A diferença neste ano está na combinação de uma liderança clara de Flávio Bolsonaro, a apenas três pontos porcentuais de uma vitória em primeiro turno, e no fortalecimento da direita no Senado e na Câmara. Esse conjunto reduz, na visão do mercado, o risco de pautas consideradas hostis ao investidor e aumenta a probabilidade de reformas liberais.

Fernando Siqueira, head de Research da Eleven, avalia que a alta desta segunda não encerra o movimento. “Ainda pode ter algum ajuste, dado que, para muitos investidores grandes, é difícil ajustar toda a posição em um dia. Não seria surpresa se observássemos mais altas nos próximos pregões”, afirma.

O quadro segue, porém, em aberto. A disputa do segundo turno ainda pode reequilibrar expectativas, e o desenho final do governo e da coalizão no Congresso vai definir até onde o rali atual pode ir. Uma frustração com o compromisso de ajuste fiscal, de qualquer lado, tende a reverter parte do entusiasmo de hoje, tanto na Bolsa quanto no dólar.

Por ora, o recado do mercado é claro: a combinação de perspectiva de contenção de gastos, Congresso mais conservador e queda dos juros futuros recoloca o Brasil no radar do investidor global. As próximas semanas dirão se essa euforia se transforma em tendência duradoura ou se permanece como um alívio pontual após o primeiro turno.

Por que o dólar teve a maior queda diária desde 2018 após o 1º turno das eleições?

A vitória de Flávio Bolsonaro no 1º turno e o avanço de um Congresso mais conservador aumentam a aposta em ajuste fiscal, reduzem a percepção de risco e atraem capital estrangeiro, fortalecendo o real.

Como o resultado do 1º turno das eleições influenciou a cotação do dólar hoje?

O mercado passou a ver maior probabilidade de mudança na política fiscal a partir de 2027, o que levou investidores a comprar ativos brasileiros e vender dólares, derrubando a cotação.

Até onde o dólar pode cair após o desabafo no mercado pós-1º turno?

Analistas veem espaço adicional de valorização do real se o cenário de ajuste fiscal se confirmar, mas o patamar exato depende do resultado do 2º turno e das negociações políticas.

Qual foi a reação do Ibovespa após o resultado do 1º turno das eleições?

O Ibovespa subiu 7,7%, a 206.912 pontos, novo recorde histórico nominal, depois de bater 209.606 pontos na máxima do dia, impulsionado por bancos, varejo e Petrobras.

Como o avanço do bolsonarismo nas eleições impactou o dólar e o Ibovespa hoje?

O fortalecimento do PL no Senado e a liderança de Flávio Bolsonaro aumentaram a confiança em reformas econômicas, derrubando o dólar a R$ 5,00 e puxando forte alta na Bolsa.

Qual é a cotação do dólar hoje após o 1º turno das eleições?

O dólar comercial fecha o dia em queda de 4,12%, cotado a R$ 5,00, após ter atingido mínima intradiária de R$ 4,95.


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