Jornalista acusou assédio ao vivo e volta a programa na RTVE
Marta Gómez Montero abandona ao vivo o programa ‘Malas Lenguas’ após acusar o apresentador Jesús Cintora de assédio moral. Três dias depois, retorna após pedidos públicos de desculpas e reacende debate sobre respeito no jornalismo televisivo.
Entretenimento
Após acusar assédio moral, jornalista retorna ao programa e reacende debate sobre respeito no jornalismo televisivo.
A jornalista espanhola Marta Gómez Montero abandona ao vivo, em 11 de julho de 2026, o programa “Malas Lenguas”, da RTVE, acusando o apresentador Jesús Cintora de assédio moral. Três dias depois, volta à atração após pedidos públicos de desculpas e transforma um colapso em frente às câmeras em debate sobre respeito no jornalismo televisivo.
Explosão ao vivo expõe bastidor de tensão
O incidente ocorre durante uma edição do “Malas Lenguas Noche”, em um debate sobre declarações do político Alberto Núñez Feijóo sobre absenteísmo. Quando Cintora passa a palavra à comentarista, o roteiro escapa do controle.
Marta interrompe a dinâmica, recusa-se a seguir o debate e confronta o apresentador, em tom de desabafo acumulado. “Desculpa, você não vai me humilhar de novo. Sinto-me absolutamente humilhada. Aguentei muito tempo, aguentei para pagar as contas, pelos meus filhos, mas não aguento mais”, afirma, diante das câmeras.
Ela chora, diz que suportou abusos e maus-tratos por tempo demais, retira o microfone, junta os papéis de trabalho e deixa o estúdio. Cintora ainda tenta entender o que acontece, mas não recebe resposta. O programa segue sem a jornalista, enquanto o trecho se espalha pelas redes e por redações na Espanha e fora dela.
Desculpas públicas e pressão sobre a RTVE
Horas depois do episódio, Jesús Cintora recorre às redes sociais numa tentativa de conter o dano à sua imagem e à do programa. Ele nega qualquer intenção de humilhação e descreve o episódio como um mal-entendido, atribuído ao gesto com a mão que teria sido apenas um pedido para que Marta aguardasse sua vez de falar.
“A Marta Gómez Montero é uma boa jornalista e colega que participa com muita frequência do nosso programa. Depois de ter dito em privado, quero apresentar-lhe as minhas desculpas pelo transtorno causado. A Marta conta com a minha amizade e as portas do programa estão abertas para ela”, escreve o apresentador.
A crise deixa de ser apenas um conflito entre colegas e atinge a direção da RTVE. Diante da repercussão e de questionamentos parlamentares, o presidente da emissora, José Pablo López, manifesta pesar pelo ocorrido e assume a necessidade de resposta institucional. Em audiência na Comissão Parlamentar Mista de Controlo, ele confirma a permanência de Marta na casa e faz um aceno público à trajetória da jornalista.
López afirma que a reputação profissional de Marta sustenta seu retorno “normal” à RTVE e elogia o que chama de “imensa generosidade e humanidade” da comentarista ao aceitar as desculpas. O recado pretende sinalizar que o episódio não será tratado como um excesso isolado, mas como ponto de partida para rever práticas internas.
Retorno, reconciliação e mensagem ao público
O retorno de Marta ao “Malas Lenguas” é anunciado em 14 de julho de 2026, às 16h30, e atualizado na manhã do dia 15, às 7h21. Três dias após o abandono ao vivo, ela volta ao estúdio sabendo que cada frase será lida como posicionamento sobre o que considera aceitável em sua profissão.
Logo na abertura, a jornalista agradece os pedidos de desculpas de Jesús Cintora e do presidente da RTVE. Conta que se sente “calma e reconfortada” com a postura de ambos e reforça que seu objetivo continua sendo exercer o trabalho “de forma profissional e respeitosa”.
Diante das câmeras, a reconciliação ganha gesto simbólico. Cintora reitera que não houve insultos ou gritos e volta a garantir que não quis humilhar a colega. O programa se encerra com um aperto de mãos entre os dois. A cena tenta encerrar a crise, mas cristaliza o episódio como exemplo raro de conflito trabalhista exposto em tempo real ao público.
Assédio moral, cultura de redação e impacto na TV pública
O que começa como um rompimento individual passa a ser lido como sintoma de um problema mais amplo: a forma como hierarquias e pressões se manifestam no jornalismo televisivo, especialmente em programas ao vivo. O desabafo de Marta, ao dizer que suportou a situação “para pagar as contas, pelos meus filhos”, joga luz sobre a combinação de precariedade, medo de retaliação e normalização de maus-tratos que muitas profissionais relatam em privado.
No caso da RTVE, a crise atinge três frentes. No “Malas Lenguas”, abala a confiança entre a equipe e expõe a dificuldade de separar tensão editorial de desrespeito pessoal. Na direção da emissora, pressiona por regras claras de conduta, canais de denúncia efetivos e treinamento de chefias para lidar com conflitos sem humilhação pública. Para o público, lança a dúvida sobre o ambiente em que são produzidos os programas que consomem diariamente.
Ganha força, por outro lado, um debate mais aberto sobre limites do confronto em estúdios. A televisão costuma valorizar embates e interrupções em nome da audiência. O gesto de Marta, ao cruzar seu próprio limite e dizer “não vou responder, Jesús”, funciona como recusa explícita a esse modelo quando ele se mistura a relações de poder assimétricas.
Em termos concretos, a emissora se vê obrigada a discutir protocolos para situações de possível assédio moral em antena, algo que raramente aparece na frente das câmeras. Internamente, a tendência é de aumento da vigilância sobre o comportamento de apresentadores e editores em ambientes de alta pressão. Externamente, outras emissoras passam a ser cobradas por códigos de conduta e iniciativas de proteção à saúde mental de jornalistas.
Um caso encerrado, mas um debate em aberto
Com o retorno de Marta e o gesto público de reconciliação com Jesús Cintora, a RTVE tenta virar a página e recuperar a estabilidade de um de seus programas de debates. A imagem de mãos apertadas busca transmitir a ideia de conflito resolvido, sem vencedores evidentes.
A repercussão, porém, indica que o episódio não se esgota na narrativa individual de perdão. O caso alimenta discussões sobre até que ponto a exposição ao vivo pode servir de escudo para práticas de assédio, e qual é a responsabilidade de emissoras públicas na proteção de suas equipes.
Se as promessas de revisão interna se confirmarem, o desabafo de Marta Gómez Montero em 11 de julho de 2026 poderá marcar um ponto de inflexão discreto, mas relevante, na cultura das redações de TV na Espanha. A próxima temporada do “Malas Lenguas” e os próximos debates em estúdio dirão se o aperto de mãos diante das câmeras representa apenas um gesto de conveniência ou o início de uma mudança duradoura na forma como o jornalismo televisivo trata seus profissionais.
O que exatamente Marta Gómez Montero acusou ao sair do programa?
Ela afirmou sentir-se “absolutamente humilhada”, disse que não era respeitada por Jesús Cintora e mencionou ter suportado “abusos e maus-tratos” por muito tempo para sustentar os filhos.
Jesús Cintora admitiu assédio moral contra a colega?
Ele pediu desculpas públicas e privadas pelo “transtorno causado”, mas negou intenção de humilhação. Disse que seu gesto foi apenas para que Marta aguardasse sua vez de falar.
Marta continuará trabalhando na RTVE após o episódio?
Sim. O presidente da RTVE confirmou que ela permanece na emissora, elogiou sua trajetória profissional e disse que sua reputação garante o retorno normal ao trabalho.
O que muda para o programa ‘Malas Lenguas’ depois da crise?
O programa perde, ao menos temporariamente, estabilidade e imagem, e passa a ser observado com mais atenção quanto ao clima interno e ao comportamento de seus apresentadores.


