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Jornalista Renato Machado morre aos 83 anos no Rio

Renato Machado, ex-apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil e um dos principais nomes do telejornalismo da TV Globo, morre aos 83 anos no Rio.

16/07/2026 21:41 7 min de leitura

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Ex-apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil falece no Rio aos 83 anos, deixando legado no telejornalismo.

O jornalista Renato Machado, um dos principais nomes do telejornalismo brasileiro, morre aos 83 anos na manhã desta quinta-feira (16), no Rio de Janeiro. Ele está internado na Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul da cidade, onde tem o falecimento confirmado pela emissora GloboNews e pela própria clínica.

Perda para o telejornalismo e impacto imediato

A morte de Renato Machado atinge em cheio a memória recente da televisão brasileira. Ele constrói, ao longo de mais de 40 anos de TV Globo, a imagem de apresentador sereno, rigoroso e ao mesmo tempo íntimo do público das manhãs e das grandes coberturas internacionais.

A Clínica São Vicente, em nota, lamenta o falecimento e manifesta condolências à família. A causa da morte não é divulgada. Colegas de redação começam a prestar homenagens nas redes sociais, e a própria GloboNews dedica espaço à trajetória do jornalista ao longo da programação desta quinta.

Renato deixa a esposa, Mônica Morel, a filha, a atriz Maria Eduarda Machado, conhecida como Duda Machado, e uma neta. Ele mantém contato constante com o público até os últimos anos, sobretudo pelo Instagram, onde reúne cerca de 130 mil seguidores e fala de música, viagens e vinhos.

Da redação do JB ao comando do Bom Dia Brasil

A carreira de Renato Machado começa em 1969, no Jornal do Brasil, então um dos principais veículos de imprensa do país. Em 1982, ele ingressa na TV Globo e logo passa a participar de grandes coberturas, como a Guerra das Malvinas, no início dos anos 1980.

Em 1983, a emissora o envia a Londres como correspondente internacional. De lá, Renato cobre episódios que marcam a história recente, como os atentados terroristas em Paris, em 1986, e o desastre nuclear de Chernobyl, em abril do mesmo ano. As entradas ao vivo a partir da Europa ajudam a consolidar sua imagem de repórter experiente, capaz de traduzir fatos complexos para o público brasileiro.

Entre 1996 e 2010, ele assume a função que o tornaria ainda mais popular: apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil. Ao lado de Leilane Neubarth e, depois, de Renata Vasconcellos, lidera uma reformulação do telejornal, que passa a ter estúdio mais conversado, maior interação com comentaristas e repórteres e entradas ao vivo mais frequentes. A lógica é aproximar o noticiário da rotina do telespectador, sem abrir mão de rigor na apuração.

Em entrevistas ao projeto Memória Globo, Renato descreve a exigência técnica e intelectual do ofício diante das câmeras. “Para ser telejornalista é necessário um acúmulo de conhecimento. É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra”, afirma.

Ao longo dessa trajetória, ele também apresenta o Jornal da Globo, o RJTV e integra a bancada do Jornal Nacional em diferentes períodos, sempre alternando funções de apresentação e reportagem.

Correspondente em Londres e repórter especial

Renato volta a Londres como correspondente internacional em setembro de 2011, após deixar a bancada do Bom Dia Brasil. Nessa nova fase, acompanha coberturas como o ataque ao jornal francês Charlie Hebdo, em 2015, a crise econômica na Grécia e homenagens pelos 95 anos de Nelson Mandela.

A segunda temporada europeia amplia o espaço de Renato para temas de cultura e estilo de vida. Ele dedica reportagens a vinhos e gastronomia, áreas pelas quais sempre demonstra entusiasmo. Em 2014, produz para o Jornal Hoje uma série sobre a região da Provença, no sul da França, combinando produção de vinhos, paisagens e hábitos locais.

Em 2016, já de volta ao Brasil, passa a integrar a equipe do Globo Repórter como repórter especial. Uma das edições do programa com reportagens suas chega a ser indicada ao Emmy Internacional, reconhecimento que reforça seu trânsito entre notícia dura e conteúdo mais contemplativo.

O contrato com a Globo é encerrado em 2021. Fora da rotina diária de TV, Renato troca o ponto eletrônico pelo celular: segue ativo nas redes sociais, onde comenta viagens, concertos, livros e garrafas, sempre com a mesma dicção calma que o consagrou diante das câmeras.

Humor na enfermaria e conexão com o público

Em março de 2024, o jornalista passa uma semana internado em um hospital no Rio para exames. Ao receber alta, fala diretamente com seus seguidores, em tom espirituoso, numa postagem que hoje ganha novo peso. “Olá, amigos. É bom reencontrar vocês. Eu estive uma semana no estaleiro para ajeitar algumas partes mecânicas. Foi uma determinação dos médicos e a boa notícia é que está tudo bem”, diz.

O bom humor diante da fragilidade física alimenta a identificação de uma geração de espectadores que cresceu com sua voz abrindo as manhãs de telejornal. Nas redes, muitos registram agora a sensação de luto por alguém que, embora anônimo em carne e osso, parecia frequentar a casa todos os dias.

Para colegas de redação, Renato funciona como uma espécie de biblioteca viva do telejornalismo, referência tanto na precisão do texto quanto no domínio de bastidores técnicos. Sua morte deixa um vácuo de memória institucional, sobretudo em áreas em que atuou com destaque: telejornais matutinos e cobertura internacional.

Legado, luto e o desafio de preservar a memória

A morte de Renato Machado reabre, dentro e fora da Globo, o debate sobre como preservar o legado de jornalistas veteranos na TV aberta. O caminho mais provável inclui retrospectivas, especiais e homenagens no ar, reunindo trechos de suas grandes reportagens, desde Chernobyl até a crise grega, passando pelas edições históricas do Bom Dia Brasil.

O impacto vai além da nostalgia. Para repórteres mais jovens, Renato encarna um modelo de profissionalismo que combina cultura geral ampla, curiosidade constante e apuro técnico. Sua frase sobre aprender com o erro diário, registrada no Memória Globo, ganha contornos de testamento profissional.

Nos cursos de comunicação, sua trajetória tende a virar estudo de caso. O modo como ele ajuda a modernizar o Bom Dia Brasil, equilibra análise e conversa em estúdio e experimenta formatos de reportagem no exterior oferece material para quem pensa o futuro do telejornalismo.

Os perfis que ele mantém nas redes, ainda acessíveis, devem se transformar em arquivo vivo de sua relação com o público, numa fronteira em que a memória afetiva se mistura ao acervo jornalístico. O luto de hoje, medido em mensagens e vídeos compartilhados, também aponta para essa nova forma de preservar a história da imprensa no país.

O que houve com Renato Machado?

Renato Machado morre aos 83 anos na manhã de 16 de julho de 2026, na Clínica São Vicente, na Gávea, onde está internado. A morte é confirmada pela GloboNews e pela clínica.

Qual a causa da morte do jornalista Renato Machado?

A causa da morte não é divulgada até o momento pelas fontes oficiais. A família e a clínica não detalham o quadro clínico.

Quem é a filha de Renato Machado?

A filha de Renato Machado é a atriz Maria Eduarda Machado, conhecida como Duda Machado. Ela atua em produções de televisão e teatro.

Quem são os familiares de Renato Machado?

Renato Machado deixa a esposa, Mônica Morel, a filha, a atriz Maria Eduarda Machado (Duda Machado), e uma neta, além de outros parentes não detalhados.


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