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Laura Cardoso morreu aos 98 anos: saiba como foi a despedida

Atriz Laura Cardoso morre aos 98 anos, em casa, em São Paulo, de causas naturais. Velório ocorre hoje, na Bela Vista, e país se despede de um dos maiores nomes da TV, teatro e cinema.

18/08/2026 07:01 7 min de leitura
Laura Cardoso morreu aos 98 anos: saiba como foi a despedida
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Velório acontece na Bela Vista e fãs prestam homenagem à atriz que marcou TV, teatro e cinema brasileiros.

Laura Cardoso, uma das maiores atrizes da história da TV, do teatro e do cinema brasileiros, morre aos 98 anos, em casa, em São Paulo, de causas naturais. O corpo é velado nesta terça-feira (18), em cerimônia aberta ao público, e o país se despede de um dos últimos pilares do pioneirismo da televisão.

Despedida em família e comoção pública

A morte ocorre às 23h24 de segunda-feira (17), na residência da artista, na capital paulista. O bisneto, Fernando Faria, confirma que ela parte de forma tranquila, cercada pela família. A notícia é divulgada na madrugada de hoje nas redes sociais oficiais da atriz.

“Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso”, diz a mensagem publicada no perfil da artista. O texto sintetiza um sentimento que se espalha entre fãs, colegas e instituições culturais, que desde as primeiras horas da manhã manifestam pesar e reverência.

O velório ocorre hoje, das 8h às 14h, no Funeral Home, no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo. A cerimônia funciona como despedida pública de uma figura que atravessa gerações e se torna referência de longevidade e excelência artística. A expectativa é de presença maciça de atores, diretores, produtores e anônimos.

Oito décadas de palco, câmera e microfone

Laura soma mais de 80 anos de carreira, iniciada aos 15, em radionovelas na Rádio Cosmos, em São Paulo. A voz firme e a capacidade de construir personagens complexas abrem caminho para a estreia na recém-inaugurada TV Tupi, no início da formação da televisão brasileira. Ela participa dos primeiros teleteatros, quando tudo ainda é ao vivo, improvisado e experimental.

Ao longo das décadas, acumula mais de 100 trabalhos em televisão, teatro, cinema e rádio. Em novelas, constrói uma galeria de personagens que se torna parte da memória afetiva do público. É Isaura, em “Mulheres de Areia”; Sinhana, no remake de “Irmãos Coragem”; Guiomar, em “A Viagem”; Carmem, em “Chocolate com Pimenta”; e Laksmi Nanda, em “Caminho das Índias”, entre tantos outros papéis.

Na TV, sua última participação em novela ocorre em 2019, em “A Dona do Pedaço”, já como grande dama do elenco. Apesar de se afastar de grandes produções a partir de 2020, ela segue ativa e aceita o desafio de protagonizar o curta-metragem “Dona Rosinha”, lançado em 2025. No cinema, o trabalho recente reforça a capacidade da atriz de sustentar sozinha uma narrativa inteira, mesmo perto dos 100 anos.

O reconhecimento vem em forma de prêmios e reverência. Ao longo da trajetória, Laura conquista cinco prêmios Grande Otelo, principal distinção do cinema brasileiro, e se torna referência obrigatória em cursos de teatro, comunicação e artes cênicas. Para diretores e roteiristas, ter seu nome no elenco significa, por si só, um selo de qualidade dramática.

A morte como tema e a lucidez até o fim

A atriz fala com franqueza sobre a própria morte em 2014, em entrevista ao programa “Provocações”, da TV Cultura. Questionada sobre como gostaria de partir, responde sem hesitar: “Dormindo! Sabe aquela coisa, ‘ah, morreu dormindo’. É santo! De Deus”. A frase, resgatada hoje por admiradores, ganha novo peso diante da forma serena como ela se despede.

Na mesma conversa, reage com horror à ideia de prolongar a vida à força: “Ah, não!”, diz, ao ser questionada sobre estar cercada de aparelhos. O trecho circula nas redes sociais nesta manhã, acompanhado de homenagens que lembram a lucidez, o humor e a postura ética da artista diante da vida e da profissão.

Laura também fala, na entrevista, sobre reencarnação e justiça social. Diz que, se pudesse voltar, escolheria “um país onde tivesse justiça, igualdade e paz”. E completa que gostaria de “mudar o mundo” se tivesse essa possibilidade. As declarações reforçam a dimensão cidadã de uma artista que raramente se restringe aos bastidores da ficção.

Fim de uma era e legado para futuras gerações

A morte de Laura Cardoso representa, para o meio artístico, o fim de uma era. Ela pertence a uma geração que vê nascer a televisão brasileira, domina a linguagem do rádio, atravessa a consolidação das novelas e chega às plataformas digitais sem perder relevância. Poucos artistas conseguem manter presença contínua, com papéis de destaque, por mais de oito décadas.

Diretores e colegas apontam há anos a versatilidade da atriz como marca de sua carreira. Ela transita de vilãs duras a avós afetuosas, de mulheres simples do interior a figuras aristocráticas. A construção minuciosa de cada personagem, somada à disciplina de set, inspira gerações de intérpretes que a veem como escola viva de dramaturgia.

A ausência de Laura reacende o debate sobre a valorização de atores veteranos no audiovisual brasileiro. Sua trajetória mostra que idade avançada não limita complexidade de papéis nem qualidade de atuação. Produtores e roteiristas defendem que a presença de artistas mais velhos em tramas e filmes ajuda a refletir um país que envelhece e continua ativo.

Instituições culturais e canais de TV já se mobilizam para organizar retrospectivas e especiais dedicados à artista. A tendência é que sua obra ganhe ainda mais espaço em pesquisas acadêmicas, livros de história da televisão e projetos de preservação de memória. A própria narrativa da ficção nacional, em boa medida, passa pelos rostos e pelas vozes que Laura empresta a tantos personagens.

Os próximos dias devem ser marcados por maratonas de novelas, exibições de filmes e debates sobre sua contribuição para a arte brasileira. A longo prazo, o nome de Laura Cardoso tende a se consolidar como capítulo obrigatório em qualquer estudo sobre dramaturgia no país. A despedida de hoje, em São Paulo, encerra uma biografia, mas abre uma disputa simbólica para manter vivo o legado que ela constrói ao longo de quase um século.

Qual foi a causa da morte de Laura Cardoso?

Laura Cardoso morre aos 98 anos de causas naturais, em sua casa, em São Paulo, às 23h24 de segunda-feira (17), conforme confirma o bisneto, Fernando Faria, e a própria família em comunicado nas redes sociais oficiais da atriz, que anuncia a despedida durante a madrugada de hoje.

Onde será velado o corpo de Laura Cardoso?

O corpo de Laura Cardoso é velado hoje, terça-feira (18), no Funeral Home, no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo, em cerimônia aberta ao público, marcada para ocorrer das 8h às 14h, reunindo familiares, colegas de profissão, fãs e representantes de instituições culturais.

Quais foram as novelas mais marcantes de Laura Cardoso?

Laura Cardoso acumula mais de 100 trabalhos e se destaca em novelas marcantes como “Mulheres de Areia”, em que vive Isaura; “Irmãos Coragem”, como Sinhana; “A Viagem”, como Guiomar; “Chocolate com Pimenta”, como Carmem; e “Caminho das Índias”, em que interpreta Laksmi Nanda, além de atuar em “A Dona do Pedaço”.

Como foi a trajetória de Laura Cardoso na televisão brasileira?

Laura Cardoso estreia na televisão na TV Tupi, nos primórdios do veículo, após começar em radionovelas, e constrói mais de 80 anos de carreira com mais de 100 trabalhos, atravessando teleteatros ao vivo, novelas diárias e séries, até chegar à TV Globo e a produções recentes, tornando-se um dos pilares da dramaturgia nacional.


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