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Economia

Minha Casa: casarão de 1915 vira Casa dos Açores e lar para cães

Sede açoriana em casarão restaurado movimenta Santo Antônio de Lisboa enquanto especialistas usam o Dia Mundial do Cão para ensinar como preparar a casa para receber um pet.

26/08/2026 16:02 8 min de leitura
Minha Casa: casarão de 1915 vira Casa dos Açores e lar para cães
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Economia Criativa

Casarão histórico revitalizado em Santo Antônio de Lisboa se torna espaço cultural e abrigo para cães, unindo patrimônio e cuidado animal.

A restauração de um casarão de 1915 em Santo Antônio de Lisboa ganha hoje um duplo sentido: preserva a memória açoriana de Florianópolis e reacende o debate sobre como preparar uma casa — seja para a cultura, seja para a chegada de um cachorro.

No bairro histórico, a Prefeitura inaugura a nova sede da Casa dos Açores de Santa Catarina. Nas famílias brasileiras, o Dia Mundial do Cão, celebrado nesta quarta-feira, vira gancho para falar de planejamento, segurança e responsabilidade ao receber um animal de estimação.

Casarão centenário vira emblema da cultura açoriana

O imóvel de 1915, na esquina das ruas Cônego Serpa e Professor Osni Barbato, renasce depois de uma reforma que devolve cores e formas típicas da arquitetura açoriana. A obra, tocada pela Secretaria de Infraestrutura e Manutenção da Cidade, envolve recuperação estrutural, restauro de forros e assoalhos de madeira, substituição da cobertura, revisão da rede elétrica e pintura completa.

O prédio já foi residência, posto de saúde, escola municipal, intendência e subdelegacia de polícia. Agora abriga a Casa dos Açores de Santa Catarina, entidade criada para valorizar a herança açoriana da capital e integrada a uma rede internacional de instituições semelhantes. A Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes acompanha de perto o processo, que transforma o endereço em polo cultural permanente.

A inauguração reúne autoridades municipais e uma delegação oficial dos Açores, que atravessa o Atlântico para reforçar o vínculo histórico com a ilha. O gesto sinaliza que o projeto não é apenas local: coloca Florianópolis no mapa de intercâmbio cultural com as comunidades açorianas espalhadas pelo mundo.

Turismo, orçamento e disputa por prioridades

O casarão restaurado muda o mapa afetivo de Santo Antônio de Lisboa. O bairro, já conhecido pela gastronomia e pelas fachadas coloniais, ganha um espaço institucional para exposições, oficinas, encontros de pesquisadores e apresentações artísticas ligadas ao universo açoriano.

Setores de turismo cultural e economia criativa enxergam no novo equipamento um atrativo adicional para visitantes interessados em história, música, religiosidade e festas típicas. A projeção é de aumento no fluxo de turistas e de atividades educativas associadas às escolas da rede municipal.

O investimento público, porém, não é neutro. Em um cenário de disputa por recursos para saúde, transporte e habitação, a restauração de um patrimônio histórico costuma dividir opiniões. Dados de custo detalhados não são divulgados, mas o valor médio de veiculações institucionais ligadas ao projeto, de R$ 2.550,00, dá pistas de uma estratégia de comunicação que aposta alto na visibilidade da obra.

A prefeitura argumenta que preservar o casarão significa também preservar a memória de quem moldou a cidade. Ao colocar a Casa dos Açores em um prédio emblemático, a gestão busca reforçar a ideia de que identidade cultural é política pública, não apenas assunto de calendário festivo.

Da Casa dos Açores à casa com cachorro

Em paralelo à abertura do espaço cultural, outro tipo de “casa pronta” entra na pauta neste 26 de agosto. O Dia Mundial do Cão impulsiona campanhas para lembrar que a chegada de um cachorro à família não combina com improviso.

A veterinária Beatriz Ferlin, do Hospital Veterinário Taquaral, insiste que o primeiro passo vem antes da escolha do animal. “É importante escolher um animal que seja compatível com o estilo de vida da família. Ter um cachorro envolve uma responsabilidade que vai acompanhar aquela casa por muitos anos”, afirma.

Ela resume o planejamento em três eixos: tempo, espaço e custos. Um cão precisa de atenção diária, rotinas de passeio, higiene, alimentação de qualidade e acompanhamento veterinário regular. Isso significa, na prática, organizar a agenda, medir a metragem do apartamento ou da casa e refazer o orçamento doméstico.

Beni, o Border Collie, e os sustos da falta de preparo

O relato do casal Priscilla e Ciro Rabelo ilustra o impacto dessa decisão. Assim que deixaram o apartamento para viver em uma casa, decidiram realizar o sonho do cachorro. Em um canil, escolheram Beni, um Border Collie de 45 dias, atraídos pela fama de inteligência e companheirismo da raça.

“Eu queria um cão que corresse comigo, fosse em restaurantes, shopping e viajasse, enfim, que participasse da nossa rotina”, conta Priscilla. A realidade exige aprendizado dos dois lados. Com cinco meses, Beni ainda apresenta comportamentos novos quase diariamente, o que leva o casal a contratar um adestrador por pelo menos seis meses.

Priscilla admite que a empolgação inicial não veio acompanhada do estudo necessário. “Amamos o Beni e ele faz parte da família, mas os sustos do início foram gigantescos. Acredito que se tivéssemos pesquisado mais, nos planejado melhor antes de trazê-lo pra casa muitos transtornos não teriam acontecido”, diz.

Ambiente seguro, regras claras e atenção à saúde

As recomendações de Beatriz Ferlin partem de uma ideia simples: o cachorro precisa encontrar uma casa pensada para ele. Isso passa por definir locais fixos para alimentação, descanso e necessidades, com potes de comida e água, cama, cobertores e banheiro higiênico ou área equivalente.

Brinquedos entram como ferramenta de enriquecimento ambiental, ajudando a reduzir destruição de móveis e a canalizar a energia de filhotes. A casa precisa ainda de uma “vistoria preventiva”: fios soltos, produtos de limpeza, medicamentos, plantas tóxicas, lixeiras e objetos pequenos devem sair do alcance do animal.

Portões e telas são itens obrigatórios para quem vive em casas com acesso à rua ou imóveis com sacadas e áreas altas. “Na hora de abrir um portão, por exemplo, alguém deve estar segurando o cão ou mantê-lo em um espaço seguro. Em apartamentos e casas com áreas altas, as telas são uma proteção fundamental”, orienta a veterinária.

Famílias com crianças pequenas precisam redobrar a supervisão nas interações. A apresentação deve ocorrer de forma gradual, respeitando o espaço de todos. Quando já existe outro animal na casa, a adaptação também deve ser progressiva, evitando deixá-los sozinhos até que estejam confortáveis um com o outro.

Filhote ou adulto: a escolha que muda a rotina

O entusiasmo com filhotes muitas vezes ofusca as vantagens de adotar um cão adulto. Filhotes pedem tempo para brincar, gastar energia e aprender regras, o que pode ser incompatível com famílias muito atarefadas ou lares com idosos.

“Muitas vezes já sabemos se ele é mais calmo ou ativo, se precisa de muita companhia, se se adapta bem a um apartamento e até se já faz as necessidades no local correto. São animais que já estão, de certa forma, prontos, e isso nem sempre é valorizado por quem procura um pet”, diz Beatriz.

No consultório, a veterinária recomenda uma consulta logo após a chegada do animal, seja filhote, seja adulto. O atendimento define um protocolo individual de vermífugos, controle de pulgas e carrapatos, vacinação e exames. Em filhotes, a série inicial costuma incluir de três a quatro doses de vacina polivalente, aplicadas com intervalos de três a quatro semanas, mais a proteção contra raiva.

Enquanto a imunização não se completa, o novo integrante da família precisa ficar restrito a ambientes controlados, sem contato com possíveis focos de doença. A liberação para passeios e convivência com outros cães costuma ocorrer por volta dos quatro meses e meio, sempre com avaliação veterinária.

Alimentação adequada, atenção a sinais de alerta — como vômitos, diarreia e apatia persistente — e a recusa em medicar por conta própria encerram o pacote mínimo de responsabilidade. O conjunto de orientações tem impacto direto em clínicas, escolas de adestramento e comércio pet, e pode refletir, a médio prazo, em menos abandono e maus-tratos.

Da fachada azul e branca da Casa dos Açores ao portão telado que impede a fuga de um filhote, Florianópolis e as famílias brasileiras discutem, em escalas diferentes, a mesma ideia: cuidar exige preparo. A sustentabilidade da nova sede açoriana dependerá de programação constante e manutenção contínua. O bem-estar dos cães, por sua vez, dependerá da disposição de seus tutores em transformar casa em lar responsável, e não em impulso de data comemorativa.

O que preparar antes de levar um pet para casa?

Definir áreas fixas para alimentação, descanso e necessidades, retirar objetos perigosos, instalar portões e telas, comprar cama, comedouros, brinquedos e tapete higiênico e agendar consulta veterinária inicial são os passos básicos para receber um cachorro em casa com segurança e reduzir o risco de sustos na adaptação.

O que é a Casa dos Açores inaugurada em Florianópolis?

A Casa dos Açores inaugurada em Florianópolis é a nova sede da Casa dos Açores de Santa Catarina em um casarão restaurado de 1915, em Santo Antônio de Lisboa, dedicada à preservação, pesquisa e divulgação da cultura açoriana, com atividades culturais, educativas e de integração comunitária voltadas para moradores e turistas.


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