Morre aos 83 anos o jornalista Renato Machado
Renato Machado, ex-âncora do Bom Dia Brasil e referência do telejornalismo, morre aos 83 anos no Rio. Morte ocorre nesta quinta (16), em clínica na Gávea.
Obituário
Renato Machado, ícone do telejornalismo brasileiro, faleceu no Rio aos 83 anos, deixando legado na televisão.
O jornalista Renato Machado, um dos nomes centrais do telejornalismo brasileiro, morre na manhã desta quinta-feira (16), aos 83 anos, na zona sul do Rio. Ele está internado na Clínica São Vicente, na Gávea. A causa da morte não é divulgada pela família e pelos médicos.
Despedida discreta e silêncio sobre causa da morte
Renato deixa a esposa, a jornalista Mônica Morel, a filha, a atriz Maria Eduarda Machado, conhecida como Duda Machado, e uma neta. Até o início da tarde, não há informações oficiais sobre velório e enterro.
O silêncio em torno da causa da morte alimenta especulações nas redes sociais, mas amigos próximos reforçam o pedido de respeito à privacidade da família. A opção por não revelar detalhes já marca os primeiros registros desta despedida, em contraste com a vida pública que ele leva por mais de cinco décadas.
Em março de 2024, Renato passa uma semana internado em um hospital no Rio para exames. Ao receber alta, tranquiliza o público com bom humor em vídeo publicado para seus 130 mil seguidores no Instagram. “Olá, amigos. É bom reencontrar vocês. Eu estive uma semana no estaleiro para ajeitar algumas partes mecânicas. Foi uma determinação dos médicos e a boa notícia é que está tudo bem”, diz na ocasião.
Quatro décadas à frente da notícia
Nascido em 21 de março de 1943, no Rio de Janeiro, Renato inicia a carreira em 1969, como repórter do Jornal do Brasil. Formado em Direito pela PUC-Rio, chega ao jornalismo depois de experiências como ator, dublador de cinema e integrante do Teatro Oficina, em São Paulo. A passagem pelos palcos ajuda a moldar a dicção precisa e a presença de cena que mais tarde marcam suas apresentações na TV.
Em 1982, é contratado pela TV Globo, emissora onde permanece até 2021. Logo nos primeiros anos, se destaca na cobertura da Guerra das Malvinas, em 1982, conflito entre Argentina e Reino Unido. No ano seguinte, em 1983, é enviado a Londres como correspondente internacional.
Da capital britânica, acompanha alguns dos episódios mais marcantes da história recente. Em 1986, cobre atentados terroristas em Paris e, no mesmo período, relata para o público brasileiro os impactos do acidente nuclear de Chernobyl, na então União Soviética. As reportagens ajudam a consolidar a imagem de um jornalista sereno, capaz de explicar crises complexas em linguagem simples.
De volta ao Brasil em 1988, Renato assume a função de repórter especial e passa por vários telejornais da casa. Apresenta o Jornal da Globo, o RJTV e integra a bancada do Jornal Nacional, sempre alternando a posição de âncora com a de repórter em grandes coberturas.
O telejornal da manhã que muda de formato
O marco da carreira vem entre 1996 e 2010, quando Renato apresenta e edita o Bom Dia Brasil. À frente do telejornal matinal, ajuda a redesenhar o programa, que se afasta do formato rígido de notícias lidas e aposta em conversas ao vivo com comentaristas e repórteres.
O diálogo com colegas como Renata Vasconcellos, que mais tarde também assume o Jornal Nacional, se torna uma das marcas do noticiário. A bancada deixa de ser apenas um ponto de leitura e passa a funcionar como centro de debates sobre política, economia e cotidiano.
Em depoimento ao projeto Memória Globo, Renato resume a visão de ofício. “É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra”, afirma. A frase revela o método: curiosidade permanente, atenção à técnica e disposição para rever a própria prática.
Depois de 2010, ele volta a Londres para uma nova temporada como correspondente internacional. Dessa vez, narra desdobramentos da crise econômica na Grécia, a partir de 2008, e coberturas como os ataques ao jornal francês Charlie Hebdo, em Paris, em 2015. O olhar para o mundo, afinado ao longo de décadas, reforça a vocação de ponte entre o Brasil e o noticiário internacional.
Do estúdio às redes sociais
Em 2016, Renato é chamado para integrar a equipe do Globo Repórter como repórter especial. Participa de reportagens de fôlego, uma delas em uma edição indicada ao Emmy Internacional, um dos principais prêmios da TV mundial. A mudança para o jornalismo aprofundado amplia o repertório de temas, da ciência ao meio ambiente.
O contrato com a Globo se encerra em 2021, após quase 40 anos de vínculo. Longe da rotina diária da emissora, Renato não se afasta do público. Escreve sobre vinhos, gastronomia e cultura para jornais, revistas e colabora com a rádio CBN, mantendo a voz reconhecível para diferentes gerações.
No Instagram, passa a compartilhar com regularidade suas paixões por música, viagens e vinhos. A presença nas redes, rara entre jornalistas de sua geração, mostra disposição em dialogar com uma audiência mais jovem e num formato menos solene que o telejornal tradicional.
Perda para o telejornalismo e legado em disputa
A morte de Renato Machado abre um vazio simbólico em um momento em que o jornalismo enfrenta desinformação, ataques a profissionais e transformações tecnológicas aceleradas. Colegas descrevem, nas primeiras homenagens, a “elegância” e a “cultura” como traços mais lembrados, mas o impacto da carreira vai além do estilo pessoal.
Na prática, sua atuação ajuda a consolidar o padrão de telejornalismo que alia rigor informativo, linguagem acessível e abertura para a análise, especialmente no noticiário matinal. O modelo que ele pratica no Bom Dia Brasil influencia formatos posteriores e inspira redações a apostar em maior interação entre apresentadores e repórteres.
Escolas de jornalismo, cursos livres e projetos acadêmicos ganham, com sua morte, um personagem central para discutir a evolução da notícia na TV, do videotape ao streaming. O caminho que Renato percorre, do jornal impresso às redes sociais, espelha a própria transformação do ofício no Brasil desde o fim dos anos 1960.
Os próximos dias tendem a ser de homenagens em emissoras, rádios e veículos digitais, com retrospectivas de coberturas marcantes e bastidores de estúdio. A longo prazo, o desafio será transformar o luto em reflexão sobre o jornalismo que se faz hoje e o que se deseja para as próximas décadas, em um ambiente em que experiência e cultura, marcas da trajetória de Renato Machado, parecem cada vez mais raras.
O que houve com Renato Machado?
Renato Machado morre na manhã de 16 de julho de 2026, aos 83 anos, na Clínica São Vicente, na Gávea, no Rio de Janeiro. A causa da morte não é divulgada.
Quem é a filha de Renato Machado que se despediu dele?
A filha de Renato Machado é a atriz Maria Eduarda Machado, conhecida como Duda Machado. Ela é fruto do casamento do jornalista com a esposa, Mônica Morel.
Onde estava trabalhando Renato Machado antes de falecer?
Após encerrar o contrato com a TV Globo em 2021, Renato segue como colaborador em outras mídias, escrevendo sobre vinhos, cultura e participando de projetos em rádio e plataformas digitais.
Quem foi Renato Machado no jornalismo brasileiro?
Renato Machado é um dos principais nomes do telejornalismo no país. Foi correspondente internacional, repórter especial e âncora do Bom Dia Brasil entre 1996 e 2010, além de ter passado por diversos telejornais da TV Globo.
Quais são os detalhes sobre o velório de Renato Machado?
Até o momento da publicação, a família não divulga informações sobre local e horário do velório e do enterro de Renato Machado.
Quem são os familiares de Renato Machado, como esposa e filhos?
Renato Machado deixa a esposa, a jornalista Mônica Morel, a filha, a atriz Maria Eduarda (Duda) Machado, e uma neta. A família pede discrição neste momento.


