PF mira senador Weverton Rocha em nova fase da Sem Desconto
Polícia Federal faz buscas em endereços do senador Weverton Rocha, de familiares e do advogado Willer Tomaz em nova fase da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS.
Operação Sem Desconto
PF realiza buscas contra senador e envolvidos em investigação de fraudes no INSS.
A Polícia Federal cumpre nesta terça-feira (4 de agosto de 2026) 18 mandados de busca e apreensão contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA), familiares e o advogado Willer Tomaz, em nova fase da Operação Sem Desconto que investiga fraudes no INSS e lavagem de dinheiro.
Operação alcança núcleo político e jurídico
As diligências se concentram no Distrito Federal e no Maranhão, em endereços ligados ao senador, à esposa, à filha, a duas irmãs e ao escritório de Tomaz, em Brasília. A ação ocorre no momento em que Weverton lança sua candidatura para 2026, ampliando o desgaste político em torno do caso.
Os mandados são autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela investigação envolvendo o parlamentar. A PF mira o possível uso de estruturas empresariais, contas de terceiros e operações em dinheiro vivo para ocultar valores ligados ao esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Em nota, a corporação afirma que “as investigações tiveram início após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas por meio da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos”.
Máquina de contar dinheiro e carros de luxo
Durante as buscas desta terça, agentes apreendem uma máquina de contar dinheiro no escritório de Willer Tomaz. A presença do equipamento, combinada com a análise de transações em espécie, reforça a linha de apuração sobre lavagem de dinheiro ligada às fraudes no INSS.
Veículos de luxo associados ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, também entram na lista de bens mirados pela PF. Em julho, na fase anterior da Sem Desconto, policiais já haviam apreendido três carros em um endereço do lobista no Distrito Federal: dois de alto padrão e um de colecionador.
O objetivo central, segundo a corporação, é limitar o acesso de Antunes a recursos, travando a engrenagem financeira da organização. A PF investiga crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial, com foco em recuperar parte dos valores desviados de aposentados e pensionistas.
Senador nega crime e vê impacto eleitoral
Alvo de busca e apreensão pela primeira vez em 18 de dezembro de 2025, Weverton Rocha volta ao centro da operação. Na ocasião, a PF apontou que o senador teria se beneficiado de recursos desviados do INSS e o descreveu, em representação ao STF, como “liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” de Careca do INSS.
A investigação identifica diálogos no celular de Antunes que sugerem entrega de dinheiro vivo a um ex-assessor do senador. As mensagens reforçam a suspeita de que o núcleo político recebe parte do dinheiro que sai de entidades conveniadas ao INSS e passa por empresas de fachada.
Weverton reage afirmando que “não tenho nada a esconder” e associa o avanço da operação ao calendário eleitoral. Em notas anteriores, o senador diz que recebe as buscas com “surpresa” e que está à disposição para esclarecer os fatos quando tiver acesso integral às decisões judiciais.
A proximidade com Careca do INSS é conhecida. Em 2025, o próprio parlamentar confirma encontros com o empresário em um churrasco em sua casa, em Brasília, e em ao menos três reuniões de gabinete no Senado, nas quais, segundo ele, tratam de projeto para legalizar a importação de produtos à base de cannabis para uso medicinal.
Defesa de Willer Tomaz tenta se afastar do esquema
O advogado e empresário Willer Tomaz, apelidado em Brasília de “advogado camaleão” por transitar entre diferentes grupos políticos, volta a ser alvo de holofotes após ter o escritório vasculhado e uma aeronave associada ao seu nome colocada sob escrutínio.
Em nota oficial, sua defesa afirma que “o advogado e empresário Willer Tomaz esclarece que jamais teve qualquer envolvimento com os fatos apurados no âmbito da Operação Sem Desconto e que não figura como investigado no referido procedimento da Polícia Federal”.
Tomaz atribui o mandado exclusivamente ao fato de ser dono do avião usado por Weverton em viagem recente. “A disponibilização da aeronave ao senador Weverton Rocha ocorreu em caráter estritamente pessoal e amistoso, sem qualquer vínculo com os fatos investigados pela operação”, informa.
Ele insiste que “a disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados. O advogado reitera que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e confia na apuração serena dos fatos, certo de que sua conduta em nada se relaciona com o objeto da operação”.
Tomaz já aparece em apurações anteriores, como a Lava Jato, mas nunca é condenado. Agora, volta à mira da PF pela suposta proximidade com o núcleo político do esquema do INSS e pelo papel atribuído a sua estrutura empresarial na circulação de recursos.
Desvio bilionário e pressão sobre o INSS
A Operação Sem Desconto nasce do rastreamento de cobranças associativas não autorizadas em aposentadorias e pensões. Segundo a PF, a organização criminosa permite o desvio de mais de R$ 708 milhões de beneficiários do INSS. O dinheiro segue rapidamente para empresas de fachada e, a partir delas, financia enriquecimento ilícito e a corrupção de agentes públicos.
Parte dessa trama já resulta em indiciamentos. Em um dos inquéritos derivados da Sem Desconto, a PF aponta o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto por suspeita de receber vantagens indevidas, corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Ele nega ter cometido irregularidades.
Também entram na lista o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, o procurador do INSS Virgílio Antonio Ribeiro de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios e ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira, além do ex-deputado Euclydes Pettersen. A apuração envolve ainda outras entidades conveniadas e núcleos do esquema que seguem sob investigação em procedimentos separados.
O impacto sobre o INSS é direto. Além do rombo financeiro para aposentados e pensionistas, o escândalo expõe fragilidades na fiscalização de convênios e no controle dos descontos em folha, acirrando o debate sobre transparência na gestão previdenciária e responsabilidade política pelo esquema.
Próximas fases e cenário político
A nova investida contra Weverton Rocha e seu entorno sinaliza que a Sem Desconto entra em fase de aprofundamento sobre o elo entre o dinheiro desviado e o sistema político. A combinação de bloqueio de bens, apreensão de carros de luxo e maquinário de contagem de dinheiro indica que a PF tenta desmontar, ao mesmo tempo, a frente operacional e o braço de lavagem.
No campo institucional, o inquérito permanece sob a relatoria de André Mendonça no Supremo, com possibilidade de novas diligências, que podem incluir quebras adicionais de sigilo, novas buscas e eventuais pedidos de prisão preventiva, caso os investigadores vejam risco concreto às apurações.
No ambiente eleitoral, o senador maranhense entra na corrida sob a sombra de um escândalo previdenciário que já soma R$ 708 milhões em desvios identificados. A forma como ele e seu partido, o PDT, respondem às acusações tende a influenciar alianças, tempo de TV e a percepção de eleitores em um cenário de maior cobrança por ética e uso correto de recursos públicos.
A operação continua em andamento e deve produzir novos desdobramentos nos próximos meses, tanto na seara criminal quanto na política, à medida que a PF consolida provas e o STF decide se e quando transforma investigados em réus.
Quem é o senador Weverton Rocha e qual sua ligação com o esquema de fraudes no INSS?
Weverton Rocha é senador pelo PDT do Maranhão. A PF aponta que ele teria se beneficiado de dinheiro desviado do INSS e o descreve como sustentáculo das atividades de Careca do INSS, suspeito de liderar o esquema.
O que a Polícia Federal descobriu na nova fase da operação contra fraudes no INSS?
Os agentes apreendem uma máquina de contar dinheiro no escritório de Willer Tomaz e miram bens de luxo ligados ao grupo de Careca do INSS, reforçando a suspeita de lavagem de dinheiro e a ligação do núcleo político com o esquema.
Quem é o advogado camaleão de Brasília investigado por lavagem de dinheiro no esquema do INSS?
Trata-se de Willer Tomaz, advogado e empresário com atuação próxima a diferentes grupos políticos. Ele nega envolvimento, diz não ser investigado e afirma que só cedeu aeronave a Weverton em caráter pessoal.
Quais familiares do senador Weverton Rocha foram alvos da operação da Polícia Federal?
Os mandados desta terça atingem a esposa do senador, a filha e duas irmãs, além de outros endereços ligados ao núcleo familiar e político de Weverton Rocha.
Quais são os próximos passos da investigação da Operação Sem Desconto envolvendo o INSS?
A PF segue analisando diálogos, fluxos financeiros e bens apreendidos para robustecer as provas. O inquérito permanece no STF com André Mendonça, que pode autorizar novas buscas, quebras de sigilo e, se entender necessário, transformar investigados em réus em ações penais.


