Transparência — parte do conteúdo deste portal é produzida por inteligência artificial (WireDesk) e pode conter imprecisões; confira temas sensíveis em fontes oficiais. Política editorial →
powered by WireDesk ao vivo
Mercados
S&P 5007.743▲ 0,51%Nasdaq27.069▲ 0,48%Dow Jones51.829▲ 0,93%Ibovespa183.477▼ 0,27%FTSE 10010.695▲ 0,14%DAX25.409▲ 0,56%Nikkei66.364▲ 1,30%S&P 5007.743▲ 0,51%Nasdaq27.069▲ 0,48%Dow Jones51.829▲ 0,93%Ibovespa183.477▼ 0,27%FTSE 10010.695▲ 0,14%DAX25.409▲ 0,56%Nikkei66.364▲ 1,30%
Tecnologia

Placa em ruptura no Pacífico e El Niño extremo ameaçam Califórnia

Pesquisa revela placa tectônica em ruptura no Pacífico enquanto um El Niño muito forte aquece o oceano, alimenta ciclones e destrói praias e casas na Califórnia.

26/09/2026 20:00 9 min de leitura
Placa em ruptura no Pacífico e El Niño extremo ameaçam Califórnia
Transparência Esta matéria foi produzida com apoio de inteligência artificial e pode conter imprecisões. Confira temas sensíveis em fontes oficiais. Política editorial →

Geociência

Estudo aponta riscos naturais crescentes que podem impactar o clima e a infraestrutura da Califórnia.

Uma placa tectônica em ruptura no fundo do Pacífico, ondas gigantes destruindo casas na Califórnia e um El Niño muito forte aquecendo recordemente o oceano expõem, ao mesmo tempo, um planeta em lenta transformação geológica e em rápida crise climática.

Placa se fragmenta em Cascadia, em processo de milhões de anos

No noroeste da América do Norte, o Experimento de Imagem Sísmica de Cascadia (CASIE21) mostra que uma placa oceânica está se partindo sob o Pacífico. As fraturas atravessam a placa e revelam deslocamentos de até 5 km em blocos de rocha que, por muito tempo, pareciam um único corpo sólido.

Os dados, obtidos com ondas sonoras enviadas ao fundo do mar e captadas por equipamentos instalados em um cabo de aproximadamente 15 km, revelam um quadro complexo. Em um trecho de 75 km, há registro de terremotos, enquanto segmentos vizinhos permanecem silenciosos, sinal de que a placa já não se comporta como uma estrutura única.

Geofísicos descrevem um processo de longa duração, em que diferentes partes da placa se separam em momentos distintos, ao longo de milhões de anos. Algumas falhas permitem o deslizamento lateral de blocos da crosta, enfraquecendo a ligação entre eles. Quando rochas conectadas acumulam tensão, podem gerar terremotos; quando um bloco se desprende de vez, a produção de tremores tende a cessar naquele ponto.

A ruptura abre espaço para o surgimento do que os especialistas chamam de “janela de placa”: um buraco profundo por onde material quente do interior da Terra pode ascender. Essa coluna de rocha aquecida tem potencial para alterar a atividade vulcânica da região, influenciando, no futuro distante, ecossistemas marinhos e a estabilidade geológica da costa do noroeste americano.

Ondas gigantes redesenham a costa da Califórnia

Enquanto a geologia trabalha em escala de eras, o clima muda a paisagem em uma única estação. No sul da Califórnia, uma sequência de ciclones e furacões no Pacífico Oriental, intensificados pelo El Niño, tem gerado ondas gigantes que avançam sobre praias e imóveis à beira-mar.

Em Malibu, o mar abriu um enorme buraco próximo à casa do ator Nicolas Cage e deixou um rastro de destruição em propriedades costeiras. Em Dana Point, ao longo da Beach Road, as ondas demoliram uma casa e forçaram a desocupação total ou parcial de outras 16, numa rua que simboliza o privilégio de morar “pé na areia”.

O estado declarou emergência preventiva para mobilizar equipes de resgate e estrutura de resposta rápida. Cientistas alertam que o pior ainda não passou. “Tudo indica que este será um inverno bastante épico em termos de riscos potenciais”, afirma Patrick Barnard, diretor de pesquisa do Centro de Resiliência Climática Costeira da Universidade da Califórnia em Santa Cruz. “Tudo é amplificado pelas mudanças climáticas.”

O nível médio do mar na região subiu de 20 cm a 30 cm ao longo do último século. Um El Niño forte pode adicionar temporariamente mais 15 cm a 30 cm a essa elevação, combinando o aquecimento da água com ondas de Kelvin, ondulações submersas que empurram o oceano para cima ao atingir a costa. Essa maré elevada se soma às marés-rei sazonais e a tempestades intensas, criando um cenário de erosão acelerada e inundações cada vez mais frequentes.

El Niño de 2026 se destaca pela força do aquecimento

No centro dessa transformação está o aquecimento anômalo do Pacífico Equatorial. A faixa conhecida como Niño 3.4, usada como principal termômetro do El Niño, registra agora anomalias diárias superiores a 3°C, com pico recente de +3,04°C. É o maior valor diário já medido nessa região, superando inclusive o auge do episódio considerado um dos mais fortes da história recente.

O relatório semanal mostra uma anomalia média de 2,1°C no Niño 3.4. Pela escala técnica, valores acima de 2°C classificam o fenômeno como muito forte. A previsão dos climatologistas é que o aquecimento atinja o pico entre novembro e o início de 2027, com potencial para tornar este o El Niño mais intenso já registrado.

Em meio à corrida por explicações, o vocabulário popular corre à frente da ciência. “Não existem Super El Niño, Mega El Niño, Godzilla El Niño, esses são nomes que a imprensa usa”, rebate José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden. “A classificação da NOAA vai de fraco, moderado, forte e muito forte e, até o momento, podemos considerar muito forte.”

O aquecimento do Niño 3.4 altera a circulação atmosférica global. Correntes de ar mudam de rota, zonas de chuva se deslocam, secas se intensificam em algumas regiões enquanto outras enfrentam temporais e inundações. Em conjunto com o aquecimento global causado por emissões de gases de efeito estufa, esse El Niño muito forte tende a empurrar a temperatura média do planeta para novos recordes.

Praias somem, turismo perde espaço e risco climático aumenta

Na ponta sul da Califórnia, as consequências já são visíveis. Em Carlsbad, cidade com 112 mil habitantes ao norte de San Diego, a areia da praia de Tamarack desaparece quase da noite para o dia. Onde antes havia uma faixa larga e dourada, hoje sobram pedras e concreto expostos.

A praia é peça central da economia local. Cerca de 14% do orçamento operacional da cidade vem de impostos sobre quartos de hotel, alimentados justamente pelo turismo de sol, mar e surfe. O geomorfologista costeiro Adam Young, do Instituto Scripps de Oceanografia da UC San Diego, percorre o trecho onde o oceano engoliu a areia e avança sobre um estacionamento antes colado à orla.

Surfistas ainda ocupam o pouco espaço que resta, mas o cenário mudou. A área que vivia lotada de famílias e turistas agora abriga apenas pequenos grupos, espalhados por uma estreita língua de areia. A sensação, para quem depende da praia, é de que o tempo se encurta.

“Espero que consigam encontrar uma solução, porque, sinceramente, acho que a Mãe Natureza vai levar tudo de volta até que eles parem com isso, certo?”, desabafa o surfista Alex Stott, após uma sessão de manhã cedo em Tamarack. “Está ficando claro que ela pode levar a praia inteira, se quiser, bem rapidamente.”

O impacto não se limita ao lazer. Pescadores convivem com portos mais vulneráveis a ressacas extremas, infraestruturas litorâneas encaram custos crescentes de manutenção e proteção, e moradores de áreas baixas avaliam a necessidade de recuo planejado. A erosão costeira, forçada por ondas mais energéticas e mar mais alto, deixa de ser ameaça abstrata e entra na rotina de decisões de prefeitos, seguradoras e comunidades.

Monitoramento intensivo e adaptação entram na agenda

A combinação da fragmentação lenta da placa de Cascadia com o aquecimento rápido do Pacífico Equatorial ilustra como processos profundos da Terra e do clima interagem em escalas distintas. O rompimento da placa não muda a vida de ninguém neste século, mas exige vigilância de longo prazo e atualização de modelos de risco sísmico e vulcânico na região.

O El Niño muito forte, por outro lado, já altera o presente. Meteorologistas trabalham com cenários de chuvas intensas e ondas de calor em vários continentes. No Brasil, a configuração típica desse fenômeno inclui mais chuva no Sul, secas e calor exacerbado na Amazônia e no Nordeste e impactos diretos sobre agricultura, geração hidrelétrica e saúde pública.

Órgãos como NOAA, centros universitários dos Estados Unidos e o Cemaden no Brasil reforçam o monitoramento em tempo real, cruzando dados de satélite, boias oceânicas e estações meteorológicas. Governos locais discutem estratégias de adaptação, de muros de proteção costeira a planos de evacuação, passando por revisão de códigos de construção em áreas vulneráveis.

A tendência, segundo cientistas, é que eventos extremos ligados ao oceano — desde ressacas históricas até inundações em rios alimentados por “rios atmosféricos” — se tornem mais frequentes na medida em que o aquecimento global continua. O desafio é fazer com que o avanço do conhecimento científico se traduza em decisões rápidas o suficiente para reduzir danos em comunidades que já veem o mar bater à porta.

O que está causando o rompimento da placa tectônica no fundo do Oceano Pacífico?

O rompimento da placa tectônica em Cascadia é causado por falhas profundas que permitem deslocamentos laterais de blocos da crosta, gerando fraturas que atravessam a placa e enfraquecem sua estrutura ao longo de milhões de anos, até que segmentos se separem e abram espaço para a ascensão de material quente do interior da Terra.

Como o aquecimento do Oceano Pacífico está relacionado ao fenômeno El Niño?

O aquecimento anômalo do Oceano Pacífico Equatorial, hoje com até +3,04°C no Niño 3.4, define o El Niño, porque águas superficiais mais quentes alteram ventos e circulação atmosférica, deslocam faixas de chuva, mudam padrões de temperatura global e intensificam eventos extremos como secas, enchentes, ondas de calor, ciclones e ressacas costeiras.

Quais os impactos do Super El Niño no clima e nas populações ao redor do Oceano Pacífico?

Um El Niño muito forte, com anomalia média de 2,1°C no Niño 3.4, provoca chuvas extremas em algumas áreas, secas em outras, ressacas mais violentas, elevação temporária do nível do mar, danos à pesca, perdas agrícolas, risco maior de deslizamentos, enchentes urbanas, crises hídricas e impactos diretos na saúde e na economia de milhões de pessoas.

Como o aumento do nível do mar está afetando as regiões costeiras da Califórnia?

O aumento do nível do mar na Califórnia, de 20 a 30 cm em um século somado a incrementos temporários de mais 15 a 30 cm por El Niño forte, intensifica a erosão de praias, destrói casas à beira-mar, invade estacionamentos e vias, ameaça infraestrutura turística, reduz áreas de lazer e pressiona comunidades costeiras a recuar ou investir pesado em obras de proteção.

Qual a relação entre o furacão no Oceano Pacífico e o fenômeno El Niño?

Furacões no Pacífico Oriental, como os observados neste verão, são fortalecidos por águas mais quentes associadas ao El Niño, que fornece energia extra às tempestades e permite que, mesmo sem atingir diretamente a costa da Califórnia, elas gerem ondas gigantes e marés elevadas que causam destruição e aceleram a erosão em cidades litorâneas.


Tecnologia
Publicidadeinarticle
Leia também