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Poder360: Datafolha revela disputa acirrada e 1º turno decisivo

Novo Datafolha mostra Lula à frente em Minas e Pernambuco, Flávio Bolsonaro liderando no Rio e DF e empate em São Paulo, com 82% do eleitorado já decidido.

03/10/2026 09:00 6 min de leitura
Poder360: Datafolha revela disputa acirrada e 1º turno decisivo
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Eleições 2026

Pesquisa Datafolha aponta cenário competitivo nas principais regiões do país com eleitorado amplamente decidido.

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entram no fim de semana eleitoral em franca disputa voto a voto, com liderança dividida por regiões e risco real de a eleição ser resolvida já no 1º turno. Novo Datafolha mostra o presidente à frente em Minas Gerais e Pernambuco, o senador na dianteira no Rio de Janeiro e no Distrito Federal e um empate técnico em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.

Mapa da disputa: Lula forte no Nordeste, Flávio no eixo Rio-DF

O retrato atual da pesquisa expõe um país polarizado e geograficamente fatiado. Em Minas Gerais, Lula aparece com 42% das intenções de voto no 1º turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. Em Pernambuco, a vantagem do petista é larga: 61% a 25%.

Na outra ponta, Flávio Bolsonaro consolida redutos no Sudeste e no Centro-Oeste. No Rio de Janeiro, o senador tem 45%, ante 38% de Lula. No Distrito Federal, a distância também é confortável: 44% a 35%. Nos dois casos, a vantagem supera a margem de erro de 3 pontos percentuais.

Em São Paulo, onde a disputa nacional costuma se decidir, a campanha vive tensão máxima. Flávio Bolsonaro marca 39% no 1º turno, Lula chega a 38%. A diferença de 1 ponto está dentro da margem de erro de 2 pontos. O crescimento recente do petista no estado acende o alerta no comando da campanha do PL.

Números nacionais e voto útil empurram por definição rápida

No consolidado nacional, a simulação de votos válidos coloca Lula com 45% e Flávio Bolsonaro com 40%. Juntos, os dois concentram cerca de 85% das preferências. Augusto Cury (Avante) tem 4%, Ronaldo Caiado (PSD) soma 3% e Renan Santos (Missão) também aparece com 3%. Zema (Novo) e Samara Martins (UP) registram 1% cada; os demais não chegam a 1%.

Quando se considera o total de votos, incluindo brancos, nulos e indecisos, Lula tem 42% e Flávio Bolsonaro 38%. Brancos e nulos somam 5%, e apenas 2% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar. O levantamento colhe 2.506 entrevistas presenciais em 152 municípios, com margens de erro entre 2 e 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O dado mais sensível para a reta final é o grau de cristalização das preferências. Segundo o Datafolha, 82% dos eleitores se declaram totalmente decididos sobre o voto no 1º turno. A margem de manobra para viradas de última hora, em tese, encolhe. O movimento mais provável, apontam analistas, é a migração de eleitores dos candidatos menores para Lula ou Flávio Bolsonaro.

“Na última semana, os dois principais candidatos somaram dois pontos percentuais cada em suas intenções, depois de um longo período de estabilidade, ao mesmo tempo em que os demais candidatos foram perdendo eleitores”, afirma o cientista político Hilton Fernandes. Para ele, esse é o desenho clássico de voto útil na reta final.

Perfis regionais e religiosos alimentam polarização

Os dados reforçam clivagens já conhecidas. Lula cresce entre eleitores de menor renda, com escolaridade mais baixa, no Nordeste e entre católicos. Flávio Bolsonaro tem desempenho melhor entre quem ganha acima de dois salários mínimos, no Sul e entre evangélicos.

Cila Schulman, analista política e CEO do Ideia Instituto de Pesquisa, vê uma reorganização silenciosa entre indecisos e eleitores de terceira via. “Temos esse fenômeno que chamo de ‘antipetismo de chegada’, que é quando esse eleitor, que está indeciso ou que está num desses candidatos que a gente chama de terceira via, migra para o candidato que ele julga ser mais forte para vencer o Lula”, diz.

Essa dinâmica ajuda a explicar o fortalecimento de Flávio Bolsonaro em redutos urbanos mais ricos, como o Distrito Federal, e em segmentos evangélicos organizados. Ao mesmo tempo, a resiliência de Lula em Pernambuco e Minas Gerais revela o peso de programas sociais, memória de governos anteriores e redes locais de prefeitos e lideranças comunitárias.

Os cenários de 2º turno refletem esse país rachado em blocos. Em São Paulo, Flávio Bolsonaro aparece com 48% e Lula com 45%, em empate técnico. No Rio, o senador abriria 51% a 42%. Em Minas, o jogo se inverte: Lula venceria por 48% a 44%. Em Pernambuco, a vantagem do petista salta para 65% a 29%.

Campanhas falam em vitória no 1º turno; especialistas veem hipótese aberta

Diante desse quadro, os dois líderes ampliam o tom de confiança. Lula diz acreditar em um desfecho imediato. “Eu sinceramente acho que vou ganhar as eleições em primeiro turno. Acho que as eleições vão ser definidas domingo”, afirma o presidente, em ato de campanha.

Flávio Bolsonaro devolve na mesma moeda. Em discurso a apoiadores, o senador avisa que conta com uma virada fulminante. “Eu não vou perder essa eleição. Eu digo mais, vou ganhar no primeiro turno”, diz ele, apostando na concentração de votos anti-PT na reta final.

Entre cientistas políticos, o consenso é menos estridente, mas não descarta um desfecho rápido. “Apesar de não ser tão provável, não é impossível que aconteça agora uma definição da eleição”, avalia a politóloga Luciana Santana. Para ela, a soma elevada de votos em Lula e Flávio, combinada com o encolhimento da terceira via, torna o cenário mais volátil do que as pesquisas sugerem à primeira vista.

A chave, afirmam analistas, está em São Paulo e Minas Gerais. Estados com eleitorados numerosos e ainda relativamente disputados podem decidir se haverá 2º turno ou não. Um avanço de poucos pontos de qualquer um dos candidatos, puxado por voto útil, pode redefinir o quadro nacional.

O mercado financeiro observa esse movimento com atenção. A possibilidade de uma decisão concentrada no domingo reduz incertezas sobre o horizonte político, mas também intensifica a leitura de que o próximo governo terá um mandato fortemente polarizado, com pressão de bases mobilizadas nas ruas e nas redes.

Até o fechamento das urnas, campanhas intensificam agendas em SP, MG e RJ, reforçam presença em redes sociais e direcionam esforços para converter os poucos indecisos e conquistar votos de simpatizantes de Cury, Caiado, Renan Santos e demais candidaturas menores. O Datafolha de hoje não fecha a disputa, mas delimita o tabuleiro em que será jogado o fim de semana que pode definir quem governará o país pelos próximos quatro anos.

Há chance real de a eleição ser decidida no 1º turno?

Há chance concreta de a eleição ser decidida no 1º turno porque Lula reúne hoje 45% dos votos válidos, Flávio Bolsonaro soma 40% e os demais candidatos encolhem, em um cenário com 82% do eleitorado totalmente decidido e espaço limitado para recuperação da chamada terceira via na reta final.

Por que São Paulo e Minas Gerais são decisivos nesta reta final?

São Paulo e Minas Gerais são decisivos porque concentram os maiores colégios eleitorais do país, têm disputas apertadas – com empate técnico em SP e vantagem de 42% a 36% para Lula em MG – e podem, com pequenos movimentos de voto útil, empurrar a eleição para definição no domingo ou para um 2º turno.


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